Se você vai prestar CPA, ANCORD, CFP ou CGA, a classificação ANBIMA de fundos é presença garantida na prova. E ela costuma derrubar candidato preparado por um motivo simples: quem decora a lista de tipos erra, quem entende a lógica dos níveis acerta.
Neste guia você vai entender como funciona a hierarquia de três níveis, o que cai em renda fixa, o que cai em ações e quais detalhes o examinador adora cobrar.
O que é a classificação ANBIMA de fundos de investimento
A classificação ANBIMA organiza os fundos em níveis, partindo das classes de ativos até chegar a estratégias mais específicas. A ideia é dar transparência: a política de investimento do fundo precisa deixar claras as estratégias e os riscos que resultam dessas escolhas.
Os níveis espelham a lógica do processo de investimento. A partir das necessidades, restrições e apetite ao risco de cada investidor, a estrutura responde a três perguntas em sequência:
- Primeiro nível: qual é a classe de ativos que mais se adequa ao investidor
- Segundo nível: quais são os riscos que o investidor está disposto a correr
- Terceiro nível: quais estratégias atendem melhor aos objetivos específicos do investidor
Essa hierarquia cria um caminho que orienta a decisão e aproxima o que o investidor quer dos produtos disponíveis para ele.
Ponto de prova: o primeiro nível reflete as classes definidas pela regulação da CVM. O segundo nível explicita o tipo de gestão e os riscos associados, fazendo sempre que possível a analogia entre gestão ativa e indexada (passiva). O terceiro nível traz a estratégia específica do fundo.
Os 3 níveis da classificação ANBIMA na prática
| Nível | O que define | Pergunta que responde |
|---|---|---|
| Nível 1 | Classe de ativos | Onde o dinheiro vai ser aplicado? |
| Nível 2 | Tipo de gestão e riscos assumidos | Quanto risco o investidor aceita correr? |
| Nível 3 | Estratégia específica | Como o gestor pretende chegar lá? |
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Classificação ANBIMA de Fundos Hierarquia em 3 níveis: da classe de ativos até a estratégia |
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Os três níveis da classificação
Como os níveis se aplicam
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| PRO EDU proeducacional.com |
Classificação ANBIMA de fundos de renda fixa
Na renda fixa, a classificação espelha os fatores decisivos do processo de investimento nessa classe de ativo:
- a opção por um tipo de gestão, que pode ser ativa ou indexada (passiva)
- o risco de mercado suportado pelo investidor, que na renda fixa está diretamente ligado à duration das carteiras
- o risco de crédito que o investidor quer correr
Ou seja: o segundo nível traz o tipo de gestão e, escolhida a gestão ativa, o risco de mercado (duração da carteira). O terceiro nível explicita o risco de crédito. Já o investimento no exterior aparece logo no segundo nível, quando o fundo mantém mais de 40% da carteira em ativos fora do mercado brasileiro.
Nível 1: o que caracteriza um fundo de renda fixa
São fundos que buscam retorno por meio de investimentos em ativos de renda fixa, sendo aceitos títulos sintetizados por meio de derivativos, com estratégias que impliquem risco de juros e de índice de preços. São admitidos ativos de renda fixa emitidos no exterior. Ficam de fora estratégias que impliquem exposição em renda variável.
Nível 2: tipo de gestão e sensibilidade à taxa de juros
Neste nível os fundos são separados conforme o tipo de gestão. E, dentro da gestão ativa, conforme a sensibilidade à taxa de juros:
- Renda Fixa Simples: fundos de renda fixa com o sufixo "Simples" na denominação, conforme a regra específica da CVM
- Indexados: buscam seguir as variações de indicadores de referência do mercado de renda fixa
- Ativos: os demais fundos, classificados conforme a duration média ponderada da carteira
As durations usadas como referência são atualizadas a cada ano, com base no último dia útil de junho, valendo para os doze meses seguintes, ou quando o Comitê de Renda Fixa e Multimercados julgar necessário. O parâmetro é o IMA e seus subíndices.
| Categoria | Duration média ponderada | O que esperar |
|---|---|---|
| Duração Baixa (short duration) | Inferior a 21 dias úteis | Minimiza a oscilação causada por mudanças nos juros futuros. Inclui fundos remunerados a CDI ou Selic |
| Duração Média (mid duration) | Inferior ou igual à apurada no IRF-M do último dia útil de junho | Limita a oscilação decorrente de alterações nos juros futuros |
| Duração Alta (long duration) | Igual ou superior à apurada no IMA-GERAL do último dia útil de junho | Maior oscilação nos retornos diante de mudanças nos juros futuros |
| Duração Livre | Sem compromisso de limite mínimo ou máximo | O gestor tem liberdade total de duration |
Ponto de prova: nas categorias Duração Baixa, Média e Alta, o hedge cambial da parcela investida no exterior é obrigatório e ficam excluídas estratégias com exposição a moeda estrangeira ou renda variável. Na Duração Livre, o hedge cambial é facultativo ao gestor. Essa diferença é campeã de pegadinha.
Nível 3: o risco de crédito da carteira
| Subcategoria | Regra de composição |
|---|---|
| Soberano | Investem 100% em títulos públicos federais do Brasil |
| Grau de Investimento | No mínimo 80% da carteira em títulos públicos federais, ativos com baixo risco de crédito do mercado doméstico ou externo, ou sintetizados via derivativos com registro em câmaras de compensação |
| Crédito Livre | Podem manter mais de 20% da carteira em títulos de médio e alto risco de crédito do mercado doméstico ou externo |
Investimento no exterior e dívida externa
A categoria Investimento no Exterior reúne fundos que investem em ativos financeiros no exterior em parcela superior ou igual a 40% do patrimônio líquido. No terceiro nível, esses fundos se dividem em duas subcategorias:
- Investimento no Exterior: parcela igual ou superior a 40% do patrimônio líquido aplicada em ativos financeiros no exterior
- Dívida Externa: no mínimo 80% do patrimônio líquido em títulos representativos da dívida externa de responsabilidade da União
Classificação ANBIMA de fundos de ações
A lógica se repete nos fundos de ações: tipo de gestão no segundo nível, estratégias específicas no terceiro nível e segregação dos fundos com mais de 40% da carteira no exterior já no segundo nível.
Nível 1: o mínimo de 67% em ações
Fundos de ações devem possuir, no mínimo, 67% da carteira em ações à vista, bônus ou recibos de subscrição, certificados de depósito de ações, cotas de fundos de ações, cotas de fundos de índice de ações e Brazilian Depositary Receipts (BDR) classificados como nível I, II e III. O hedge cambial da parcela de ativos no exterior é facultativo ao gestor.
Nível 2: indexados, ativos e específicos
- Indexados: buscam replicar as variações de indicadores de referência do mercado de renda variável
- Ativos: buscam superar um índice de referência ou não fazem referência a nenhum índice, com seleção de ativos suportada por um processo de investimento estruturado
- Específicos: fundos com estratégias ou características particulares, como condomínio fechado ou aplicação em ações de uma única empresa
Nos indexados e nos ativos, os recursos remanescentes em caixa devem ser investidos em cotas de fundos Renda Fixa Duração Baixa Grau de Investimento ou em ativos permitidos a estes, respeitadas as regras de composição da carteira do tipo ANBIMA. A exceção fica com os fundos classificados como Livre no terceiro nível.
Nível 3: as estratégias dos fundos de ações
| Estratégia | Como funciona |
|---|---|
| Valor/Crescimento | Seleciona empresas negociadas abaixo do preço justo estimado (valor) e/ou com histórico ou perspectiva de forte crescimento de lucros, receitas e fluxos de caixa (crescimento) |
| Setoriais | Investem em empresas de um mesmo setor ou de setores afins, com critérios de elegibilidade explicitados na política de investimento |
| Dividendos | Investem em ações de empresas com histórico consistente de dividend yield ou com essa perspectiva na visão do gestor |
| Small Caps | No mínimo 85% da carteira de ações em empresas fora das 25 maiores participações do IBrX. Os 15% restantes podem ir para ações de maior liquidez, desde que fora das dez maiores participações do índice |
| Sustentabilidade/Governança | Investem em empresas com bons níveis de governança corporativa ou destaque em responsabilidade social e sustentabilidade no longo prazo, conforme critérios de entidades reconhecidas pelo mercado |
| Índice Ativo (indexed enhanced) | Buscam superar o índice de referência por meio de deslocamentos táticos em relação à carteira de referência |
| Livre | Não têm compromisso de concentração em uma estratégia específica. A parcela em caixa pode ir para quaisquer ativos previstos em regulamento |
Ponto de prova: guarde os três percentuais que mais caem em ações: 67% para o fundo ser classificado como Ações, 85% para Small Caps e 40% para Investimento no Exterior. Números redondos, questões diretas.
Fundos específicos: fechados, FMP-FGTS e mono ação
- Fundos Fechados de Ações: fundos de condomínio fechado
- Fundos de Ações FMP-FGTS: conforme a regulamentação vigente
- Fundos de Mono Ação: estratégia de investimento em ações de apenas uma empresa
Da Instrução CVM 555 à Resolução CVM 175: o que o candidato precisa saber
Boa parte do material clássico sobre classificação ANBIMA cita a Instrução CVM 555, que estruturou as classes de fundos por anos. Essa norma foi substituída pela Resolução CVM 175, que consolidou o arcabouço regulatório dos fundos em um corpo único de regras gerais, complementado por anexos normativos para cada tipo de fundo, como os FIFs (Fundos de Investimento Financeiro), FIDCs, ETFs, FIPs e FIIs. A nova estrutura também trouxe a lógica de classes e subclasses de cotas dentro de um mesmo fundo.
A boa notícia: a lógica dos três níveis da ANBIMA continua sendo a espinha dorsal da matéria. Antes da sua prova, confira o edital e o material atualizado da sua certificação para saber qual base normativa está sendo cobrada.
Qual certificação cobra a classificação ANBIMA de fundos
Esse tema aparece em praticamente todas as certificações do mercado financeiro brasileiro, com profundidades diferentes. Veja onde ele cai e escolha o curso certo para a sua etapa de carreira:
| Certificação | Como o tema aparece | Curso Pro Edu |
|---|---|---|
| CPA e C-PRO | Base de produtos de investimento: classes, tipos de gestão e riscos dos fundos | Combo CPA + C-PRO I e C-PRO R |
| ANCORD | Fundos de investimento e adequação de produtos ao perfil do cliente | Curso ANCORD |
| CFP | Planejamento de investimentos e seleção de fundos por objetivo do cliente | Curso CFP |
| CFG, CGA e CGE | Visão do gestor: duration, risco de crédito, estratégias e limites de carteira | Curso CFG, CGA e CGE |
| CNPI | Análise de ativos e estratégias de renda variável | Curso CNPI |
Quadro-resumo da classificação ANBIMA de fundos
| Classe | Nível 1 | Nível 2 | Nível 3 |
|---|---|---|---|
| Renda Fixa | Ativos de renda fixa, sem renda variável | Simples, Indexados, Ativos (duração baixa, média, alta ou livre) e Investimento no Exterior | Soberano, Grau de Investimento, Crédito Livre, Investimento no Exterior e Dívida Externa |
| Ações | No mínimo 67% em ações e ativos equivalentes | Indexados, Ativos, Específicos e Investimento no Exterior | Valor/Crescimento, Setoriais, Dividendos, Small Caps, Sustentabilidade/Governança, Índice Ativo, Livre, fechados, FMP-FGTS e mono ação |
Exercícios comentados sobre classificação ANBIMA
Questão 1
Um fundo de renda fixa que aplica 100% de sua carteira em títulos públicos federais do Brasil é classificado, no terceiro nível da classificação ANBIMA, como:
- a) Grau de Investimento
- b) Soberano
- c) Crédito Livre
- d) Dívida Externa
Gabarito: B. Soberano é a subcategoria dos fundos que investem 100% em títulos públicos federais do Brasil. Grau de Investimento exige no mínimo 80% em títulos públicos federais ou ativos de baixo risco de crédito, e Crédito Livre pode ter mais de 20% em títulos de médio e alto risco. Dívida Externa se refere a títulos da dívida externa de responsabilidade da União, o que é outra coisa.
Questão 2
A duration média ponderada da carteira é utilizada na classificação ANBIMA para segmentar os fundos de renda fixa:
- a) De gestão indexada, no primeiro nível
- b) De gestão ativa, no segundo nível
- c) De gestão ativa, no terceiro nível
- d) Simples, no terceiro nível
Gabarito: B. A duration mede a sensibilidade da carteira a alterações na taxa de juros, ou seja, risco de mercado. Como o segundo nível trata justamente do tipo de gestão e dos riscos assumidos, é ali que os fundos ativos se dividem em duração baixa, média, alta e livre. O risco de crédito é que fica no terceiro nível.
Questão 3
Para ser classificado como Small Caps, o fundo deve aplicar, no mínimo, qual percentual de sua carteira de ações em empresas fora das 25 maiores participações do IBrX?
- a) 67%
- b) 80%
- c) 85%
- d) 95%
Gabarito: C. O mínimo é 85%. Os 15% restantes podem ser aplicados em ações de maior liquidez ou capitalização, desde que não estejam entre as dez maiores participações do IBrX. Cuidado para não confundir com os 67% mínimos que definem um fundo como Ações no primeiro nível.
Questão 4
Um fundo que aplica 45% do patrimônio líquido em ativos financeiros no exterior tem essa característica evidenciada em qual nível da classificação ANBIMA?
- a) Primeiro nível
- b) Segundo nível
- c) Terceiro nível
- d) Não é evidenciada na classificação
Gabarito: B. Quando o fundo mantém parcela igual ou superior a 40% do patrimônio líquido em ativos no exterior, isso já aparece no segundo nível, tanto em renda fixa quanto em ações. No terceiro nível, os fundos de renda fixa dessa categoria ainda se dividem entre Investimento no Exterior e Dívida Externa.
Transforme teoria em acerto na prova
Entender a classificação ANBIMA de fundos é o tipo de conteúdo que rende pontos fáceis para quem estuda com material organizado e treina com questões no padrão da banca. Decorar lista não funciona: o que funciona é entender a pergunta que cada nível responde e treinar até virar automático.
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Referências bibliográficas
- ANBIMA. Classificação de Fundos de Investimento. Rio de Janeiro: Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais.
- BRASIL. Comissão de Valores Mobiliários. Instrução CVM nº 555, que dispõe sobre a constituição, a administração, o funcionamento e a divulgação de informações dos fundos de investimento.
- BRASIL. Comissão de Valores Mobiliários. Resolução CVM nº 175, que dispõe sobre a constituição, o funcionamento e a divulgação de informações dos fundos de investimento e seus anexos normativos.