A diferença entre day trade e swing trade é um dos pontos mais cobrados em provas de certificação do mercado financeiro. Esse conceito faz parte do conteúdo de análise técnica (ou análise gráfica) e também é uma dúvida comum entre quem está começando a operar na bolsa.
O critério que separa essas estratégias não é o tamanho do movimento buscado, mas sim a escala de tempo do gráfico utilizada e o momento de encerramento da posição. Neste conteúdo, você vai entender como funcionam as escalas de tempo em gráficos de candlestick e como essa lógica se conecta diretamente ao perfil de cada tipo de investidor: do operador de longo prazo ao scalper.
Como funcionam as escalas de tempo nos gráficos
Os gráficos que utilizam o tempo como um dos eixos podem adotar diferentes períodos de análise. O mais comum é o gráfico diário, no qual cada candle ou barra representa os preços negociados ao longo de um único pregão.
Mas uma barra ou candle pode representar qualquer intervalo de tempo: um dia, uma semana ou até períodos intradiários, como 10 minutos. O termo "intradiário" designa justamente os intervalos de tempo que ocorrem dentro do mesmo dia de negociação.
O comparativo abaixo entre o Ibovespa em escala diária e semanal mostra como um mesmo período histórico pode ser representado de formas bem diferentes, dependendo do intervalo de tempo escolhido.
A lógica de formação do candle semanal e mensal
Em uma escala semanal, cada candlestick corresponde a uma semana inteira: o preço de abertura reflete a segunda-feira, o de fechamento reflete a sexta-feira, e a máxima e a mínima refletem os extremos observados ao longo de toda a semana.
Ponto de prova: para lembrar a lógica de formação do candle semanal, use o mnemônico ASFAMI: Abertura na Segunda, Fechamento na sexta (sexta = "F"), Máxima e mínima da semana Incorporadas. O candle semanal não é um dado novo e isolado, mas a síntese de cinco pregões diários.
Esse princípio de síntese se repete conforme a escala aumenta: à medida que o intervalo de tempo cresce, o gráfico de intervalo menor é incorporado ao gráfico de intervalo maior. Um candle mensal, por exemplo, resume o que ocorreu em todas as semanas daquele mês, da mesma forma que o candle semanal resume os pregões diários que o compuseram.
Escalas de tempo e perfil do investidor
Compreendida a lógica de formação dos candles, é possível avançar para um ponto muito cobrado em provas de certificação como CPA, ANCORD e CNPI: a relação entre a escala de tempo escolhida e o perfil do investidor.
Investidores que buscam ganhos em prazos mais curtos tendem a utilizar gráficos com períodos menores, como o intraday ou o diário. Quanto maior a propensão à especulação de curto prazo, menores tendem a ser os períodos utilizados: como o horizonte de decisão é curto, é necessário observar intervalos de tempo menores para identificar oportunidades dentro desse prazo reduzido.
De forma geral, as operações do mercado financeiro podem ser classificadas conforme o prazo e a escala gráfica utilizada:
| Estratégia | Escala gráfica utilizada | Horizonte de tempo |
|---|---|---|
| Médio e longo prazo | Mensal, semanal e diário | Semanas a anos |
| Swing trade | Diário e intraday de 60 minutos | Alguns dias |
| Day trade | Intraday de 15 a 60 minutos | Dentro do mesmo pregão |
| Scalping | Intraday de 1 a 5 minutos | Minutos, dentro do mesmo pregão |
Day trade e swing trade: qual a diferença
Esse é o ponto que mais gera confusão em provas de certificação. O critério decisivo entre day trade e swing trade não é o tamanho do movimento buscado, e sim se a posição é encerrada ou não dentro do mesmo pregão.
- Day trade: abertura e encerramento da posição sempre no mesmo dia.
- Swing trade: a posição pode ser mantida por mais de um pregão, aproveitando movimentos de curto e médio prazo.
Situação típica de prova: um investidor mantém posições por poucos dias, buscando aproveitar movimentos de curto e médio prazo, sem realizar diversas operações no mesmo dia. Em qual estratégia ele se enquadra?
Resposta comentada: swing trade, e não day trade, já que o day trade pressupõe abertura e encerramento da posição dentro do mesmo pregão.
O que é scalping
O scalping é a estratégia de menor horizonte temporal entre todas: opera tipicamente em candles de 1 a 5 minutos, com múltiplas operações realizadas dentro do mesmo pregão.
Exemplo prático: um investidor que opera scalping em ações de alta liquidez, como Petrobras (PETR4) ou Vale (VALE3), normalmente acompanha candles de 1 a 5 minutos, buscando várias operações de curtíssimo prazo ao longo do próprio pregão, com ganhos pequenos por operação e alto volume de negociações.
Pegadinha recorrente: associar o scalping a operações de médio prazo. Na realidade, é exatamente o oposto: o scalping é a estratégia de menor horizonte temporal do mercado.
Visualizando o mesmo ativo em diferentes escalas de tempo
Para consolidar esse conceito, observe o mesmo ativo, Ambev (ABEV3), representado em diferentes escalas de tempo. Note que, à medida que o intervalo de tempo diminui, o mesmo ativo revela oscilações de curto prazo que não são visíveis na escala semanal. Isso evidencia por que traders de prazos mais curtos dependem de escalas gráficas menores para identificar pontos de entrada e saída.
Quadro-resumo
| Conceito | O que lembrar |
|---|---|
| Candle semanal | Abertura na segunda, fechamento na sexta, máxima e mínima da semana (mnemônico ASFAMI) |
| Candle mensal | Resume todas as semanas daquele mês |
| Day trade x swing trade | O critério é o encerramento (ou não) da posição no mesmo pregão, não o tamanho do movimento |
| Scalping | Menor horizonte temporal: candles de 1 a 5 minutos |
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| Certificação | Indicada para | Curso |
|---|---|---|
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Referências bibliográficas
- NISON, S. Japanese Candlestick Charting Techniques. Nova York: New York Institute of Finance.
- MURPHY, J. J. Technical Analysis of the Financial Markets. Nova York: New York Institute of Finance.
- ELDER, A. Trading for a Living. Nova Jersey: John Wiley & Sons.