Se você está estudando para uma certificação do mercado financeiro, os fundos de renda variável são presença garantida na prova. E quase sempre pelo mesmo motivo: a banca quer saber se você domina os percentuais mínimos de carteira, a lógica do ETF de ações e a diferença entre mercado primário e secundário. Este guia organiza o tema do jeito que ele é cobrado.
O que são fundos de renda variável
Fundos de renda variável são veículos de investimento coletivo em que os recursos de vários investidores são aplicados em conjunto no mercado de ações. O patrimônio formado é gerido por um investidor profissional, que decide as alocações conforme a política de investimento previamente estabelecida no regulamento.
O resultado é repartido entre os participantes na proporção do valor aportado por cada um. Se as aplicações se valorizam, as cotas do fundo se valorizam. Se o resultado é negativo, as cotas se desvalorizam na mesma lógica.
ETF de renda variável: o fundo de índice de ações
O Exchange Traded Fund (ETF) de renda variável, também chamado de ETF de ações, é o fundo de índice negociado em Bolsa. Ele reúne recursos destinados a um portfólio de ações que busca entregar retornos que espelhem o desempenho de um índice de referência, em geral antes de taxas e despesas.
Esse índice de referência é uma carteira teórica composta majoritariamente por ações, construída apenas para medir a performance daquele conjunto de ativos. Vale como índice de referência de um ETF de ações qualquer índice reconhecido pela CVM.
Para que serve o índice de referência
O ETF permite ao investidor avaliar o comportamento de um conjunto específico de ações em relação a outro conjunto, ou até em relação à sua própria carteira. Como os índices são calculados a partir de carteiras teóricas, eles funcionam como régua de comparação de desempenho.
Ao comprar cotas de um ETF, o investidor passa a deter indiretamente todas as ações da carteira teórica do índice, sem precisar comprá-las separadamente no mercado. Daí a agilidade e a eficiência na hora de diversificar.
Ponto de prova: o ETF de ações busca replicar o índice, não superá-lo. Sempre que a questão falar em "superar o benchmark" ou "gerar alfa", ela está descrevendo gestão ativa, e não um fundo de índice.
Mercado primário do ETF: integralização e resgate no modelo In Kind
A B3 fornece o ambiente para emissão e resgate das cotas de ETF de índices de ações. É no mercado primário que o patrimônio do fundo efetivamente aumenta ou diminui, por meio da emissão de novas cotas ou do cancelamento de cotas existentes pelo administrador.
O investidor que quiser operar no mercado primário precisa fazê-lo por meio dos agentes autorizados pelo ETF, que no Brasil são as corretoras e as distribuidoras de títulos e valores mobiliários (DTVM).
Como funciona o modelo In Kind
- Intermediação obrigatória: a operação acontece sempre por meio de um agente autorizado.
- Integralização de cotas: o investidor entrega a cesta de ativos ao administrador em troca do lote mínimo de cotas do ETF.
- Resgate de cotas: o investidor entrega pelo menos um lote mínimo de cotas do ETF ao administrador em troca da cesta de ativos.
- Lotes definidos em regulamento: o lote mínimo e o lote máximo de ativos financeiros para emissão e resgate são estabelecidos no regulamento do fundo.
Qual valor é usado na emissão e no resgate
Tanto na emissão quanto no resgate utiliza-se o valor patrimonial apurado no fechamento do dia da solicitação. O valor patrimonial da cota é o resultado da divisão do patrimônio líquido do ETF pelo número de cotas existentes no fechamento do dia, e sua apuração segue critérios idênticos aos usados para calcular o valor de encerramento do índice de referência.
Ponto de prova: guarde a troca do modelo In Kind: cesta de ativos entra, cotas saem (integralização); cotas entram, cesta de ativos sai (resgate). Não há entrega de dinheiro nesse processo, e é justamente esse detalhe que as questões costumam inverter.
Ficha técnica do ETF de ações negociado na B3
| Característica | Como funciona |
|---|---|
| Código de negociação | XXXX11, em que XXXX são 4 letras maiúsculas que representam o nome do fundo e 11 é o número que identifica, entre outros ativos, cotas de fundo |
| Cotação | Reais por cota, com 2 casas decimais |
| Liquidação | Física e financeira |
| Prazo de liquidação | D+2, a partir da data de negociação |
| Mercado | A vista |
| Lote padrão | Mercado primário: determinado pelo emissor. Mercado secundário: 10 cotas. Lote fracionário do mercado secundário: 1 cota |
A regra dos 67%: quanto o fundo de ações precisa ter em ações
Fundos de renda variável devem investir, no mínimo, 67% do patrimônio líquido em ações ou em outros valores mobiliários relacionados a ações negociados em mercados organizados, como a Bolsa de Valores. Os 33% restantes podem ser aplicados em outras formas de ativos financeiros.
| Parcela da carteira | Onde pode ser aplicada |
|---|---|
| Mínimo de 67% | Ações, bônus e recibos de subscrição, cotas de outros fundos de ações, cotas de fundos de índices de ações, BDRs e certificados de depósito de ações |
| Até 33% | Outros ativos financeiros, conforme a política de investimento do fundo |
Ponto de prova: 67% é o percentual clássico dos fundos de ações. Não confunda com os 85% exigidos dos fundos de small caps nem com os 40% que obrigam o fundo a levar a expressão "investimento no exterior" na denominação.
Principal fator de risco dos fundos de ações
O maior fator de risco do ETF de ações é a variação nos preços das ações que compõem a carteira. Por ser um produto de renda variável, pode apresentar alta volatilidade, e a oscilação do valor da cota tende a ser rápida e intensa.
Por isso, o produto é mais indicado para investimentos de longo prazo e para perfis que suportem exposição elevada a risco em troca da expectativa de retorno maior.
O regulamento pode prever uma política de investimento mais flexível, permitindo ao gestor aplicar em qualquer tipo de ação, concentrar a carteira em determinado setor da economia ou seguir um índice específico, como IBrX 100, IBrX 50 ou Ibovespa.
Vantagens dos fundos de índices de ações
Taxa de administração
A taxa de administração do ETF de renda variável costuma ser menor do que a de fundos de renda variável tradicionais. O investidor é cobrado apenas pelos dias em que mantiver as cotas em carteira.
Diversificação em uma única operação
Com uma única transação, o investidor acessa um portfólio diversificado de ações, já que as carteiras dos índices costumam ser pulverizadas em diversos ativos. A exceção fica por conta de estratégias que concentram o fundo em poucas ações.
Negociação no mercado secundário
Assim como acontece com uma ação, é possível comprar e vender cotas de ETF de renda variável no mercado secundário. O crédito e o débito dos valores ocorrem na conta do investidor conforme o ciclo de liquidação da B3, em D+2.
Acompanhamento da posição
O investidor pode acompanhar, inclusive em tempo real, as alterações na composição e na proporção da carteira teórica do índice de referência, sem precisar comprar ou vender essas ações individualmente.
Gestão profissional
A gestão fica a cargo de um profissional especializado, que decide os investimentos conforme critérios e análises definidos. A contrapartida: investidores com maior conhecimento de mercado não podem interferir nas decisões nem escolher quais ações serão negociadas, pois isso cabe ao gestor.
Estude fundos de renda variável com quem prepara para a prova
Fundos de renda variável aparecem em praticamente todas as certificações do mercado financeiro, sempre com foco em percentuais, estrutura e classificação. Escolha o preparatório da certificação que você vai fazer:
| Certificação | Como o tema é cobrado | Curso |
|---|---|---|
| CPA, C-Pro I e C-Pro R | Estrutura de fundos, percentuais mínimos de carteira e adequação do produto ao perfil do investidor | Combo CPA + C-Pro I e R |
| ANCORD | Negociação de cotas de ETF na B3, lotes, códigos e liquidação das operações | Curso ANCORD |
| CFP | Uso de fundos de ações e ETFs na alocação e no planejamento de investimentos do cliente | Curso CFP |
| CFG, CGA e CGE | Gestão de carteiras, índices de referência e classificação ANBIMA dos fundos | Curso CFG, CGA e CGE |
| CNPI | Análise de índices de ações, setores e comparação de desempenho de carteiras | Curso CNPI |
Tipos de fundos de ações na classificação ANBIMA
Para facilitar o entendimento do investidor, a ANBIMA classifica os fundos de ações em categorias que indicam a estratégia principal adotada.
Fundos de dividendos
Investem em ações de companhias com histórico consistente de distribuição de dividendos, ou seja, da parcela do lucro repassada aos acionistas. Setores como o elétrico e o de serviços públicos costumam apresentar dividend yield mais elevado, que é a taxa de retorno obtida com proventos.
Fundos de small caps
Investem no mínimo 85% do patrimônio em ações de empresas com baixa capitalização de mercado. Para a ANBIMA, small caps são os papéis que não estão entre as 25 maiores participações do IBrX, o Índice Brasil.
Os 15% restantes podem ser aplicados em ações de maior liquidez ou capitalização, desde que não estejam entre as 10 ações de maior representatividade do IBrX. Esses fundos tendem a apresentar volatilidade maior, já que as small caps têm menor liquidez no pregão e cotações mais sujeitas a oscilações bruscas.
Fundos setoriais
Concentram os investimentos em empresas de um mesmo ramo ou em setores com afinidade econômica, como infraestrutura, varejo ou indústria. A política de investimento precisa destacar os critérios de escolha dos setores, subsetores ou ramos elegíveis.
Fundos com investimento no exterior
Podem investir em ativos fora do Brasil, respeitados determinados limites. A denominação do fundo deverá obrigatoriamente conter a expressão "investimento no exterior" quando mais de 40% do patrimônio líquido estiver aplicado fora do país. A regra também alcança fundos de ações que admitem alavancagem.
Fundos específicos
Adotam alguma característica ou estratégia particular. Exemplos: fundos fechados, em que a entrada de investidores só é permitida em períodos determinados e o resgate ocorre ao fim do prazo do fundo; fundos FMP-FGTS, que permitem aplicar recursos do FGTS em ações de estatais; e fundos mono ação, que aplicam em ações de uma única companhia.
Fundos livres
Não têm compromisso de concentrar as aplicações em uma estratégia determinada e podem investir em qualquer tipo de ativo, desde que as particularidades estejam detalhadas no regulamento.
| Categoria | Marca registrada da estratégia |
|---|---|
| Dividendos | Empresas com histórico consistente de proventos |
| Small caps | Mínimo de 85% em ações fora das 25 maiores do IBrX |
| Setoriais | Concentração em um setor ou ramo definido em política |
| Investimento no exterior | Mais de 40% do PL fora do país obriga a expressão na denominação |
| Específicos | Fundos fechados, FMP-FGTS e mono ação |
| Livres | Sem compromisso com estratégia predefinida |
Ponto de prova: a banca adora trocar os números entre categorias. Fixe a sequência: 67% (fundos de ações em geral), 85% (small caps), 40% (gatilho do investimento no exterior), 25 maiores do IBrX (limite que define small cap) e 10 maiores do IBrX (limite dos 15% restantes).
Exercícios comentados
Questão 1
Um fundo classificado como fundo de ações deve investir, no mínimo, qual percentual do seu patrimônio em ações e ativos relacionados a ações negociados em mercados organizados?
- a) 51%
- b) 67%
- c) 85%
- d) 95%
Resposta: alternativa B. O mínimo é de 67%, e essa parcela pode ser composta por ações, bônus e recibos de subscrição, cotas de fundos de ações, cotas de fundos de índices de ações, BDRs e certificados de depósito de ações. Os 33% restantes ficam livres para outros ativos financeiros. Os 85% da alternativa C referem-se especificamente aos fundos de small caps.
Questão 2
No mercado primário de um ETF de ações, no processo de integralização de cotas pelo modelo In Kind, o investidor:
- a) entrega recursos financeiros ao administrador e recebe cotas
- b) entrega a cesta de ativos ao administrador e recebe o lote mínimo de cotas
- c) compra cotas diretamente de outro investidor na B3
- d) entrega cotas ao gestor e recebe dividendos
Resposta: alternativa B. A integralização no modelo In Kind ocorre por meio de agente autorizado e consiste na entrega da cesta de ativos ao administrador em troca do lote mínimo de cotas do ETF. A alternativa C descreve o mercado secundário, e não o primário.
Questão 3
Um fundo de ações que aplica 45% do seu patrimônio líquido em ativos negociados fora do Brasil deve:
- a) ser reclassificado como fundo cambial
- b) reduzir a exposição para no máximo 40%
- c) incluir obrigatoriamente a expressão "investimento no exterior" na sua denominação
- d) encerrar as aplicações no exterior em até 30 dias
Resposta: alternativa C. Quando o fundo investe mais de 40% do patrimônio líquido fora do país, a denominação deve trazer obrigatoriamente a expressão "investimento no exterior". Não há reclassificação automática de categoria nem obrigação de reduzir a exposição.
Quadro-resumo
| Item | O que memorizar |
|---|---|
| Objetivo do ETF de ações | Replicar o desempenho de um índice de referência reconhecido pela CVM |
| Composição mínima | 67% em ações e ativos relacionados a ações |
| Mercado primário | Emissão e resgate via agente autorizado, no modelo In Kind, pelo valor patrimonial do dia da solicitação |
| Mercado secundário | Cotas negociadas na B3 como ações, com liquidação em D+2 |
| Principal risco | Variação de preço das ações da carteira, com alta volatilidade |
| Classificação ANBIMA | Dividendos, small caps, setoriais, investimento no exterior, específicos e livres |
Próximo passo na sua preparação
Entender fundos de renda variável é apenas uma peça do edital. A aprovação vem da consistência: teoria objetiva, questões comentadas e simulados no padrão da banca. A Pro Educacional reúne exatamente isso em cursos preparatórios para as principais certificações do mercado financeiro brasileiro.
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