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Risco segurável e não segurável: guia para o CFP Pular para o conteúdo

Risco segurável e não segurável: guia para o CFP

Risco segurável e não segurável: guia para o CFP

Risco segurável e não segurável: guia para o CFP

Entender o que é risco segurável e o que fica fora da cobertura de uma apólice é um dos pontos que mais derrubam candidatos na prova de gestão de riscos e seguros. A banca não cobra decoreba: ela cobra se você sabe diferenciar risco de incerteza, calcular o impacto da sinistralidade e classificar a severidade de um evento. Neste guia, você vai dominar esses conceitos com exemplos práticos e exercícios comentados.

O que é risco no contrato de seguro

O Código Civil brasileiro, em seu artigo 757, trata o risco como o próprio objeto do contrato de seguro. Em outras palavras, risco é a probabilidade de que aconteça ou não o sinistro, ou seja, o evento contra o qual o segurado busca proteção. É esse evento potencial que motiva a contratação da apólice.

As três características do risco

  • Futuro: o evento ainda não ocorreu no momento da contratação.
  • Incerto: não se sabe se vai acontecer, embora exista probabilidade atribuível.
  • Potencialmente prejudicial: afeta um interesse legítimo do segurado.

A partir dessas características, diferentes interesses podem ser objeto de proteção, cada um com eventos próprios e graus distintos de severidade:

  • Eventos relacionados à saúde;
  • Eventos de acidentes pessoais;
  • Eventos de vida tradicional;
  • Eventos elementares, como residencial, comercial e equipamentos;
  • Eventos de responsabilidade civil.

Ponto de prova: o risco é uma incerteza mensurável, isto é, uma "falsa incerteza". A ocorrência do evento pode ser estimada por meio de uma distribuição de probabilidades. Guarde essa expressão: ela costuma aparecer literalmente nas alternativas.

Risco e incerteza: qual a diferença

Essa distinção é clássica e recorrente em prova. A incerteza se refere à situação em que o resultado não pode ser previsto, nem mesmo probabilisticamente. É uma condição futura que não é e não pode ser conhecida. Já o risco admite mensuração.

Critério Risco Incerteza
Previsibilidade Mensurável por probabilidade Resultado não previsível
Base de dados Existe histórico estatístico Não há base de comparação
Natureza Incerteza mensurável, ou falsa incerteza Incerteza verdadeira, sobre o desconhecido
Tratamento pelo seguro Pode ser transferido à seguradora Não é passível de precificação

Sinistralidade: o indicador que define o reajuste

A sinistralidade é um dos fatores decisivos para a manutenção do benefício de um plano, especialmente de saúde. Operacionalmente, é um indicador percentual que relaciona as despesas com a utilização dos serviços médicos e a receita de prêmio recebida pela seguradora naquele contrato.

Fórmula Leitura do resultado
Sinistralidade = (Despesas com sinistros ÷ Prêmios recebidos) x 100 Quanto maior o percentual, menor a margem da seguradora e maior a pressão por reajuste

Por isso, reduzir a sinistralidade de forma eficiente é meta de longo prazo das seguradoras. Na prática, quando a sinistralidade supera uma meta percentual previamente estipulada, o custo de manter o plano de saúde dos colaboradores fica mais alto para a pessoa jurídica contratante.

Ponto de prova: nos contratos individuais e familiares, o reajuste do prêmio depende de autorização da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Nos contratos coletivos empresariais, o reajuste é negociado entre as partes com base na sinistralidade apurada.

Severidade do risco: como medir o impacto

O risco é função de duas variáveis: frequência e severidade. A frequência indica quantas vezes o evento tende a ocorrer. A severidade mede o grau em que o interesse legítimo do segurado, por exemplo um ativo, será afetado caso a ameaça se concretize e se transforme em dano.

A análise considera a vulnerabilidade do ativo, ou seja, o quanto ele está exposto à ameaça, e a relevância desse ativo dentro do plano de gestão de riscos do cliente.

Incidente e acidente: não confunda

  • Incidente: todo evento com consequências negativas. É o conceito mais amplo.
  • Acidente: restringe-se aos eventos que efetivamente causam dano. Está contido no conceito de incidente.

Escala de severidade das consequências

Grau Consequência para o ativo com a vulnerabilidade explorada pela ameaça Valor
Muito alto Impacto extremo sobre o ativo 5
Alto Impacto muito grave sobre o ativo 4
Médio Impacto grave sobre o ativo 3
Baixo Impacto baixo sobre o ativo 2
Muito baixo Impacto bastante baixo sobre o ativo 1

Risco segurável: o que a seguradora aceita cobrir

Antes de contratar uma apólice, o cliente precisa identificar sua necessidade e o interesse a proteger, porque nem todo interesse legítimo relativo à pessoa ou ao patrimônio pode ser segurado. É aqui que entra a classificação entre risco segurável e risco não segurável, aplicável a categorias como:

  • Risco jurídico;
  • Risco operacional;
  • Risco social;
  • Risco ambiental;
  • Risco patrimonial;
  • Risco financeiro.

A característica fundamental do risco segurável é a existência de estatística anterior. São os dados passados que servem de base para calcular o prêmio e o valor de indenização. No seguro de vida, por exemplo, a probabilidade de falecimento em determinada faixa etária é estimada com base em séries históricas consolidadas em tábuas atuariais.

Na prática, quase todo risco pode ser objeto de contrato de seguro. As exceções são bem delimitadas: os riscos proibidos por lei, como atos dolosos ou ilícitos, e aqueles cujo valor supere o da coisa segurada.

Risco não segurável: o que fica fora da cobertura

Riscos não seguráveis são aqueles que a seguradora não pode cobrir, seja por determinação legal, seja porque as perdas futuras de longo prazo não podem ser computadas de forma confiável. Nesse segundo caso, o prêmio necessário ultrapassaria o valor do próprio bem, o que inviabiliza o contrato. Entre os exemplos mais cobrados estão:

  • Jogos de azar, como o jogo do bicho;
  • Guerras e conflitos armados, incluindo guerra civil;
  • Desastres naturais extremos, como erupções vulcânicas, terremotos, maremotos e queda de meteoros;
  • Perdas em mercado de capitais decorrentes de azar ou incompetência na gestão;
  • Inovação de produtos e risco de insucesso comercial;
  • Delitos com veículos automotores, como multas e infrações de trânsito.
Aspecto Risco segurável Risco não segurável
Base estatística Existe histórico de eventos Inexistente ou insuficiente
Mensuração da perda Possível e economicamente viável Inviável ou superior ao valor do bem
Legalidade Interesse lícito e legítimo Atos dolosos, ilícitos ou vedados por lei
Exemplos Vida, saúde, automóvel, residência, responsabilidade civil Guerra, jogos de azar, multas, catástrofes extremas

Ponto de prova: a lógica é sempre a mesma. Se a seguradora tem base de dados, informações e estudos de eventos, ela consegue precificar e ofertar indenização suficiente. Sem base estatística, não há risco segurável.

Onde estudar gestão de riscos e seguros com profundidade

Risco segurável, sinistralidade e severidade não aparecem isolados na prova. Eles se conectam a planejamento sucessório, previdência, análise de perfil do investidor e gestão patrimonial. Os cursos da Pro Edu tratam o módulo inteiro de forma integrada, com videoaulas, apostilas e milhares de questões comentadas.

Certificação Para quem é Acesse
CFP Planejadores financeiros. Traz o módulo completo de gestão de riscos e seguros Curso CFP
CFG, CGA e CGE Profissionais de gestão de recursos e análise de risco de carteiras Curso CFG, CGA e CGE
CPA, C-PRO I e C-PRO R Profissionais de distribuição e atendimento em instituições financeiras Combo CPA e C-PRO
ANCORD Futuros assessores de investimentos Curso ANCORD

Incerteza e aleatoriedade: o erro comum das apostilas

Vale um alerta conceitual. Muitos materiais confundem incerteza com aleatoriedade, e o problema não se restringe ao conteúdo produzido no Brasil.

  • Incerteza verdadeira diz respeito aos riscos desconhecidos, aqueles para os quais não existe atribuição de probabilidade.
  • Aleatoriedade se refere à ausência de conhecimento sobre o estado futuro de uma variável, assumida alguma distribuição de probabilidade, como a normal padrão.

Repare que, uma vez que o risco é conhecido, ele deixa de ser improvável e passa a ter probabilidade atribuída, ainda que não haja certeza. Além disso, conforme se aproxima a data do evento, a probabilidade estimada tende a aumentar, o que depende da unidade de tempo usada na modelagem e da precisão do modelo. É exatamente por isso que a definição legal do artigo 757 trabalha com uma falsa incerteza, e não com a incerteza verdadeira.

Quadro-resumo dos conceitos

Conceito Definição direta
Risco Objeto do contrato de seguro. Evento futuro, incerto e potencialmente prejudicial, com probabilidade mensurável
Incerteza Situação cujo resultado não pode ser previsto nem mensurado por probabilidade
Sinistralidade Relação percentual entre despesas com sinistros e prêmios recebidos
Severidade Grau de impacto sobre o ativo caso a ameaça se concretize em dano
Frequência Número esperado de ocorrências do evento em determinado período
Risco segurável Risco com base estatística, perda mensurável e interesse lícito
Risco não segurável Risco vedado por lei ou sem possibilidade de mensuração viável
RISCO NO CONTRATO DE SEGURO Conceitos essenciais para as certificações do mercado financeiro RISCO x INCERTEZA RISCO Incerteza mensurável Probabilidade pode ser estimada Futuro, incerto e prejudicial Pode ser transferido à seguradora INCERTEZA Resultado não previsível Sem distribuição de probabilidade Refere-se ao desconhecido Não é passível de precificação RISCO SEGURÁVEL x RISCO NÃO SEGURÁVEL SEGURÁVEL Possui base estatística histórica Perda mensurável e viável Interesse lícito e legítimo Vida, saúde e acidentes pessoais Residencial e responsabilidade civil NÃO SEGURÁVEL Atos dolosos ou ilícitos Jogos de azar Guerra e conflitos armados Desastres naturais extremos Multas e infrações de trânsito ESCALA DE SEVERIDADE MUITO ALTO 5 Impacto extremo ALTO 4 Impacto muito grave MÉDIO 3 Impacto grave BAIXO 2 Impacto baixo MUITO BAIXO 1 Impacto bastante baixo INDICADOR DE SINISTRALIDADE Sinistralidade = (Despesas com sinistros ÷ Prêmios recebidos) x 100 Quanto maior o indicador, menor a margem da seguradora e maior a pressão por reajuste PRO EDU proeducacional.com Preparação para certificações do mercado financeiro

Exercícios comentados

Questão 1

Segundo o Código Civil, o risco objeto do contrato de seguro deve apresentar as seguintes características:

  • a) Passado, certo e economicamente relevante.
  • b) Futuro, incerto e potencialmente prejudicial ao interesse do segurado.
  • c) Futuro, certo e de ocorrência inevitável.
  • d) Presente, mensurável e de baixa severidade.

Gabarito: B

  • a) Incorreta. Um evento já ocorrido não pode ser objeto de seguro, pois falta o elemento futuro.
  • b) Correta. São exatamente as três características extraídas do artigo 757: futuro, incerto e potencialmente prejudicial ao interesse do segurado.
  • c) Incorreta. Evento certo e inevitável não é risco, é despesa programada.
  • d) Incorreta. O risco não precisa ser de baixa severidade e não é um evento presente.

Questão 2

Um plano de saúde coletivo empresarial apresentou despesas com sinistros de R$ 900.000 e prêmios recebidos de R$ 1.000.000 no período. A sinistralidade apurada foi de:

  • a) 9%
  • b) 11,1%
  • c) 90%
  • d) 111%

Gabarito: C

  • a) Incorreta. Resultado obtido por erro de posicionamento decimal.
  • b) Incorreta. Corresponde à razão invertida entre prêmios e sinistros.
  • c) Correta. Sinistralidade = (900.000 ÷ 1.000.000) x 100 = 90%. Percentual elevado, que tende a gerar pressão por reajuste na renovação.
  • d) Incorreta. Só haveria sinistralidade acima de 100% se as despesas superassem os prêmios.

Questão 3

Assinale a alternativa que apresenta apenas riscos não seguráveis:

  • a) Seguro de vida, seguro residencial e seguro de responsabilidade civil.
  • b) Perdas em jogos de azar, multas de trânsito e prejuízos decorrentes de guerra.
  • c) Acidentes pessoais, incêndio residencial e roubo de veículo.
  • d) Invalidez permanente, danos elétricos e furto qualificado.

Gabarito: B

  • a) Incorreta. Todos são riscos seguráveis clássicos, com ampla base atuarial.
  • b) Correta. Jogos de azar, multas e infrações de trânsito e eventos de guerra estão entre as hipóteses tradicionalmente não seguráveis, seja por vedação legal, seja pela impossibilidade de mensuração da perda.
  • c) Incorreta. São coberturas usuais em seguros de pessoas e elementares.
  • d) Incorreta. Todas são coberturas oferecidas no mercado segurador.

Questão 4

Sobre a diferença entre risco e incerteza, é correto afirmar que:

  • a) Risco e incerteza são sinônimos, pois ambos tratam de eventos futuros.
  • b) A incerteza é mensurável por distribuição de probabilidades e o risco não.
  • c) O risco é uma incerteza mensurável, enquanto a incerteza verdadeira não admite atribuição de probabilidade.
  • d) A incerteza é sempre segurável, desde que haja interesse legítimo.

Gabarito: C

  • a) Incorreta. São conceitos distintos justamente pela possibilidade de mensuração.
  • b) Incorreta. A afirmação inverte os conceitos.
  • c) Correta. O risco é tratado como incerteza mensurável, ou falsa incerteza. A incerteza verdadeira se refere ao desconhecido, sem probabilidade atribuível.
  • d) Incorreta. Sem mensuração da perda esperada não há como precificar o prêmio, logo não há seguro.

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Referências

  • BRASIL. Código Civil. Artigo 757.
  • COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de direito civil: contratos. São Paulo: Saraiva.
  • PLANEJAR. Associação Brasileira de Planejamento Financeiro. Conteúdo programático da certificação CFP.
  • ANS. Agência Nacional de Saúde Suplementar. Normas de reajuste de planos individuais e familiares.
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