🔄
Sistema de Pagamentos Brasileiro: guia para certificações Pular para o conteúdo

Sistema de Pagamentos Brasileiro: guia para certificações

Sistema de Pagamentos Brasileiro: guia para certificações

Sistema de Pagamentos Brasileiro: guia para certificações

O Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) é um dos temas que mais aparecem nas provas de certificação e, ao mesmo tempo, um dos que mais geram confusão entre siglas parecidas. Se você já se embananou tentando lembrar quem cuida de cheque, quem cuida de título público e quem liquida em tempo real, este guia foi feito para resolver isso de uma vez.

O que é o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB)?

O Sistema de Pagamentos Brasileiro é o conjunto de entidades, sistemas, regras e procedimentos que dão suporte à movimentação financeira e à liquidação das operações dos agentes econômicos, tanto em moeda local quanto em moeda estrangeira.

Sua finalidade prática é transferir recursos e liquidar pagamentos para pessoas, empresas, governo, Banco Central e instituições financeiras. Em outras palavras: praticamente todos os agentes da economia dependem dele.

Você usa o SPB sem perceber toda vez que:

  • emite um cheque;
  • faz uma compra com cartão de débito ou de crédito;
  • envia uma TED ou um DOC (Documento de Crédito).

Além de operacionalizar transferências, o SPB tem um objetivo estratégico: oferecer maior proteção contra a quebra em cadeia de instituições financeiras, ou seja, mitigar o risco sistêmico.

Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) Quem faz o que na liquidacao e na custodia RSFN Rede do Sistema Financeiro Nacional Uso exclusivo STR Transferencia de reservas Tempo real (LBTR) - BACEN SELIC Custodia e escrituracao Titulos publicos federais COMPE Compensacao e custodia de cheques CIP Camara Interbancaria Cartao de credito B3 (inclui CETIP) Acoes, derivativos e titulos de balcao Reservas Bancarias Conta de todos os bancos junto ao BACEN Finalidade: transferir recursos com seguranca e reduzir o risco sistemico Marco: STR em abril de 2002 - Base legal: Lei no 10.214/2001 - Desde 2013 inclui arranjos e instituicoes de pagamento Pro Educacional Preparatorio para CPA, ANCORD, CFP, CFG, CGA, CGE e CNPI
Ponto de prova: a banca adora cobrar a finalidade do SPB. Guarde a dupla de palavras-chave: transferência de recursos e redução do risco sistêmico.

Como o SPB funciona na prática

A conta Reservas Bancárias

O sistema opera por meio da conta Reservas Bancárias, que todos os bancos mantêm junto ao Banco Central do Brasil (BACEN). É nela que as transferências entre instituições são efetivamente debitadas e creditadas.

Os bancos devem manter reserva compulsória e não podem encerrar o dia com saldo insuficiente para cobrir as transferências necessárias.

A RSFN: por onde trafegam as mensagens

No SPB, as informações são processadas por meio de mensagens transmitidas exclusivamente pela Rede do Sistema Financeiro Nacional (RSFN). Essas mensagens são padronizadas e criptografadas com padrões próprios de segurança.

Ponto de prova: a palavra "exclusivamente" costuma cair. Nenhuma outra rede transmite mensagens do SPB: é a RSFN e ponto final.

Quem é quem no SPB: câmaras, sistemas e funções

Esta é a parte que mais derruba candidato em prova. Memorize pela função, não pela sigla solta.

Sistema ou câmara Responsável O que faz
STR (Sistema de Transferência de Reservas) Banco Central Liquidação bruta em tempo real das transferências de fundos entre participantes
SELIC Banco Central Escrituração e custódia dos títulos públicos federais
CIP (Câmara Interbancária de Pagamentos) Setor privado Registra compensações de crédito e pagamentos feitos via cartão de crédito
B3 (que hoje inclui a CETIP) Bolsa Custódia e escrituração de títulos de balcão, ações, derivativos e demais títulos
COMPE Associada ao Banco do Brasil Compensação e custódia de cheques
Ponto de prova: associação rápida para não errar: título público = SELIC, cheque = COMPE, cartão de crédito = CIP, ação e derivativo = B3, tempo real entre bancos = STR.

Quais serviços integram o SPB

O SPB abrange as entidades, os sistemas e os procedimentos associados ao processamento e à liquidação de operações de transferência de fundos, de operações com moeda estrangeira ou com ativos financeiros e valores mobiliários. São integrantes do SPB os serviços de:

  • compensação de cheques;
  • compensação e liquidação de ordens eletrônicas de débito e de crédito;
  • transferência de fundos e de outros ativos financeiros;
  • compensação e liquidação de operações com títulos e valores mobiliários;
  • compensação e liquidação de operações realizadas em bolsas de mercadorias e de futuros.

Essas estruturas são chamadas coletivamente de entidades operadoras de infraestruturas do mercado financeiro. A partir de 2013, os arranjos de pagamento e as instituições de pagamento também passaram a compor o SPB.

As infraestruturas do mercado financeiro desempenham papel fundamental no sistema financeiro e na economia. Por isso, é essencial que os mercados confiem na qualidade e na continuidade dos serviços prestados pelo SPB: seu funcionamento adequado é condição para a estabilidade financeira e para assegurar os canais de transmissão da política monetária (BACEN, 2013).

STR: o coração da liquidação em tempo real

O Sistema de Transferência de Reservas (STR), operado pelo Banco Central, entrou em funcionamento em abril de 2002 e marca o início de uma nova fase do SPB. Ele é um sistema de liquidação bruta em tempo real (LBTR), no qual ocorre a liquidação final de todas as obrigações financeiras no Brasil.

São participantes do STR:

  • as instituições financeiras;
  • as câmaras de compensação e liquidação;
  • a Secretaria do Tesouro Nacional.

Com o STR, o Brasil entrou no grupo de países em que as transferências interbancárias de fundos são liquidadas em tempo real, em caráter irrevogável e incondicional. Além disso, qualquer transferência entre contas de participantes passou a depender da existência de saldo suficiente na conta do emitente.

Três condições para dar liquidez ao sistema

Para que a liquidação em tempo real funcione sem travar o mercado, três aspectos são especialmente importantes:

  1. o Banco Central conceder aos participantes do STR crédito intradiário, na forma de operações compromissadas com títulos públicos federais e sem custos financeiros;
  2. a utilização, pelos bancos, dos saldos dos depósitos compulsórios ao longo do dia para liquidar obrigações, já que a verificação de cumprimento se dá com base no saldo de final do dia;
  3. o acionamento, pelo Banco Central, de rotina para otimizar a liquidação das ordens mantidas em filas de espera no âmbito do STR.
Ponto de prova: "crédito intradiário sem custo financeiro" é pegadinha clássica. A prova troca por "com juros" ou "com custo reduzido". O correto é sem custos financeiros.

A reforma de 2002 e a Lei nº 10.214/2001

Até meados dos anos 90, as mudanças no SPB foram motivadas pela necessidade de lidar com altas taxas de inflação. O avanço tecnológico da época mirava principalmente o aumento da velocidade de processamento das transações.

Na reforma conduzida pelo Banco Central até 2002, o foco foi redirecionado para a administração de riscos.

Período Foco da evolução do SPB
Até meados dos anos 1990 Velocidade de processamento, resposta à inflação alta
Reforma concluída em 2002 Administração de riscos e redução do risco sistêmico
A partir de 2013 Inclusão dos arranjos e instituições de pagamento

Antes de abril de 2002, para não propagar a falta de liquidez de um participante aos demais, o Banco Central muitas vezes bancava operações a descoberto na conta Reservas Bancárias. Isso elevava seu risco de não receber os recursos em caso de liquidação da instituição e gerava prejuízo à sociedade brasileira.

Com as alterações nos procedimentos, houve redução significativa do risco de crédito incorrido pelo Banco Central. A reforma, porém, foi além: a base legal dos sistemas de liquidação foi fortalecida pela Lei nº 10.214/2001, que, entre outras disposições:

  • reconhece a compensação multilateral;
  • permite a efetiva realização de garantias no âmbito desses sistemas, mesmo na hipótese de insolvência civil de participante.

Caso uma entidade opere sistema sistemicamente importante, ela deve atuar como contraparte central e, à exceção do risco de emissor, assegurar a liquidação das operações em seu sistema.

Composição do Sistema de Pagamentos Brasileiro

O SPB é composto por:

  • Banco Central;
  • instituições financeiras;
  • Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC);
  • Câmara de Registro, Compensação e Liquidação de Operações de Ativos BM&F;
  • Câmara de Registro, Compensação e Liquidação de Operações de Câmbio BM&F;
  • Câmara de Registro, Compensação e Liquidação de Operações de Derivativos BM&F;
  • B3 (antiga CETIP);
  • Selic;
  • Cielo (antiga Visanet) e Redecard;
  • TecBan;
  • Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP).

Quadro-resumo para revisão rápida

Conceito O que memorizar
Finalidade do SPB Transferir recursos e proteger o sistema contra quebra em cadeia
Conta utilizada Reservas Bancárias, mantida no BACEN
Rede de mensagens RSFN, de uso exclusivo, com mensagens padronizadas e criptografadas
Marco da nova fase Entrada em funcionamento do STR em abril de 2002
Característica do STR Liquidação bruta em tempo real, irrevogável e incondicional
Base legal Lei nº 10.214/2001: compensação multilateral e garantias
Novidade de 2013 Arranjos e instituições de pagamento passam a integrar o SPB

Estude o SPB com quem prepara para a prova de verdade

O Sistema de Pagamentos Brasileiro aparece no edital de praticamente todas as certificações do mercado financeiro. Escolha abaixo o curso da Pro Educacional alinhado ao seu objetivo:

Certificação Para quem é Curso
CPA, C-PRO I e C-PRO R Quem atua ou quer atuar na distribuição de produtos de investimento em agências e plataformas Combo CPA + C-PRO I + C-PRO R
ANCORD Futuros agentes autônomos de investimento Curso ANCORD
CFP Planejadores financeiros pessoais Curso CFP
CFG, CGA e CGE Quem busca gestão de recursos e fundamentos de investimento Curso CFG, CGA e CGE
CNPI Analistas de valores mobiliários Curso CNPI

Exercícios comentados sobre o SPB

Questão 1

Qual sistema é responsável pela liquidação bruta em tempo real de todas as obrigações financeiras no Brasil?

  • a) Sistema de Transferência de Reservas (STR)
  • b) COMPE
  • c) Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP)
  • d) SELIC

Gabarito: A. O STR, operado pelo Banco Central, é o sistema de liquidação bruta em tempo real (LBTR) no qual há liquidação final de todas as obrigações financeiras no país, em caráter irrevogável e incondicional. A COMPE cuida de cheques, a CIP registra compensações de crédito e pagamentos com cartão de crédito e a SELIC custodia títulos públicos federais.

Questão 2

A escrituração e a custódia dos títulos públicos federais são realizadas por meio do:

  • a) COMPE
  • b) B3, que hoje inclui a CETIP
  • c) Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP)
  • d) SELIC

Gabarito: D. A SELIC é o sistema do Banco Central que faz a escrituração e a custódia dos títulos públicos federais. Já a B3, que incorporou a CETIP, custodia e escritura títulos privados negociados em balcão, ações e derivativos.

Questão 3

Qual norma fortaleceu a base legal dos sistemas de liquidação, reconhecendo a compensação multilateral e permitindo a realização de garantias mesmo em caso de insolvência civil de participante?

  • a) Lei nº 4.595/1964
  • b) Lei nº 6.385/1976
  • c) Lei nº 10.214/2001
  • d) Lei nº 9.613/1998

Gabarito: C. A Lei nº 10.214/2001 é a base legal da reforma do SPB concluída em 2002. A Lei nº 4.595/1964 estruturou o Sistema Financeiro Nacional, a Lei nº 6.385/1976 criou a CVM e a Lei nº 9.613/1998 trata da prevenção à lavagem de dinheiro.

Próximo passo

Dominar o Sistema de Pagamentos Brasileiro é dominar a lógica que sustenta todo o restante do edital: risco, liquidação, custódia e papel do Banco Central. Na Pro Educacional, você estuda esse e todos os demais temas com videoaulas objetivas, material atualizado e milhares de questões comentadas no mesmo padrão da banca.

Conheça os cursos da Pro Educacional e comece a estudar hoje mesmo.

Referências

  • BANCO CENTRAL DO BRASIL. Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB). Brasília: BACEN, 2013.
  • BRASIL. Lei nº 10.214, de 27 de março de 2001. Dispõe sobre a atuação das câmaras e dos prestadores de serviços de compensação e de liquidação no âmbito do Sistema de Pagamentos Brasileiro.
Voltar para o blog
X Materiais gratuitos do mercado financeiro: cursos, apostilas, vídeos e muito mais    Acessar Agora
X Materiais gratuitos do mercado financeiro: cursos, apostilas, vídeos e muito mais    Acessar Agora