Teoria De Dow – Ideias Básicas

A teoria de Dow é um dos principais alicerces da análise gráfica. Essa teoria é baseada em princípios, são eles:

 

Figura – 8 princípios da Teoria de Dow.

 

Fonte: Elaborado pelo autor.

 

O primeiro princípio se foca nos índices. Eles são resultado da ação de todos os investidores em conjunto, portanto, incorporam decisões de investidores mal informados e bem informados. As variações diárias, assim sendo, descontam os eventos futuros e não conhecidos pela maioria dos investidores.

Toda a oferta e demanda é refletida no preço, porém, essa capacidade informacional incorporada no preço não abrange os eventos não conhecidos pelo mercado, como desastres naturais e atentados. Contudo, todo acontecimento inesperado é rapidamente absorvido pelo preço.

Há um termo comumente utilizado para isso: “as médias levam tudo em consideração”. O que significa que os preços são o resultado do comportamento agregado dos investidores.

O segundo princípio se trata do movimento laterais que ocorrem durante os processos de tendências. A formação dessas linhas é entendida como o balanceamento entre as forças de oferta e demanda.

O terceiro princípio fala da utilização dos preços de fechamento na Teoria de Dow. Embora se utilize o gráfico de candlestick na análise técnica, que mostra a variação dos preços ao longo da negociação, o preço de fechamento é o mais importante, pois  representa o consenso dos investidores acerca da tendência desenrolada ao longo de um dia de negociação.

O quarto princípio se trata das três tendências de movimento do mercado: a tendência primária, a tendência secundária e a tendência terciária, onde a tendência primária é a tendência de longo prazo, enquanto a secundária é a tendência de médio prazo e a terciária é a movimentação de curto prazo. Esse princípio será tratado no tópico a seguir.

O quinto princípio se trata na análise das 3 fases de uma tendência primária, seja de alta ou de queda. O início de uma tendência primária é marcado pela participação dos insiders, os agentes que detêm mais informações no mercado. Depois, na segunda fase, passa haver uma percepção de um maior número de agentes sobre a tendência do mercado, de modo que há um processo de aceleração da tendência. Por fim, na última fase, a maioria dos investidores estão cientes da tendência de mercado, seja de alta, com os preços atingindo um alto patamar, ou de baixa, onde os preços encontram-se em valores muito baixos. Esse princípio, assim como o anterior, será tratado no tópico a seguir.

O sexto princípio, o princípio do volume, se trata da relevância da análise do volume negociado, de modo que a quantidade de ações negociadas deve acompanhar a variação de preços, de modo que o volume negociado se expande na direção da tendência principal. Este assunto vai ser explicado neste capítulo.

O sétimo princípio se trata do comportamento de índices de setores complementares. Este princípio afirma que para a confirmação de uma tendência de alta ou de baixa, índices de setores relacionados devem andar na mesma direção. Por isso, também é conhecido como princípio da confirmação.

E o oitavo princípio, o princípio da reversão, diz que processo de análise e reconhecimento de reversão de tendência. Este princípio afirma que não deve se esperar que, no final de uma tendência, já ocorra um processo de reversão. Um sinal de alerta para um possível processo de reversão é a utilização do sétimo princípio: as duas médias devem-se confirmar. O deslocamento de comportamento de índices complementares pode significar uma possível mudança de tendência, de modo que se pode dizer que confirmação de uma reversão de tendência se dá pela ação conjunta de dois índices.

É importante ter em mente que a teoria de Dow (e a análise técnica como um todo) se baseia inteiramente no princípio básico de tendência. É através da tendência que é possível definir a direção dos movimentos no mercado, as mudanças de percurso e se haverá reversões.

A tendência apresenta força e direção. 

 

Figura – Tipos de tendência.

Fonte: Elaborado pelo autor.

Figura – Tendência varia conforme o tempo.

Fonte: Elaborado pelo autor.

 

Finalmente, é importante lembrar que Dow levava em conta unicamente os preços de fechamento de uma determinada sessão. Ou seja, utilizava cotações de fechamento para o cálculo das médias, não levando em conta os máximos e mínimos para o cálculo de seus índices.


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Doutor em Economia pela Universidade Federal de Santa Catarina e mestre em Economia Aplicada (quantitativa) pela UFPEL. É economista, especializado em Finanças pela Universidade Federal de Minas Gerais. Atuou como Agente Autônomo de Investimentos (ANCORD), Analista e Controller. Pesquisador com publicações científicas internacionais sobre efeitos spillover e herd behavior no mercado de capitais. Autor de 7 livros.

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