Resumo: Finanças Comportamentais

Progresso das Aulas
  • Finanças Comportamentais: trata-se de um campo de que se tornou mainstream em pesquisas sobre o efeito de fatores emocionais, cognitivos, psicológicos, econômicos, e sociais nas decisões individuais e institucionais. Consequentemente, com uma abordagem particular sobre alocação de recursos, retornos, preços de mercado, etc.
  • Parte do sucesso de Finanças Comportamentais provém da contestação da hipótese do comportamento racional de agentes e de mercados (Finanças Modernas), por procurar demonstrar a racionalidade como um caso particular, e a racionalidade limitada como um caso mais geral.
  • Decisão racional: considera-se que, tomador de decisão racional seguirá quatro regras, ou axiomas:
    • As preferências são um conjunto completo, ou seja, assumem que os indivíduos conhecem suas preferências e as usam para escolher entre duas alternativas mutuamente exclusivas. Dada a escolha entre A ou B, eles podem preferir A, B ou ser indiferentes.
    • A transitividade assume que os indivíduos aplicam consistentemente suas escolhas de completude. Se A é preferido para B e C é preferido para B, então C deve ser preferido para A.
    • A independência. Assume-se que as escolhas também são aditivas e proporcionais. Se A e B são escolhas mutuamente exclusivas, em que A é preferido e B é uma escolha adicional, que adiciona utilidade positiva, então A + x (C) será preferido para BF + x (C). Nesse caso, x é uma parcela de C.
    • A continuidade. Assume-se que as curvas de indiferença de utilidade são contínuas, o que significa que combinações de ponderações ilimitadas são possíveis. Se C é preferido para A, o que é preferido para B, então haverá uma combinação de C e B para a qual o indivíduo será indiferente a A.
  • As finanças comportamentais questionam a capacidade dos agentes em acessar e utilizar as informações de forma eficiente. Ela mostra que os agentes não são racionais, apresentando vieses e falhas cognitivas, que influenciam na formação das expectativas, na tomada de decisões e no modo como os agentes reagem a modificações nos preços dos ativos.
  • Assume-se que os indivíduos às vezes agem como homens econômicos racionais, mas em outras situações seu comportamento é melhor explicado pela psicologia. Entre os desafios para a utilização do homem econômico racional podemos incluir:
    • A tomada de decisões pode ser errônea, seja pela falta de informações ou falhas no processo de tomada de decisão;
    • Os conflitos internos pessoais que priorizam os objetivos de curto prazo, como gastos gerais, em detrimento de metas de longo prazo, como manter uma poupança, podem levar a uma má priorização;
    • A falta de conhecimento perfeito do conjunto de informação, e esse talvez seja o desafio mais grave para a hipótese do homem econômico racional. Por exemplo, quantas pessoas podem avaliar adequadamente os impactos de uma mudança na política do banco central sobre a sua riqueza futura;
    • As funções de utilidade da riqueza nem sempre são côncavas, como é assumida pela teoria da utilidade, e os indivíduos às vezes podem exibir comportamentos de propensão ao risco, entre outras.
  • A teoria do prospecto é uma realização de Finanças Comportamentais, desenvolvida por Kahneman e Tversky (1979) em revide a teorias normativas sobre o processo de tomada de decisão em ambientes econômico-financeiros. Em geral, teorias descritivo-positivas procuram entender o comportamento real do tomador de decisões, como no caso da Teoria do Prospecto.
  • A teoria do prospecto prenuncia que as preferências irão depender da maneira como o problema é estruturado. Além de incluir o conceito de ponto de referência para a análise do valor de determinado bem. Se o ponto de referência é determinado de maneira que o resultado seja percebido como um ganho, então os investidores terão um comportamento de maior aversão ao risco e a função valor vai ser côncava.
  • Se o ponto de referência é percebido como uma perda, então os investidores terão um comportamento de maior propensão ao risco e a função valor vai ser convexa. De maneira que a função valor representa o valor que os investidores conferem para determinados níveis de ganhos ou de perdas.
  • O ponto de referência para um investidor vai depender de suas preferências pessoais e do contexto (de decisões), pode ser, por exemplo, o preço médio de compra de um ativo, o preço máximo ou mínimo alcançado em um período, uma determinada variação percentual em relação a um índice, etc. Tal que, fundamentalmente, ganhos e perdas não vão estar atrelados aos conceitos de lucro ou prejuízo, mas sim com a relação positiva ou negativa com o ponto de referência.
  • Heurísticas: Estas respostas automáticas que tomamos em situações que envolvem elevadas quantidades de informações são denominadas heurísticas. Assim, heurísticas são atalhos mentais que facilitam a tomada de decisão.
  • De um modo geral, a utilização de heurísticas não resulta em decisões ruins. Muito pelo contrário, elas facilitam a realização de escolha. Todavia, o grande problema das heurísticas é que elas podem levar ao surgimento de vieses, fazendo com que a capacidade de tomada de decisões seja limitada. O que resulta em escolhas equivocadas.
  • A heurística de ancoragem (um desdobramento da heurística da representatividade) refere-se à focalização da atenção que se dá a uma informação recentemente obtida que se utiliza como uma referência (um ponto de partida) para a tomada de uma decisão ou para fazer-se uma estimativa.
  • A heurística de disponibilidade refere-se à facilidade com que algumas ideias, lembranças ou situações, exemplares, chegam à mente e influem o processo de decisão. Em geral, os indivíduos julgam a frequência ou a probabilidade de um evento a partir da facilidade com que “exemplos” surjam em suas mentes.
  • A heurística de representatividade refere-se à influência de fato(s) do passado sobre o processo de decisão. Ou seja, a tendência que um indivíduo, durante decisão, possui de extrapolar o futuro a partir de fatos passados. De maneira diferente, ela afirma que indivíduos avaliam a probabilidade da ocorrência de um evento II, por meio do nível em que um evento I se parece com II.
  • Heurística do afeto: Em muitas situações que envolvem escolhas, existem fatores pessoais que levam os agentes a apresentarem maior simpatia ou antipatia por uma opção específica. Por exemplo, uma entrevistadora para empregos que não gosta de tatuagens, tende a descartar profissionais com tatuagens, mesmo se eles apresentarem maior aptidão para o cargo. Assim, a heurística do afeto influencia as escolhas ao influenciar a percepção dos agentes sobre o que é bom e o que é ruim.
  • Os erros cognitivos são devidos principalmente a raciocínios defeituosos e podem resultar da falta de compreensão de técnicas de análise estatística adequada ou de erros de processamento de informações; ou de um raciocínio defeituoso; ou simplesmente, erros de memória.
  • Os Vieses cognitivos são definidos como erros sistemáticos incorridos no processo de tomada de decisão, que surgem no momento em que se processam e interpretam as informações existentes. Eles podem ser provocados pela utilização de heurísticas, mas também se originam de fatores como: emoções, limitações cognitivas, pressões sociais, motivações pessoais.
  • A seguir são apresentados os principais vieses existentes:
    • Status quo: este viés está relacionado à resistência dos consumidores em modificar os seus hábitos e em sair de sua situação atual. Os investidores preferem se manter na situação em que se encontram, apresentando resistência em modificar suas escolhas.
    • Movimento de manada: o efeito manada é quando os investidores operam na mesma direção ou nos mesmos valores mobiliários e possivelmente até negociam contrários à informação que eles têm disponível. Este efeito às vezes faz os investidores se sentirem mais à vontade porque estão negociando com o consenso de um grupo.
    • Framing (ou enquadramento): se refere para quando uma pessoa toma uma decisão (atitude) de maneira inconsistente para com aquilo que seria esperado caso fosse feita com um cálculo racional do benefício ao que se propõe.
    • Desconto hiperbólico: é predileção que cérebro possui por uma recompensa imediata ao invés de uma recompensa maior, só que futura.
    • Excesso de confiança: é o viés que faz os indivíduos sobreavaliarem as suas habilidades (particulares), o que origina um comportamento de maior propensão ao risco em relação ao convencional (para um indivíduo). De maneira que o excesso de confiança pode resultar em resultados não positivos e perda de dinheiro.
    • Aversão à perda: este viés cognitivo diz que o impacto de uma perda é maior do que o impacto de um ganho, proporcionalmente. Ou seja, o medo da perda costuma ser maior do que a satisfação do ganho.
    • Viés do otimismo: é o que acontece com a superestimação individual a respeito de expectativas sobre situações exógenas ou resultados exógenos (ambos fora de controle). Comportamento, também, de maior propensão ao risco.
    • Viés de autocontrole: este viés ocorre quando os indivíduos não têm autodisciplina e favorecem a satisfação imediata em detrimento das metas de longo prazo. Como consequências e implicações do autocontrole podemos incluir a insuficiência capacidade de poupança necessária para financiar necessidades de aposentadoria.
    • Viés de aversão ao arrependimento: Investidores com este viés (um sentimento em retrospecto) tendem a evitar o processo de tomada de decisão, uma vez que temem que qualquer uma de suas ações possa vir a se apresentar pior do que em uma decisão ótima, para evitar arrependimentos.
    • Efeito dotação: trata-se do efeito que descreve a tendência das pessoas de supervalorizar as coisas que possuem, somente porque elas lhes pertencem.
    • Efeito Propriedade: trata-se do efeito que descreve o motivo de algumas grandes empresas/instituições buscarem em sua fase inicial o seu grande objetivo de sucesso, sendo ambiciosas e inovadoras, e, depois disso, hoje, procurando pelo “não fracasso”.
    • Efeito disposição: Os investidores tendem a realizar os ganhos, mas apresentam resistência a aceitar perdas.
    • Custos afundados: estão relacionados ao apego pessoal. Por exemplo, o gestor de uma empresa investe em uma nova planta inicial, com uma tecnologia X, porém durante a realização do projeto descobre que existe uma tecnologia Y mais eficiente. Como o projeto já se encontra em andamento, ele apresenta resistência em abandoná-lo, por causa do dinheiro e do tempo empenhado nesse projeto.
    • Efeitos de estruturação: o efeito estruturação está relacionado ao estudo sobre o efeito exercido pelo modo como as informações circulam sobre o investidor. Isto é, ele defende que o modo como as informações são apresentadas influenciam nas decisões dos investidores.
    • Viés do conservadorismo: este viés ocorre quando os participantes do mercado formam uma visão inicial, mas depois não conseguem alterar essa visão, à medida que novas informações se tornam disponíveis.
    • Viés de confirmação: este viés ocorre quando os participantes do mercado buscam novas informações ou distorcem novas informações para suportar uma verdade existente. O viés de confirmação é um tipo de viés de seleção.
    • Viés de representatividade: este viés baseia-se em uma crença de que o passado persistirá e as novas informações serão classificadas com base em experiências ou repetições de classificações passadas. Embora isso possa ser eficiente, a nova informação pode ser mal interpretada se for classificada com base em uma semelhança superficial com o passado.
    • Viés de controle: este viés existe quando os participantes do mercado pensam que podem controlar ou afetar os resultados, quando na verdade não podem. Muitas vezes, ele está associado a preconceitos emocionais, como ilusão de conhecimento, ou seja, a crença de que você conhece coisas que não conhece, ou a auto atribuição, que é crença de que você causou pessoalmente algo, ou ainda, a vieses de excesso de confiança, que significa uma crença injustificada de que está certo.
    • Viés de ancoragem: este viés ocorre quando os participantes do mercado utilizam a experiência de heurística psicológica baseada em regras de teste e erro para afetar indevidamente as probabilidades. As mudanças são feitas, mas em relação à visão inicial e, portanto, as mudanças são inadequadas.
    • Viés de contabilidade mental: este viés surge quando o dinheiro é tratado de forma diferente, dependendo de como é categorizado. Por exemplo, um cliente pode mentalmente tratar os salários de forma diferente de um bônus ao determinar metas de poupança e de investimento.
    • Viés de enquadramento: este é o viés que ocorre quando as decisões são afetadas pelo modo como a questão ou os dados são “enquadrados”. Em outras palavras, a forma como a questão é enquadrada afeta a forma como a informação é processada, levando à resposta recebida.
    • Viés de disponibilidade: este viés começa com uma ênfase indevida na informação que está prontamente disponível. É um atalho mental para se concentrar excessivamente no que é fácil de obter-se. O viés de disponibilidade pode incluir alguns ou todos os seguintes: recuperação, categorização, enquadramento estreito.
  • São três principais modelos comportamentais: o modelo bidirecional Barnewall; o modelo Bailard, Biehl e Kaiser de cinco caminhos, e o modelo Pompian.
    • Modelo bidirecional Barnewall: este modelo classifica os investidores em apenas dois tipos: o passivo e o ativo. Os investidores passivos são aqueles que não tiveram que arriscar seu próprio capital para ganhar riqueza.
    • Por exemplo, eles poderiam ter ganhado riqueza através de um emprego longo e estável e uma economia disciplinada ou através da herança, sendo assim, eles tendem a ser mais avessos ao risco e ter uma maior necessidade de segurança do que os “ativos”. Os investidores ativos arriscam seu próprio capital para ganhar riqueza e geralmente assumem um papel ativo ao investir seu próprio dinheiro.
    • Modelo Bailard, Biehl e Kaiser de cinco caminhos: este modelo classifica os investidores ao longo de duas dimensões de acordo com a forma como se comportam na vida em geral. O modelo BB&K classifica os investidores de acordo com seus tipos comportamentais, que se situam em pontos diferentes em uma grade formada por confiança/método de ação:
      • O investidor aventureiro possui os seguintes traços: Confiante e impetuoso; Poderá segurar portfólios altamente concentrados; Disposição para correr riscos; Gosta de tomar suas próprias decisões; Não gostar de aceitar conselhos e os gestores acham difícil trabalhar com eles.
      • O investidor celebridade possui as seguintes características: Ansioso e impetuoso; Pode ter opiniões, mas reconhece limitações e; Procura e toma conselhos sobre investimento.
      • O investidor individualista tem os seguintes traços: Confiante e cuidadoso; Gosta de tomar suas próprias decisões após uma análise cuidadosa; Bom para trabalhar porque escuta e processa informações de forma racional.
      • O investidor tutor tem os seguintes traços: Ansioso e cuidadoso; Preocupado com o futuro, prefere proteger seus ativos; Pode buscar o conselho de alguém que ele percebe como mais experiente que ele mesmo.
    • Modelo Pompian: identifica quatro tipos de investidores comportamentais. Os investidores classificados como preservador passivo e os investidores classificados como acumulador ativo tendem a tomar decisões emocionais. O investidor classificado como seguidor amigável e o investidor classificado como individualista independente tendem a usar uma abordagem mais pensativa para a tomada de decisões.

Doutor em Economia pela Universidade Federal de Santa Catarina e mestre em Economia Aplicada (quantitativa) pela UFPEL. É economista, especializado em Finanças pela Universidade Federal de Minas Gerais. Atuou como Agente Autônomo de Investimentos (ANCORD), Analista e Controller. Pesquisador com publicações científicas internacionais sobre efeitos spillover e herd behavior no mercado de capitais. Autor de 7 livros.
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