Bolsas de Valores e Mercados à Vista, a Termo, Futuro e de Opções (Mercado de Balcão Organizado)

Bolsas de Valores e Mercados à Vista, a Termo, Futuro e de Opções (Mercado de Balcão Organizado)

Na bolsa de valores são negociados títulos e valores mobiliários, como, por exemplo, as ações, que consistem na menor parcela do capital de uma empresa.

Conforme Fortuna (2015, p. 566): “Em sua constituição original, as bolsas de valores não eram instituições financeiras, mas associações civis sem fins lucrativos, constituídas pelas corretoras de valores para fornecer a infraestrutura do mercado de ações”.

A Resolução nº 2.690, de 21 de janeiro de 2000, e suas alterações posteriores, que disciplinaram a nova constituição e funcionamento das bolsas de valores, de modo que elas podem deixar de ser entidades sem fins lucrativos e se transformar em sociedades anônimas de capital aberto, cujos sócios, além das corretoras, podem ser pessoas físicas e jurídicas (FORTUNA, 2015).

No Brasil, foi o que aconteceu com a Bolsa de Valores de São Paulo, a qual se juntou à Bolsa de Mercadoria e Futuros (BM&F), abriu seu capital e vendeu as ações na própria bolsa, em que diariamente são negociadas por milhares de acionistas no mercado secundário compra e venda de ações entre acionistas. A BM&F era uma bolsa autônoma desde a sua criação. Todavia, desde a união coma a Bolsa de Valores de São Paulo, em 2008, tornou-se a BM&FBovespa. Além disso, a partir de 2017, passou a ser denominada B3.

É importante destacar que os contratos negociados no segmento BM&F podem ser:

  • contratos futuros de índices de ações;
  • ouro;
  • dólar;
  • taxas de juros;
  • produtos agrícolas;
  • entre outros.

 

Exemplo

Um investidor adquire um contrato do índice do Ibovespa futuro a um determinado preço e para um determinado vencimento. Ele pode levar esse contrato até o vencimento e realizar o lucro ou prejuízo, conforme o caso, se estiver em um patamar mais alto ou mais baixo, ou poderá vendê-lo no mercado antes do vencimento, se lhe convier.

 

Principais bolsas de valores do mundo

Atualmente, a B3 é a única bolsa de valores em operação no Brasil, sendo de grande importância para a  representatividade econômica mundial do país, porém está longe de figurar entre as principais do mundo.

Na lista de bolsas mais importantes, podemos citar a New York Stock Exchange (NYSE), situada na ilha de Manhattan em Nova York, EUA, que é a maior do mundo, seguida pela National Association of Securities Dealers Automated Quotations (NASDAQ), também de Nova York, na qual são negociadas as ações de empresas de alta tecnologia. Na sequência da lista, podemos destacar as bolsas de valores de Tóquio, no Japão, a bolsa de Londres, na Inglaterra, a Euronext, situada em Amsterdã, capital da Holanda, a DAX-30 de Frankfurt, na Alemanha, as de Hong Kong e Xangai, na China, e assim por diante.

A classificação da B3 tem se alterado com alguma frequência, pois geralmente é baseada no valor de mercado das empresas, cotadas em dólar, que tenham papéis negociados nas bolsas. Em termos mundiais, normalmente fica abaixo da 10ª posição.

São negociados diversos tipos de produtos e contratos financeiros na B3, a saber: commodities produtos agrícolas , taxas de juros, tesouro direto, títulos financeiros diversos, ações, debêntures, direitos de subscrição, moedas, índices de ações, de taxas de juros, etc.

 

Bolsa de Valores no Brasil

No Brasil em 1845 é regulamentada a atividade de corretor oficial de fundos públicos e em 1890 é fundada a B3 (antiga Bolsa de Valores de São Paulo – Bovespa). Conforme Júnior et al. (2002, p. 323): “Em 1895, foi fundada a Bolsa Oficial de Títulos de São Paulo. Mas foi somente a partir de 1964, com as leis da Reforma Bancária e do Mercado de Capitais, que as Bolsas assumiram as funções que possuem atualmente”. Ao longo do tempo, várias bolsas foram criadas, tais como a bolsa de valores do Rio de Janeiro, de Minas Gerais, Espírito Santo e Brasília, no Extremo Sul, de Santos, Bahia, Sergipe, etc. (JÚNIOR et al., 2002). Porém, gradativamente essas bolsas foram sendo absorvidas pela Bovespa.

As bolsas de valores não só promovem a negociação de títulos como também a sua liquidação financeira e a custódia de títulos e valores mobiliários e títulos da dívida pública do Tesouro Nacional através das corretoras, distribuidoras e clearings. A princípio, as bolsas operavam com o tradicional sistema chamado de “pregão de viva-voz”, cujas imagens as vezes eram transmitidas nos programas de TVs, chamando a atenção dos assistentes pela sua singularidade e ritual próprios, além da gritaria entre corretores que compravam e vendiam. Todavia, atualmente esse sistema foi extinto, prevalecendo somente as negociações eletrônicas.

Em 1972, a Bovespa foi a primeira bolsa brasileira a implantar o pregão automatizado com a divulgação on-line das informações e no exato momento em que ocorriam real time. Pregão é o nome concedido ao expediente de negociação da bolsa de valores, como, por exemplo, pregão do dia tal. Embora autônoma, a BM&FBovespa opera sob a supervisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que também fiscaliza os demais membros e as operações realizadas. O mercado de bolsa é o mercado diário em que são realizadas as negociações dos títulos e valores mobiliários, como, por exemplo, as ações e debêntures.

A bolsa brasileira oferece, através das corretoras de valores, o sistema de home broker e mobile broker (através dos quais os investidores podem realizar suas operações de casa pelo notebook ou smartphone conectado à internet). Além disso, os investidores institucionais (bancos, fundos de pensão, etc.) acessam a bolsa através de seus sistemas automatizados. O tempo de negociação de um pregão normal é de sete horas, acrescido de uma hora para o chamado After Market, no qual as cotações das ações não podem oscilar mais do que 2% em relação ao valor de fechamento do pregão normal.

A negociação de títulos em bolsa é realizada através das corretoras e distribuidoras de valores, que são as intermediárias especializadas, responsáveis pela execução das ordens de compra e venda de seus clientes ou delas próprias. Essas entidades cobram corretagens pelas ordens executadas, havendo uma grande concorrência entre as várias existentes. Um exemplo de corretora de valores é a XP Investimentos, que é a maior corretora do Brasil no momento.

A liquidação financeira de uma ordem de compra ou venda de ações é de dois dias úteis, isto é, se um cliente vender uma ação, ele receberá o dinheiro após dois dias úteis, creditado diretamente em sua conta corrente na corretora. Da mesma forma, se o cliente comprar ações, em dois dias úteis deverá provisionar o saldo na conta para ser debitado.

Diariamente, é informado o índice de variação da Bolsa de Valores. Trata-se do índice Ibovespa, o indicador mais importante, o qual é composto pela variação média das cotações (quantidade média x preço do último negócio), cerca de 60 a 65 ações das empresas mais representativas negociadas, em relação ao fechamento do dia anterior. Também há negócios com ações e outros títulos (que são realizados diariamente entre instituições financeiras), denominado de mercado de balcão.

 

BM&FBovespa

A BM&FBovespa foi constituída em 2008 e surgiu da união entre a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F S.A.) e a Bovespa Holding S.A., as duas maiores da América Latina. As operações e produtos negociados na Bovespa são compostos de ações de companhias abertas, notas promissórias, futuro de ações, opções sobre ações, warrants, Brazilian Depositary Receipts (BDRs), Risk Control Self Assessment (RCSA), Exchange Traded Funds (ETFs), Certificados Recebíveis Imobiliários (CRI), Fundos de Direitos Creditórios (FIDC) e Fundo de Investimento Imobiliário (FII).

 

VOCÊ SABIA?


A BM&FBovespa foi criada pela fusão da Bovespa Holding S.A. e da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F S.A.) em 12 de agosto de 2008. A nova companhia foi líder nos segmentos de ações e derivativos na América Latina.

Em 22 de março de 2017, ocorreu mais uma fusão: a Brasil, Bolsa, Balcão (B3), que surgiu com o formato atual após a fusão da BM&FBovespa com a CETIP, passando a ser a 5ª maior bolsa de mercado de capitais e financeiro do mundo (BOLSA DE VALORES, s. d.)

Brasil, Bolsa, Balcão (B3)

Originada a partir da fusão entre a BM&FBovespa e a CETIP, a B3 é a companhia de infraestrutura de mercado financeiro. Antes da fusão, era a bolsa de valores, mercadorias e os futuros do Brasil, realizando a intermediação dos títulos negociados no mercado de capitais. Ela era responsável pela provisão de sistemas para a negociação de ações, derivativos de ações, títulos de renda fixa, títulos públicos federais, derivativos financeiros, moedas à vista e commodities agropecuárias.

A B3 opera um elenco completo de negócios com ações, derivativos, commodities, balcão e operações estruturadas e as negociações ocorrem em pregão eletrônico e via internet, com facilidades de home broker (sistema oferecido por diversas companhias para conectar seus usuários ao pregão eletrônico no mercado de capitais).

 

Deveres e obrigações da B3:

  • Manter equilíbrio entre seus próprios interesses e o interesse público a que deve atender, como responsável pela preservação e autorregulação dos mercados por ela administrados;
  • Cabe à entidade administradora aprovar regras de organização e funcionamento dos mercados de manutenção de elevados padrões éticos de negociação nos mercados por ela administrados.

 

As regras de negociação da Bolsa devem:

  • Evitar ou coibir modalidades de fraude ou manipulação destinadas a criar condições artificiais de demanda, oferta ou preço dos valores mobiliários negociados em seus ambientes;
  • Assegurar igualdade de tratamento às pessoas autorizadas a operar em seus ambientes;
  • Evitar ou coibir práticas não equitativas em seus ambientes;
  • Fixar as variações de preços e quantidades ofertadas, no ambiente de negociação que for caracterizado como centralizado e multilateral, que exige a adoção de procedimentos especiais de negociação, bem como os procedimentos operacionais necessários para quando tais variações forem alcançadas, respeitadas as condições mínimas que forem estabelecidas pela CVM em regulamentação específica.

 

A B3 Câmara de Ações tem como objetivo compensar, liquidar e controlar o risco das obrigações decorrentes de operações à vista e de liquidação futura com qualquer espécie de valores mobiliários, títulos, direitos e ativos realizadas na Bolsa, em outras bolsas ou outros mercados. É uma Clearing House.

São negociados na B3:

  • ações;
  • derivativos (opções, futuro e termo);
  • Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI);
  • Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA);
  • debêntures;
  • letras financeiras;
  • fundo imobiliário;
  • fundo de participações;
  • fundo de direitos creditórios; e
  • Exchange Traded Funds (ETF).

 

Tipos de mercados

Mercado à vista

É no mercado à vista que são efetuadas a compra e a venda dos títulos emitidos pelas empresas negociadas nas bolsas de valores. Nesse mercado, as operações de compra e venda de ações são liquidadas em curtos períodos de tempo. No Brasil, por exemplo, isso ocorre em até dois dias úteis. As negociações de ações no mercado à vista ocorrem através de lotes de ações, que são quantidades determinadas, podendo ser negociadas unitariamente ou em lote padrão de cem, mil ou até mais ações. A existência desses lotes facilita o processo de negociação. No entanto, se o investidor desejar, ele poderá utilizar uma quantidade particular, chamada de fracionário (FORTUNA, 2015).

A negociação no mercado à vista pode ser observada através do tempo de cada etapa do processo de negociação. É comum a adoção do termo “D+0” para a data de realização do pregão eletrônico em que houve a negociação de compra ou venda. Na data “D+2”, isto é, dois dias após a negociação, a corretora intermediadora do processo de venda das ações entrega os títulos pelo sistema eletrônico, recebendo em troca um crédito correspondente ao valor dessa operação; já a corretora compradora recebe as ações nessa mesma data; em contrapartida, há um débito em conta correspondente ao valor das ações.

Outro aspecto da negociação são os termos de liquidação. A liquidação física ocorre quando há transferência dos títulos negociados, enquanto a liquidação financeira é o termo adotado para a transferência de recursos financeiros. Além disso, é importante lembrar que o ganho líquido é a diferença entre o valor de venda de algum ativo e o seu custo de aquisição.  Além do mercado à vista, há os mercados de derivativos, entre eles: os mercados a termo, futuro e de opções. No próximo tópico, será abordado o mercado a termo.

 

Mercado a termo

O mercado a termo permite que os negociantes fixem o preço futuro dos ativos negociados entre as duas partes. Nesse mercado, os pagamentos são previamente estipulados para uma data predeterminada através de um contrato chamado de termo, o qual não pode ser transferido a um terceiro. Além disso, esses contratos podem ser diretamente negociados entre as duas partes da transação, mas também podem ser intermediados, geralmente através de um banco.  

No Brasil, os contratos a termo podem durar 30, 60, 90, 120 e 180 dias corridos, sendo que as transações a termo ocorrem mediante um depósito de garantia junto à Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC). Essa garantia pode ser apresentada a partir de duas formas: cobertura e margem. Através da cobertura, há necessidade de depositar o ativo junto à CBLC; já através da margem, é necessário que seja depositado um valor correspondente ao preço negociado pelo ativo, o qual pode consistir em outras ações e títulos autorizados pela CBLC (FORTUNA, 2015).

O mercado a termo permite que o comprador adquira, no futuro, o ativo desejado pelo preço predeterminado, de modo que este seja isento de oscilações indesejadas no mercado. Isso também ocorre com o vendedor, que terá uma garantia de venda do ativo por um preço predeterminado. Todavia, ambos ficam isentos de oscilações que poderiam beneficiar uma das partes. Ou seja, trata-se de um instrumento normalmente utilizado para se precaver contra riscos indesejáveis, abrindo mão de ganhos potenciais no período. Outro mercado que adota uma lógica semelhante é o mercado futuro, tema do próximo tópico.

 

Mercado futuro

O mercado futuro se assemelha ao mercado a termo, pois ambos determinam um valor futuro para a liquidação de uma negociação. No entanto, há diferenças relevantes entre ambos. No mercado futuro, os preços dos contratos são cotados livremente, assim como no mercado à vista, ou seja, a negociação não ocorre apenas entre duas partes. Portanto, o mercado futuro permite que um investidor revenda o contrato para um terceiro, diferentemente do mercado a termo.

Outro aspecto peculiar do mercado futuro é o ajuste da posição dos contratos, que é realizado diariamente, ao contrário do que ocorre no mercado a termo, em que o contrato só é liquidado no vencimento. Devido às semelhanças entre ambos, o mercado futuro é considerado uma evolução natural do mercado a termo, visto que representa a possibilidade de fixar um preço futuro sem perder a flexibilidade de sair da posição comprada ou vendida no momento em que o negociador assim o desejar. 

 

Mercado de opções

O mercado de opções é uma alternativa de se prevenir contra oscilações indesejáveis nos preços das ações. Desse modo, as opções são contratos que estabelecem preço e prazos para a liquidação, de forma a tornar uma operação mais previsível. As opções são direitos de compra ou venda de um determinado ativo, por preço e prazo preestabelecidos. Como a próprio “opção” diz, o detentor de uma opção tem o direito de escolha ao comprar ou vender um ativo, conforme as condições predeterminadas.

Assim sendo, um detentor de uma opção de compra de uma ação, por exemplo, poderá exercer a opção de comprá-la no dia de vencimento pelo preço do contrato. Suponha uma ação PETR4, da empresa Petrobras, cujo direito de compra é de R$ 20,00 ao final do próximo mês. Caso a ação esteja por R$ 25,00 no mercado à vista, essa opção garante ao detentor o direito de comprá-la por um preço menor do que o contato no mercado à vista. É possível também que a ação esteja R$ 19,00 no próximo mês. Nesse caso, é preferível não exercer a opção e comprar diretamente do mercado à vista.

 

Operações em Bolsa de Mercadorias e Futuro (BM&F atual B3)

No Brasil, em 2001, houve um processo de estruturação em que as negociações à vista e no mercado futuro passaram a ocorrer no mesmo local, ou seja, na Bovespa, que antes era responsável apenas pelo mercado à vista, passando a ser chamada, a partir de então, de BM&FBovespa, a qual é responsável pelas negociações no mercado à vista e no mercado de derivativos. Como já foi dito, a partir de 2017, passou a ser denominada B3.

Em geral, os participantes do mercado futuro podem ser definidos como:

  • Hedgers: negociantes em busca de proteção de suas operações de compra ou venda;
  • Arbitradores: negociantes que buscam ganhos com o diferencial de preços de um ativo em mais de um mercado; e
  • Especuladores: negociantes que buscam ganhos por meio dos contratos.

 

 

Referências da aula

BOLSA DE VALORES. Relações com Investidores: Histórico. Disponível em: <https://ri.b3.com.br/pt-br/b3/historico/>. Acesso em: 20 de jul. de 2020.

BRASIL. Resolução nº 2.690, de 28 de janeiro de 2000. Altera e consolida as normas que disciplinam a constituição, a organização e o funcionamento das bolsas de valores. Disponível em: <https://www.bcb.gov.br/pre/normativos/res/2000/pdf/res_2690_v1_o.pdf>. Acesso em: 20 de jul. de 2020.

FORTUNA, Eduardo. Mercado Financeiro: Produtos e Serviços. 20ª ed. Editora Qualitymark, 2015.

JÚNIOR, Antônio Barbosa Lemes; RIGO, Cláudio Miessa; CHEROBIM, Ana Paula Mussi Szabo. Administração financeira: princípios, fundamentos e práticas brasileiras. Campus, 2002.


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Doutor em Economia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Mestre em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Pelotas. É economista, especializado em Finanças pela Universidade Federal de Minas Gerais. Atuou como Analista e Controller. Pesquisa efeitos spillover e herd behavior no mercado de ações. Produz estudos sobre basis risk no mercado de derivativos.
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