Risco Sistemático e Não Sistemático – Parte I

Progresso das Aulas

Os riscos sistemáticos afetam um grande número de investimentos e, por esse motivo, também são chamados de risco de mercado. Como exemplo desse risco, podemos citar as incertezas econômicas gerais que afetam a economia como um todo.  Já os riscos não sistemáticos afetam um único investimento (ou um número pequeno de investimentos), sendo que também são conhecidos como risco específico. Por exemplo, uma empresa que descobrir um novo poço de petróleo será internamente afetada, juntamente com alguns clientes ou fornecedores próximos. Nessa perspectiva, se o preço do petróleo sofrer aumentos, todos os envolvidos serão afetados.

O risco de um investimento pode ser analisado conforme duas maneiras: a primeira seria como risco isolado, segundo o qual o investidor estará exposto por possuir apenas um único investimento, e a segunda seria como risco de carteira, em que o investimento estará envolvido em vários investimentos.

As principais medidas do risco são encontradas por meio de cálculos estatísticos, sendo que, para obtermos tais medidas, aplicamos: média, variância, covariância, correlação e desvio-padrão. Por exemplo, os retornos podem ser diferentes do que o esperado, de modo que essa variabilidade pode ser medida pelo desvio-padrão, bem como pela variância. Portanto, o risco corresponde à ausência de obtenção dos retornos esperados.

Conforme Assaf Neto (2012, p. 206): “[…] O conceito de risco vincula-se estreitamente com o de probabilidade. Existe risco sempre que a probabilidade de um evento ocorrer for menor que 100%. Assim, para um contexto determinístico em que a probabilidade de um evento for 100% (certeza total), não há risco”.

O risco sistemático atinge a economia como um todo ou um determinado mercado em sua integralidade. Isso se deve ao fato de que ele é geralmente provocado por algum evento no mercado financeiro que afeta as grandes instituições, e, como elas são interligadas, acaba se espalhando rapidamente para as demais instituições. Nesse contexto, normalmente as instituições financeiras conseguem eliminar ou reduzir o risco através da adoção de diferentes técnicas. Porém, como ele atinge toda a economia, a sua eliminação é extremamente difícil. Um exemplo de risco sistemático que atingiu todos os mercados foi a crise do subprime. Ela começou no mercado imobiliário americano, mas acabou atingindo todos os países em menor ou maior magnitude.

O risco não sistemático, por sua vez, é aquele que afeta apenas uma instituição ou setor específico. Como esse risco afeta apenas uma empresa ou setor, ele pode ser reduzido através da diversificação da carteira de investimento. Nesse contexto, o modo mais simples de diferenciar ambos os riscos é afirmando que o risco sistemático é aquele que não pode ser reduzido através da diversificação, enquanto o risco não sistemático é aquele que pode ser reduzido por meio desta.

A Figura abaixo demonstra o risco total como a soma do risco sistemático e do não sistemático. Nesse contexto, observa-se que o risco sistemático é constante, de modo que não é possível reduzi-lo. Já o risco não sistemático reduz-se conforme a diversificação na carteira (aumento do total de ativos na carteira), aproximando-se cada vez mais da reta de risco sistemático.

 

Figura – Diversificação da carteira e risco não sistemático.

Fonte: Elaborada a partir de Ehrhardt e Brigham (2012). 

 

 

Referências da aula

ASSAF NETO, Alexandre. Finanças corporativas e valor. 6. ed. São Paulo: Atlas S.A., 2012.

EHRHARDT, Michael C.; BRIGHAM, Eugene F. Administração financeira: teoria e prática. São Paulo: Cengage Learning, 2012.


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Doutor em Economia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Mestre em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Pelotas. É economista, especializado em Finanças pela Universidade Federal de Minas Gerais. Atuou como Analista e Controller. Pesquisa efeitos spillover e herd behavior no mercado de ações. Produz estudos sobre basis risk no mercado de derivativos.
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