Risco de Crédito

Progresso das Aulas

O risco de crédito está presente em toda negociação em que existe uma probabilidade de a contraparte não cumprir com os pagamentos previstos no contrato. O tamanho do risco é uma função da probabilidade de default e do tamanho da perda potencial, considerando valores recuperáveis. O nível desse risco pode variar, sendo mínimo para trocas comerciais quando uma câmara de liquidação assume responsabilidade pela transação. Além disso, transações em balcões possuem um risco consideravelmente maior.

O risco de crédito pode ser classificado como imediato e potencial. O risco de crédito imediato, também chamado de risco de salto para inadimplência, é o valor do pagamento atualmente devido. Isso porque os pagamentos apenas são devidos em datas específicas, de modo que o risco de crédito imediato é zero em todas as outras datas. Por sua vez, o risco de crédito potencial está associado aos pagamentos devidos no futuro. Ele existe mesmo que não haja risco de crédito imediato e pode mudar ao longo do tempo. Uma empresa pode ser atualmente solvente e capaz de realizar o pagamento, mas isso não garante que os pagamentos futuros serão efetuados. Da mesma forma, uma empresa pode enfrentar dificuldade financeira no curto prazo, mas apresentar expectativa de recuperação ao longo de determinado período.

O risco de crédito também pode ser afetado por cross-default, que são cláusulas em contratos que declaram a contraparte como inadimplente quando esta não honra os pagamentos de outras obrigações que não a do contrato em questão. Isso acontece na maioria dos acordos de empréstimo, quando o devedor é considerado inadimplente em todas as obrigações se falhar no cumprimento de uma delas. Além do potencial risco de crédito associado aos seus próprios recibos, os credores estão expostos ao risco de crédito potencial de um devedor que não cumpre sua obrigação com outro credor.

 

Métodos de gestão de risco de crédito

Derivativos de crédito

Os derivativos de crédito permitem a negociação do risco de crédito com outros agentes do mercado e podem auxiliar na gestão desse risco. Os mais usados são o Total Return Swap, Credit Default Swap (CDS), Credit Spread Forward e Credit Spread Option.

  • No Total Return Swap, o investidor troca o retorno do título que possui pelo retorno total de outro instrumento variável, como o Ibovespa ou o câmbio. Como todo o retorno do título é transferido para um terceiro, o risco também é transferido. Se o preço do título cair, o terceiro deverá fazer um pagamento ao investidor, mas se o preço subir, o investidor deverá transferir os ganhos para o terceiro. O inverso acontece com o retorno total do outro instrumento variável, e o saldo líquido deve ser pago em datas predeterminadas.
  • O Credit Default Swap é uma espécie de seguro contratado pelo investidor contra eventos adversos, como a inadimplência da contraparte. Um prêmio é pago regularmente ao segurador. Caso o evento ocorra, o investidor recebe o valor que estava sendo protegido. Se o investidor possuir o título em questão, o risco de crédito será transferido do segurado para o segurador; no entanto, não é necessário possuir o título para contratar um CDS, desde que o prêmio seja pago. Nesses casos, o investidor está especulando que o evento adverso ocorrerá.
  • Credit Spread Forward é um derivativo baseado no spread de dois títulos. Quando o investidor acredita que a qualidade do título de uma empresa está injustamente precificada, ele pode apostar que o spread da taxa do título com a taxa livre de risco cairá após determinado período, por isso, compra o derivativo. Comprar esse derivativo significa ter a expectativa de que o preço do título da empresa aumentará mais que o preço do ativo livre de risco (lembrando que preço e taxa se movem em direções opostas). Se isso se concretizar, o vendedor do derivativo pagará essa diferença de preço ao comprador.
  • Credit Spread Option é uma opção que se baseia no spread de dois títulos. Caso o spread da taxa do título com uma taxa de referência (como a Selic) seja maior que um valor predeterminado, o titular da opção a exerce e recebe um pagamento. Esse payoff pode compensar a queda de preço do título e, portanto, reduzir o risco de crédito a que o comprador está exposto. Lembre-se de que esse derivativo é uma opção: o titular paga um prêmio, e ela será exercida somente se estiver in-the-money.

 

Limitação da exposição,  Marcação a Mercado (MaM), garantia (collateral) e netting

Além dos derivativos de crédito, é possível reduzir o risco de crédito de uma carteira com alguns métodos frequentemente utilizados no mercado, como a limitação da exposição, Marcação a Mercado (MaM), garantia (collateral) e netting.

  • A limitação da exposição é uma das medidas mais básicas para o controle do risco de crédito. Limitar a exposição significa diversificar seus empréstimos ou derivativos de crédito em diferentes contrapartes, evitando deixar a maior parte da carteira dependente do pagamento de um só devedor.
  • A marcação a mercado é a transferência da diferença entre o agente positivo e o negativo até o vencimento, realizada com uma determinada periodicidade. Pode ser feita através de uma margem depositada.

Exemplo: Marcação a mercado em um contrato a termo

Considere um contrato a termo de um ano com preço de $ 115, taxa de juros de 8% a.a. e que o contrato foi firmado três meses atrás. Sabendo que o valor atual (spot) do contrato equivale a $ 113 e que a marcação ocorre a cada três meses, determine o saldo líquido e quem deve pagar a quem (vendedor ou comprador).

Resposta: O valor de mercado para a posição comprada é de:

 

 

Ou seja, a posição comprada receberá $ 4,45 da posição vendida. Além disso, o contrato será reajustado a 113 * 1,089/12 = $119,71 e será marcado a mercado novamente no mês 6.

  • Garantia (collateral) é comumente utilizada em operações que envolvem risco de crédito. Na compra de um imóvel, por exemplo, geralmente é exigido o próprio imóvel como garantia, de modo que, não havendo pagamento, a casa é vendida para quitação da dívida. Nas transações de mercado podem ser garantias, por exemplo, os ativos de uma empresa ou um título de alta liquidez. Outra forma de garantia é a utilização de margem nos mercados de derivativos, com a possibilidade de exigência de depósitos adicionais de margem para a continuidade da operação.
  • Payment netting é um agrupamento de fluxos de caixa. Quando duas partes devem trocar múltiplos fluxos de caixa em razão de algum negócio ou operação financeira, como o uso de algum derivativo, por exemplo, há um risco relacionado a esses pagamentos, chamado de risco de fluxo de caixa. Por exemplo, dado um determinado contrato, uma empresa precisa transferir uma alta quantia para a sua contraparte em um momento em que não há liquidez, o que pode ativar cláusulas contratuais de insolvência. No entanto, a contraparte também precisa transferir uma alta quantia para essa empresa, situação que pode se repetir ao longo do contrato. Desse modo, há um acordo que estabelece o agrupamento, em um único pagamento, de todos os fluxos de caixa que seriam trocados, de modo que paga a diferença quem deve mais, reduzindo assim o risco de fluxo de caixa.
  • Close-out netting (ou compensação de encerramento) é uma cláusula contratual para situações de encerramento de atividades, como nos casos de falência. Quando esse tipo de evento ocorre, tudo o que é devido entre duas partes de um contrato, podendo ser inclusive a marcação a mercado de uma operação não encerrada, é reunido em um único pagamento da diferença, de modo que a companhia credora possa receber seu valor de direito sem a necessidade de aguardar os resultados do processo de falência, que pode durar vários anos e ter como resultado o recebimento de uma quantia menor.

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Doutor em Economia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Mestre em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Pelotas. É economista, especializado em Finanças pela Universidade Federal de Minas Gerais. Atuou como Analista e Controller. Pesquisa efeitos spillover e herd behavior no mercado de ações. Produz estudos sobre basis risk no mercado de derivativos.
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