Fundamentos da Análise Técnica – Principais premissas – HME

Progresso das Aulas

A análise técnica é um conjunto de métodos de avaliação de investimentos que se baseia na análise das séries de preços passadas para prever o comportamento futuro desses preços. Ela objetiva identificar tendências e antecipar o comportamento do mercado, assim, orientando decisões de compra, venda ou, até mesmo, permanência neutra. Exemplo de série financeira baseada nas ações CRUZ3 da empresa Souza Cruz:

 

Figura – Exemplo de série financeira.

Fonte: Elaborado pelo autor.

 

Utilizada desde os anos 60, essa técnica de investimento é atribuída a Charles Dow, co-fondador da Dow Jones & Company do The Wall Street Journal e responsável por criar o Índice Dow Jones (Dow Jones Industrial Average).

Para que as oscilações de preços passadas possam orientar decisões futuras é necessária uma premissa básica: os preços apresentam padrões que se repetem. Aceitar essa premissa implica concordar com a violação de uma das hipóteses de mercado eficiente, considerada por muitos estudiosos das finanças clássicas.

O termo mercado eficiente consiste em aceitar que todas as informações disponíveis já estão incorporadas aos preços presentes e, portanto, o preço só depende de novas informações. No entanto, o mercado pode apresentar níveis de eficiência. São elas:

 

Figura – 3 tipos de eficiência.

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Fonte: Elaborado pelo autor.

 

“Acerca da hipótese de mercado eficiente, julgue o item subsecutivo.

Os agentes econômicos são, em regra, racionais, ou seja, utilizam as informações disponíveis de maneira ótima para maximizarem os retornos de seus investimentos.

(Câmara dos Deputados CESPE 2014 – Adaptada)

A questão define de uma forma simples e direta o que se pode dizer sobre a hipótese de mercados eficientes.

 

 

A análise técnica implica considerar a violação da hipótese mais básica das três citadas: eficiência fraca. A principal justificativa utilizada é a de que os investidores não agem totalmente independentes uns dos outros, ou seja, eles observam as ações dos demais, apresentam padrões de escolhas baseadas em vieses psicológicos e são sugestionáveis. Esses padrões e recorrências do comportamento dos investidores permite ao analista técnico identificar movimentos do mercado que antecedem tendências nos preços. Portanto, toda essa dinâmica culmina em três princípios básicos:

 

  • A ação do mercado reflete todos os fatores envolvidos neste;
  • Os preços se movimentam em tendências; e
  • O futuro repete o passado.

 

Dessa forma, o analista técnico não precisa analisar o motivo das oscilações nos preços, pois os preços reagem a uma quantidade enorme de fatores e, logo, os “porquês” dos movimentos são questionamentos difíceis e que não são úteis a esse analista.

Assim sendo, o mercado eficiente considera que os movimentos nos preços são imprevisíveis e, por conseguinte, a melhor estratégia é ter uma carteira de investimento semelhante aos índices de mercado, isto posto, os lucros acima da média ocorrem ao acaso. Já a análise técnica se opõe às hipóteses de mercado eficiente ao concluir que é possível adquirir ganhos acima da média do mercado através da identificação dos melhores momentos para a compra/venda de ativos baseando-se nas informações passadas.

 

A análise técnica pode ser segmentada em duas formas:

 

  • Análise Gráfica

A análise gráfica, como o próprio nome diz, objetiva a identificar padrões das séries financeiras em gráficos de preços e, assim, apontar tendência de queda ou de crescimento dos preços. Entre as ferramentas mais utilizadas, podem ser destacadas: gráficos de barras, linhas de suporte, linhas de resistência, ondas de Elliot, entre outras. É comum a atribuição do termo “grafista” aos analistas que utilizam essas técnicas.

 

Figura – Elementos da análise gráfica.

Fonte: Elaborado pelo autor.

 

  • Análise Técnica Computadorizada

Já análise técnica computadorizada utiliza indicadores técnicos baseados nas medidas das séries de preços: média, mínimo, máximo, variância, entre outros. Essa técnica é considerada menos subjetiva que a análise gráfica.


Doutor em Economia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Mestre em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Pelotas. É economista, especializado em Finanças pela Universidade Federal de Minas Gerais. Atuou como Analista e Controller. Pesquisa efeitos spillover e herd behavior no mercado de ações. Produz estudos sobre basis risk no mercado de derivativos.
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