Event-Driven

Nesta seção, a estratégia orientada a eventos (event-driven) será discutida. Essa estratégia de investimento busca aproveitar a precificação de ações que possa ocorrer antes ou depois de um evento corporativo. Frequentemente ela é utilizada por fundos de private equity ou fundos de hedge devido à grande quantidade de expertise necessária para analisar esses eventos corporativos e executar a estratégia com sucesso. O evento corporativo em questão pode ser uma reestruturação, fusões ou aquisições, falências, cisões, dentre outros. Além disso, uma estratégia orientada a eventos explora a tendência do preço das ações que uma empresa apresenta em decorrência de determinado evento.

Estratégias orientadas a eventos envolvem vários métodos de execução. Ainda assim, em todas as situações, o objetivo do investidor é aproveitar a má precificação temporária causada por uma reorganização societária, reestruturação, fusão, aquisição, falência ou outro evento importante. Nesse contexto, os investidores que utilizam essa estratégia empregam equipes de especialistas para analisar ações corporativas e determinar o efeito do evento no preço das ações da empresa. Essa análise inclui, entre outros aspectos, uma análise do ambiente regulatório atual, possíveis sinergias de fusões ou aquisições e um novo objetivo de preço após a concretização do evento. Em seguida, é tomada uma decisão sobre como investir com base no preço atual da ação versus o seu preço provável. Nesse caso, se a análise estiver correta, a estratégia provavelmente será lucrativa; por outro lado, se a análise estiver incorreta, poderá implicar perdas.

 

Investidor ativista (activist)

Indivíduo (ou grupo) que compra um grande número de ações de uma empresa e tenta obter assentos em seu conselho, com o objetivo de fomentar mudanças. Uma empresa pode tornar-se alvo de investidores ativistas se for mal administrada, apresentar custos excessivos, puder ser administrada de forma mais lucrativa ou tiver outro problema que o ativista acredita que pode consertar de modo a tornar a empresa mais valiosa. Empresas de private equity, hedge funds e indivíduos ativistas são os exemplos mais comuns de ativistas que atuam em empresas.

 

Restructuring

Uma alternativa à estratégia direcionada a eventos é a reestruturação, que é um tipo de evento corporativo responsável por modificar significativamente a estrutura de dívida, as operações ou a estrutura de uma empresa como um meio de reduzir potencialmente os custos financeiros e melhorar as margens dessa instituição. Desse modo, quando uma empresa apresenta problemas para realizar os pagamentos de sua dívida, geralmente ela consolida e ajusta os termos envolvidos em uma reestruturação dessa dívida, gerando uma maneira de pagar os detentores de títulos. Nesse sentido, a empresa pode reestruturar suas operações, por exemplo, ao cortar custos ou reduzir o seu tamanho através da venda de ativos. Essa reestruturação pode ocorrer como um meio de se preparar para uma venda, aquisição, fusão ou mudança nas metas gerais. Talvez a empresa tenha um produto ou serviço com problema e não apresente receita suficiente para cobrir os custos operacionais e as dívidas. Como resultado, dependendo do acordo entre acionistas e credores, ela poderá vender seus ativos, reestruturar acordos financeiros, emitir ações para reduzir dívidas ou declarar falência.

Quando uma empresa realiza uma reestruturação interna, as operações, processos, departamentos ou propriedade podem mudar, permitindo que o negócio se torne mais integrado e lucrativo. Nesse contexto, consultores financeiros e jurídicos são frequentemente contratados para negociar planos de reestruturação, sendo que partes da empresa podem ser vendidas a investidores e um novo diretor executivo pode ser contratado para ajudar a implementar as mudanças. Os resultados podem incluir alterações em procedimentos, sistemas de computadores, redes, locais e questões legais. Além disso, como as posições podem se sobrepor, alguns trabalhos poderão ser eliminados e os funcionários, demitidos. Frequentemente, investidores ativistas são capazes de realizar a reestruturação quando conseguem ascender na estrutura de controle das empresas em que investem.

 

Merger Arbitrage

Esta estratégia envolve arbitrar em cima de anúncios de processo de fusão e de aquisição de empresas. Nesse sentido, o investidor pode comprar a empresa alvo que se valorizou, com a expectativa de que, com a concretização da negociação, ela se valorize ainda mais. Há possibilidade ainda de realizar uma operação long-short, comprando e vendendo simultaneamente as duas empresas, e criando uma possibilidade de retorno “sem risco”. É frequentemente considerada uma estratégia de hedge funds. O investidor pode, por exemplo, comprar a empresa alvo e vender a empresa adquirente, na expectativa de que o negócio seja bom para a empresa alvo mas acreditando que a empresa adquirente irá se desvalorizar, por estar pagando um preço alto de mais pela empresa alvo ou qualquer outra razão. Esta é uma estratégia posta em prática, geralmente, por gestores e analistas que se especializam em processos de fusão e aquisição.

Na operação long-shortpode-se alcançar uma estratégia neutra de mercado (market neutral). Trata-se exatamente do método de eliminação do beta ao passo que se busca ganhar com individualidades da empresa, como vimos em aulas anteriores. A característica específica aqui é que, ao buscar por potenciais valorizações e desvalorizações, o gestor olha para as operações de fusões, encontrando nelas as oportunidades de lucro.

Existem dois tipos principais de fusões corporativas: fusões em dinheiro e as que utilizam trocas de ações. Em uma fusão de caixa paga em dinheiro, a empresa compradora compra as ações da empresa alvo à vista, com dinheiro. Já quando se trata de uma fusão por ações, há uma troca das ações da empresa adquirente pelas ações da empresa alvo. Quando uma corporação anuncia sua intenção de adquirir outra corporação, o preço das ações da empresa adquirente normalmente declina, enquanto o das ações da empresa alvo geralmente aumenta. No entanto, o preço das ações da empresa alvo normalmente ainda permanece abaixo do preço de aquisição anunciado. Esse desconto reflete a incerteza do negócio, pois, em uma fusão em dinheiro, os investidores geralmente assumem uma posição comprada na empresa alvo. Por outro lado, em uma fusão que utiliza ações, um arbitrador de fusões normalmente compra ações da empresa alvo enquanto realiza uma venda das ações da empresa adquirente. Portanto, se o negócio for concluído e as ações da empresa alvo forem convertidas em ações da empresa adquirente, o arbitrador da fusão poderá simplesmente usar a ação convertida para cobrir sua posição vendida. O arbitrador também poderia replicar essa estratégia usando opções, como a compra de ações da empresa alvo e a compra de opções de venda (put options) das ações da empresa adquirente. Além disso, se o arbitrador de fusão esperar que um acordo seja frustrado, ele poderá ficar vendido nas ações da empresa alvo, pois, se esse acordo não for adiante, o preço da ação dessa empresa normalmente retornará ao preço anterior ao anúncio da transação.


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Doutor em Economia pela Universidade Federal de Santa Catarina e mestre em Economia Aplicada (quantitativa) pela UFPEL. É economista, especializado em Finanças pela Universidade Federal de Minas Gerais. Atuou como Agente Autônomo de Investimentos (ANCORD), Analista e Controller. Pesquisador com publicações científicas internacionais sobre efeitos spillover e herd behavior no mercado de capitais. Autor de 7 livros.

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