Gestão de Carteiras – Long Only Estilos 1

As duas principais estratégias ativas são a Growth e a Value Investing. Uma vez que o investidor decide aderir a um fundo que tem uma gestão ativa, a próxima questão que deve considerar é se ele prefere investir em empresas de crescimento rápido (growth) ou em líderes de mercado subvalorizados (value investing). Para determinar à qual categoria uma empresa pertence, os analistas analisam um conjunto de métricas financeiras e avaliam a que categoria cada empresa se ajusta da melhor forma. As características básicas de cada estilo são:

Value

  • Baixos múltiplos de preços, como o P/L (preço por lucro) e o P/VPA (preço por valor patrimonial);
  • Altas taxas de distribuição de dividendos; e
  • Foco em empresas bem estabelecidas e que possam estar subavaliadas.

Growth

  • Rentabilidade crescente e alto retorno sobre o  patrimônio, olhando para indicadores como o ROE;
  • Altas margens de lucro;
  • Baixa distribuição nos dividendos, pois a empresa reinveste seus lucros; e
  • Foco em empresas pequenas ou jovens, com maior espaço para crescer, e de setores com maior potencial de inovação, como o setor de farmácia e de tecnologia.

 

Nesse contexto, o estilo value é focado na compra de uma empresa já estabelecida e que esteja sendo vendida por um bom preço. Sendo assim, os analistas possuem uma grande preocupação com os múltiplos de preços, que servem de um bom indicador tanto para selecionar empresas a seres consideradas quanto para eliminar empresas muito caras. O principal interesse do investidor do estilo value é fazer um bom negócio do ponto de vista do preço pago, e espera-se, evidentemente, que a empresa mantenha sua performance e taxa de dividendos no futuro, para que a compra seja justificada, e por essa razão os principais alvos da estratégia são as empresas de comportamento mais previsível. Apesar de não ser tarefa simples descobrir se ações estão caras ou baratas, a contrapartida é que o foco em empresas já bem estabelecida e estáveis reduz os riscos do estilo.

Por outro lado, o racional por trás do growth investing é encontrar empresas ainda com muito espaço para crescimento, o que pré-seleciona empresas menores ou jovens, e que possam trazer uma alta rentabilidade no futuro. Dessa forma, são privilegiadas as empresas com alto potencial de inovação, o que faz com que os investidores voltem suas atenções à setores como o de tecnologia e de farmácia. Aqui não há uma grande preocupação com os múltiplos, e nem com os retornos atuais, já que argumenta-se que o potencial de crescimento – às vezes explosivo – compensa o risco mais elevado de investir neste tipo de empresa. O principal risco específico do estilo é o de as empresas não alcançarem os resultados esperados, ou seja, não apresentarem inovações e nem crescimento.

Além das duas estratégias mais conhecidas, e citadas acima, há ainda a mistura entre características growth e value, dando origem à estratégia blend, também conhecida por market-oriented ou growth at reasonable price (GARP). O objetivo dessa estratégia é evitar os dois extremos, combinando os métodos para a seleção de ativos. Na prática, o investidor busca ativos de empresas com lucros consistentes mas que não estejam sobreavaliadas, excluindo aquelas com múltiplos P/L altos em relação ao histórico e ao mercado. Ou, de forma equivalente, busca-se empresas relativamente baratas e que possuam lucros relativamente consistentes, excluindo aquelas com retornos por de mais cíclicos e imprevisíveis, ainda que do ponto de vista value fossem encaradas como boas oportunidades. Uma métrica fundamental que serve como benchmark é o índice de preço/crescimento de lucro (PEG, sigla em inglês para price/earnings growth). O PEG mostra a relação entre o índice P/L de uma empresa e sua taxa de crescimento de lucros esperada nos próximos anos. Um investidor GARP procuraria ações que tivessem um PEG de 1 ou menos, o que mostra que os índices P/L estão alinhados com o crescimento esperado dos lucros. Isso ajuda a descobrir ações que estão sendo negociadas a preços razoáveis.


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Doutor em Economia pela Universidade Federal de Santa Catarina e mestre em Economia Aplicada (quantitativa) pela UFPEL. É economista, especializado em Finanças pela Universidade Federal de Minas Gerais. Atuou como Agente Autônomo de Investimentos (ANCORD), Analista e Controller. Pesquisador com publicações científicas internacionais sobre efeitos spillover e herd behavior no mercado de capitais. Autor de 7 livros.

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