ASG: Investimentos Socialmente Responsáveis (Socially Responsible Investing)

O investimento socialmente responsável (Socially Responsible Investing – SRI) é uma abordagem de investimento associada a princípios éticos ou relacionada a valores, onde investe-se em ativos que visam a geração de mudanças sociais e retornos financeiros sólidos para o investidor, de forma que investimento socialmente responsável ​​é chamado de investimento socialmente consciente.

Nas estratégias tradicionais de investimentos, o objetivo financeiro é o núcleo da estratégia: formas de obter retornos, seja pela valorização de capital ou geração de renda passiva através de dividendos, com base na tolerância ao risco. Já nos investimentos socialmente responsáveis, o investidor não tem apenas esses objetivos financeiros, mas busca alinhar esses objetivos com o investimento em empresas ou projetos que reflitam seus valores pessoais.

Motivações dos investidores

Os investidores socialmente responsáveis podem ser classificados de acordo com as motivações que fazem eles buscarem investimentos socialmente responsáveis: 

  • Princípios éticos e valores: o motivo principal é buscar investimentos que estejam alinhados com seus valores e prioridades pessoais.
  • Impacto social: busca investimentos que visam apoiar e incentivar melhorias na qualidade de vida, de forma que financiam projetos  que buscam catalisar mudanças positivas na sociedade em geral.

 

Estratégias de Investimentos Socialmente Responsáveis

As estratégias para investimentos socialmente responsáveis são divididas em 3 tipos, cada uma tendo diferentes abordagens na sua aplicação. As estratégias são:

  1. Filtros (Screening);
  2. Engajamento corporativo (Shareholder Advocacy); e
  3. Investimento comunitário (Community investing).

Filtros (Screening): inclusão ou exclusão de ativos na carteira de investimento com base em critérios sociais ou ambientais. Investidores socialmente preocupados geralmente procuram investir em empresas lucrativas que tenham relações respeitáveis com seus funcionários, atuação e envolvimento da comunidade, excelentes políticas e práticas de impacto ambiental, respeito pelos direitos humanos em todo o mundo e produtos seguros e úteis. Por outro lado, evitam investir em empresas que não cumpram esses requisitos. Entre os tipos de filtros, pode-se citar como exemplo:

  • Filtro Negativo: Refere-se à exclusão de investimentos (em países, setores, empresas ou projetos) de acordo com critérios ASG, refletindo valores éticos do gestor/investidor, ou por não cumprirem normas mínimas estabelecidas por organizações internacionais ou nacionais. Um exemplo são os setores que figuram entre os mais evitados pelos investidores, devido ao alto risco social e ambiental. São eles: armas, tabaco, energia nuclear, pornografia, apostas e bebidas alcoólicas.
  • Filtro Positivo: Tem as mesmas características do negativo, só que, ao invés de excluir ativos, são incluídos aqueles que atendam os critérios e as normas estabelecidas. Além disso, existe uma forma alternativa nesse tipo de estratégia, o investimento temático. Dentro dele, são estabelecidos temas específicos, normalmente relacionados à sustentabilidade, para serem realizados os investimentos. Por exemplo, ao definir que a redução da emissão de carbono é um tema importante, são selecionados países, setores ou empresas que apresentam alguma política ativa de redução de emissão de carbono para receber o investimento.
  • Best-in-Class: Esse é um outro modelo de filtro positivo, com a diferença que funciona como um ranking. São selecionados critérios ASG para a avaliação de um determinado setor ou projeto e, a partir dessa análise, são definidos os melhores em relação aos seus pares para receberem o investimento.Geralmente, esse tipo de análise consegue capturar possíveis vantagens competitivas entre empresas do mesmo setor, por exemplo, do varejo que têm políticas de inclusão e diversidade no trabalho podem atrair mais clientes do que aquelas do mesmo setor que não as possuem; e
  • Screening baseado em normas: Baseada na avaliação das questões ASG de companhias investidas com base em critérios ou princípios específicos. A consideração de normas como o Pacto Global das Nações Unidas, Diretrizes da OCDE para Empresas Multinacionais e tratados internacionais podem ser adotados como framework de avaliação deste tipo de investidor.

Engajamento corporativo ou ativismo corporativo (Shareholder Advocacy): inclui uma ampla gama de estratégias, onde os investidores socialmente responsáveis se envolvem com as empresas no qual investem nas questões ambientais, sociais e de governança corporativa. Esta participação  nas empresas visa elevar os padrões e influenciar positivamente o comportamento corporativo. Os acionistas trabalham cooperativamente para orientar a gestão em um curso que se acredita que irá melhorar o desempenho financeiro ao longo do tempo e melhorar o bem-estar de todos os colaboradores da empresa e das partes interessadas.

Investimento comunitário (Community investing): visa o investimento direto em organizações comunitárias de comunidades carentes ou de baixa renda, com instituições de investimento comunitário alocando o capital do investidor, garantindo empréstimos a organizações ou indivíduos que não têm acesso ao capital de instituições tradicionais do mercado financeiro, ou buscam facilitar diretamente esses empréstimos. A instituição que oferece o investimento comunitário muitas vezes oferece suporte, conhecimento e treinamento, a fim de tentar garantir que o empréstimo seja pago e forneça retorno ao investidor. Esses empréstimos podem ser usados ​​para uma ampla gama de projetos, como:

  • Criação de pequenas empresas;
  • Educação corporativa ou individual;
  • Desenvolvimento pessoal; ou 
  • Fornecimento de habitação.

Eficácia

Uma questão extremamente importante nas análises de investimentos socialmente responsáveis é o resultado da estratégia, dado que existem dois objetivos inerentes ao investimento socialmente responsável: impacto social e ganho financeiro. Os dois não necessariamente caminham juntos: um investimento que se apresenta como socialmente responsável não significa que proporcionará um bom retorno aos investidores e a promessa de um bom retorno está longe de ser uma garantia de que a natureza da empresa envolvida seja socialmente consciente.

Para estratégias do tipo filtro, a implementação é a mais fácil, dado que basta a utilização das informações ASG no processo de análise de investimento. Entretanto, isto depende da qualidade informação pela empresa nos seus relatórios sobre informações ASG. Além disso, o filtro depende do método utilizado e os critérios considerados, de forma uma empresa com política de reflorestamento e boas práticas de preservação ambiental, mas com uma política de inclusão e diversidade de pessoas pouco relevante,   pode ser considerada provável investimento um fundo que releve mais questões ambientais, mas desconsidera em um fundo que investe em causas sociais.

Para estratégias de advocacia de acionistas, a eficácia depende da participação dos acionistas e da pressão sobre a administração da gestão corporativa, dado que mesmo que as propostas dos acionistas tenham maioria, a proposta precisa ser implementada na política da empresa. Para empresas que apresentam uma tendência para políticas ASG, a pressão dos acionistas ajuda a empresa a ter uma abordagem mais ampla ou buscar uma elevação de padrões ASG.

Na estratégia de investimento comunitário, um bom resultado dependerá se o investimento conseguir apresentar retornos financeiros e resultados mensuráveis, de forma que a definição indicadores e medidas de sucesso em conjunto com as partes interessadas são uma parte importante do processo. Assim, a relevância dos resultados e impactos e da qualidade obtida são mais importantes que o produto em si e quantidade ofertada.


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Doutor em Economia pela Universidade Federal de Santa Catarina e mestre em Economia Aplicada (quantitativa) pela UFPEL. É economista, especializado em Finanças pela Universidade Federal de Minas Gerais. Atuou como Agente Autônomo de Investimentos (ANCORD), Analista e Controller. Pesquisador com publicações científicas internacionais sobre efeitos spillover e herd behavior no mercado de capitais. Autor de 7 livros.

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