Top-Down x Bottom-Up

Na mesma linha da análise fundamentalista, há a análise de investimento bottom-up. É uma abordagem de investimento que se concentra na análise de ações individuais e diminui a importância dos ciclos econômicos e dos ciclos de mercado, isto é, trata-se de uma estratégia de análise de investimento de baixo para cima, na qual o investidor concentra sua atenção em uma empresa específica, e não na indústria em que a empresa opera ou na economia como um todo. Além disso, essa abordagem pressupõe que as empresas individuais podem apresentar um bom desempenho mesmo em um setor que não ofereça bons resultados agregados. Desse modo, por meio do investimento na forma bottom-up, os investidores consideram primeiramente os fatores microeconômicos, que incluem a saúde financeira geral da empresa, as demonstrações financeiras, os produtos e serviços, dentre outros indicadores individuais de desempenho.

A estratégia de marketing e/ou a estrutura organizacional de uma empresa pode funcionar como um indicador para o investidor que utiliza a estratégia bottom-up. Trata-se do oposto do investimento top-down, que é a estratégia que considera fatores macroeconômicos quando uma decisão de investimento é tomada. Os investidores top-down, em vez disso, observam o desempenho geral da economia e, em seguida, buscam indústrias com bom desempenho, investindo nas melhores oportunidades presentes nessa indústria. Por outro lado, tomar decisões com base em uma estratégia de investimento bottom-up implica escolher uma empresa e fazer uma revisão completa antes de realizar um investimento. Isso inclui familiarizar-se com os relatórios de pesquisa públicos da empresa.

Geralmente, investidores bottom-up são aqueles que empregam estratégias de buy-and-hold de longo prazo. Isso se deve ao fato de que uma abordagem bottom-up oferece ao investidor uma compreensão profunda de uma única ação, com insights sobre o potencial de longo prazo da empresa. Já os investidores top-down são mais oportunistas em sua estratégia de investimento e podem entrar e sair de posições rapidamente, de modo a obter lucros com movimentos de mercado de curto prazo.

A análise top-down examina primeiramente o quadro geral e analisa os detalhes dos componentes menores. Normalmente, o investidor que utiliza essa análise começa analisando a economia de uma forma global. A partir disso, ele avalia as macrotendências das economias que apresentam as melhores oportunidades, de modo que os setores que estão prontos para aproveitar essas tendências também são avaliados. Finalmente, ações individuais dentro dos setores favoráveis são selecionadas.

A análise top-down pode ser aplicada por um analista que utiliza a análise técnica como parte de sua estratégia de negociação, um daytrader, por exemplo, pode, antes de tudo, analisar gráficos diários ou semanais para determinar a tendência de longo prazo de uma ação, bem como seus níveis significativos de suporte e resistência, e então passar para um período menor de forma a estabelecer um bom ponto de entrada. Alguns dos principais pontos de uma análise do tipo top-down são os seguintes:

 

Quadro – Principais aspectos da análise top-down.

Fonte: Elaborado pelo autor.


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Doutor em Economia pela Universidade Federal de Santa Catarina e mestre em Economia Aplicada (quantitativa) pela UFPEL. É economista, especializado em Finanças pela Universidade Federal de Minas Gerais. Atuou como Agente Autônomo de Investimentos (ANCORD), Analista e Controller. Pesquisador com publicações científicas internacionais sobre efeitos spillover e herd behavior no mercado de capitais. Autor de 7 livros.

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