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Apostila CNPI Conteúdo Brasileiro


1 Mercado de Capitais

1.1 Sociedades Anônimas

  • Existem dois tipos de sociedades anônimas: a companhia aberta e a fechada
    • Nas Abertas há: negociação em bolsas de valores; divisão do capital entre muitos sócios (pulverização); cumprimento de várias normas exigidas pelo agente regulador (Bolsas de Valores e CVM).
    • Nas Fechadas há: negociação no balcão das empresas, sem garantia; concentração do capital na mão de poucos acionistas.
  • As formas mais comuns de classificar as ações segundo a sua forma de circulação são:
    • Ações nominativas: são ações que têm o nome do acionista registrado no Livro de Registro das Ações Nominativas. As transferências desse tipo de ação ocorrem através da averbação do nome referenciado no registro deste livro;
    • Ações nominativas endossáveis: são ações em que apenas o nome do primeiro endossante é registrado, sendo as transferências processadas por endosso na própria cautela; e
    • Ações escriturais: são ações sem emissão física, e o controle é realizado por uma instituição depositária de títulos.
  • Segundo a forma de participação societária, podem ser destacadas as seguintes formas de circulação:
    • Ações ordinárias (também conhecidas como Ação ON): são ações que permitem o direito ao voto em assembleias gerais da companhia, além disso, o acionista tem participação nos resultados da companhia. Os acionistas ON geralmente têm prioridade na aquisição de novas ações emitidas pela empresa; e
    • Ações preferenciais (também conhecidas como Ação PN): são ações que garantem prioridade na participação no resultado da empresa, como na distribuição de dividendo e no reembolso de capital, no entanto, essa ação não garante direito a voto.
  • É importante destacar que a empresa pode alterar a estrutura do capital social através de diferentes operações, sem impactar nos direitos dos acionistas. São exemplos:
    • Agrupamentos: é uma operação na qual a empresa transforma um determinado grupo de ações em uma única ação, não alterando o patrimônio total dos acionistas;
    • Bonificações: é uma operação na qual as reservas e resultados da companhia são transformados em novas ações. Essa alteração não representa um ganho aos acionistas;
    • Desdobramentos: é uma operação que consiste na transformação de uma ação em uma quantidade de outra, ou seja, dividir a ação em ações menores. Esse procedimento não altera o patrimônio total dos acionistas; e
    • Subscrições: é uma operação na qual a empresa aumenta o seu capital através da emissão de novas ações no mercado de ações.

1.2 Valoração das Ações

  • O valor de uma ação varia conforme a perspectiva de análise. As formas mais comuns de atribuir um valor as ações são:
    • Valor Contábil (também conhecido como valor nominal): é o valor da ação registrado no Estatuto Social da companhia.
    • Valor Intrínseco: é o valor da ação conforme a análise dos fundamentos contábeis, financeiros e econômicos da empresa.
    • Valor de Liquidação: é o valor da ação em caso de encerramento das atividades da companhia.
    • Valor de Mercado: é o valor da ação transacionado no mercado de ações, valor formado pela dinâmica de oferta e procura pela ação nesse mercado.
    • Valor Patrimonial: é o valor da ação conforme o patrimônio líquido da empresa no exercício observado. Para achar esse valor basta dividir o patrimônio líquido pela quantidade de ações distribuídas.
    • Valor de Subscrição: é o valor da ação conforme o preço fixado no momento de emissão de novas ações no mercado.
  • Acionista Controlador: Pessoa natural ou jurídica, ou grupo de pessoas vinculadas por acordo de acionistas, que possui a maioria dos votos (Ações Ordinárias) nas deliberações da assembleia geral e usa efetivamente seu poder para dirigir as atividades sociais e orientar o funcionamento da companhia.
  • O tag along é um mecanismo que visa dar mais garantia aos acionistas minoritários, nos casos de mudança no controle da companhia.

Custo da Operação

  • Corretagem: Custo pago para corretoras pelas operações executada.
  • Emolumentos: Os emolumentos são cobrados pelas Bolsas por pregão em que tenham ocorrido negócios por ordem do investidor. A taxa cobrada pela Bolsa é de 0,035% do valor financeiro da operação.
  • Custódia: Uma espécie de tarifa de manutenção de conta, cobrada por algumas corretoras.

Margem e Garantias

  • Ações: não há necessidade de margem, pois a compra e a venda é realizada de forma efetiva no momento da negociação. A garantia é pela BM&FBovespa.

1.3 Derivativos

Opções

  • Para o titular de Opções: O titular no Mercado de Opções está isento de prestar garantias, pois o risco máximo que pode correr é ele não exercer sua posição e perder o prêmio pago.
  • Para o Lançador de Opções: Somente das posições lançadoras é exigida a prestação de garantias, e a finalidade da garantia é assegurar o cumprimento da obrigação assumida.
  • Lançador Coberto: Deposita os títulos relativos à opção.
  • Lançador Descoberto: Deposita margem em dinheiro ou os mesmos ativos aceitos no mercado a termo, conforme cálculo efetuado pela Clearing. A margem depositada é o resultado da soma dos seguintes componentes: margem de prêmio (prêmio de fechamento do dia) e margem de risco (maior prejuízo potencial projetado para o dia seguinte).

Mercado a termo

  • São exigidas de ambos os participantes:
    • Vendedor: Cobertura, que é o depósito da totalidade dos títulos objeto da operação; e
    • Comprador: Margem, que é o depósito de numerário e/ou ativos autorizados, em um valor estabelecido pela Bovespa e BM&FBovespa – Câmara de Ações. A liquidação de uma operação a termo, no vencimento do contrato ou antecipadamente, se assim o comprador o desejar, implica a entrega dos títulos pelo vendedor e o pagamento do preço estipulado no contrato pelo comprador.

Mercado Futuro

  • Exige uma “Margem de Garantia” por parte do comprador e há a Possibilidade de liquidação antes do prazo de vencimento.

Quadro – Entrega de ativos

Mercado

Tipo de Operação

Dia de Liquidação

Título de renda fixa privada

À vista

D+0***

D+1

Ações

À vista

D+2

A termo

D+n, o dia do vencimento

Futuro

D+2 do dia do vencimento

Opções* e futuros**

D+1

Fonte: Elaborado pelo autor.

 

1.4 Mercado de Capitais

  • Day trade: Combinação de operação de compra e de venda realizadas por um investidor com o mesmo título em um mesmo dia.
  • Circuit breaker: Sempre que acionado, interrompe o pregão. Na Bovespa é acionado sempre que o Índice Ibovespa atinge uma queda de 10% (30 minutos de paralisação) e persistindo a queda, 15% (1 hora de paralisação).
  • Blue chip: Em geral, ações de empresas tradicionais e de grande porte, com grande liquidez e procura no mercado de ações.
  • Home broker: É um moderno canal de relacionamento entre os investidores e as sociedades corretoras, que torna ainda mais ágil e simples as negociações no mercado acionário, permitindo o envio de ordens de compra e venda de ações pela Internet, e possibilitando o acesso às cotações, o acompanhamento de carteiras de ações, entre vários outros recursos.
  • Lote-padrão: Lote de títulos de características idênticas e em quantidade prefixada pelas bolsas de valores.
  • After Market: permite a negociação de ações no período noturno, após o horário regular, de forma eletrônica. A totalidade de ordens enviadas tem um limite de R$ 100.000,00 por investidor para o período After-Market e os preços das ordens enviadas nesse período não poderão exceder à variação máxima positiva ou negativa de 2% em relação ao preço de fechamento do pregão diurno. Funciona das 17h às 18h:15min.
  • Pregão: O ambiente reservado para negociações de compra e venda de ações. Atualmente quase as totalidades das transações ocorrem no pregão eletrônico, ampliando o antigo conceito de espaço físico.
  • O day trading consiste na compra e venda, ou venda e recompra de um mesmo ativo financeiro (que pode se tratar de ações, derivativos, commodities ou moedas) no mesmo dia, pelo mesmo especulador ou por meio de uma mesma sociedade corretora.
  • Ao se utilizar da alavancagem financeira, através de recursos como margin trading ou margin buying (uma forma de financiar as transações diárias), para minimizar o peso dos custos de transação (como taxa de corretagem, emolumentos, Impostos etc) envolvidos, o daytrader também maximiza os riscos.
  • Dividendos: Distribuição de parte do lucro aos seus acionistas. Por lei, as empresas devem definir o dividendo pago aos acionistas em seu estatuto. Caso a empresa opte por distribuir dividendos sobre o lucro líquido, o investidor que receber esses dividendos estará livre da incidência de IR na fonte.
  • Juros sobre o Capital Próprio: São proventos pagos em dinheiro como os dividendos, a diferença que este não está livre de IR.
  • Bonificações: Correspondem à distribuição de novas ações para os atuais acionistas, em função do aumento do capital. Excepcionalmente pode ocorrer a distribuição de bonificação em dinheiro.
  • Subscrição: Direito aos acionistas de aquisição de ações por aumento de capital, com preço e prazos determinados. Garante a possibilidade de o acionista manter a mesma participação no capital total.
  • Grupamento (Inplit): Reduz a quantidade de ações aumentando o valor de cada ação.
  • Desdobramento (Split): Aumenta a quantidade de ações reduzindo o valor da ação; (Objetivo: Maior liquidez).

Ibovespa:

  • Mais utilizado e mais importante índice brasileiro;
  • Composto pelas ações de maior liquidez da bolsa de valores dos últimos 12 meses;
  • A carteira é revista ao final de cada quadrimestre; (jan – abril; maio – ago; set – dez);
  • As ações para participarem do Ibovespa devem obrigatoriamente:
    • Apresentar, em termos de volume, participação superior a 0,1% do total;
    • Ter sido negociada em mais de 80% do total de pregões do período.
  • IBrX: Assim como o Ibovespa, é composto pelas 100 empresas com o maior número de operações e volume negociado na Bovespa nos últimos 12 meses.
    O que o diferencia do Ibovespa é o fato do IBrX considerar apenas as ações disponíveis no mercado, desconsiderando as ações em posse dos controladores.
  • IBrX – 50: Adota os mesmos critérios do Índice IBrX, mas é composto apenas pelas 50 ações de maior liquidez.
  • FGV-100: Índice composto pelas 100 ações mais negociadas, excluindo as estatais e bancos, ou seja, a carteira teórica é composta apenas por ações de empresas privadas, levando se em consideração os critérios de qualidade da empresa e de liquidez ou volume financeiro negociados em Bolsas de Valores.
  • ISE – Índice de Sustentabilidade Empresarial: Ferramenta para análise comparativa de performance das empresas listadas na BM&FBovespa sob o aspecto da sustentabilidade corporativa, baseada na eficiência econômica, no equilíbrio ambiental, na justiça social e na governança corporativa.
  • IGC – Índice de Ações com Governança Corporativa: Índice que mede o desempenho de uma carteira teórica composta por ações de empresas comprometidas com programas de governança corporativa. Calculado pela Bolsa de Valores de São Paulo.
  • Índice Mid-Large Cap – MLCX e Índice Small Cap – SMLL: têm por objetivo medir o comportamento das empresas listadas na Bolsa de modo segmentado. O índice Mid Large medirá o retorno de uma carteira composta pelas empresas listadas de maior capitalização, e o índice Small Cap medirá o retorno de uma carteira composta por empresas de menor capitalização.
  • Índice de Energia Elétrica – IEE: Primeiro índice setorial da BM&FBOVESPA, o Índice de Energia Elétrica (IEE) foi lançado em agosto de 1996 com o objetivo de medir o desempenho do setor de energia elétrica. Dessa forma, constitui-se em um instrumento que permite a avaliação da performance de carteiras especializadas nesse setor.
  • Agentes Underwriter: Bancos de Investimento, Bancos Múltiplos com carteira de Investimento, Sociedade Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (SDTVM) e Sociedade Corretora de Títulos e Valores Mobiliários.
  • Operação de Underwriting: A: decide captar recurso via emissão de ações > Agentes Underwriter: emite as ações no mercado primário > Mercado Primário: acionistas compram ações no IPO > Bolsa de Valores: Ações passam a ser negociadas no mercado secundário.

Figura – Operação de Underwriting.

Fonte: Elaborado pelo autor.

  • Uma oferta pública de distribuição de ações, cotas de fundos de investimento e outros valores mobiliários é uma colocação, junto ao público, de determinado número de ações de uma companhia, cotas de um fundo de investimento ou qualquer outro valor mobiliário previsto na regulamentação do mercado de capitais.
  • Oferta pública primária (Initial Public Offering – IPO): acontece quando é realizada a emissão de novas ações/cotas de fundos de investimento que serão ofertadas ao mercado, com ingresso de recursos no próprio emissor da oferta. Ou seja, nesse caso a companhia está captando recursos.
  • Oferta pública primária (Initial Public Offering – IPO) = Oferta pública inicial ou Oferta pública primária
  • No mercado primário as transações acontecem entre a companhia e o investidor. Já no mercado secundário as transações ocorrem entre dois investidores.

Figura – Mercado primário.

Fonte: Elaborado pelo autor.

 

  • Oferta pública secundária: acontece quando são ofertadas ações/cotas de fundos de investimento já existentes, de modo que os recursos não serão aportados na empresa/fundo, mas serão direcionados aos acionistas/cotistas vendedores.

 

Figura – Mercado secundário.

Fonte: Elaborado pelo autor.

 

  • Papel do coordenador da oferta e demais instituições envolvidas: obrigações, análise, tratamento das informações e responsabilidades.
  • Underwriting Garantia Firme (Straight): subscrição em que a instituição financeira subscreve integralmente a emissão para revendê-la posteriormente ao público. Selecionando esta opção a empresa assegura a entrada de recursos. O risco de mercado é do intermediário financeiro.
  • Underwriting de Melhores Esforços (Best Efforts): Subscrição em que a instituição financeira se compromete a realizar os melhores esforços para a colocação junto ao mercado das sobras do lançamento.
    Não há comprometimento por parte do intermediário para a colocação efetiva de todas as ações. A empresa assume os riscos da aceitação ou não das ações lançadas por parte do mercado.
  • Bookbuilding: é a operação na qual o coordenador da oferta avalia, junto aos investidores, a demanda pelos papéis que estão sendo ofertados. Baseado na avaliação da empresa e das condições de mercado, o coordenador da oferta determina um intervalo inicial para o preço de lançamento desses papéis.
  • Debêntures e Notas Promissórias: captação de recursos de médio e longo prazo para sociedades anônimas (S.A.) não financeiras de capital aberto. Não existe padronização das características desse título.

Tipos de Debêntures (quanto a garantia):

  • Garantia real: fornecida pela emissora pressupõe a obrigação de não alienar ou onerar o bem registrado em garantia, tem preferência sobre outros credores, desde que averbada no registro. É uma garantia forte;
  • Garantia flutuante: assegura à debênture privilégio geral sobre o ativo da companhia, mas não impede a negociação dos bens que compõem esse ativo. Ela marca lugar na fila dos credores, e está na preferência, após as garantias reais, dos encargos trabalhistas e dos impostos;
  • Garantia quirografária: ou sem preferência, não oferece privilégio algum sobre o ativo da emissora, concorrendo em igualdade de condições com os demais credores quirografários (sem preferência), em caso de falência da companhia; e
  • Garantia subordinada: na hipótese de liquidação da companhia, oferece preferência de pagamento tão somente sobre o crédito de seus acionistas.

Tipos de Debêntures (quanto ao registro):

  • Debênture Nominativa: é aquela onde há a emissão de certificado onde consta o nome do titular, e há registro em livro próprio, sendo facultado à emissora contratar a escrituração e guarda dos livros de registros da emissão e transferências.
  • Debênture Escritural: é também nominativa, mas neste caso não há a emissão de certificado e há a obrigação de contratação de instituição financeira responsável (instituição depositária). As debêntures são mantidas em contas de depósito, em nome de seus titulares.

Tipos de Debêntures (quanto ao recebimento pelo investidor):

  • Simples:O resgate, ou amortização, se dá em moeda corrente. E não são conversíveis ou permutável em ações.
  • Conversível:Podem ser convertidas em ações da empresa emissora de acordo com regras previstas na escritura da emissão.
  • Permutável:podem ser convertidas em ações de outra empresa, que não a companhia emissora, de acordo com as regras definidas na escritura de emissão.

Notas Promissórias (Commercial Paper)

  • Notas promissórias podem ser emitidas por S.A Aberta e S.A Fechada. Ademais, são vedadas as ofertas públicas de notas promissórias por instituições financeiras, sociedades corretoras e distribuidoras de títulos e valores mobiliários e sociedades de arrendamento mercantil.
  • A nota promissória comercial não possui garantia real, por isso é um instrumento para empresas com bom conceito de crédito.
  • Sobre os prazos: o prazo mínimo é de 30 dias; o prazo máximo é de 180 dias para S.A. de capital fechado e 360 dias para S.A. de capital aberto; possui uma data certa de vencimento. A Rentabilidade pode ser Prefixada ou Pós-Fixada.
  • Agente Fiduciário: A função do agente fiduciário é proteger o interesse dos debenturistas exercendo uma fiscalização permanente e atenta, verificando se as condições estabelecidas na escritura da debênture estão sendo cumpridas.
  • Depositary Receipts (DR’s): são títulos negociados em um país que têm como lastro ações de uma empresa que está instalada fora deste país.
  • American Depositary Receipts (ADR’s): é um acrônimo para American Depositary Receipt, são recibos de ações emitidos nos Estados Unidos para negociar as ações de empresas de fora do país na Bolsa de Valores de Nova York.
  • Brazilian Depositary Receipts (BDR’s): a exemplo dos ADR’s, os BDR’s são títulos negociados no Brasil que têm como lastro ações de uma empresa que está instalada fora do Brasil.
  • Um rating é uma nota que as agências internacionais de classificação de risco de crédito atribuem a um emissor (país, empresa, banco) de acordo com sua capacidade de pagar uma dívida. Serve para que investidores saibam o grau de risco dos títulos de dívida que estão adquirindo.
  • Em geral, são três grandes níveis: Grau de investimento (país seguro de investir), Grau especulativo (risco de inadimplência), e Default (quando o país declara moratória).

Símbolo

Nome

Valor índice

DJI

Dow Jones Industrial Average, EUA

24.782,29

NQF

Nasdaq, EUA

6.495,00

GSPC

S&P 500, EUA

2.684,57

N225

Nikkei 225, Japão

22.902,76

FTSE

FTSE 100, Inglaterra

7.592,66

DAX

Dax Performance-Index, Alemanha

13.075,42

SSEC

Shanghai Composite, China

3,297.06

MXX

IPC México

48.503,31

MERV

MERVAL BUENOS AIRES, Argentina

28.480,71

 

  • Clube de Investimento é uma comunhão de recursos de pessoas físicas – de no mínimo 3 e no máximo 50 participantes -, para aplicação em títulos e valores mobiliários.
  • O clube de investimento deve ser administrado por sociedade corretora, sociedade distribuidora, banco de investimento ou banco múltiplo com carteira de investimento, que é responsável pelo conjunto de atividades e de serviços relacionados direta e indiretamente ao seu funcionamento e manutenção.

 

1.5 Taxa de Retorno e Cálculo de Risco

retorno de uma ação em determinado período pode ser dividido em duas partes: uma parte é composta pelos ganhos de dividendos, que é a parte do lucro distribuída em dinheiro aos acionistas, e a outra parte do retorno é o ganho de capital sobre o investimento, que corresponde à variação do valor de mercado da ação:

No que se refere ao retorno esperado, geralmente o que se precisa estimar é o retorno que determinada ação poderá proporcionar no próximo período, o qual poderá corresponder a um dia, uma semana, um mês ou mesmo a um ano. Uma maneira comum de se estimar o retorno para o próximo período de investimento é supor que esse retorno esteja próximo da média dos retornos passados realizados pela ação, isto é, uma estimativa pelo retorno médio. Se tivermos calculado vários retornos passados de uma ação, a estimativa para o retorno esperado será a média simples dos retornos passados:

Em que R é o retorno médio e R1, R2, ..., e RT são os retornos passados em T períodos anteriores.

Cálculo de risco

De modo a discutir o risco de uma ação, precisamos conhecer os retornos, sobretudo no que se refere à distribuição de suas taxas. Quando dispomos de retornos para vários períodos passados e os apresentamos na forma de histograma, podemos obter algo conforme a Figura abaixo. O histograma a seguir mostra a distribuição de frequência de 100 retornos mensais passados de um ativo.

Figura - Distribuição das taxas de retorno.

Fonte: Elaborada pelo autor.

Para caracterizar a distribuição de taxas de retorno, utiliza-se o grau de dispersão da distribuição de frequência, conforme a figura acima mostra. A dispersão de uma distribuição é a medida de quanto um valor pode afastar-se da média. Quando a distribuição apresentar uma dispersão muito grande, significa que os retornos serão bastante incertos, de modo que o investimento nesse ativo pode ser muito arriscado. Por outro lado, quando a distribuição de retornos apresentar baixa dispersão, podemos dizer que se trata de um ativo menos arriscado, ou seja, possui retornos futuros menos incertos. No que se refere ao risco, as medidas associadas à incerteza na distribuição dos retornos são chamadas de medidas de risco. As principais delas são a variância e o desvio-padrão.

Tabela - Retornos mensais para os investimentos W e Z.

Ano

Retorno do investimento W

Retorno do investimento Z

2011

7%

12,4%

2012

2013

2014

2015

4%

5,4%

5%

3,6%

-2%

16%

3%

-4,4%

Fonte: Elaborada pelo autor.

Considerando o investimento Z da Tabela anterior, o desvio-padrão pode ser calculado primeiramente ao se obter o retorno médio dos cincos anos do investimento:

Posteriormente, a variância dos retornos para esse período pode ser encontrada:

E, por último, o desvio-padrão:

1.6 Teoria do Portfólio 

A teoria moderna do portfólio (ou simplesmente teoria do portfólio) descreve como investidores racionais utilizam o princípio da diversificação de modo a otimizar as suas carteiras de investimentos e como um ativo arriscado deve ser precificado. Nesse contexto, o desenvolvimento de modelos de otimização de portfólio tem origem na área econômico-financeira. No que se refere à otimização de portfólio, o trabalho pioneiro foi a proposição do modelo média-variância por Markowitz

A teoria do portfólio afirma que decisões relacionadas à seleção de investimentos devem ser tomadas com base na relação risco-retorno. Para auxiliar nesse processo, modelos de otimização de portfólio têm sido desenvolvidos. De modo a serem efetivos, tais modelos precisam ser capazes de quantificar os níveis de risco e retorno dos investimentos. 

COMENTÁRIO 

Existem modelos matemáticos complexos da teoria do portfólio. Ainda assim, não se preocupe com isso, pois dificilmente cairá no exame. 

Beta 

Os riscos das carteiras de investimento podem ser divididos entre diversificável e não diversificável. O risco diversificável pode ser diminuído através do aumento da quantidade de ativos não correlacionados entre si na carteira. Já o risco não diversificável, ou sistemático, é o risco do mercado como um todo, como crises políticas e econômicas, eventos naturais, guerras, políticas fiscais, comerciais e monetárias dos governos, etc. Este último não pode ser eliminado com a diversificação, e afeta o mercado como um todo.  

O beta (β) mede a sensibilidade de um ativo em relação aos movimentos de mercado, representado pelo comportamento de uma carteira diversificada e, teoricamente, livre de risco não sistemático. Na prática, essa carteira de mercado pode ser representada por um benchmark, como o Ibovespa no caso brasileiro. Dessa forma, podemos afirmar que o beta é uma medida de sensibilidade do ativo ao risco sistemático (ou risco de mercado). Ademais, o coeficiente pode ser representado pela equação abaixo: 

O termo βi da equação anterior se refere à sensibilidade dos retornos de um investimento em relação aos retornos da carteira de mercado. Já o termo σim se refere à covariância entre os retornos da carteira i em relação aos retornos de mercado m; já o termo σ²m se refere à variância dos retornos do mercado. 

Por fim, o beta pode assumir uma série de valores, e sua interpretação é a seguinte: 

  • se β > 1, reflete um risco sistêmico mais alto que o mercado, sendo que, por isso, é considerado um investimento agressivo; em outras palavras, a carteira de ativos oscila mais que a carteira de mercado;
  • se β = 1, a carteira de ativos tem o mesmo risco que a carteira de mercado, movimentando-se na mesma direção;
  • se 0 < β < 1, a carteira de ativos é menos arriscada do que a carteira de mercado e o ativo se caracteriza por ser mais defensivo;
  • se β < 0, ativo move-se em direção oposta à do mercado.

Obs.: O coeficiente β é utilizado para medir o risco não diversificável. 

ATENÇÃO! 

É importante não confundir: o beta não é uma medida de correlação, mas de sensibilidade. Pode, ainda, ser considerado uma forma de elasticidade. 

A correlação varia entre -1 e 1, sendo que uma correlação zero entre dois ativos significa que seus comportamentos são 100% independentes, isto é, movem-se livremente um em relação ao outro. Já o beta pode ser maior que 1 e menor que -1, e um beta próximo de zero não significa que o ativo se move livremente em relação ao mercado, mas que as variações do mercado o impactam muito pouco, ou seja, seu risco sistemático é baixíssimo. 

Capital Asset Pricing Model (CAPM) 

O CAPM é um modelo de formação de preços de ativos que equaciona a relação básica entre risco e retorno, presente em todos os tipos de decisões financeiras. Esse modelo permite estimar a taxa de retorno exigida pelos investidores, ou seja, a taxa mínima de atratividade pelo capital próprio. Nesse sentido, o CAPM equaciona a relação entre risco não diversificável, uma vez que o risco diversificável não é importante para o investidor, pois é passível de eliminação. Nesse contexto, será utilizada uma nova medida de mensuração do risco não diversificável. 

Segundo o CAPM, o custo de capital corresponde à taxa de rentabilidade exigida pelos investidores como compensação pelo risco de mercado ao qual estão expostos. O CAPM considera que, em um mercado competitivo, o prêmio de risco varia proporcionalmente ao β. 

Como em todos os modelos financeiros, formulam-se algumas hipóteses para seu desenvolvimento, como, por exemplo: 

  • há uma grande eficiência informativa do mercado, atingindo igualmente todos os investidores;
  • não há impostos, taxas ou quaisquer outras restrições para os investimentos no mercado;
  • há uma mesma percepção por parte de todos os investidores quanto ao desempenho dos ativos, formando carteiras eficientes a partir de idênticas expectativas; e
  • existe uma taxa de juros de mercado definida como livre de risco.

Em que: 

  • Ki é o retorno esperado do ativo i;
  • rf é o retorno esperado da taxa livre de risco;
  • βi é a sensibilidade ao risco de mercado;
  • rm é o retorno histórico do mercado de ações; e
  • (rm - rf) é o prêmio de risco dos ativos de mercado sobre os ativos livres de risco.

Conforme a prova da Câmara dos Deputados CESPE (2014, adaptada): "A análise de um portfólio envolve o retorno esperado e o risco dos ativos que o compõe. No que se refere à teoria do portfólio, julgue o próximo item". 

Nesse sentido, a questão traz: "O risco total de um portfólio é composto pela soma dos riscos diversificáveis e não diversificáveis. O risco não diversificável, ou sistemático, é possível de ser eliminado pela diversificação de títulos". 

Por definição, o risco sistemático é justamente aquele que não pode ser eliminado através da diversificação. Falsa

Arbitrage Pricing Model (APM) 

Como alternativa ao CAPM, há o Modelo de Precificação por Arbitragem ou modelo APM, sigla do inglês Arbitrage Pricing Model. Ela considera que o retorno esperado dos ativos com risco é explicado por uma combinação linear de fatores, mas não diz a quantidade de fatores que determina o modo como se forma o preço dos ativos. Desse modo, o preço de um ativo pode ser formado apenas por um fator ou por n fatores distintos. A grande vantagem do APM é que, diferentemente do CAPM, ele considera que o comportamento do ativo não é explicado pelo comportamento do mercado.  

O modelo APM possui premissas bem diferentes em relação às do CAPM, pois não busca carteiras eficientes e, além disso, possui o princípio de que o retorno depende parcialmente dos problemas ou fatores macroeconômicos, bem como da particularidade dos eventos da empresa. Por exemplo, cada ativo possui sensibilidade particular, ou seja, alguns são mais impactados por um fator do que outros. No entanto, ambas as teorias afirmam a existência de uma relação positiva entre risco e retorno. 

De acordo com o APM, a relação entre o risco e o retorno de um ativo é dada por: 

 

Sendo R1,.....Rf,  os fatores. Vale ressaltar que os fatores podem ser, por exemplo, o câmbio, a produção industrial, a inflação etc., de modo que os coeficientes mensuram a sensibilidade dos ativos a esses fatores. 

 

1.7 Contabilidade

Retorno sobre Ativos (ROA ou RSA):

Return on Assets (ROA), que, em português, significa Retorno sobre os Ativos (RSA), é outro indicador financeiro que demonstra a capacidade dos ativos da empresa de gerar resultados. Ele também é expresso em porcentagem. Através do ROA, pode-se transmitir uma noção do quanto a empresa consegue fazer com o que ela possui, o que possibilita tecer comparações com outras empresas do mesmo setor. Sua equação é representada como:

O ROA possui como objetivo, segundo Gitman (2004, p. 55), “medir a eficácia geral da administração de uma empresa em termos de geração de lucros com os ativos disponíveis”, isto é, mensurar o nível de geração de lucros obtidos pela administração a partir dos ativos disponíveis. Desse modo, quanto maior for o resultado do ROA, melhor será. 

Decomposição da fórmula

O retorno sobre o ativo, sendo uma medida de aproveitamento do capital, pode ser interpretado como um resultado do giro do ativo e da margem líquida, em que o primeiro é uma medida de quantas vezes as receitas cobrem o total de ativos e o segundo a relação entre o lucro líquido e a receita líquida. Dessa forma, o ROA pode ser decomposto e apresentado da seguinte maneira:

Por fim, detalhando a margem líquida e o giro do ativo, temos que:

Perceba que, desenvolvendo essa equação, o resultado do ROA será igual ao lucro líquido sobre o ativo total.

Retorno do Capital Empregado e Return on Common Equity (ROCE e ROE):

retorno do capital empregado, cuja expressão em inglês é Return on Capital Employed (ROCE), é a taxa de retorno que um negócio apresenta em relação ao capital total empregado no negócio. O capital total empregado se refere à soma do passivo exigível a longo prazo com o Patrimônio Líquido (PL), o qual pode ser calculado através do ativo total menos o passivo circulante. Nesse cálculo, o lucro antes dos juros e tributos (EBIT em inglês) é utilizado. Sua fórmula é a seguinte:

Return on Common Equity — ou Return on Equity (ROE) — mede o retorno obtido sobre o investimento dos acionistas ordinários na empresa. De modo geral, quanto mais alto for esse retorno, melhor será para os proprietários. É importante ressaltar que capital próprio é sinônimo de PL e, por isso, ambas as denominações podem ser encontradas quando há referência ao ROE. Esse indicador apresenta a rentabilidade que a empresa proporcionou ao investimento feito em capital próprio, ou seja, quanto o acionista recebeu de lucro para cada R$ 1,00 investido na empresa.

O ROE é calculado pela fórmula:

Balanço patrimonial (BP):

Balanço patrimonial (BP) é a demonstração contábil destinada a evidenciar (qualitativa e quantitativamente) a posição patrimonial e financeira da entidade em uma determinada data. No balanço patrimonial, as contas deverão ser classificadas segundo os elementos do patrimônio que registram, além de estarem agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e a análise da situação financeira da empresa.

As empresas listadas emitem, de forma separada, o balanço patrimonial ativo e o balanço patrimonial passivo, porém eles devem ser entendidos como um só, isto é, um espelho, em que a quantidade de ativos totais sempre será igual à quantidade de passivos somados ao patrimônio líquido.

 

Ou seja:

Quadro - Ativos.

 ATIVOS

Bens e Direitos 

=

PASSIVOS

Obrigações

PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Capital Social

Fonte: Elaborado pelo autor.

Na prática, os grupos de contas são organizados da seguinte forma:

Tabela - Ativos e passivos.

ATIVO (bens e direitos)

PASSIVO (obrigações)

Ativo circulante: bens e direitos que podem ser convertidos em dinheiro no curto prazo (12 meses).

Passivo circulante: obrigações que devem ser pagas no curto prazo (até 12 meses).

Ativo não circulante: bens e direitos que só podem ser convertidos em dinheiro no longo prazo (acima de 12 meses).

Passivo não circulante: obrigações que podem ser pagas no longo prazo (mais de 12 meses).

PATRIMÔNIO LÍQUIDO: valor que os sócios ou acionistas têm na empresa.

Fonte: Elaborada pelo autor.

O balanço patrimonial classifica todos os recursos de uma empresa como ativos, classificando também todos os passivos e o capital próprio. A estrutura básica de um balanço é mostrada na tabela abaixo. Observe que, assim como na demonstração de resultado, essas não são as únicas contas que podem aparecer no balanço patrimonial, o qual pode utilizar uma terminologia diferente em outros casos. Algumas empresas oferecem mais detalhes sobre suas declarações do que outras. Certas contas, que são importantes para uma empresa, podem ser inexistentes para outra. Ainda assim, estes são os principais itens:

Tabela - Balanço Patrimonial.

Balanço Patrimonial

Nome da Empresa

Para período iniciando em XX/XX/XXX até yy/yy/yyyy

ATIVOS

PASSIVOS

Dinheiro

Notas promissórias

Recebíveis contábeis líquidos

Débitos contábeis

Inventário

Despesas acumuladas

Total de ativos correntes

Dívidas de curto prazo

Imobilizado bruto

Total de passivo circulante

Menos depreciação acumulada

Dívidas de longo prazo

Imobilizado líquido

Total de passivos

Total de ativos

Ações preferencias

 

Ações ordinárias

 

Lucros acumulados

 

Total de passivos e patrimônio líquido

Fonte: Elaborada pelo autor. 

Observe um exemplo de Balanço Patrimonial simplificado:

Balanço Patrimonial

Ativo

Passivo

Ativo circulante

Passivo circulante

Caixa e equivalentes de caixa

Fornecedores

Aplicações financeiras

Salários a pagar

Contas a receber

Impostos a pagar

Estoques

Empréstimos

Despesas do exercício seguinte

Passivo não circulante

Adiantamentos a fornecedores

Financiamentos de longo prazo

Ativo realizável a curto prazo

Contas a pagar de longo prazo

Ativo não circulante

Patrimônio líquido

Investimento

Capital social

Imobilizado intangível

Reservas de capital

 

Reservas de lucros

TOTAL

TOTAL

Fonte: Elaborado pelo autor. 

Demonstração do Resultado do Exercício (DRE):

Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) evidencia a formação do resultado líquido em um exercício, através do confronto das receitas, custos e resultados. Ela apresenta todos os itens de receita e despesa reconhecidos no período, exceto aqueles que são reconhecidos no resultado abrangente conforme permitido ou exigido por norma específica.

Em outras palavras, e de forma mais simplificada, podemos dizer que a DRE inclui:

  • a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e impostos;
  • a receita líquida das vendas e serviços, custo das mercadorias e dos serviços vendidos e o lucro bruto;
  • as despesas com as vendas, as despesas financeiras deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas e outras despesas operacionais;
  • o lucro ou prejuízo operacional, as outras receitas e as outras despesas;
  • o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto;
  • as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, que não se caracterizem como despesa; e
  • o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social.

Tabela - Composição da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE).

Receita Operacional Bruta

  • Vendas de Produtos
  • Vendas de Mercadorias
  • Prestação de Serviços

(-) Dedução da Receita Bruta

  • Devoluções de Vendas
  • Abatimentos
  • Impostos e Contribuições Incidentes sobre Vendas

= Receita Operacional Líquida

(-) Custos das Vendas

  • Custo dos Produtos Vendidos
  • Custo das Mercadorias
  • Custo dos Serviços Prestados

= Resultado Operacional Bruto

(-) Despesas Operacionais

  • Despesas com Vendas
  • Despesas Administrativas

(-) Despesas Financeiras Líquidas

  • Despesas Financeiras

(-) Receitas Financeiras

  • Variações Monetárias e Cambiais Passivas

(-) Variações Monetárias e Cambiais Ativas

  • Outras Receitas e Despesas
  • Resultado da Equivalência Patrimonial
  • Venda de Bens e Direitos do Ativo Não Circulante

= Resultado Operacional Antes do Imposto e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido

  • Provisão para Imposto de Renda e Contribuição Social Sobre o Lucro

= Lucro Líquido Antes das Participações

(-) Debêntures, Empregados, Participações de Administradores, Partes Beneficiárias, Fundos de Assistência e Previdência para Empregados

(=) RESULTADO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO

Fonte: Elaborada pelo autor. 

Um exemplo simplificado de DRE é:

Tabela - Exemplo simplificado da DRE.

Fonte: Elaborada pelo autor. 

Indicadores Baseados em Demonstrações Financeiras:

De modo geral, o indicador ou múltiplo pode ser definido como toda relação estabelecida entre o preço de uma empresa e seus elementos operacionais ou financeiros (exemplo: P/Lucro, P/Valor Patrimonial, P/Vendas ou P/Geração de Caixa). Também pode caracterizar índices de eficiência da empresa frente ao mercado em que atua (e.g. receita/empregado, empregados/produto fabricado etc.).

Veja a seguir alguns dos indicadores mais conhecidos:

Tabela - Indicadores.

Indicador/Descrição

Fórmula

  • LPA: Lucro (líquido) por ação.
  • P/L: Preço da ação dividido pelo LPA.
  • VPA: Patrimônio líquido por ação.
  • P/VP: Preço da ação dividido pelo VPA.
  • ROE: Retorno sobre o patrimônio líquido.

Fonte: Elaborada pelo autor. 

Obs.: O indicador de Preço/Lucro (P/L) é uma relação entre o preço do título e o lucro total da empresa dividido por ação. Conforme esse indicador, quanto menor a relação, melhor, pois indica que o título está com cotação baixa em relação à lucratividade da companhia.

2 Sistema Financeiro Nacional

  • Órgão normativos: determinam regras gerais para o bom funcionamento do Sistema Financeiro Nacional (SFN). São eles: Conselho Monetário Nacional (CMN), Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) e Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC).
  • Entidades supervisoras: Estão subordinadas aos órgãos normativos e atuam de modo que os cidadãos e os integrantes do sistema financeiro sigam as regras definidas pelos órgãos normativos. São elas: Banco Central do Brasil (BACEN), Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Superintendência de Seguros Privados (Susep) e Superintendência de Previdência Complementar (Previc).
  • Operadores: Estão subordinados às entidades supervisoras e lidam com o público no papel de intermediário financeiro. São eles: Bancos e caixas econômicas, cooperativas de crédito, instituições de pagamento, administradoras de consórcios, corretoras e distribuidoras, bolsa de valores, bolsa de mercadorias e futuros, seguradoras e resseguradoras, entidades abertas de previdência, sociedades de capitalização e entidades fechadas de previdência complementar (fundos de pensão).
  • agente superavitárioé aquele cuja renda excede suas despesas, isso quer dizer que ele tem dinheiro para suprir todas as suas necessidades, e ainda fica com capital sobrando.
  • agente deficitárioé aquele cuja renda não cobre suas despesas. Eles têm necessidades que não permitem que sobre dinheiro. Por isso a necessidade de buscar recursos junto a uma Instituição Financeira.
  • CMN: formula a política de controle da moeda no SFN e incentiva (ou não) mecanismos de incentivo ao consumo de bens e serviços, prática também conhecida como política de crédito ou financiamento. Objetiva gerar um ambiente de estabilidade monetária que permita o desenvolvimento do país.
  • CNSP: acompanha a evolução do mercado segurador nacional, não só estabelecendo as normas, mas também observando a evolução dos indicadores de risco e a ocorrência de incidentes cobertos pelos contratos de seguros, permitindo a modernização deste serviço.
  • CNPC: Além de ser um órgão normativo, se atenta sobre a influência dos reflexos econômicos e movimentos da gestão dos planos de previdência complementar no montante de recursos acumulados pelos clientes para assim modernizar a legislação e resguardar os planos futuros de aposentadoria.
  • Os bancos múltiplossão instituições privadas ou públicas que captam recursos e os repassam as empresas, famílias e governos e prestam serviços. Podem operar as seguintes carteiras: comerciais, de investimento, de desenvolvimento, de crédito imobiliário, de arrendamento mercantil, financiamento e investimentos.
  • Os bancos comerciais, que também podem ser privados ou públicos, oferecem recursos para financiar, em curto e médio prazo, para indústria, comércio, serviços e pessoas físicas e podem captar depósitos à vista e a prazo.
  • Os bancos de investimento, que são instituições privadas especializadas em operações de participação societária, financiamento de atividade produtiva para suprimento de capital fixo e de giro e administração de recursos de terceiros.
  • Os bancosde desenvolvimento são controlados pelos governos estaduais e têm o objetivo de proporcionar recursos necessários para financiamento de programas e projetos que promovam o desenvolvimento econômico e social dos estados.
  • Ascooperativas de crédito são um tipo de instituição que pode surgir da associação de funcionários de uma empresa, de profissionais de um segmento, de empresários ou da admissão livre e espontânea de outros tipos de associados. Os lucros das operações de empréstimos são repartidos entre os associados.
  • Seguros, previdência e capitalizaçãosão consideradas parte do sistema financeiro porque promovem a formação de poupança por parte dos agentes econômicos. Os recursos captados por esses intermediadores são aplicados em investimentos específicos, dado que muitas vezes é necessário fazer frente ao compromisso de seus clientes.
  • Asbolsas de valores, mercadorias e futuros atuam na intermediação de recursos do mercado de capitais (ações, opções, direitos, títulos, debêntures, notas promissórias) e contratos de derivativos.
  • As sociedades corretoras de títulos e valores mobiliáriossão instituições autorizadas a negociar valores mobiliários e derivativos no mercado de negociações (pregão).
  • Em 2009, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Banco Central permitiram que as sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliáriosatuassem no mercado de negociações (pregão).
  • BACEN (Banco Central da República do Brasil) é a entidade supervisora do SFN e obedece às diretrizes estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional, sendo responsável pela supervisão das entidades financeiras, bancos de câmbio e outras instituições financeiras intermediárias.
  • BACEN, antes uma autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda, com a LC 179/21 passou a ser uma autarquia de natureza especial, com autonomia financeira, operacional, técnica e administrativa garantida por esta mesma lei. É o principal órgão executivo do Sistema Financeiro Nacional. Sua diretoria colegiada é composta por um presidente e oito Diretores (nove membros), todos nomeados pelo presidente da República e aprovados pelo Senado.
  • Compete ao BACENcumprir e fazer cumprir as disposições que lhe são atribuídas pela legislação em vigor e as normas expedidas pelo Conselho Monetário Nacional.
  • Dentre as principais atribuições do BACEN está: autorizaro funcionamento e fiscalizar as Instituições Financeiras, punindo-as se for o caso; emitir moeda-papel e moeda metálica; controlar o crédito e o fluxo de capitais estrangeiros; executar a política monetária e cambial.
  • A SUSEP é o órgão responsável pelo controle e fiscalização dos mercados de seguro, previdência privada aberta, capitalização e resseguro. Trata-se de uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Fazenda.
  • A SUSEP é uma entidade supervisora, devendo sempre respeitar as diretrizes do órgão normativo CNSP (Conselho Nacional de Seguros Privados).
  • Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc)é uma entidade governamental autônoma estabelecida na forma de autarquia especial ligada ao Ministério da Fazenda. Objetiva fiscalizar as entidades fechadas de previdência complementar e realizar políticas para o regime de previdência complementar.
  • Os bancos comerciais(BC) são sociedades anônimas que possuem como objetivo promover o encontro entre os agentes superavitários e deficitários, além de realizar operações financeiras de curto prazo e criar moeda através de débitos e empréstimos.
  • Entre as atividades realizadas pelos BC destacam-se as concessões de empréstimos, operações de crédito, pagamento de cheques, transferência de recursos e ordens de pagamento, aluguel de cofres e custódia de valores, pagamento de tarifas públicas, entre outros.
  • Os bancos comerciaissão constituídos em forma de sociedade anônima e sua principal fonte de recursos são os depósitos à vista, utilizados para conceder crédito para consumidores e empresas.
  • Os BC são intermediários financeiros que captam recursos de credores e os distribuem através do crédito para devedores. O objetivo principal é proporcionar suprimento de recursos necessários para financiar, a curto e a médios prazos: o comércio, a indústria, as empresas prestadoras de serviços, as pessoas físicas e terceiros em geral;
  • Os bancos múltiplossão Instituições Financeiras (IF) privadas ou públicas que realizam as operações ativas, passivas e assessórias das diversas IF, por intermédio das seguintes carteiras: comercial, de investimento e/ou de desenvolvimento, de crédito imobiliário, de arrendamento mercantil e de crédito, financiamento e investimento.
  • As operações realizadas pelos bancos múltiplosestão sujeitas às mesmas normas legais e regulamentares aplicáveis às instituições singulares correspondentes às suas carteiras. A carteira de desenvolvimento somente poderá ser operada por banco público.
  • banco múltiplodeve ser constituído com, no mínimo, duas carteiras, sendo uma delas, obrigatoriamente, comercial ou de investimento, e ser organizado sob a forma de S.A. As instituições com carteira comercial podem captar depósitos à vista.
  • Os bancos múltiplossão instituições financeiras privadas ou públicas que realizam as operações ativas, passivas e acessórias das diversas instituições financeiras.
  • As operações dos bancos múltiplos incluem as seguintes carteiras: comercial, investimento e/ou de desenvolvimento, crédito imobiliário, arrendamento mercantil e de crédito (leasing), financiamento e investimento (financeiras).
  • Os bancos de investimentossão IF privadas especializadas em operações de participação societária de caráter temporário, de financiamento da atividade produtiva para suprimento de capital fixo e de giro e de administração de recursos de terceiros.
  • Os bancos de investimentosdevem ser constituídos sob a forma de S.A. Não possuem contas correntes e captam recursos via depósitos a prazo, repasses de recursos externos, internos e venda de cotas de fundos de investimento por eles administrados.
  • As principais operações ativassão financiamento de capital de giro e capital fixo, subscrição ou aquisição de títulos e valores mobiliários, depósitos interfinanceiros e repasses de empréstimos externos. Isto ocorre, dado que os bancos de investimentos são instituições criadas para conceder créditos de médio e longo prazo para as empresas.
  • Os bancos de desenvolvimentosão instituições financeiras controladas pelos governos estaduais, e têm como objetivo precípuo proporcionar o suprimento de recursos necessários ao financiamento de médio e a longo prazos, atendendo projetos que visem a promover o desenvolvimento econômico e social do respectivo Estado.
  • BNDESé o principal instrumento de execução da política de investimento do Governo Federal e tem por objetivo primordial apoiar programas, projetos, obras e serviços que se relacionem com o desenvolvimento econômico e social do País.
  • As atividades do BNDESsão supervisionadas diretamente pelo Ministério da Fazenda. O Governo Federal atua também como regulador das atividades do BNDES, por meio, principalmente, do Ministério da Fazenda. O BNDES exercita suas atividades, visando a estimular a iniciativa privada, sem prejuízo de apoio a empreendimentos de interesse nacional a cargo do setor público.
  • Bolsa de valores é o local onde se negociam títulos e valores mobiliários. Exemplo: Ações, que é a menor parcela do capital de uma empresa. A B3 opera um elenco completo de negócios com ações, derivativos, commodities, balcão e operações estruturadas.
  • As negociações se dão em pregão eletrônico e via internet, com facilidades de homebroker (sistema oferecido por diversas companhias para conectar seus usuários ao pregão eletrônico no mercado de capitais).
  • B3 – Câmara de Açõestem por objeto compensar, liquidar e controlar o risco das obrigações decorrentes de operações à vista e de liquidação futura com qualquer espécie de valores mobiliários, títulos, direitos e ativos realizadas na Bolsa de Valores de São Paulo S.A. (B3), em outras bolsas ou outros mercados. É uma clearing house.
  • É negociado na B3: ações, derivativos (opções, futuro e termo), CRI, CRA, debentures, letras financeiras, fundo imobiliário, fundo de participações, fundo de direitos creditórios, ETF.
  • Originada pela fusão entre a BM&FBOVESPA e a Cetip, a B3 é a companhia de infraestrutura de mercado financeiro. Antes da fusão ela era a bolsa de valores e responsável pela provisão de sistemas para a negociação de ações, derivativos de ações, títulos de renda fixa, títulos públicos federais, derivativos financeiros, moedas à vista e commodities agropecuárias.
  • As corretoras de títulos e valores mobiliários(CTVM) e as distribuidoras de títulos e valores mobiliários (DTVM) atuam nos mercados financeiros e de capitais, e no mercado cambial intermediando a negociação de títulos e valores mobiliários entre investidores e tomadores de recursos.
  • As corretoras e as distribuidorasdevem ser constituídas sob a forma de sociedade anônima ou por quotas de responsabilidade limitada. Objetivam dar maior liquidez e segurança ao mercado acionário.
  • As Sociedades Distribuidoras de títulose valores mobiliários são constituídas sob a forma de S.A. ou por quotas de responsabilidade limitada e são supervisionadas pelo Banco Central do Brasil.
  • As CTVMoferecem os serviços de: consultoria financeira, financiamento para compra de ações (conta margem), plataformas de investimento pela internet (homebroker), clubes de investimentos, administração e custódia de títulos e valores mobiliários dos clientes, intermediação de operações de Câmbio, administração de fundos e clubes de Investimento.
  • No Brasil a CBLCé responsável pela guarda, compensação e liquidação das operações que ocorrem na B3, seja no mercado à vista ou nos mercados de derivativos. A CBLC executa o controle de risco dos negociantes, evitando possíveis desequilíbrios no mercado.
  • A função básica de um sistema de pagamentos é transferir recursos, bem como processar e liquidar pagamentospara pessoas, empresas, governo, Banco Central e instituições financeiras.
  • O Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) é o conjunto de procedimentos, regras, instrumentos e operações integradasque, por meio eletrônico, dão suporte à movimentação financeira entre os diversos agentes econômicos do mercado brasileiro, tanto em moeda local quanto estrangeira visando a maior proteção contra rombos ou quebra em cadeia de instituições financeiras.
  • Clearing Houseou câmara de compensação, identifica a parte de uma bolsa de valores na qual as transações dos clientes são processadas e registradas. Ela é responsável por assegurar que todas as transações sejam realizadas, eliminando o risco de crédito.
  • Uma Clearingé uma prestadora de serviços de compensação e liquidação de ordens eletrônicas, de transferências de fundos e de outros ativos financeiros, e principalmente de compensação e de liquidação de operações realizadas em bolsas de mercadorias e de futuros e de compensação envolvendo operações com derivativos.
  • Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic),do Banco Central do Brasil, é um sistema informatizado que se destina à custódia de títulos escriturais de emissão do Tesouro Nacional, bem como ao registro e à liquidação de operações com esses títulos.

3 Mercado de Renda Fixa

3.1Títulos de Renda Fixa

  • Ostítulos de renda fixa são aqueles em que a forma de remuneração ou o indicador ao qual está atrelado o investimento é fixado no momento da contratação da operação.
  • Podemos enquadrar na modalidade de renda fixaas operações da caderneta de poupança, os títulos públicos, as debêntures, os fundos de investimentos, os CDBs, entre outros.
  • Ostítulos de renda variável são aqueles em que a forma de remuneração ou o indicador ao qual está atrelado o investimento não é conhecido no momento da aplicação. Nesse tipo de investimento, o devedor não garante o retorno do capital investido. Podemos enquadrar nessa modalidade as ações, as moedas estrangeiras etc.
  • Crédito Direto Bancário (CDB)é um título privado para a captação de recursos de investidores pessoas físicas ou jurídicas, por parte dos bancos.
  • Pré-fixado:uma taxa fixa é negociada entre o investidor e o banco e durante a vigência daquele título. O investidor terá seu recurso corrigido diariamente de acordo com a taxa estabelecida. Por exemplo, um CDB pré-fixado com taxa de 1% ao mês.
  • Pós-fixado:nesse produto, a remuneração varia de acordo com outro índice preestabelecido a ou de acordo com a variação do Certificado de Depósito Interbancário (CDI). Nessa modalidade, o investidor também terá seu recurso corrigido diariamente segundo a variação diária da taxa.
  • São três os tipos de rentabilidade: prefixada; pós-Fixada e flutuante (CDI e Taxa Selic).
  • Prazos mínimos e indexadores: 1 dia: CDBsprefixados ou com taxa flutuante (taxa DI e taxa Selic); 1 mês: indexados a TR ou TJLP; 2 meses: indexado a TBF; 1 ano: indexado à índice de preços (IGPM e IPCA);
  • OsCDBs não podem ser indexados à variação cambial. Para atrelar a rentabilidade de um CDB à variação cambial é, necessário fazer um swap.
  • Liquidez:O CDB pode ser negociado no mercado secundário e pode ser resgatado antes do prazo final, caso o banco emissor concorde em resgatá-lo. No caso de resgate antes do prazo final, devem ser respeitados os prazos mínimos.
  • Garantias:Os CDBS estão cobertos pelo Fundo Garantidor de Crédito até o limite de R$ 250.000,00 por CPF e conglomerado financeiro.
  • Letra de Câmbio (LC): A letra de câmbio é uma espécie de título de crédito, ou seja, também representa uma obrigação pecuniária, sendo desta autônoma.
  • Letra de Crédito Imobiliário (LCI): é lastreado por créditos imobiliários garantidos por hipoteca ou por alienação fiduciária de coisa imóvel, conferindo aos seus tomadores direito de crédito pelo valor nominal, juros e, se for o caso, atualização monetária nelas estipulados.
  • Letra de Créditos do Agronegócio (LCA): Parecido com LCI, o que muda é o lastro do papel. As Letras de Créditos do Agronegócio (LCA) são títulos emitidos por bancos garantidos por empréstimos concedidos ao setor de agronegócio. Outra diferença é que só podem ser emitidos por bancos e cooperativas de crédito.
  • Letras Hipotecárias (LH): as Letras Hipotecárias são instrumentos de captação de recursos emitidos por Instituições Financeiras autorizadas a conceder créditos hipotecários, ou seja, Caixa Econômica Federal, Sociedade de Crédito Imobiliário, Sociedade de Poupança e Empréstimo, entre outros.
  • Marcação a mercado(MaM) consiste em registrar todos os ativos, para efeito de valorização e cálculo de cotas dos fundos de investimento, títulos e demais ativos; pelos respectivos preços negociados no mercado em casos de ativos líquidos ou, quando este preço não é observável, por uma estimativa adequada de preço que o ativo teria em uma eventual negociação feita no mercado.
  • Os títulos públicos federaissão instrumentos financeiros de renda fixa emitidos pelo Governo Federal para obtenção de recursos junto à sociedade, com o objetivo primordial de: Financiar o déficit orçamentário, nele incluído o refinanciamento da dívida pública, e realizar operações para fins específicos, definidos na Lei Orçamentária, ou em seus créditos adicionais.

Quadro - Títulos públicos.

Nome Atual

Nome Anterior

Rentabilidade

CUPOM

Tesouro Prefixado

LTN

Juros Prefixado

Não

Tesouro Prefixado com Juros Semestrais

NTN-F

Juros Prefixado

Sim

Tesouro Selic

LFT

Selic

Não

Tesouro IPCA + Juros Semestrais

NTN-B

Juros + IPCA

Sim

Tesouro IPCA

NTN-B Principal

Juros + IPCA

Não

Fonte: Elaborado pelo autor.

  • Sem Cupom:São títulos em que os juros são pagos apenas no vencimento do título, junto com o seu principal.
  • Com Cupom:São títulos que possuem pagamentos semestrais de juros.
  • Tesouro Direto
  • O Tesouro Direto é um Programa do Tesouro Nacional desenvolvido em parceria com a BMF&FBovespa para venda de títulos públicos federais para pessoas físicas, por meio da internet. O objetivo é democratizar o acesso aos títulos públicos, ao permitir aplicações com apenas R$ 30,00.
  • mercado primárioé onde há a primeira negociação do título. Quando esse título é revendido a um terceiro, esse título passa a ser negociado no mercado secundário.
  • mercado secundárioé onde as ações são negociadas entre terceiros, ou seja, a empresa não participa do processo de venda da ação. É nesse mercado onde o primeiro comprador revende a ação para outro investidor e assim por diante.
  • Taxa de custódia: cobrada pela BM&FBOVESPA, equivalente a 0,25% ao ano sobre o valor do título. Esta taxa é cobrada para a manutenção dos serviços de guarda dos títulos, fornecimento de informações e movimentação do saldo.
  • Taxa cobrada pela instituição financeira: Essa taxa varia de instituição para instituição e pode ser cobrada anualmente ou por operação. Quando o valor das taxas de toda a carteira ultrapassar R$ 10,00.
  • Os impostosque incidem sobre as aplicações em tesouro direto são o IOF e o imposto de renda. A alíquota do Imposto de renda depende do prazo de aplicação:
    1. 22,5% para aplicações com prazo de até 180 dias;
    2. 20% para aplicações com prazo de 181 dias até 360 dias;
  • 17,5% para aplicações com prazo de 361 dias até 720 dias; e
  1. 15% para aplicações com prazo acima de 720 dias.
  • ágioé definido como um valor adicional cobrado nas operações financeiras, pela instituição financeira para realizar as operações relacionadas a compra e venda de títulos. Por outro lado, o deságio é observado quando um título é vendido por valor inferior ao seu valor nominal
  • Cálculo do PU de um título Prefixado: o Preço Unitário (PU) é o resultado da multiplicação da cotação vezes o Valor de Face. Na maioria dos títulos públicos federais, o Valor de Face (Valor Nominal) é igual a R$ 1.000,00.
  • Cotação: é o valor presente do fluxo do título, descontado pela taxa de juros informada ou pelo prêmio de deságio. Para títulos sem cupom (zero cupom) como LTN e LFT, basta trazer a valor presente o valor do vencimento. EXEMPLO:Qual é o PU de uma Tesouro Prefixado (LTN) (010107) que tem seu Valor de Face igual a R$ 1.000,00 que foi resgatada antecipadamente em 31-03-05 a LTN há 440 dias úteis do vencimento e com 19,00% de taxa de juros ao ano?

 

 

 

 

 

Quadro - Exemplo de cálculo de Preço Unitário (PU) na HP-12C.

Pressionar

Objetivo

Visor

F

REG

Limpar memória

0,00

1000

FV

Introduz o valor futuro

1.000,00

440

Enter

Introduz o prazo de liquidação

1.760

252

Divide

Tecla “N”

19

I

Introduz a taxa

19,00

PV

Solicita o valor do montante

-738,06

Resultado Negativo representa saída de caixa

Fonte: Elaborado pelo autor. 

Caderneta de Poupança

É a aplicação mais popular e possui altíssima liquidez, porém com perda de rentabilidade. Remunera sobre o menor saldo do período.

Rentabilidade: 6% ao ano + TR

  • Mensal (pessoas físicas): TR + 0,5%;
  • Trimestral (pessoas jurídicas): TR + 1,5%.
  • A poupança passa a render 70% da Selic mais a TR, sempre que essa taxa básica de juros estiver em 8,5% ao ano ou menos.
  • Aplicações realizadas nos dias 29, 30 e 31 de cada mês, terão como data de aniversário o dia 01 do mês subsequente.
  • Aplicações são realizadas através de depósito em cheque, tem como data de aniversário o dia do depósito e não o dia da compensação do mesmo.
  • Possuem cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) até o limite vigente, atualmente de R$ 250.000,00.
  • Aplicações realizadas nos dias 29, 30 e 31 de cada mês, terão como data de aniversário o dia 01 do mês subsequente.

3.2 Matemática Financeira

Juros Simples

Cálculo dos Juros

Cálculo do Montante

J = C x i x t

M = C x (1 + i x t)

Juros Compostos

Cálculo dos Juros

Cálculo do Montante

J = M - C

M = C x (1 + i) ^ t

 

Taxa proporcional

Calculada em regime de capitalização simples: Resolve-se apenas multiplicando ou dividindo a taxa de juros.

Taxa equivalentes

Cálculo de Taxa Equivalente

Taxa Nominal

Uma taxa de juros é definida como nominal quando o seu prazo difere da capitalização; dessa forma, é possível notar que se trata de um valor aparente.

Taxa Efetiva

Em situações em que a taxa de juro é calculada sobre o valor efetivamente emprestado ou aplicado, define-se a taxa como efetiva.

Taxa Real

A taxa de juros reais são os juros já com a inflação descontada.

Cálculo de Taxa Real

ir = (1 + ie) / (1 + if) - 1

 

A fórmula para a capitalização simples é a seguinte:

Em que FV é o valor futuro; PV é o valor presente, i é a taxa de juros e n é o prazo da aplicação.

Regime de capitalização composta

Equivalência de taxas

Em regime de capitalização composta, como a capitalização ocorre em todos os períodos, as taxas não são iguais.  Para determinar a taxa anual de uma aplicação mensal:

Para determinar a taxa mensal de uma aplicação anual:

Valor presente

Valor futuro

Desconto Bancário e Comercial (ou por fora)

Valor presente com desconto simples

O valor presente de um desconto comercial pode ser obtido conforme segue:

Regime de Capitalização Contínuo

Nesse regime a capitalização ocorre de forma contínua.

Fórmula de Fisher

Série uniforme de pagamentos

Aplicação mensal

Uniformes Antecipadas

 

Sequência Uniforme de Termos Antecipados

 

Perpetuidade

O payback simples é encontrado dividindo o valor do investimento inicial (exemplo: R$100.000) pelos fluxos de caixa (exemplo: R$35.000 a.a), da seguinte forma:

Considerando Valor Futuro igual a VF e Valor Presente igual a VP:

Portanto,

O Valor Presente Líquido do fluxo de caixa pode ser representado para esse caso da seguinte maneira:

  • se a TIR > TMA, o investimento é viável economicamente, pois o retorno gerado é maior que a taxa mínima de atratividade.
  • se a TIR < TMA, o investimento não é viável economicamente, porque seu retorno é menor que o mínimo desejado;
  • se a TIR = TMA, o investimento está em uma zona de indiferença de retorno, mas ainda é viável, pois gera o mínimo desejado, que é a taxa mínima de atratividade.

4 Mercado de Derivativos

4.1 Tipos De Mercados

  • Mercado à vista: onde são negociados a compra e venda dos títulos emitidos pelas empresas negociadas nas bolsas de valores. Nesse mercado as operações de compra e venda de ações são liquidadas em curtos períodos de tempo, no Brasil em até dois diasúteis (até maio de 2019 o prazo era de três dias úteis).
  • Mercado a termo: permite que os negociantes fixem o preço futuro dos ativos negociados entre as duas partes. Nesse mercado os pagamentos são previamente estipulados para uma data predeterminada através de um contrato chamado de termo, que não é transferencial a um terceiro.

Quadro - Ações.

Objeto de negociação

Ações.

Tamanho do contrato

Quantidade de ativos-objeto do termo, estabelecido entre as partes, de acordo com os limites estabelecidos pela BM&FBOVESPA.

Liquidação

As operações a termo podem ser liquidadas das seguintes formas:

a) No vencimento: liquidação na data de vencimento do contrato mediante pagamento pelo comprador do valor de liquidação calculado com base no preço a termo e entrega do ativo-objeto pelo vendedor.

b) Antecipada: o comprador do contrato poderá solicitar a liquidação antecipada (parcial ou total) do contrato mediante o pagamento do valor acordado no contrato a termo, antes do vencimento da operação, sem qualquer ônus ao vendedor, nos prazos dispostos a seguir:

i. liquidação antecipada para o dia útil seguinte, podendo ser solicitada até o dia útil anterior ao vencimento;

ii. liquidação antecipada para dois dias úteis após a solicitação, podendo ser solicitada até dois dias úteis anteriores ao vencimento; e

c) Antecipada por diferença: mediante a venda no mercado à vista pelo comprador dos Ativos-objeto comprados a termo. A liquidação antecipada por diferença poderá ser solicitada nos prazos dispostos a seguir:

i. liquidação antecipada para o dia útil seguinte, podendo ser solicitada até o dia útil anterior ao vencimento;

ii. liquidação antecipada para dois dias úteis após a solicitação, podendo ser solicitada até dois dias úteis anteriores ao vencimento; e

Data de vencimento

A data de vencimento é estabelecida entre as partes, observado o período mínimo de 16 e máximo de 999 dias corridos, contados da data de registro do contrato.

Fonte: Elaborado pelo autor.

  • Mercado futuro: se assemelha ao mercado a termo pois ambos determinam um valor futuro para a liquidação de uma negociação, mas há diferenças relevantes. No mercado futuro os preços dos contratos são cotados livremente, assim como no mercado a vista, ou seja, a negociação não ocorre entre apenas duas partes. Portanto, o mercado futuro permite que um investidor revenda o contrato para um terceiro, diferente do mercado a termo.

Operações de Bolsa de Mercadorias e Futuro (BM&F).

Quadro - Ajuste Diário.

AJUSTE DIÁRIO

Preço de ajuste de hoje

3,55

Preço de ajuste de ontem

3,75

Diferença

-0,20

Investidores “comprados”

Pagam 0,20 por unidade de contrato

Investidores “vendidos”

Recebem 0,20 por unidade de contrato

Fonte: Elaborado pelo autor.

  • Exemplo: Contrato de venda de 100 sacas de milho a R$ 50,00 cada, no dia 19/11/07 com liquidação prevista em 19/11/08. Investimento de R$ 5.000,00.

Quadro - Exemplo de contrato de venda.

Dia

Cotação

Diferença

Vendedor

Comprador

19/11/17

52,00

2 x 100 = 200,00

(200,00)

200,00

20/11/17

54,00

2 x 100 = 200,00

(400,00)

400,00

21/11/17

51,50

-2,50 x 100 = (250,00)

(150,00)

150,00

19/11/18

40,00

-10,00 = (1000,00)

1000,00

(1000,00)

Fonte: Elaborado pelo autor.

Comprador paga R$ 5.000 + R$ 1.000,00 Ajustes Feitos em D+1.

Quadro - Mercado a Termo X Mercado Futuro.

Mercado a termo:

·         Pode ser negociado mediante contrato particular.

·         Não precisa ser contrato padronizado.

·         Tem uma data de entrega fixada no contrato.

·         Diferenças de preço são ajustadas no vencimento.

Mercado futuro:

·         Precisa ser negociado em bolsa de futuros.

·         Precisa ser um contrato padronizado.

·         É negociado com diferentes datas de entregas.

·         Diferenças de preços são ajustadas diariamente.

Fonte: Elaborado pelo autor.

Mercado de opções

O mercado de opções é uma alternativa de se prevenir contra oscilações indesejáveis nos preços das ações. As opções são contratos que estabelecem preço e prazos para a liquidação, de forma a tornar uma operação mais previsível.

Quadro - Mercado de opções.

Titular

É o detentor da opção, é a pessoa que possui o direito

Lançador

É quem vendeu a opção, recebeu o prêmio, é quem tem a obrigação

Prêmio

É o valor pago pelo titular para adquirir o direito de opção

Preço de exercício

É o preço acertado para o exercício do direito de opção

Preço do ativo-objeto

É o preço da ação, do ativo subjacente

Vencimento

É a data que cessa o direito do titular, ocorre em cada 3ª segunda-feira do mês

Série de opções

É a bolsa que estabelece as séries com seus preços de exercícios e vencimentos previstos para cada mês

Fonte: Elaborado pelo autor.

  • Americana: durante a vigência do contrato, a qualquer momento;
  • Europeia: apenas na data de vencimento do contrato de opções.
    Opção de Compra: CALL Opção de Venda: PUT
  • Opção de Compra (call) In-The-Money (ITM): Preço do ativo subjacente é superior ao preço de exercício da opção;
  • Opção de Compra (call) Out-of-The-Money (OTM): Preço do ativo adjacente é inferior ao preço de exercício da opção;
  • Opção de Venda (put) In-The-Money (ITM): Preço do ativo adjacente é inferior ao preço de exercício da opção;
  • Opção de Venda (put) Out-of-The-Money (OTM): Preço do ativo adjacente é superior ao preço de exercício da opção;
  • Opção de Compra (call) ou Opção de Venda (put) At-The-Money (ATM): Preço do ativo subjacente é igual ao preço de exercício da opção.

Quadro - Opções.

Preço da ação sobre

Aumenta o valor de uma opção tipo Call, reduz de uma opção tipo Put

Maior o preço de exercício

Reduz o valor de uma opção tipo Call, aumenta o valor de uma opção tipo Put

Maior volatilidade da ação

Aumenta o preço de uma opção tipo Call, aumenta o valor de uma opção tipo Put

Maior o tempo até o vencimento

Aumenta o preço de uma opção tipo Call, aumenta o valor de uma opção tipo Put

Juros maiores

Aumenta o preço de uma opção tipo Call, aumenta o valor de uma opção tipo Put

Fonte: Elaborado pelo autor.

Valor Intrínseco de uma Call:

  • Valor Intrínseco = Preço corrente (à vista) - Preço de Exercício;
  • Prêmio = Valor Intrínseco + Valor Tempo.
  • Valor intrínseco de uma opção não pode ser menor que zero.

Valor Intrínseco de uma Put:

Valor Intrínseco = Preço de Exercício - Preço corrente

Figura - Lançador versus Titular.

Fonte: Elaborado pelo autor.

O contrato a termo de ações foi desenvolvido com o intuito de reduzir o risco de oscilação de preços. Nesse aspecto, apresenta objetivos similares aos dos contratos futuros. Os contratos a termo servem como uma alternativa, entre os diferentes derivativos, de compra ou de venda de ações por um valor estipulado por meio de contratos não padronizados.

preço a termo, que é fixado na abertura do negócio, é formado pelo preço à vista mais uma taxa de juros, a qual varia conforme o prazo da transação.

Formas de liquidação:

  • Por término de prazo; e
  • Antes do término de prazo: os compradores podem solicitar o encerramento antes do decurso, mas isso não alterará o valor do preço.

Swaps:

Os swaps são contratos em que é acordada a troca de fluxo de caixa de ativos, isto é, troca-se a rentabilidade de um ativo pela rentabilidade de outro. Desse modo, quem participa de um contrato de swap estará operando comprado em um ativo e vendido em outro, pois terá o direito de receber o fluxo de caixa de um ativo, enquanto também possui a obrigação de pagar o rendimento de outro.

Os contratos de swaps são negociados em mercados de balcão, sendo o swap um contrato não padronizado.

Tabela — Tributação swap.

Tributação swap

Prazo

Alíquota

Até 180 dias

22,5%

De 181 a 360 dias

20,0%

De 361 a 720 dias

17,5%

Acima de 720 dias

15,0%

Fonte: Elaborada pelo autor.

Derivativos de derivativos são combinações de produtos derivativos, como swap a termo, opção sobre swap, opção sobre futuro, opção sobre opção e outras.

Quadro — Resumo de derivativos.

Mercado a termo

Mercado futuro

Mercado de opções

Mercado de swap

Onde se negocia

Balcão ou bolsa.

Somente na bolsa.

Balcão ou bolsa.

Balcão ou bolsa.

O que se negocia

Compromisso de comprar ou vender um bem por preço fixado em data futura.

Compromisso de comprar ou vender um bem por preço fixado em data futura.

Os compradores adquirem o direito de comprar ou de vender por preço fixo em data futura.

Compromisso de troca de um bem por outro. Trocam-se fluxos financeiros.

Liquidação

A estrutura mais comum é a liquidação somente no vencimento. Há contratos em que o comprador pode liquidar a posição.

Presença de ajuste diário. Compradores e vendedores têm suas posições ajustadas financeiramente todos os dias, com base no preço de fechamento da bolsa.

Liquidação dos prêmios na contratação da operação. No vencimento, apura-se o valor da liquidação a partir do exercício do direito dos compradores.

Somente no vencimento ou antecipadamente, com a concordância entre as partes.

Fonte: Elaborado pelo autor.

Figura - Comparação entre mercado futuro, mercado a termo, mercado de opções e mercado de swap.

Fonte: Elaborado pelo autor.

PARTICIPANTES DE MERCADO

Como Participantes dos Mercados de Derivativos têm-se:

  • Hedger: opera nesse mercado buscando proteção contra oscilações de preços dos ativos.
    • Possui o determinado bem ou ativo financeiro.
  • Especulador: assumem o risco da operação com o objetivo de auferir ganhos com a oscilação dos preços.
    • Entra e sai rapidamente no mercado fazendo “apostas”.
  • Arbitrador: obtém vantagens financeiras em função de distorções nos preços do ativo nos mercados diferentes.
    • Monitora todos os mercados em busca de distorções a fim de lucrar sem correr riscos.

Captadores/Aplicadores de Recursos (Operações de Tesouraria):

  • Operadores de Tesouraria– são os responsáveis pelas operações de tesouraria, que consistem em captar ou aplicar recursos que, provavelmente (no caso de taxas pós-fixadas) ou certamente (na hipótese de taxas prefixadas), terão determinado custo ou rendimento. É possível implementar diversas operações de tesouraria por meio dos mercados derivativos.Os operadores de tesouraria têm a função de administrar o fluxo de caixa das instituições, buscando captar recursos a taxas baixas e aplicá-los a taxas altas, e, ainda, compatibilizar os prazos de captação com os de aplicação.
  • Market Makers– são instituições altamente especializadas em determinadas ações, ou em determinados ativos, e que se comprometem a fazer propostas de compra e de venda do ativo aos demais participantes do mercado, em um volume mínimo previamente estabelecido. Por exemplo, se uma corretora é um market maker de determinada ação, os participantes que estiverem com dificuldade em comprar ou vender a ação poderão recorrer à corretora, e esta será obrigada a “abrir um spread”, ou seja, dizer a que preço compra e a que preço vende a ação. O participante decidirá se aceita ou não a oferta da corretora. A principal finalidade dos market makers é proporcionar liquidez aos mercados.
  • Manipuladores– alteram artificialmente o preço de um ativo com o objetivo de auferir lucro com a variação de preço. Isto só é possível quando um participante (ou grupo de participantes) do mercado tem força suficiente para tal. Outra forma de manipulação é a divulgação de notícias falsas ou a contratação de analistas para emitirem propositalmente más opiniões ou maus conselhos a respeito de algum ativo-objeto, como por exemplo, ações de uma companhia. Neste caso, os participantes poderiam ser induzidos a efetuar operações incorretas por estarem baseados em informações ou opiniões falsas. É possível ainda a combinação das duas estratégias.

5 Conceitos Econômicos

5.1 Macroeconomia

Macroeconomia 

·         Perspectiva geral.

·         Países.

·         Análise do PIB nacional.

·         Estuda Economia como um todo.

Microeconomia

·         Perspectiva individual.

·         Consumidores.

·         Análise da produção individual.

·         Atividade do consumidor em mercados específicos.

Macroeconomia

macroeconomia é uma ramificação da ciência econômica que visa estudar, medir e observar uma economia nacional ou regional como um todo. Esta ramificação é um dos dois pilares da economia; o segundo é a microeconomia, que definiremos mais adiante. 

Um conceito fundamental da macroeconomia é o de sistema econômico, que se refere à organização dos recursos produtivos.

PRODUTO INTERNO BRUTO

Produto Interno Bruto (PIB) é a soma, em valores monetários, dos bens e serviços finais produzidos numa determinada região, durante um determinado período de tempo. Esse indicador mensura a atividade econômica de uma região.

O PIB pode ser obtido por três óticas diferentes:

Ótica da despesa

  • C = consumo das famílias;
  • I = investimento das empresas;
  • G = gasto do governo;
  • X = exportações; e
  • M = importações.

Ótica da oferta

  • VAB = valor adicionado bruto;
  • I= impostos; e
  • S= subsídios.

Ótica do rendimento

Nessa ótica o PIB é calculado com base nos rendimentos dos fatores produtivos utilizados pelas empresas.

“Política fiscal reflete o conjunto de medidas pelas quais o Governo arrecada receitas e realiza despesas de modo a cumprir três funções: a estabilização macroeconômica, a redistribuição da renda e a alocação de recursos. A função estabilizadora consiste na promoção do crescimento econômico sustentado, com baixo desemprego e estabilidade de preços. A função redistributiva visa a assegurar a distribuição equitativa da renda. Por fim, a função alocativa consiste no fornecimento eficiente de bens e serviços públicos, compensando as falhas de mercado.”

Política fiscal expansionista: aumento dos gastos do governo ou redução dos impostos. Possui como objetivo estimular a demanda privada e promover o crescimento econômico;

Política fiscal contracionista: redução dos gastos do governo ou aumento dos impostos. Objetiva desestimular a produção e reduz a renda e os preços.

A política fiscal é definida formalmente como:

 

Em que:

Dg o déficit público;

T é a tributação; e

G é o gasto do governo.

Contas do Setor Público:

(Receita e Impostos) - Despesas não Financeiras = Superávit (Déficit) Primário

Superávit (Déficit) Primário - Pagamento de juros sobre a dívida pública = Superávit (Déficit) Nominal

A política monetária, que geralmente é executada pelo Banco Central e normatizada pelo CMN significa a atuação do governo sobre os meios de pagamento, oferta de títulos públicos federais e das taxas de juros o que afetam tanto o custo como a oferta de crédito com objetivo de atingir e incentivar o emprego, distribuição de riquezas, estabilidade de preços e crescimento econômico (ASSAF NETO, 2008).

INSTRUMENTOS DE POLÍTICA MONETÁRIA

O Banco Central conduz a política monetária através de instrumentos que visam basicamente aumento ou redução da circulação de moeda na economia. Vejamos os principais instrumentos:

Recolhimentos compulsórios: Significa o valor que deverá ficar retido no BACEN sobre os depósitos captados pelos bancos. Quanto maior o valor desse recolhimento, menor a disponibilidade dos bancos para realizar empréstimos. Se o compulsório reduzir, significa que os bancos terão maior disponibilidade de recursos para realizar empréstimos estimulando o crédito e o consumo.

Operações de Mercado Aberto: O governo interfere no dia a dia do mercado financeiro com objetivo de influenciar a liquidez, ou seja, o volume de recursos disponíveis. 

Operações de redesconto: Atuação do Banco Central no sistema financeiro emprestando recursos aos bancos redescontando títulos de crédito com o objetivo de socorrer os bancos em dificuldades de equilibrar seu saldo em situações onde saques versus depósitos realizados pelos clientes apresente saldo negativo.

Controle Seletivo de crédito: São intervenções diretas do Banco Central no controle monetário através do mercado de crédito, "constituindo um instrumento que impõe restrições ao livre funcionamento das forças do mercado, pois estabelece controles diretos sobre o volume e o preço do crédito" (FORTUNA, 2015).

Política Monetária Restritiva

Uma política monetária restritiva significa que o governo utiliza mecanismos para retirar dinheiro de circulação, ou diminuir o estoque de moeda e poder de compra, assim, teremos uma queda da demanda agregada, as pessoas tendo menor poder de compra, tendem a diminuir o seu consumo. Exemplo: venda de títulos públicos pelo BACEN.

Política Monetária Expansiva

Uma política monetária expansiva aumenta o estoque de moeda ou poder de compra, implicando em aumento da demanda agregada, as pessoas tendo maior poder de compra tendem a aumentar o seu consumo. Exemplo: uma redução da taxa do compulsório.

O dinheiro é a soma de papel-moeda em circulação e a soma dos depósitos à vista. Todo o dinheiro que temos a nossa disposição, no bolso, carteira, etc. e o dinheiro que temos disponível para saque nos bancos.

Relações fundamentais segundo Carvalho (2015):

  • Papel moeda emitido menos caixa do BACEN é igual a papel moeda em circulação.
  • Papel moeda em circulação menos caixa dos bancos igual a papel moeda em poder do público.

Os agregados monetários são as medidas quantitativas da oferta de moeda. Cada país classifica seus agregados monetários, geralmente por ordem de liquidez. No Brasil e em Portugal consideram-se cinco agregados monetários: M0, M1, M2, M3 e M4

  • M0 = Base Monetária Restrita = moeda emitida (papel-moeda e moeda metálica) + reservas bancárias (moeda em poder das entidades financeiras e seus depósitos no Banco Central);
  • M1 = moeda em poder do público (papel-moeda e moeda metálica) + depósitos à vista nos bancos comerciais. M1 é o total de moeda que não rende juros e é de liquidez imediata, sendo que Moeda em poder do público é a quantidade de moeda emitida pela autoridade monetária menos as reservas bancárias
  • M2 = M1 + depósitos a prazo (depósitos para investimentos, depósitos de poupança, fundos de aplicação financeira e de renda fixa de curto prazo) + títulos do governo em poder do público.
  • M3 = M2 + depósitos de poupança
  • M4 = M3 + títulos privados (depósitos a prazo e letras de câmbio)

Os novos conceitos de meios de pagamento ampliados representam mudança de critério de ordenamento de seus componentes, que deixaram de seguir o grau de liquidez, passando a definir os agregados por seus sistemas emissores.

Meios de Pagamento Restritos:

M1 = papel moeda em poder do público + depósitos à vista. O M1 é gerado pelas instituições emissoras de haveres estritamente monetários

Meios de Pagamento Ampliados:

M2 = M1 + depósitos especiais remunerados + depósitos de poupança + títulos emitidos por instituições depositárias. O M2 corresponde ao M1 e às demais emissões de alta liquidez realizadas primariamente no mercado interno por instituições depositárias, as que realizam multiplicação de crédito.

M3 = M2 + quotas de fundos de renda fixa + operações compromissadas registradas no Selic. O M3 é composto pelo M2 e as captações internas dos fundos de renda fixa e das carteiras de títulos registrados no Sistema Especial de Liquidação e Custódia.

Poupança financeira:

M4 = M3 + títulos públicos de alta liquidez

Metas de Inflação é uma política econômica onde principal objetivo dos países que adotam é diminuir e manter a inflação em níveis baixos. Para isto eles fazem um anúncio prévio de uma meta numérica para a inflação em prazo predeterminado e se comprometem explicitamente de que o Banco Central irá buscar o cumprimento desta meta fixada. Para alcançar a meta estabelecida, muitas vezes pelo Governo, o BC deve utilizar todos os instrumentos possíveis como a taxa de juros, o crescimento da base monetária ou a taxa de câmbio.

COPOM determina a Meta da taxa de Juros;

CMN determina a Meta de inflação.

Os principais títulos públicos federais são:

  • Letras do Tesouro Nacional (LTN) – juros pré-fixados;
  • Letras Financeiras do Tesouro (LFT) – juros pós-fixados;
  • Nota do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B) – variação IPCA (índice de preços ao consumidor amplo) + juros;
  • Nota do Tesouro Nacional – Série C (NTN-C) – variação IGPM (índice geral de preços do mercado) + juros;
  • Nota do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F) – rentabilidade pré-fixada + juros;
  • Nota do Tesouro Nacional – Série D (NTN-D) – variação cambial (dólar) + juros.

Figura - Títulos.

Fonte: Elaborado pelo autor.

Certificado de depósito bancário (CDB) – juros pré ou pós-fixados (emissão pelas instituições financeiras para captação de recursos dos clientes);Os títulos privados se destinam à captação de recursos, em especial pelas empresas privadas e pelos bancos. Os principais são:

  • Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI) – juros pré ou pós-fixados (emissão pelas instituições financeiras para captação de recursos de outros bancos);
  • Letras Financeiras (LF) – juros pré ou-pós-fixados (recursos aplicados direcionados para financiamento das instituições financeiras);
  • Letra de Crédito Imobiliário (LCI) – juros pré ou pós-fixados (recursos aplicados direcionados para financiamento habitacionais);
  • Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) – juros pré ou pós-fixados (recursos aplicados vinculados a direitos creditórios dos produtores rurais);
  • Debêntures – juros pré-fixados (recursos aplicados, representativos de dívida de médio e longo prazos de uma empresa); e
  • Commercial Paper ou Nota Comercial – juros pré-fixados (recursos aplicados, representativos a dívidas de curto prazo, utilizado por empresas que buscam recursos para financiar capital de giro).

A operação compromissada é aquela em que o vendedor assume o compromisso de recomprar os títulos que alienou em data futura pré-definida e com o pagamento de remuneração pré-estabelecida.

  • IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo, é calculado pelo IBGE desde 1980, esse índice leva em conta o custo de vida para famílias de 1 a 40 salários-mínimos em regiões metropolitanas brasileiras com itens de alimentação e bebidas, habitação, artigos de residência, vestuário, transportes, saúde e cuidados pessoais, despesas pessoais, educação e comunicação. É o índice utilizado pelo Banco Central para definir a meta de inflação.
  • INPC – Índice Nacional de Preços ao Consumidor, é muito semelhante ao IPCA, porém tem como população-objetivo famílias de 1 a 5 salários-mínimos, isto é, ele é mais sensível aos produtos consumidos pela população com menor renda. Também é calculado pelo IBGE.
  • IPC-FGV – Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Getúlio Vargas, ele considera as despesas habituais de famílias com nível de renda entre 1 e 33 salários-mínimos em 7 das principais capitais do país.
  • INCC – Índice Nacional de Custos da Construção, é calculado desde 1944, atualmente publicado pela Fundação Getúlio Vargas, o índice acompanha a evolução dos custos no setor da construção que incluem preços de materiais, equipamentos, serviços e mão de obra.
  • IPA – Índice de Preços por Atacado, também chamado de “Índice de Preços ao Produtor Amplo”, mede a variação dos preços no mercado atacadista, principalmente nos produtos agropecuários e industriais antes do consumo final. É publicado pela FGV.
  • IGP – Índice Geral de Preços, é um dos índices mais utilizados, ele não possui uma cesta de produtos, e sim formado por uma composição de outros índices, sendo: 60% IPA (Índice de Preços por Atacado) + 30% IPC (Índice de Preços ao Consumidor) + 10% INCC (Índice Nacional do Custo da Construção).

Em Economia, balanço de pagamentos é um instrumento da contabilidade nacional referente à descrição das relações comerciais de um país com o resto do mundo.

Registra o total de dinheiro que entra e sai de um país, na forma de importações e exportações de produtos, serviços, capital financeiro, bem como transferências comerciais.

Duas grandes contas formam o balanço de pagamentos de um país:

  1. Conta Corrente: engloba os registros de três outras contas: a balança comercial, a conta de serviços e rendas e as transferências unilaterais.
  2. Balança comercial: Registra o comércio de bens, na forma de exportações e importações. Quando as exportações são maiores que as importações temos um superávit na Balança Comercial. Um déficit ocorre quando as importações são maiores que as exportações.
  3. Conta de Serviços e Rendas: inclui os pagamentos/recebimentos relacionados com o comércio de bens, como fretes e seguros, as receitas/despesas com viagens internacionais, o aluguel de equipamentos, os serviços governamentais, a exportação e importação de serviços e o pagamento/recebimento de juros e de lucros e dividendos.
  4. Transferências Unilaterais: contabilizam o saldo líquido das remessas de recursos ou doações feitas entre residentes no Brasil e residentes em outros países.
  5. Conta de Capitais: registra o saldo líquido entre as compras de ativos estrangeiros por residentes no Brasil e a venda de ativos brasileiros a estrangeiros.
  6. Conta Financeira: representa o somatório dos valores líquidos dos investimentos diretos, investimentos em carteira, derivativos e outros investimentos.

O lucro dos bancos vem das tarifas de prestação de serviços e do spread bancário que é justamente a diferença entre os juros que cobra quando empresta um recurso a um tomador e o juros que remunera os investidores.

O papel das taxas de juros é não só o de equilibrar o mercado financeiro monetário, isto é, a demanda de moeda do sistema econômico e a quantidade ofertada, mas também personalizar cada oferta de crédito ou investimento a situação e as características da operação realizada, ou seja, temos dois papéis atrelados a taxa de juros:

  • O governo estabelece a taxa de juros Selic, que serve de parâmetro para os agentes financeiros definirem suas taxas de captação e empréstimo.
  • As Instituições Financeiras utilizam a taxa Selic como parâmetro, porém existem outros critérios considerados no momento de estabelecer as taxas de juros para o consumidor final, sendo as principais: riscos envolvidos nos empréstimos (possibilidade de inadimplência); spread praticado, custos administrativos crescentes, carga tributária elevadíssima para o setor financeiro, incidência de depósitos compulsórios ao BACEN, etc. Estas são as razões porque há tanta diferença nas taxas de juros pagas ao poupador dos recursos e das taxas praticadas nas operações de crédito.

A taxa Selic é uma taxa de juros determinada pelo COPOM (Comitê de política monetária, vinculado ao BACEN). O BACEN,por excelência, é o Órgão responsável pelo controle da inflação no País. Como vimos a taxa de juros e a base monetária tem papel preponderante nesse controle.

Uma das principais funções desse comitê é definir as diretrizes da política monetária e a taxa Selic, em reuniões que ocorrem a cada 45 dias para decidir sobre a manutenção, elevação ou redução da taxa. Essas medidas consistem em um elemento de política monetária e levam em consideração aspectos como:

  • o processo inflacionário;
  • o desempenho econômico do país;
  • as taxas de câmbio;
  • as decisões em relação as taxas de juros de outros países.

Figura - COPOM.

Fonte: Elaborado pelo autor.

A taxa DI, ou CDI, é a média das taxas de juros praticadas nos depósitos interbancários com período de um dia. Ou seja, é a remuneração média paga pelas instituições financeiras para captar recursos via empréstimos de outras instituições financeiras. A taxa CDI varia todos os dias, mas é expressa em termos anuais.

A função dos CDI (Certificado de Depósito Interbancário) são títulos emitidos por instituições financeiras com o objetivo de transferir recursos entre elas. Suas características são idênticas aos CDB’s, mas a negociação é restrita ao mercado interbancário. Na prática, uma instituição financeira com dinheiro sobrando usa o CDI para emprestar para outra instituição financeira que não tem.

Segundo definição apresentada pelo próprio Banco Central do Brasil:

“Define-se Taxa Selic como a taxa média ajustada dos financiamentos diários apurados no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais. Para fins de cálculo da taxa, são considerados os financiamentos diários relativos às operações registradas e liquidadas no próprio Selic e em sistemas operados por câmaras ou prestadores de serviços de compensação e de liquidação [...].” (BANCO CENTRAL DO BRASIL. Taxa Selic. 2019. Disponível em: <https://www.bcb.gov.br/conceito_taxaselic>.)

A taxa Selic Over é a taxa apurada no Selic, obtida mediante o cálculo da taxa média ponderada e ajustada das operações de financiamento por um dia, lastreadas em títulos públicos federais e cursadas no referido Sistema na forma de operações compromissadas.

taxa Selic Meta é definida pelo COPOM, com base na Meta de Inflação. É a Selic – Meta que regula a taxa Selic Over assim como todas as outras taxas do Brasil.

A Taxa Básica Financeira, segundo o Banco Central, a base de dados para a formação da TBF é composta das taxas de juros das Letras do Tesouro Nacional (LTN) praticada nas operações definitivas no âmbito do mercado secundário e registrada no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic).

A taxa referencial é obtida através do parâmetro R, definida como:

sendo R o redutor, a possui valor fixo, 1,005, e b depende do valor da TBF, sendo divulgado pelo BACEN.

TLP significa Taxa de Longo Prazo.

A TLP é calculada com base em dois parâmetros: uma meta de inflação calculada pro rata para os doze meses seguintes ao primeiro mês de vigência da taxa, inclusive, baseada nas metas anuais fixadas pelo Conselho Monetário Nacional; e um prêmio de risco.

Taxa de câmbio é o preço de uma unidade monetária de uma moeda em unidades monetárias de outra moeda.

PTAX é a taxa que expressa à média das taxas de câmbio prática no mercado interbancário. Divulgada pelo BACEN.

TODAS as operações devem ter registro OBRIGATÓRIO no SISBACEN pelas instituições autorizadas por ele a atuar.

Efeitos de uma desvalorização cambial:

  • Renda nacional diminui em termos internacionais
  • Preço dos bens domésticos no exterior diminui - exportações aumentam
  • Preço dos bens importados aumenta – importações recuam e inflação se acelera

Efeitos de uma valorização cambial:

  • Renda nacional aumenta em termos internacionais
  • Preço dos bens domésticos no exterior aumenta - exportações diminuem
  • Preço dos bens importados diminui – importações aumentam e inflação se acelera

TIPOS DE CÂMBIO

  • Câmbio fixo

O câmbio fixo é aquele em que o valor da moeda estrangeira (geralmente o dólar) é fixado pelo governo. Desta forma, a moeda nacional passa a ter um valor fixo em relação a essa moeda-lastro.

Vantagem: possibilita um melhor controle sobre a inflação.

Desvantagem: pode ocasionar a valorização excessiva da moeda nacional, provocando a diminuição das exportações e aumento de importações (no caso da moeda estrangeira mantida desvalorizada).

  • Câmbio flutuante

O sistema de câmbio flutuante é aquele em que o mercado estabelece os valores das taxas de câmbio. Este processo ocorre através da lei de oferta e procura. Neste sistema podem ocorrer grande variações das taxas de câmbio em intervalos curtos de tempo.

Vantagem: o próprio mercado regula as taxas de câmbio, não ocasionando distorções cambiais na economia.

Desvantagem: a valorização excessiva de moedas estrangeiras pode ocasionar inflação, enquanto a desvalorização destas moedas pode ocasionar diminuição das exportações.

  • Banda cambial

Neste sistema cambial, a autoridade monetária do país (no Brasil é o Banco Central) permite a variação das taxas de câmbio dentro de um determinado limite (valor máximo e valor mínimo). Esse intervalo é chamado de banda cambial. Quando as taxas de câmbio saem deste intervalo, então ocorre a intervenção do Banco Central, que atua comprando ou vendendo moeda estrangeira. Com isso, ele consegue fazer com que a taxa passe a operar dentro daquele intervalo estabelecido.

Vantagens: possibilita uma variação cambial, porém sem grandes valorizações ou desvalorizações, permitindo maior previsibilidade ao mercado financeiro. Outra vantagem é que a banda pode ser mudada de tempos em tempos, de acordo com a situação econômica interna ou externa, acompanhando assim as necessidades do mercado cambial.

Desvantagem: em muitos casos este sistema pode gerar certo artificialismo cambial, prejudicando os agentes econômicos nacionais.

DÍVIDA E SUPERÁVITS 

  • Dívida interna

Dívida interna é a parte da dívida pública que representa o somatório dos débitos, resultantes de empréstimos e financiamentos contraídos por um governo, com entidades financeiras e indivíduos (no Brasil, por exemplo, através do Tesouro Direto) de seu próprio país. A dívida interna é complementada com a dívida externa para formar a dívida pública.

  • Dívida externa

Dívida externa é o somatório dos débitos de um país, resultantes de empréstimos e financiamentos contraídos no exterior pelo próprio governo, por empresas estatais ou privadas. Esses recursos podem ser provenientes de governos, entidades financeiras internacionais (FMI, Banco Mundial, etc.), bancos ou empresas privadas.

  • Superávits primário

O primário é o resultado da subtração da receita (valor ganho) com a despesa, sendo que essa conta não inclui os juros de dívidas públicas. Essa receita não se configura apenas como dinheiro, mas também patrimônios de posse governamental e outros valores. Impostos, lucro de empresas governamentais, são alguns dos principais meios de arrecadação do governo. Já alguns dos principais gastos são as obras públicas, salários e manutenções públicas. Sendo positivo o valor do balanço, os lucros são usados para aplicar no pagamento das dívidas internas.

  • Superávits nominal

Caso o valor obtido no superávit seja mais que o suficiente para o pagamento dos juros, ele será empregado no valor total da dívida, quitando-a, assim, e diminuindo a dívida pública. Nesse caso, é chamado de superávit nominal. Ou seja, o superávit nominal é aquele usado para a quitação de dívidas públicas.

DÓLAR

  • Dólar comercial

É a cotação que acompanhamos nos meios de comunicação e mídias em geral. Esse dólar representa a cotação que está disponível apenas para as empresas que têm compromissos e negócios no exterior.

  • Dólar turismo

É o valor que os viajantes pagam quando precisam de recursos para uma viagem ao exterior.

  • Dólar Spot: Taxa à vista
  • Dólar Foward: Taxa negociada no mercado futuro

A curva da taxa de juros é a relação entre a taxa de juros e o tempo de maturação do investimento, sendo utilizada para precificar fluxos de caixa futuros. Ela mostra o modo como o mercado precifica o risco para períodos futuros. Via de regra, quanto maior for a projeção para o futuro maior é a taxa de juros exigida, de modo que a curva de juros tende a indicar um aumento nos juros conforme eles são projetados para períodos mais distantes no futuro.

5.2 Microeconomia

microeconomia, também conhecida como teoria dos preços, estuda a formação de preços no mercado e analisa como o consumidor interage e decide qual o preço e quantidade de determinado bem ou serviço em determinados mercados.

macroeconomia visa a estudar o comportamento da economia como um todo, de modo a considerar as variáveis globais, como consumo agregado, renda nacional e investimentos globais. Já a microeconomia preocupa-se com a formação de preços de bens e serviços (por exemplo, milho, automóveis) e de fatores de produção (lucros, salários) em mercados específicos.

A oferta e a demanda são a base para compreender a determinação do preço e da quantidade de um bem vendido em um determinado mercado. A ideia é analisarmos dois grupos, os compradores e os vendedores, de modo a verificar como eles interagem.

Demanda

Demanda é a quantidade de certo bem ou serviço que os consumidores desejam adquirir em determinado período (LOPES; VASCONCELLOS, 2008). O conceito de demanda é usado comumente para designar qualquer tipo de desejo ou necessidade. Já para um economista, a demanda refere-se à disposição ligada à capacidade de pagamento. Isto é, a quantidade exigida (Qd) é o valor total de um bem que os compradores escolheriam adquirir em determinadas condições. Essas condições fornecidas incluem o preço do bem, a renda e riqueza, os preços de bens substitutos e complementares, as preferências da população e as expectativas de preços futuros.

Dizemos que se tudo o mais estiver constante, a demanda tende a variar inversamente em relação aos preços, o que significa que, à medida que o preço de um bem se eleva, sua quantidade demandada é reduzida. Isto é:

↑P → ↓Qd

Figura - Curva de demanda.

Fonte: Elaborada pelo autor.

Nessa relação entre preço e quantidade demandada, dois elementos definem conjuntamente as mudanças nas quantidades demandadas em decorrência das mudanças de preço, os quais são:

  • Efeito substituição: é a taxa que mede a variação do consumo entre dois bens. Por exemplo, caso ocorra um aumento de bem x, o consumidor renuncia ao consumo desse bem para consumir o bem y.
  • Efeito renda: é a taxa que retrata o quanto as mudanças nos preços alteram o poder de compra dos consumidores. Por exemplo, quanto o consumidor deixaria de consumir de x se o preço deste aumentasse, ou ainda quanto o consumidor consumiria a mais (ou a menos) de x se sua renda aumentasse (ou diminuísse).

Oferta

Também há a oferta, que se apresenta como a quantidade que os produtores desejam oferecer ao mercado em determinado período (LOPES; VASCONCELLOS, 2008). Assim como a demanda, a oferta depende de vários fatores; dentre eles, de seu próprio preço, do preço (custo) dos fatores de produção e das metas ou objetivos dos empresários. Diferentemente da função demanda, a função oferta mostra uma correlação direta entre quantidade ofertada e nível de preços. É a chamada Lei Geral da Oferta.

Equilíbrio

Também é preciso desenvolver a compreensão de como a relação entre oferta e demanda tende ao ponto de equilíbrio de mercado, que nada mais é que o modo como a interação dessas curvas de demanda e de oferta determina o preço e a quantidade de equilíbrio de um bem ou serviço em dado mercado. Nessa interação entre as curvas de oferta e demanda, elas se encontram em um ponto de intersecção no qual há o ponto de equilíbrio de mercado, que define o preço e a quantidade que atendem às aspirações dos produtores e expectativas dos consumidores simultaneamente.

Figura - Equilíbrio no mercado.

Fonte: Elaborada pelo autor.

Elatsticidade

Elasticidade é a extensão do impacto que a alteração em uma variável (e.g. preço) exerce sobre outra variável (e.g. demanda).

Elasticidade-renda da demanda: mede a variação percentual na quantidade demandada de um bem, dada uma variação percentual na renda do consumidor.

Elasticidade-preço da demanda: mede a variação percentual na quantidade demandada de um bem, dada uma variação percentual no seu preço.

Elasticidade-renda da oferta: mede a variação percentual na quantidade ofertada de um bem, dada uma variação percentual na renda do consumidor.

Elasticidade-preço da oferta: mede a variação percentual na quantidade ofertada de um bem, dada uma variação percentual no preço deste bem.

Bens substitutos e complementares:

Bens de consumo substitutos: nesses bens, o consumo é alterado conforme o preço do produto aumenta. No caso dos bens substitutos, procura-se consumir outro produto que atenda à demanda original sem comprometer uma maior parte da renda, ou seja, os consumidores vão preferir gastar menos entre dois produtos similares.

Exemplo: O preço da gasolina elevou-se; já o preço do álcool manteve-se inalterado. Sendo assim, você, com um carro flex, poderá optar pela compra do álcool devido ao aumento do preço do outro combustível, de modo a não comprometer sua renda.

Quanto maior o preço, menor o consumo.

Bens complementares: são bens que são consumidos em conjunto, cujo aumento ou diminuição da demanda de um, determina um movimento espelho no outro.

Exemplo: Carro e combustível. Para utilizar o carro, o combustível é necessário (independentemente de ser álcool ou gasolina conforme no exemplo anterior). Por consequência, quando o preço do combustível aumentar, haverá uma diminuição no consumo de carros. 

Estruturas de mercado 

  1. Concorrência perfeita

Já vimos quais variáveis afetam a demanda e a oferta de bens e serviços, assim como são determinados os preços, tendo por hipótese que o mercado automaticamente encontra seu equilíbrio. Explícita ou implicitamente, naquelas análises estávamos considerando uma estrutura específica de mercado, isto é, a de concorrência perfeita.

Em um mercado de concorrência perfeita, o que determina o preço de equilíbrio são as condições de oferta e demanda, ou seja, as empresas são tomadoras de preço. Todos os vendedores recebem o mesmo preço pela venda do produto (denominado preço de mercado). Os compradores não adquirirão um produto mais caro sabendo que poderão adquiri-lo a um preço menor. Os produtos são homogêneos. Como existem diversas empresas independentes, uma única empresa não é capaz de alterar o preço de mercado. Não há barreiras de entrada nem de saída.

  1. Monopólio

O monopólio ocorre no mercado vendedor quando estão presentes as seguintes circunstâncias:

  • Presença de uma única empresa atuando;
  • Inexistência de substitutos próximos para os bens que o monopolista produz; e
  • Existência de elevadas barreiras à entrada de novas empresas decorrentes dos seguintes fatores:
    • controle de um insumo ou recurso escasso;
    • domínio tecnológico; e
    • economias de escala.

Como outros exemplos de barreiras à entrada, é possível citar:

  • Custos de instalação elevados: aqui é possível ter em conta não somente o valor em dinheiro da instalação, mas também a demora por quesitos burocráticos;
  • Lealdade à marca: há produtos, por exemplo, que ao longo dos anos são associados a sentimentos nacionais;
  • Restrições governamentais: aqui é possível citar as patentes, as cotas protecionistas etc.;
  • Acesso a canais de distribuição: às vezes, as empresas exigem exclusividade dos seus distribuidores;
  1. Oligopólios
  • O oligopólio representa uma estrutura de mercado intermediária entre a concorrência perfeita e o monopólio. É formado por poucos vendedores que competem entre si e que detêm algum poder de mercado, ou seja, capacidade de afetar o preço por meio de ações individuais. Além disso, é a única estrutura de mercado em que as firmas consideram as ações dos concorrentes na tomada de decisões.
  • : A título de curiosidade, o oligopsônio ocorre quando existem poucas empresas compradoras.
  1. Competição monopolística

Segundo Pindyck e Rubinfeld (2006), um mercado com competição monopolística é semelhante ao perfeitamente competitivo em dois aspectos: há muitas empresas e a entrada de novas companhias não é limitada. Entretanto, diferencia-se da competição perfeita, pois os produtos podem ser diferenciados (em termos de qualidade, aparência ou reputação). A quantidade de poder de monopólio que a empresa exerce depende do seu sucesso na diferenciação do produto em relação às demais empresas.

Características da competição monopolística:

  • As empresas competem vendendo produtos diferenciados, altamente substituíveis uns pelos outros, mas que não são, entretanto, substitutos perfeitos. Em outras palavras, as elasticidades cruzadas de suas demandas são grandes, mas não infinitas;
  • Há livre entrada e saída.

6. Conduta e Relacionamento

6.1Conduta

Disposições Gerais

O Código de Conduta da APIMEC para o Analista de Valores Mobiliários estabelece normas relativas à atuação do Analista de Valores Mobiliários visando:

  • O fortalecimento da profissão do Analista;
  • A aderência às normas, em especial os referentes à atividade do Analista;
  • O fortalecimento da autorregulação; e

A integridade dos mercados de capitais e de seus participantes.

No exercício de sua profissão, o Analista deve aderir aos seguintes Princípios Gerais:

  1. Honestidade, Integridade e Equidade - O Analista deve observar os mais elevados padrões de honestidade, integridade e equidade de forma a manter a confiança do investidor em sua profissão;
  2. Prudência e diligência - O Analista deve conduzir suas atividades com cuidado, diligência e prudência compatíveis com as expectativas do investidor e de seu empregador, dando a ambos o conforto em relação à qualidade do trabalho;
  3. Independência e objetividade - As análises devem sempre refletir o melhor juízo do autor, nunca sendo influenciadas por pressões ou benefícios a que este possa estar sujeito;
  4. Competência profissional - O Analista deve sempre procurar manter e aperfeiçoar sua competência técnica, seu conhecimento dos instrumentos, instituições e normas que regem o mercado e das informações pertinentes ao exercício de sua profissão; e

Cumprimento das leis e normas - O analista deve cumprir todas as normas e leis a que esteja sujeito.

O Conselho de Supervisão do Analista de Valores Mobiliários (CSA) poderá interpretar os Princípios Gerais de forma a aplicá-los às situações concretas.

Regras De Conduta Do Analista

É vedado ao Analista aceitar benefícios que de alguma forma possam ter por objetivo influenciar suas análises, em particular:

  1. Receber presentes em desconformidade com a política específica da Instituição em que atue;
  2. Receber, no exercício de sua atividade de Analista, quaisquer tipos de benefício ou compensação estranhos ao estabelecido em seu contrato profissional; e

Receber privilégios, inclusive em situações como as de viagens para sede ou dependências de empresas emissoras de valores mobiliários.

Demais situações nas quais surja, em algum nível, um conflito ou aparência de conflito de interesses devem ser claramente explicitadas para o Investidor.

O Analista deve zelar pela idoneidade e fidedignidade de suas informações estando pronto para apresentar fontes e bases metodológicas das análises.

O Analista deve possuir uma base razoável que suporte suas opiniões, calcada em dados, informações, técnicas e metodologias que atinjam todos os aspectos que julgar relevantes da matéria.

Arquivos e outras informações que deem suporte às conclusões de um Relatório de Análise devem ser disponibilizadas à Instituição empregadora para a guarda por período de 5 (cinco) anos.

Alterações metodológicas que tendam a modificar as conclusões das análises devem ser explicitadas.

No uso de fontes secundárias, o Analista deve formar uma convicção de que tais fontes são seguras.

Dentre outras ações, o Analista que se utilizar do trabalho de outro Analista, assume a plena responsabilidade pelo cumprimento, nos relatórios de análise, do conjunto das exigências do presente Código.

É vedada a utilização de trabalhos, conceitos, textos, números ou qualquer material produzido por terceiros, sem a citação da fonte.  Não se aplica quando o material utilizado for da própria Instituição com a qual o Analista mantenha vínculo.

O Analista deve divulgar os resultados de suas análises e suas opiniões com clareza e precisão, sem omissão de informações relevantes e com a separação entre fatos e opiniões, de forma a não induzir o investidor a erro ou interpretação equivocada.   Aplica-se a qualquer tipo de material, escrito ou não, que divulgue a posição do Analista, ainda que não seja caracterizado como Relatório de Análise. Incluem-se, dentre outros, contatos telefônicos, entrevistas e apresentações.

Comunicações sucintas, tais como listas de ações recomendadas, devem conter aviso quanto à possibilidade de acesso aos Relatórios de Análise detalhados que as suportam.

O Analista deve se assegurar de que não induziu o investidor à conclusão de que exista qualquer tipo de garantia ou segurança nas recomendações ou que suas conclusões são, de alguma forma, asseguradas pelos fatos.

O Analista deve informar o investidor quanto à existência de riscos nos investimentos que recomendar.

No caso específico dos Relatórios de Análise, deve haver especial diligência no atendimento às exigências regulamentares.

Em qualquer circunstância, cabe ao Analista, o dever de resguardar sua independência e objetividade frente a influências externas ou internas à Instituição em que atue.

São condições necessárias para atestar o conhecimento normativo:

  1. Aprovação no exame de Conteúdo Brasileiro do CNPI, CNPI-T ou CNPI-P;

A participação no programa de Educação Continuada da APIMEC.

A ausência de políticas e procedimentos adequados ou o não cumprimento de determinações da CVM ou da APIMEC pela Instituição a qual o analista mantém vínculo não exime o analista de suas obrigações perante o presente Código.

A busca e o uso de informação privilegiada são vedados ao Analista.

Caso uma informação relevante seja divulgada em ambiente restrito, o analista deve abster-se de utilizar da informação e alertar o emissor da necessidade de proceder a uma divulgação pública.

No curso de suas análises ou a partir de contatos com os emissores, os analistas podem chegar a conclusões sobre a situação presente ou futura do emissor que tenham impacto sobre decisões de investimento. Tais conclusões não podem ser consideradas informação privilegiada, conquanto sejam fruto do julgamento do Analista. Tais opiniões devem estar, no entanto, claramente distintas dos fatos que as embasam devendo o analista guardar registro dos mesmos.

É vedado ao Analista disseminar informação falsa, repercutir rumores, exagerar sobre fatos ou ainda dar opinião diversa da constante do seu relatório de análise divulgado publicamente, acerca do mesmo emissor e seus valores mobiliários.

É vedada ao Analista a crítica sem bases reais ou a difamação de outros Analistas e demais profissionais de investimento, devendo as eventuais discordâncias ser tratadas de forma judiciosa e com o devido respeito profissional.

O Analista deve colocar o interesse do investidor acima de seus próprios interesses ou dos interesses da Instituição com a qual mantenha vínculo.

O Investidor deve ter acesso prioritário aos resultados das análises, sendo vedado ao Analista fornecer suas análises a terceiros antes de divulgá-las ao Investidor.

O Analista deve tratar os investidores de maneira equitativa.

Relatórios de Análise devem ser divulgados de forma equânime para todos os investidores aderentes ao mesmo nível de serviços;

É dever do Analista buscar permanentemente o aprimoramento técnico.

A pessoa natural que não tenha obtido as certificações elencadas poderá participar da elaboração e assinatura de relatórios de análise, desde que seja acompanhado de, ao menos, um analista certificado.

O Credenciamento do Analista de Valores Mobiliários

O exercício pleno da condição de Analista de Valores Mobiliários depende do prévio credenciamento do profissional junto à APIMEC.

É obrigatório o credenciamento de todo os analistas autônomos e do analista responsável pelo relatório de análise.

Ao se cadastrar, o analista deve se classificar nas categorias abaixo, conforme o caso:

  1. Analista autônomo;
  2. Vinculado a instituição integrante do sistema de distribuição ou a pessoa natural ou jurídica autorizada pela CVM a desempenhar a função de administrador de carteira ou de consultor de valores mobiliários; ou
  3. Vinculada a pessoa jurídica que tenha em seu objeto social exclusivamente a atividade de análise de valores mobiliários.

Para o credenciamento será necessário:

  1. A aprovação nos exames do CNPI, CNPI-T ou CNPI-P;
  2. O preenchimento de formulário de cadastro próprio;
  3. A assinatura do Termo de Adesão ao presente Código;
  4. A assinatura de documento atestando que o postulante não foi condenado por crime falimentar, de prevaricação, peita ou suborno, concussão, peculato, "lavagem" de dinheiro ou ocultação de bens, direitos e valores, contra a economia popular, a ordem econômica, as relações de consumo, a fé pública ou a propriedade pública, o sistema financeiro nacional, ou a pena criminal que vede, ainda que temporariamente, o acesso a cargos públicos, por decisão transitada em julgado, ressalvada a hipótese de reabilitação.

O Analista deve estar adimplente com suas obrigações frente à APIMEC e às condições de manutenção de sua certificação e credenciamento, inclusive com o pagamento de taxa de credenciamento para o exercício de sua atividade.

Analista credenciado poderá licenciar-se pelo período total e improrrogável de até 3 (três) anos, ficando isento do pagamento das taxas e das demais responsabilidades previstas no presente Código.

Em caso de concessão de licença requerida, o Analista fica impedido de desempenhar as atividades privativas dos analistas credenciados.

Após o período de 3 (três) anos o Analista que não enviar carta à APIMEC solicitando o cancelamento de seu credenciamento terá o seu credenciamento restabelecido automaticamente.

O Analista cujo credenciamento foi restabelecido deverá atender a todas as exigências da condição de credenciado, tais como o pagamento da taxa de credenciamento e do Programa de Educação Continuada (PEC) da APIMEC.

O Analista que for designado como diretor responsável por pessoa jurídica administradora de carteira de valores mobiliáriosdeverá licenciar-se por tempo indeterminado.

Supervisão, Apuração de Infrações e Punições Cabíveis

A supervisão da atividade do Analista e dos Relatórios de Análise, assim como a apuração de eventuais descumprimentos ao presente Código, seu julgamento e aplicação de penalidades seguirão o disposto no Código dos Processos da APIMEC.

 

SAIBA MAIS

Para maiores informações sobre Código dos Processos da APIMEC, acesse http://www.apimec.com.br/Apimec/show.aspx?id_canal=3761&id_materia=29370

 

SAIBA MAIS

O Analista de Valores Mobiliários também deve seguir o Programa de Educação Continuada da APIMEC, para maiores informações acesse http://www.apimec.com.br/Apimec/show.aspx?id_canal=3759&id_materia

 

O Código de Conduta da APIMEC para o Analista de Valores Mobiliários estabelece normas relativas à atuação do Analista de Valores Mobiliários visando:

  • O fortalecimento da profissão do Analista;
  • A aderência às normas, em especial os referentes à atividade do Analista;
  • O fortalecimento da autorregulação; e
  • A integridade dos mercados de capitais e de seus participantes.

6.2 Lavagem de Dinheiro

LAVAGEM DE DINHEIRO

Para disfarçar os lucros ilícitos sem comprometer os envolvidos, a lavagem de dinheiro realiza-se por meio do seguinte processo (que será mais bem explicado a diante):

  • O distanciamento dos fundos de sua origem, evitando uma associação direta deles com o crime;
  • O disfarce de suas várias movimentações para dificultar o rastreamento desses recursos; e
  • A disponibilização do dinheiro novamente para os criminosos depois de ter sido suficientemente movimentado no ciclo de lavagem e poder ser considerado “limpo”.

Colocação

  • Essa é a primeira etapa do processo de lavagem de dinheiro, na qual ocorre a colocação do dinheiro de origem ilícita no sistema econômico.  Para ocultar a origem do dinheiro, ele é movimentado em países com regras mais permissivas e com um sistema financeiro liberal.
  • A colocação se dá através de depósitos e da compra de bens e ativos. Diferentes técnicas são utilizadas para dificultar a identificação da origem do dinheiro. Entre essas, as mais comuns são o fracionamento dos recursos ilícitos em valores menores e a utilização de estabelecimentos comerciais que trabalham com dinheiro em espécie.

Ocultação

  • Nessa etapa se procura dificultar o rastreamento contábil dos recursos ilícitos. Diferentes ações são tomadas para destruir as evidências e dificultar investigações sobre a origem do dinheiro.
  • Normalmente os recursos são movimentados de forma eletrônica em transações complexas e em grande número, o que dificulta o rastreamento, monitoração e identificação da fonte ilícita dos recursos.

Integração

  • Por fim, ocorre a adição dos ativos ao sistema econômico. Para isso, os agentes investem em empreendimentos propícios às suas atividades (mercado de capitais, mercado imobiliário, obras de arte), sendo comum se utilizar mais de uma dessas atividades e que elas prestem serviços entre si.
  • Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF)era o órgão máximo responsável pelo combate à lavagem de dinheiro. Estava vinculado ao Ministério da Fazenda e tinha como finalidade disciplinar e aplicar penas administrativas, receber, examinar e identificar as ocorrências de atividades ilícitas. A diretoria e conselho era indicada pelo Ministro da Justiça. Em 20 de agosto de 2019 o COAF foi substituído pela Unidade de Inteligência Financeira (UIF).
  • Unidade de Inteligência Financeira (UIF)é vinculada ao Banco Central do Brasil e responde à Diretoria Colegiada do Banco Central, mas não é parte integrante da estrutura do BACEN, possuindo autonomia técnica e operacional. A sua diretoria e o conselho são indicados pelo presidente do BACEN.

Principais operações que são indícios de crimes de lavagem de dinheiro:

  • Aumentos substanciais no volume de depósitos de qualquer pessoa física ou jurídica, sem causa aparente, em especial se tais depósitos são posteriormente transferidos, dentro de curto período de tempo, a destino anteriormente não relacionado com o cliente;
  • Troca de grandes quantidades de notas de pequeno valor por notas de grande valor;
  • Proposta de troca de grandes quantias em moeda nacional por moeda estrangeira e vice-versa;
  • Compras de cheques de viagem e cheques administrativos, ordens de pagamento ou outros instrumentos em grande quantidade – isoladamente ou em conjunto -, independentemente dos valores envolvidos, sem evidências de propósito claro;
  • Movimentação de recursos em praças localizadas em fronteiras;
  • Movimentação de recursos incompatível com o patrimônio, a atividade econômica ou a ocupação profissional e a capacidade financeira presumida do cliente;
  • Numerosas contas com vistas ao acolhimento de depósitos em nome de um mesmo cliente, cujos valores, somados, resultem em quantia significativa;
  • Abertura de conta em agência bancária localizada em estação de passageiros – aeroporto, rodoviária ou porto – internacional ou pontos de atração turística, salvo se por proprietário, sócio ou empregado de empresa regularmente instalada nesses locais; e
  • Utilização de cartão de crédito em valor não compatível com a capacidade financeira do usuário.

7. Governança Corporativa e Relações com Investidores

7.1 GOVERNANÇA CORPORATIVA

GOVERNANÇA CORPORATIVA

Governança corporativa é um sistema pelo qual as sociedades são dirigidas e monitoradas, envolvendo os acionistas e os cotistas, Conselho de Administração, Diretoria e Auditoria Independente e Conselho Fiscal. As boas práticas de governança corporativa têm a finalidade de aumentar o valor da sociedade, facilitar seu acesso ao capital e contribuir para a sua perenidade (IBGC, s.d.).

Portanto, a governança corporativa objetiva assegurar a todos os acionistas equidade, transparência, responsabilidade pelos resultados e obediência às leis. Por isso, agências de risco e investidores avaliam a presença de governanças corporativas nas empresas. Quanto maior a governança, mais confiável é a gestão da empresa e menor é o risco do investimento.

No mercado brasileiro, a B3 criou um segmento específico para empresas que adotam determinados comportamentos que assinalam uma boa governança corporativa, chamado de Novo Mercado. Entre as características observadas, é possível ressaltar:

  • apenas ações ordinárias;
  • direitos semelhantes para acionistas e controladores das empresas;
  • obrigação de recomprar ações em caso de fechamento do capital;
  • conselho de administração;
  • informações prestadas periodicamente para os acionistas e fiscalização;
  • melhorias na forma de divulgação das informações;
  • conselho fiscal responsável pela transparência fiscal da empresa;
  • realização de reuniões públicas com acionistas e analistas; e
  • calendário anual de eventos corporativos (B3, 2002).

O Novo Mercado é o nível mais alto de governança corporativa no Brasil, mas também há o Nível 1, Nível 2, Bovespa Mais e Bovespa Mais Nível 2 de governança.

Quadro - Comparativo dos segmentos de listagem.

Fonte: Retirado do website da BM&FBovespa.

7.2 Índices

Índice de Ações com Governança Corporativa Diferenciada (IGC)

Assim como o IBOVESPA, O IGC é o resultado de uma carteira teórica de ativos, elaborada de acordo com os critérios estabelecidos nesta metodologia.

O objetivo do IGC ou IGCX é ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de empresas listadas no Novo Mercado ou nos Níveis 1 ou 2 da BM&FBOVESPA.

Outras duas variações de índice de governança corporativa são:

  1. IGC-NM: indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de emissão de empresas que apresentem bons níveis de governança corporativa, listadas no Novo Mercado da BM&FBOVESPA; e
  2. IGC-T: o IGC Trade é o indicador do desempenho médio das cotações das ações mais líquidas entre as empresas integrantes do IGC.

Índice de Ações com Tag Along Diferenciado (ITAG)

Assim como o IGC, o ITAG é o resultado de uma carteira teórica de ativos, elaborada de acordo com os critérios estabelecidos nesta metodologia.

O objetivo do ITAG é ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de emissão de empresas que ofereçam melhores condições aos acionistas minoritários, no caso de alienação do controle (Tag along).

8. Integração de Questões Ambientais, Sociais e de Governança (ASG)

8.1 Integração De Questões Ambientais, Sociais E De Governança Corporativa (ASG) À Análise De Investimentos.

INTEGRAÇÃO DE QUESTÕES AMBIENTAIS, SOCIAIS E DE GOVERNANÇA CORPORATIVA.

  • Conceitos de responsabilidade corporativa

A responsabilidade corporativa, também conhecida como Responsabilidade Social Empresarial (RSE) ou cidadania corporativa, trata basicamente de uma forma de autorregulação onde as companhias assumem voluntariamente a responsabilidade causada por seus impactos sobre funcionários, meio ambiente, consumidores e a comunidade no geral, isso independente de exigências legais. Assim, a responsabilidade corporativa podem ser resumidas em três categorias: a mais básica seria a tradicional filantropia corporativa que ocorre com a doação direta de recursos corporativos, depois a utilização da responsabilidade corporativa como forma de gerenciamento dos riscos empresariais, com objetivo de gerenciar os riscos empresariais visando evitar problemas com stakeholders, governos, ONGs e até mesmo com sua cadeia de suprimentos que geram impactos negativos seja no fluxo de caixa como na imagem da empresa. Por fim, a terceira categoria estaria ligada a responsabilidade corporativa como criadora de valor aos acionistas.

  • Drivers de risco e oportunidades de negócios

A análise dos sistemas de gerenciamento de riscos e controles internos leva em conta: o apetite de risco da empresa e o enraizamento da cultura de risco desejada, a determinação dos riscos principais, possíveis alterações nas suas características e a capacidade da empresa para responder às mesmas, a operação dos controles estabelecidos, a integração da gestão de risco dentro do planejamento estratégico, questões especificamente identificadas nos relatórios periódicos, e por fim, a eficácia dos processos de apresentação de relatórios públicos e a comunicação entre a administração e o conselho.

  • Integração ASG no mercado de investimentos

A inclusão sistemática e explícita de fatores Ambientais, Sociais e de Governança (ASG) relevantes na análise e nas decisões de investimento melhora o retorno ajustado ao risco das carteiras de investimento no longo prazo. A integração ASG no Brasil ainda se encontra no seu “período inicial”, já que as equipes ASG são pequenas, quando existem. A maior parte da demanda por integração ASG vem de investidores fora do país e de investidores institucionais globais que integram ASG aos seus próprios processos de investimento em seus mercados de origem. Esse tipo de integração é visto como grande parte do Investimento social Responsável (ISR), sendo este tradicionalmente associado a screening positivo ou negativo, de forma que a integração de fatores ASG aos produtos financeiros está só começando.

  • Os Princípios para o Investimento Responsável

Os Princípios para o Investimento Responsável (PRI, do inglês Principles for Responsible Investment) têm como objetivo nortear ações de integração de critérios ambientais, sociais e de governança (ASG) às decisões de investimento. Lançado em 2006 por investidores institucionais, com o apoio das Nações Unidas, o acordo se baseia em princípios voluntários para que investidores trabalhem colaborativamente na integração ESG à gestão de ativos, atuação junto às empresas investidas e transparência ao mercado.

Tais princípios englobam seis tópicos principais: (i) incluir questões de ASG nas análises de investimento e nos processos de tomada de decisão; (ii) agir de forma ativa e incorporar os temas de ESG nas políticas e práticas de detenção de ativos; (iii) busca da transparência adequada nas empresas investidas, relativas as questões da ASG; (iv) promoção da aceitação e implementação dos princípios no conjunto de investidores institucionais; (v) trabalhar em conjunto para reforçar a eficiência na implementação dos Princípios e (vi) divulgação das atividades de progressos em relação à implementação dos Princípios.

  • Acordos voluntários e iniciativas da indústria de investimento

Dentro da indústria de investimento, as questões ambientais, sociais e de governança corporativa (ASG) serem analisadas dentro de um contexto em que se torna relevante entender de que forma a empresa interage com o seu contexto de negócio. Assim, seja na agenda corporativa ou no setor financeiro, o tema vem sendo debatido por agentes, grupos de trabalho, acordos voluntários e até reguladores. Internacionalmente o principal acordo voluntário que discute questões relativas a ASG e sua integração ao processo de investimento é o Princípios para o Investimento Responsável (PRI). Além desses acordos voluntários e discussões de mercado cada vez mais frequentes sobre o tema, os reguladores do setor financeiro e do mercado de capitais se organizam para supervisionar esta agenda.No Brasil, podemos citar dois acordos principais: O Protocolo Verde e o Princípios do Equador.

O Protocolo Verde foi assinado pelos bancos públicos junto ao Ministério do Meio Ambiente em 1995, e estendido aos bancos privados. O acordo prevê a consideração de questões socioambientais nas atividades e operações das instituições financeiras. O Princípios do Equador é um acordo internacional (2003) que trata de um framework para determinação, avaliação e gestão de risco socioambiental no financiamento a grandes projetos, operações de project finance e empréstimos-ponte. Atualmente, o acordo conta com a adesão de 82 instituições em 36 países, cobrindo cerca de 70% do volume total de recursos destinados ao financiamento deste tipo de operações no mundo.

  • Regulação das questões ASG
    • O dever fiduciário e as questões ASG

Deveres fiduciários são impostos referentes a uma pessoa ou organização que exerce algum tipo de poder discricionário sobre os interesses de outrem dentro de circunstâncias que deem origem a uma relação de confiança e segurança. No trato de relações assimétricas, esses deveres são de extrema importância, já que existe um desequilíbrio onde o beneficiário tem pouca capacidade de monitorar ou supervisionar as ações da entidade atuando em seus interesses. Esses deveres existem para garantir que os agentes encarregados de administrar o dinheiro de outras pessoas atuem conforme o interesse dos beneficiários e não de acordo com seu próprio interesse. Os agentes fiduciários devem agir de boa-fé, equilibrando de forma imparcial os interesses conflitantes dos diversos beneficiários e com devido cuidado, habilidade e diligência.

A integração de fatores ESG (ASG) é o processo de levar em consideração dados e informações ambientais, sociais e de governança (ASG) em pesquisa de investimentos e na tomada de decisões. Não há em nenhuma das jurisdições, leis que prescrevem como os investidores devem integrar as oportunidades e riscos ASG às suas práticas e processos de investimentos, ou ainda sobre os prazos em que definem seus objetivos de investimento. No geral, os investidores podem definir a abordagem que for mais coerente para cumprir com suas obrigações legais. Ao avaliar se um investidor institucional cumpriu ou não com seus deveres fiduciários, os tribunais analisarão o processo de avaliação e integração dos fatores ASG na tomada de decisão de investimento.

  • Resoluções e Instruções (Resolução 4.661/2017, 4.327/2014, Instrução CVM 552/2015, 586/2017)
  • A Resolução 4.661/2017 estabelece as novas regras e diretrizes para as aplicações dos recursos garantidores dos planos administrados pelas Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC). A nova norma traz ajustes nos itens de Governança, Controles internos e Monitoramento de Risco, além de alterar alguns limites de investimentos e reforça a responsabilidade dos administradores, gestores, consultorias e conselhos.
  • A Resolução 4.327/2014 dispõe sobre as diretrizes que devem ser observadas para o estabelecimento e implementação da Política de Responsabilidade Socioambiental (PRSA) pelas instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central – BACEN.

Pela resolução todas as instituições financeiras que operam no Brasil devem, até o final de julho de 2015, estabelecer suas políticas de responsabilidade socioambiental. Com o estabelecimento da PRSA, o objetivo é que se garanta maior segurança e qualidade ao desenvolvimento econômico, o que não só auxilia para uma maior proteção ao meio ambiente, como também permite que o Brasil se ajuste a padrões internacionais, garantindo-lhe maior competitividade.

  • A Instrução CVM 552/2015 que altera a Instrução CVM 480/09 que dispões sobre o registro de emissores de valores mobiliários admitidos à negociação em mercados regulamentados de valores mobiliários. A nova norma atualiza alguns dispositivos do formulário de referência, previsto na Instrução CVM nº 480/09, fazendo ajustes para racionalizar e aprimorar a prestação de informações pelas companhias. Além disso, acrescenta dois anexos: o primeiro, que diz respeito a regulação das informações que devem ser divulgadas nos aumentos de capital deliberados pelo conselho de administração e o segundo, que disciplina as informações que devem ser divulgadas ao mercado pela companhia sempre que for realizada uma transação entre partes relacionadas.
  • A Instrução CVM 586/2017 que altera a Instrução CVM 480, determina que companhias abertas (‘Categoria A’) divulguem informações sobre aplicação das práticas de governança previstas no Código Brasileiro de Governança Corporativa – Companhias Abertas. A categoria A é a que se aplica aos emissores registrados na CVM cujas ações ou certificados de depósitos de ações sejam admitidos à negociação em bolsas de valores.
  • Estratégias de Investimento Responsável

A estratégia mais conhecida para integrar as questões ASG é desenvolver uma blacklist, vetando setores ou empresas que sejam controversos em relação às questões ambientais. Porém, nas últimas décadas tivemos o desenvolvimento de estratégias que podem ser adotadas de acordo com a cultura de investimento de cada gestor, bem como a classe de ativos aplicável. São elas:

  • Exclusões: remoção de setores ou empresas do universo de investimento de portfólios específicos. Comum em países desenvolvidos;
  • Fundos Temáticos: Compreendem os investimentos em questões ASG específicas, por meio de fundos temáticos, abrangendo questões desde mudanças climáticas à eficiência energética, florestas e água. Foco no desenvolvimento sustentável;
  • Best-in-Class: Envolve a escolha dos melhores de cada setor no que tange à integração das questões ASG à estratégia e gestão corporativa;
  • Integração: Inclusão explícita de riscos e oportunidades derivados das questões ASG na análise financeira tradicional e processo de tomada de decisão de investimentos;
  • Engajamento: ativismo acionário é o fundamento da estratégia de engajamento, que usa o poder de voz e o poder de voto do investidor para induzir a adoção de melhores práticas ASG na estratégia e gestão das empresas investidas;
  • Screening baseado em normas: Baseada na avaliação das questões ASG de companhias investidas com base em critérios ou princípios específicos.

A consideração de normas como o Pacto Global das Nações Unidas, Diretrizes da OCDE para Empresas Multinacionais e tratados internacionais podem ser adotados como framework de avaliação deste tipo de investidor;

  • Investimento de Impacto: Estratégia mais recente de investimentos responsáveis (2007), trata de um guarda-chuva transversal a diversas classes de ativos. Visa à canalização de recursos para o financiamento de organizações ou empreendimentos sociais que buscam atacar desafios sociais específicos a partir de mecanismos de mercado.

ÍNDICES DE SUSTENTABILIDADE

Índices de sustentabilidade possuem grande importância para o mercado de capitais, já que atuam como referência para os investidores na integração das questões ASG ao processo de decisão de investimentos. Podemos destacar alguns principais:

  • Índice de sustentabilidade Dow Jones (Dow Jones Sustainability Index, DJSI): foi criado em 1999 sob responsabilidade técnica da consultoria RobecoSAM. Atualmente se constitui de uma família de índices globais e regionais, cuja metodologia aborda uma estratégia best in class para determinação das empresas líderes em sustentabilidade em suas respectivas indústrias;
  • O Índice de Sustentabilidade FTSE4Good (Financial Times Stocks Exchance Sustainability Index) é uma família de índices de sustentabilidade, cujos critérios para integração da carteira envolvem a pesquisa pública e resposta de questionário por parte das empresas;
  • No Brasil, o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) tem objetivo de criar um ambiente de investimento compatível com as demandas de desenvolvimento sustentável da sociedade contemporânea e a busca pelo estímulo da responsabilidade ética das corporações. O indicador se traduz em uma ferramenta que analisa comparativamente a performance de empresas listadas na Bolsa de Valores oficial do Brasil. Iniciado em 2005, foi originalmente financiado pela International Finance Corporation (IFC), braço financeiro do Banco Mundial, seu desenho metodológico foi desenvolvido pelo FGVCes e B3.

    Apostila CNPI - Conteúdo Global


     

    apostia.cnpi.global

    1 Modelos de Avaliação de Ações

    1.1 Modelos de Avaliação

     

    Perpetuidade é uma série constante e infinita de fluxo de caixa. Em se tratando do Modelo de Dividendo Descontado (DDM), pode ser representada conforme a seguir:

    Com essa fórmula, pressupõe-se um crescimento constante de dividendos ao longo do tempo. É importante que os itens estejam em um mesmo período. Por exemplo, caso o dividendo por ação seja anual, a taxa de crescimento também deve ser por ano.

     

    Valor Presente (VP) da perpetuidade:

    Fonte: Elaborada pelo autor.

     

    O resultado é um fluxo de caixa com valores iguais a $ 1.000, por prazo indeterminado, com taxa de desconto de 25% ao ano. O valor de $ 4.000 é aquele a que tendeu o gráfico anterior. Nessa abordagem, o valor decorre apenas dos fluxos de caixa futuros, entendidos como a diferença entre os recebimentos e os pagamentos operacionais da empresa e considerados constantes. Dessa forma, considera-se a empresa como uma “caixa preta", sobre a qual nada é necessário saber a não ser as datas em que poderá pagar os investidores ou exigir aportes de recursos, além do risco envolvido. A empresa equipara-se a qualquer ativo financeiro, cujo valor nada mais é do que o valor presente dos fluxos de caixa.

     

    Principais modelos de avaliação de ações

    Modelo de Dividendo Descontado (MDD): é um procedimento utilizado para avaliar o preço de uma ação, descontados os dividendos previstos para o valor presente. Se o valor obtido por esse modelo for superior ao preço atual de negociação das ações, dizemos que a ação está subvalorizada. O valor de uma ação é igual ao somatório de dividendos futuros dividido pela taxa de desconto:

    Em que:

    • a taxa de desconto (re) é o custo do capital próprio;
    • D = valor do dividendo;
    • P0 = valor da ação; e
    • t = período.
    • Modelo de perpetuidade: é uma série constante e infinita de fluxo de caixa. Pressupõe-se um crescimento constante de dividendos ao longo do tempo.

     

    Modelo de Crescimento Constante (modelo de Gordon): é a aplicação do cálculo da perpetuidade. Refere-se à avaliação do fluxo de caixa a ser auferido pelos acionistas por meio do recebimento dos dividendos:

    Em que:

    • DPS representa os dividendos esperados daqui a um ano;
    • r é a taxa exigida de retorno do patrimônio líquido (ou custo do capital próprio = taxa livre de risco + [prêmio]); e
    • g é a taxa de crescimento perpétua para os dividendos.

     

    Modelo de crescimento de 2 estágios: possibilita a precificação de dois estágios de crescimento da empresa em análise. Trata-se de uma fase inicial, em que o crescimento não é dado a uma taxa constante, e de um período subsequente de maturação, quando a empresa estabiliza o seu crescimento:

     

     

     

    Em que:

    • DPSt = Dividendos por ação esperados para o ano t;
    • Ke = Custo de oportunidade (hg: high growth ou alto crescimento; st: stable growth ou crescimento estável);
    • Pn = Preço no final do ano n;
    • g = Crescimento extraordinário para os anos iniciais; e
    • gn = Crescimento constante até o infinito, após o ano n.

    1.2 Conceitos de contabilidade

    • Lucro bruto: é a receita líquida deduzida dos custos de produção. Possui o objetivo de mostrar a lucratividade das operações da empresa, sem considerar as despesas administrativas, comerciais e operacionais.
    • Lucro operacional: mostra a capacidade de geração de resultados provenientes das operações normais da empresa, ou seja, seu potencial de gerar riqueza:
      • Lucro antes de Impostos (LAIR);
      • Lucro antes de Juros e Imposto de Renda (LAJIR ou EBIT);
      • Lucro antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (LAJIDA ou EBITIDA).
    • Lucro líquido: é o lucro operacional mais as receitas financeiras e menos as seguintes contas:
      • despesas financeiras;
      • despesas não operacionais, extraordinários e não recorrentes;
      • imposto de renda e contribuição social.

    Tabela - Indicadores.

     

    Fonte: Elaborada pela autora.

    Valor da Firma/EBITDA:

     

    1.3 Precificação de Ativos

    Capital Asset Pricing Model (CAPM)

    Os riscos podem ser sistemáticos ou não sistemáticos. O risco sistemático também é chamado de risco de mercado. Esse risco afeta grande parte dos investimentos. Um exemplo são as incertezas econômicas. Já o risco não sistemático também é conhecido como risco específico e, por sua vez, afeta apenas uma pequena parte dos investimentos. Por exemplo, uma empresa que descobrir um novo poço de petróleo será afetada juntamente com alguns clientes ou fornecedores próximos. Já se o preço do petróleo sofrer um aumento, todos os envolvidos serão afetados.

    O beta (β) mede a sensibilidade de um ativo em relação aos movimentos de mercado. Ele pode assumir vários valores, como:

    • Se β > 1, reflete um risco sistêmico mais alto que o mercado, sendo, por isso, considerado um investimento agressivo; ou seja, a carteira de ativos oscila mais que a carteira de mercado;
    • Se β = 1, a carteira de ativos tem o mesmo risco que a carteira de mercado, movimentando-se na mesma direção;
    • Se 0 < β < 1, a carteira de ativos é menos arriscada do que a carteira de mercado, e o ativo se caracteriza por ser mais defensivo;
    • Se β < 0, o ativo move-se em direção oposta à do mercado;
    • O coeficiente β é usado para medir o risco não diversificável.

    O risco de um ativo é mensurado pelo beta, determinado pela inclinação da reta de regressão linear entre o retorno do ativo e a taxa de retorno da carteira de mercado.

    Figura - Risco e retorno.

    Fonte: Elaborada pelo autor.

    Na teoria, a melhor estimativa da taxa livre de risco seria o retorno sobre uma carteira de beta igual a zero. A taxa de retorno requerida pelo investidor deve incluir a taxa livre de risco da economia, mais um prêmio que remunere o risco sistemático apresentado pelo ativo em avaliação, representado pelo beta.

    O modelo Capital Asset Pricing Model (CAPM) calcula justamente o retorno "justo" a ser recebido dado o risco de um ativo, podendo ser interpretado como um meio de cálculo de custo de capital. O CAPM é um modelo de formação de preços de ativos que equaciona a relação básica entre risco e retorno, presente em todos os tipos de decisões financeiras. Esse modelo permite estimar a taxa de retorno exigida pelos investidores, ou seja, a taxa mínima de atratividade pelo capital próprio. Sua fórmula é a seguinte:

    EPL = R+ βs*(Rm – Rf)

    Em que:

    • EPL é o retorno esperado do patrimônio líquido;
    • Rf  é o retorno esperado da taxa livre de risco;
    • βs é a sensibilidade ao risco de mercado;
    • Rm é o retorno histórico do mercado de ações; e
    • (Rm – Rf) é o prêmio de risco dos ativos de mercado sobre os ativos livres de risco.

    WACC

    Custo Médio Ponderado de Capital (CMPC), também conhecido como Weighted Average Cost of Capital (WACC), é calculado da seguinte maneira:

    Em que:

    • Ke é o custo de capital dos acionistas;
    • Kd é o custo da dívida;
    • E é o total do Patrimônio Líquido (equity);
    • D é o total do endividamento com terceiros (debt).

    Conceitos

    • Return on Assets(ROA) ou Retorno Sobre Ativos (RSA) é um indicador financeiro que demonstra a capacidade dos ativos da empresa de gerar resultados.

    • Return On Capital(ROC) mede o lucro líquido de uma empresa em relação à soma de sua dívida e valor patrimonial. Ou seja, é a quantidade de dinheiro que uma empresa ganha acima do custo médio que ela paga por sua dívida e capital próprio.
    • Passivo Operacional (PO):compreende todos os financiamentos (recursos) oferecidos pela própria operação. Já o capital de terceiros e o capital próprio são os recursos obtidos fora da operação.
    • Ativo Operacional Líquido (AOL): compreende a soma do capital de giro líquido com o capital fixo.
    • Capital de Terceiros (CT):as despesas financeiras desses financiamentos estruturais representam o chamado custo do capital de terceiros. Deficits temporários geram financiamentos de curtíssimo prazo, nitidamente associados ao capital de giro e que podem ser assumidos como passivo operacional. Ademais, as despesas financeiras desses financiamentos emergenciais deverão ser tratadas como despesas operacionais.
    • Custo do Capital de Terceiros (CCT): o CCT costumeiramente está representado na figura do que chamamos juros ou despesas financeiras; logo, é explícito e formal (documentado). A amortização do principal faz parte do serviço da dívida, mas não é considerada parte do custo do financiamento. Frequentemente, os juros do CT são devidos independentemente da capacidade financeira do tomador, estando, na maioria dos casos, protegidos por garantias. Portanto, quanto maior for o endividamento com terceiros, mais arriscada será a dívida para a empresa.
    • Custo do Capital Próprio (CCP):é a expectativa de retorno desejada pelos acionistas em cima do seu capital investido no negócio (Patrimônio Líquido). Sendo assim, é implícito e, em geral, não documentado. É representado pelo desejo dos acionistas de receberem dividendos (dinheiro) mais a obtenção de crescimento no valor de suas ações (ganho de capital associado a lucros obtidos, mas não distribuídos, que ficam retidos para financiar projetos que contribuirão para elevar dividendos futuros).

    Avaliação do desempenho corporativo

    Tanto o EVA quanto o MVA são medidas de avaliação de desempenho de um negócio.

    EVA

    Economic Value Added (EVA) identifica o quanto foi efetivamente criado de valor para os acionistas em um determinado período (mês, ano etc.) De modo simplificado, criar valor significa “enriquecer o acionista”. Fica-se mais rico quando se compra um ativo que, depois de um certo tempo, vale mais do que o capital investido.

    EVA = Lucro Operacional após imposto - (Capital Total Investido x WACC)

    MVA

    Market Value Added (MVA) objetiva elevar o valor da empresa para seus acionistas, tornando-os mais ricos. O MVA é o impacto do EVA no valor da empresa, mostrando o quanto o investidor ficou mais rico. Ou seja, o MVA é o EVA futuro trazido a valor presente pela taxa de retorno mínima esperada pelos acionistas.

    CFROI

    Cash Flow Return on Investment (CFROI) se trata do desempenho operacional que a empresa alcançaria caso gerasse um fluxo de caixa operacional no mesmo volume que alcançou no período de referência, sem investimentos adicionais ao longo da vida do ativo circulante.

    CFROI = FCOB / Capital Empregado

    • FCOB = Fluxo de Caixa Operacional Bruto. É o fluxo de caixa antes de juros e impostos.
    • Capital Empregado = Ativos Operacionais - Capital Sem Juros

     

    2 Análise das Operações da Empresa

    Considere as seguintes definições:

    • Passivo operacionalpassivo espontâneo ou passivo de funcionamento são exemplos de capitais que se originam dentro da operação e são fornecidos pela própria dinâmica operacional. Os exemplos mais comuns são: salários e encargos a pagar recolhidos entre o final e início do mês seguinte etc.
    • Capital de bancosoperações assemelhadas e capitais do acionista são exemplos de capitais que se originam fora da operação e representam todos os financiamentos associados aos investimentos de curto e longo prazo. Trata-se de financiamentos contratados junto ao BNDES e outros bancos ou instituições de fomento ao desenvolvimento.
    • análise horizontal é uma técnica que parte da comparação do valor de cada item do demonstrativo, em cada período, com o valor correspondente em um determinado período anterior, considerado como base. Essa análise tem como objetivo mostrar a evolução de cada conta (ou grupo de contas) quando considerada de forma isolada.
    • análise vertical, considerada um dos principais instrumentos de análise de estrutura patrimonial, consiste na determinação dos percentuais de cada conta ou cada grupo de contas do balanço patrimonial em relação ao valor total do ativo ou passivo.
    • análise vertical determina a proporcionalidade das contas do demonstrativo de resultado em relação à receita líquida de vendas, considerada como sua base. Em relação ao balanço patrimonial, ela procura sempre mostrar, de um lado, a proporção de cada uma das fontes de recursos e, de outro, a expressão percentual de cada uma das várias aplicações de recursos efetuadas pela empresa.

    Observe as seguintes equações possivelmente úteis: giro de estoque, PME, giro de duplicatas a receber, PMR, giro do pagamento aos fornecedores, PMP, PCT, GE, ciclo operacional e ciclo financeiro.

    Considere a seguinte equação para o retorno sobre investimento:

    ROI = LL / (AC + ANC)

    Em que:

    • ROI é o retorno sobre investimento;
    • LL representa o Lucro Líquido;
    • AC representa o Ativo Circulante; e
    • ANC é o Ativo Não Circulante.

    O Ciclo Operacional (CO) pode ser representado através da seguinte fórmula:

    CO = PME + PMR

    A seguir, observe sua representação gráfica:

    Figura - Representação gráfica do Ciclo Operacional (CO).

    Fonte: Elaborada pelo autor.

    Figura - CO = PME + PMR.

    Fonte: Elaborada pelo autor.

    Ciclo Financeiro (CF) pode ser representado pela seguinte equação:

    CF = CO - PMP

    A seguir, observe a representação gráfica do CF:

    Figura - Representação gráfica do CF.

    Fonte: Elaborada pelo autor.

     

    3 Análise Setorial

    3.1 Elasticidade

    Na relação entre preço e quantidade demandada, dois elementos definem conjuntamente as mudanças nas quantidades demandadas devido às mudanças no preço, os quais são: efeito substituição, que retrata o fato de que sempre trocaremos bens caros por bens mais baratos, e o efeito renda, que demonstra que mudanças nos preços alteram o poder de compra dos consumidores.

    Considere a equação da elasticidade-preço da demanda (Ed):

    Assuma a seguinte equação para a variação na quantidade demandada:

    Considere a seguinte equação para a variação no percentual do preço:

    Afirma-se que a demanda por um bem é elástica se a variação de 1% nos preços causar uma variação percentual maior do que 1% na quantidade demandada (Ed > 1). Por outro lado, uma demanda é inelástica quando, diante de uma variação de 1% no preço (Ed < 1), a variação da quantidade é menor que 1%. Além disso, a demanda possui uma elasticidade-preço igual à unidade (elasticidade unitária) quando as variações percentuais no preço e na quantidade ocorrem na mesma proporção.

    Com base na experiência, é possível relacionar algumas regras relativas aos fatores que influenciam a demanda:

    • Necessidades versus supérfluos: os bens necessários tendem a ser menos elásticos em relação ao preço. A demanda por um remédio de uso contínuo, por exemplo, tende a ser menos elástica ao preço do que a demanda por sorvetes.
    • Disponibilidades de substitutos próximos: bens que dispõem de substitutos próximos tendem a apresentar uma demanda mais elástica.
    • Horizonte temporal: em geral, a demanda é mais elástica ao preço quanto maior for o horizonte temporal considerado. Isso ocorre porque, ao longo do tempo, podemos adaptar nosso consumo ou pode surgir um maior número de substitutos aos bens, de forma que a demanda tenderá a ser mais sensível às elevações de preço.

    Considere os seguintes conceitos:

    • elasticidade-renda da demanda é definida pela relação entre a variação percentual da quantidade demandada e a variação percentual da renda.
    • Gasto fixo: trata-se do custo ou despesa que permanece inalterado em função do comportamento das vendas/produção, dentro de uma certa unidade de tempo (um mês, por exemplo). Portanto, o gasto fixo não tem seu comportamento ditado diretamente pelas vendas.
    • Gasto semivariável: todo custo ou despesa que, em uma unidade de tempo (um mês, por exemplo), se altera em função das vendas/produção, mas não na mesma proporção destas. O gasto semivariável tem uma parcela fixa e outra variável. Exemplos: energia, mão de obra etc.
    • Margem de contribuição: a margem de contribuição de um produto é seu preço de venda menos os gastos variáveis. Por exemplo, se o preço de uma refeição for de $ 4,50 e o custo variável com gêneros alimentícios for de $ 3,00, a margem de contribuição dessa refeição será de $ 1,50, valor com que a refeição "contribui" para absorção dos gastos fixos.
    • Custo marginal: é definido como o acréscimo dos custos totais de produção quando se aumenta a quantidade produzida em uma unidade, isto é, trata-se do custo de se adquirir uma unidade adicional desse item. Por exemplo, o custo marginal da mão de obra é o custo de se acrescentar um outro trabalhador.
    • Concorrência perfeita: em um mercado competitivo, o fator que determina o preço de equilíbrio são as condições de oferta e demanda. Todos os vendedores recebem o mesmo preço pela venda do produto (denominado preço de mercado). Os compradores não adquirirão um produto mais caro se puderem adquiri-lo a um preço menor.
    • Monopólio: estrutura de mercado que ocorre no mercado vendedor quando há as seguintes circunstâncias:
      • presença de uma única empresa atuando;
      • inexistência de substitutos próximos para os bens que o monopolista produz; e
      • existência de elevadas barreiras à entrada de novas empresas, decorrentes dos seguintes fatores:
        • controle de um insumo ou recurso escasso;
        • domínio tecnológico; e
        • economias de escala.
    • Oligopólio: representa uma estrutura de mercado intermediária entre a concorrência perfeita e o monopólio. É formado por poucos vendedores, os quais competem entre si e, além disso, detêm algum poder de mercado, ou seja, capacidade de afetar o preço por meio de ações individuais. Trata-se da única estrutura de mercado em que as empresas consideram as ações dos concorrentes na tomada de decisões.
    • Coalizão: trata-se de um acordo entre produtores de uma mercadoria, visando a restringir a concorrência e elevar os preços dos bens ou serviços.

    3.2 Fusões e aquisições

    Fusão é o processo através do qual ocorre a aquisição de uma companhia pela outra, sendo que uma delas deixa de existir enquanto pessoa jurídica. Além disso, denomina-se consolidação o evento em que duas empresas são dissolvidas de modo a formar uma terceira entidade completamente nova. Ressalta-se que a aquisição pode contemplar a compra de participação acionária.

    Dependendo da estratégia a ser adotada, a fusão poderá ser classificada em:

    • Horizontal: quando a aquisição ocorre entre empresas que possuem o mesmo foco de atuação. Basicamente visa ao aumento de participação de mercado.
    • Vertical: como o próprio nome designa, refere-se a uma aquisição ocorrida entre empresas que se encontram em estágios distintos no processo produtivo. Busca, sobretudo, ganho de competitividade.
    • Congênere: as empresas envolvidas não atuam no mesmo ramo, porém pode haver alguma complementaridade em suas linhas no médio e longo prazo (e.g. empresa de produtos higiênicos que adquire uma companhia de papel visando a uma linha de lenços descartáveis, fraldas etc.).
    • Conglomerado: envolve a aquisição de participação em companhias cujos focos de atividades são completamente diferentes, objetivando a diversificação das atividades.

    Diluição do risco: muitas empresas alegam que, através da diversificação de seus negócios, potenciais riscos são diluídos, o que oferece maior segurança aos seus acionistas.

    3.3 Elementos de análise e formas de avaliação

    Em um cenário cada vez mais competitivo, as empresas buscam associar-se a outras companhias, com os seguintes objetivos:

    • Ganhos de escala: no que se refere ao nível extra de produção, que é capaz de promover uma diluição expressiva dos custos fixos da companhia;
    • Economias operacionais: visando ao aproveitamento de centros de distribuição, redução da estrutura administrativa, bem como maior poder de barganha junto aos fornecedores;
    • Economias financeiras: a nova companhia pode obter recursos de terceiros a custos mais atrativos;
    • Melhor gestão: proporciona melhor utilização dos recursos, fazendo com que a companhia apresente bons níveis de rentabilidade; e
    • Redução da competição: este item é considerável até determinado ponto, visto que a maioria dos países possui órgãos que disciplinam tais negociações, evitando a formação de monopólios.

    3.4 Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE)

    CADE tem como missão zelar pela livre concorrência no mercado. É a entidade responsável, no âmbito do Poder Executivo, não só por investigar e decidir, em última instância, sobre a matéria concorrencial, como também fomentar e disseminar a cultura da livre concorrência. Essa entidade exerce três funções:

    • Preventiva: analisar e, após isso, decidir sobre as fusões, aquisições de controle, incorporações e outros atos de concentração econômica entre grandes empresas que possam comprometer a livre concorrência;
    • Repressiva: investigar, em todo o território nacional, e posteriormente julgar cartéis e outras condutas que possam prejudicar a livre concorrência;
    • Educacional ou pedagógica:
      • instruir o público em geral sobre as diversas condutas que possam ser nocivas à livre concorrência;
      • incentivar e estimular estudos e pesquisas acadêmicas sobre o tema;
      • realizar ou apoiar cursos, palestras, seminários e eventos referentes ao assunto; e
      • editar publicações.

     

    4 Fundamentos de Finanças Corporativas

    4.1 Objetivos de uma empresa e das finanças

    O administrador financeiro deve ter três preocupações ao analisar um balanço patrimonial:

    • Liquidez: a liquidez contábil se refere à capacidade dos ativos de serem convertidos em dinheiro. Quanto maior for a liquidez dos ativos da empresa, menor será a possibilidade de ela ter dificuldades no cumprimento de obrigações de curto prazo.
    • Dívida vs. capital próprio: passivos são obrigações da empresa que requerem pagamentos, que são chamados de serviços da dívida. O capital próprio dos acionistas é chamado de patrimônio líquido e constitui um direito a uma parte dos ativos.
    • Valor vs. custo: o valor de mercado é o preço pelo qual vendedores e compradores dos ativos estão dispostos a negociar. Já os números contábeis em geral se baseiam no custo.

    Também é preciso estar atento à:

    • Tributação:
      • Simples nacional: aplica-se a microempresas e empresas de pequeno porte. É uma tributação percentual fixa sobre o faturamento, e os percentuais são diferentes dependendo da atividade.
      • Lucro presumido: presume-se que a empresa tenha um determinado percentual de lucro sobre os valores que fatura. É sobre esse percentual que incide a tributação sobre o lucro.
      • Lucro real: lucro real significa o lucro apurado por meio de lançamentos contábeis de receitas e despesas e sua confrontação. Ele depende da realidade das operações da empresa e exige contabilidade apurada.
    • Alíquota tributária:
      • Média:  porcentagem total de impostos pagos dividida pelo lucro total.;
      • Marginal: são os impostos que seriam pagos (em %) se fosse adicionado um real aos lucros.
    • Governança corporativa: é um sistema pelo qual as sociedades são dirigidas e monitoradas, envolvendo os acionistas e os cotistas, o Conselho de Administração, a Diretoria, a Auditoria Independente e o Conselho Fiscal. As boas práticas de governança corporativa têm a finalidade de aumentar o valor da sociedade, facilitar seu acesso ao capital e contribuir para a sua perenidade.

    O objetivo principal das finanças corporativas é a maximização de valor da sociedade. Assim, é possível compreender as finanças corporativas por meio de três questões:

    • Orçamento de capital: processo de realização e gestão de investimentos em ativos de longo prazo;
    • Estrutura de capital: proporções do financiamento da empresa em capital de terceiros (curto e longo prazo) e capital próprio;
    • Capital de giro líquido: diferença entre o ativo circulante e o passivo circulante.

    Os administradores, principalmente quando são remunerados em função do seu desempenho, tendem a orientar as suas ações para resultados financeiros no curto prazo. Os acionistas focam no investimento, esperando resultados sustentáveis no longo prazo. Assim, temos que:

    • Conflito de agência ou conflito de agente-principal: na circunstância em que o proprietário (acionista) delega a um agente especializado (executivo) o poder de decisão sobre sua propriedade, o conflito de agente-principal ocorre quando os interesses do gestor não estão alinhados com os do proprietário; e
    • O termo custo de agência se refere aos custos do conflito de interesses entre acionistas e administradores, bem como controladores e não controladores, que podem ser indiretos ou diretos.

    Em geral, entende-se que o objetivo da empresa (e, portanto, de todos os seus administradores e funcionários) é maximizar a riqueza de seus proprietários, em nome dos quais ela é gerida. Assim, o objetivo básico do gestor financeiro é a maximização da riqueza da empresa.

    As regulamentações existentes ajudam na melhoria do mercado, principalmente ao exigir a divulgação de informações relevantes para os investidores e, consequentemente, minimizar conflitos de interesses. Por outro lado, elas impõem custos às empresas.

    4.2 Fluxo de caixa

    capital dos acionistas é determinado pela diferença entre os ativos menos os passivos. A saúde do fluxo de caixa financeiro, exibida pela demonstração do fluxo de caixa, ajuda a explicar a variação dos saldos de caixa e aplicações financeiras. O fluxo de caixa recebido pelos ativos, FC(A), deve ser igual aos fluxos de caixa pagos aos credores, FC(B), somado aos fluxos de caixa pagos aos acionistas, FC(S):

    FC(A) = FC(B) + FC(S)

    Por fim, o aspecto mais importante é que o lucro é determinado pela receita menos as despesas.

    4.3 Métodos de análise

    • Payback simples: determina o tempo necessário para a recuperação do investimento, sem considerar o valor do dinheiro no tempo. Sua fórmula é a seguinte:
      • Payback descontado: não serão utilizados valores nominais dos fluxos, como no payback simples, mas serão utilizados os valores descontados para o presente por meio de uma taxa de juros. Ou seja, cada fluxo é descontado por uma taxa de juros.
      • Valor Presente Líquido (VPL) é representado pela seguinte equação:

       

      • i é a taxa de desconto que, nesse caso, será a Taxa Mínima de Atratividade (TMA);
      • FC é o fluxo de caixa;
      • n é o número de vezes; e
      • t é o período utilizado.

      Considere que:

      • se VPL > 0, o retorno é positivo, pois seu benefício supera o custo; logo, o investimento é viável economicamente;
      • se VPL < 0, o retorno é negativo, pois seu custo supera o benefício gerado; logo, o investimento não é viável economicamente; e
      • se VPL = 0, o retorno é neutro, e o valor do benefício gerado é igual ao custo.
      • Taxa Interna de Retorno (TIR): é a taxa que iguala as despesas às receitas futuras trazidas a valor presente.

       

      Considere que:

      • se a TIR > TMA, o investimento é viável economicamente, pois o retorno gerado é maior que a taxa mínima de atratividade;
      • se a TIR < TMA, o investimento não é viável economicamente, pois seu retorno é menor que o mínimo desejado; e
      • se a TIR = TMA, o investimento está em uma zona de indiferença de retorno, mas ainda é viável, pois gera o mínimo desejado, que é a taxa mínima de atratividade.
      • Índice de lucratividade: é dado pelo somatório dos valores presentes dos fluxos de caixa futuros, dividido pelo investimento inicial (fluxo de caixa negativo) em módulo:

       

      Considere que:

      • se o índice de lucratividade for maior que um, o investimento deve ser aceito, pois as entradas serão maiores que as saídas de caixa em termos atuais;
      • se o índice for igual a um, significa que a soma dos fluxos de caixa produzidos, já descontados, será pelo menos igual ao investimento realizado; esse investimento, portanto, pode ser aceito;
      • no entanto, se o IL for menor que um, o investimento deve ser rejeitado, pois as entradas de caixa serão menores que as saídas.
      • Custo Médio Ponderado de Capital (WACC): pode ser definido como a soma do capital próprio (ações) com o capital líquido de terceiros (empréstimos, financiamentos, debêntures e outras dívidas líquidas do imposto de renda). Sua fórmula é a seguinte:

        Em que:

        • Ke = custo de capital dos acionistas;
        • Kd = custo da dívida;
        • E = total do patrimônio líquido (total de recursos advindos de capital próprio - equity); e
        • D = total da dívida (total de recursos advindos de capital de terceiros - debt).
        • CAPM: mostra o retorno esperado de um ativo que resulta em equilíbrio no mercado (também pode ser entendido que o custo de capital próprio (Ke) é a taxa de retorno requerida pelos acionistas de uma empresa e é calculado por meio do Modelo de Precificação de Ativos (CAPM):

        Em que:

        • Ke = custo de capital próprio;
        • Rf = taxa livre de risco;
        • Beta = medida do risco sistemático;
        • Rm = rentabilidade oferecida pelo mercado;
        • Rm - Rf = prêmio de risco.

         

        5 Decisões Financeiras a Longo e Curto Prazo

        5.1 Decisões financeiras de longo prazo

        Recursos de longo prazo

        Recursos de longo prazo são aqueles usados em projetos importantes da empresa, responsáveis pelo seu crescimento e que não geram dívidas a serem quitadas no curto prazo, ou seja, não são passivos circulantes. Suas fontes podem ser:

        • Passivos não circulantes:
          • debêntures; e
          • empréstimos.
        • Patrimônio líquido:
          • recursos dos sócios da empresa.

        Métodos mais utilizados na avaliação e decisão de investimento

        • VPL:
          • projetos com VPL positivo são aceitos;
          • escolhe-se sempre o projeto de maior VPL quando se trata de projetos mutuamente excludentes;
          • apresenta armadilhas quando na presença de racionamento de capital;
          • método que sempre funciona quando tomados os devidos cuidados;
          • o maior VPL global geralmente será a melhor escolha.
        • TIR:
          • método simples, análise resumida a uma taxa;
          • o projeto de maior taxa deve ser escolhido, e qualquer taxa menor que a TMA deve rejeitar o projeto;
          • apresenta problemas quando na presença de múltiplos fluxos de caixa negativos ao longo do projeto;
          • deve-se prestar atenção na magnitude do projeto, pois a TIR não revela o retorno total do projeto.
        • Payback:
          • um dos métodos mais simples de avaliação;
          • sinaliza o tempo que levará para o investimento ser recuperado;
          • sinaliza o risco do projeto, pois é preferível que um investimento seja recuperado o quanto antes;
          • como desvantagem, o método não considera os fluxos produzidos após a recuperação do investimento.
        • Índice de lucratividade:
          • divide o VPL pelo investimento;
          • ideal para ser utilizado na presença de racionamento de capital, caso em que os projetos de maior IL devem ser escolhidos;
          • pode falhar quando na presença de diferentes condições de racionamento ao longo dos períodos dos projetos.
        • CAPM:
          • método usado pelos sócios ou sócios potenciais na avaliação dos ativos da empresa;
          • impacta a captação de recursos próprios.

        Algumas armadilhas

        Custo afundado (sunk cost)

        Refere-se ao dinheiro que foi gasto em um projeto e nunca mais será recuperado. Pode ser chamado de custo irrecuperável. Muitos gestores tendem a ter dificuldade em abandonar um projeto devido ao fato de já terem custos afundados. Isso pode fazer com que a empresa mantenha um projeto que poderia ter sido substituído por outro melhor.

        Depreciação

        Depreciação corresponde ao encargo periódico que determinados bens sofrem devido a uso, obsolescência ou desgaste natural. Muitas vezes, eles são desconsiderados na análise de projetos. Por exemplo, veículos se desvalorizam ao longo do tempo, de modo que a sua revenda após um projeto pode representar uma entrada de caixa aquém da estimada no início desse projeto.

        Liquidação e reorganização

        O processo de falência e liquidação das empresas envolve diversos custos, os quais causam impactos no valor da empresa e nas suas operações mesmo antes de sua ocorrência, ainda que não ocorra de fato. A empresa precisa lidar com alguns desses custos a partir do momento em que surgem problemas financeiros. São os chamados custos do endividamento. Os principais estão listados abaixo.

        • Custos diretos (legais e administrativos):
          • Custos com advogados: a possibilidade de não recebimento (ou recebimento parcial) faz com que os detentores de direitos contratem advogados para negociação ou pedido de falência e liquidação da empresa. Nesse caso, a empresa também precisará contratar advogados para a sua defesa.
          • Custos da administração e contabilidade: além dos advogados, há os custos relativos a todos os profissionais e instituições envolvidos nos processos.
          • Custos com peritos: no caso de um julgamento, peritos podem ser necessários no avanço e conclusão dos processos, podendo gerar altos custos para a empresa.
        • Custos indiretos:
          • Perda de negócios e clientes: um risco de falência, ainda que não termine em falência de fato, causa insegurança nos parceiros comerciais da empresa, que passam a ter dúvidas a respeito da capacidade dos seus gestores para conduzir o negócio. Mesmo que a empresa se recupere, ainda pode haver manchas em sua reputação que são capazes de afetar suas vendas.
          • Redução do valor de títulos de dívida da empresa, como debêntures, em decorrência do maior risco, o que reduz sua capacidade de captação em novas emissões.
          • Custos de agência: são os custos que surgem a partir do conflito de interesses entre credores e acionistas, que serão mais detalhados abaixo.

        Estratégias egoístas em situações de risco de falência

        Estratégias egoístas geram os custos de agência, que prejudicam os credores das empresas em risco de falência.

        • Estratégia 1
          • Incentivo à tomada de grandes riscos por parte dos sócios na eminência de uma falência. Caso o projeto tenha sucesso, os sócios recebem mais, mas os credores recebem apenas o que lhes é devido. Caso o projeto fracasse, os credores recebem menos do que lhes é devido.
        • Estratégia 2
          • Desincentivo ao investimento por parte dos sócios, dado que grande parte do retorno será tomado pelos credores. Assim, os credores podem acabar recebendo menos do que o valor de seus direitos, pois a empresa não gerará caixa suficiente para isso.
          •  
        • Estratégia 3
          • Esvaziamento de capital. A empresa distribui seu capital em forma de dividendos, ou transfere seu capital para outras empresas através de contratos superfaturados, para que reste menos para ser distribuído aos credores.

         

        5.2 Decisões financeiras de curto prazo

        Capital de giro

        O capital de giro é a quantia de dinheiro necessária para custear os processos necessários para manter as operações de uma empresa.

        • A necessidade de capital de giro (NCG) representa a parte do ativo operacional que não é financiada por passivos operacionais, devendo ser financiada por passivos financeiros de curto prazo ou por passivos não circulantes, o que seria mais adequado.
        • Saldo em Tesouraria (ST) é a diferença entre o ativo circulante financeiro (não cíclico/errático) e o passivo circulante financeiro (não cíclico/errático).
        • Capital Circulante Líquido (CCL) é a diferença entre os recursos disponíveis de curto prazo e as obrigações a pagar de curto prazo, ou seja, a diferença entre o ativo circulante e o passivo circulante.
        • É feita uma distinção entre o Capital de Giro (CDG) e o Capital Circulante Líquido (CCL), apesar de que, na construção das contas do balanço, o valor do CDG seja sempre igual ao valor do CCL.

        Capital de giro = (Passivo não circulante + Patrimônio líquido) - Ativo não circulante

        • Ativos circulantes são compostos pelo caixa e por outros ativos que se espera que sejam convertidos em caixa durante o ano.
        • Passivos circulantes são obrigações que exigem pagamento em dinheiro dentro de um ano.

        Financiamento de curto prazo

        De acordo com Ross et al. (1995), a política que uma empresa adota nas suas finanças de curto prazo tende a ser composta por dois elementos importantes:

        • Magnitude de seus investimentos em ativo circulante:
          • Política financeira de curto prazo flexível: mantém um índice relativamente alto entre ativos circulantes e vendas; e
          • Política financeira de curto prazo restritiva: implica um índice baixo entre ativos circulantes e vendas.
        • Políticas alternativas de financiamento de ativos circulantes:
          • Política financeira de curto prazo flexível: significa menos dívidas de curto prazo e mais dívidas de longo prazo;
          • Política financeira de curto prazo restritiva: significa uma alta proporção de dívidas de curto prazo em relação ao financiamento de longo prazo.

        Políticas financeiras flexíveis de curto prazo envolvem:

        • saldos de caixa e títulos negociáveis;
        • investimentos elevados em estoques; e
        • concessão de crédito em condições liberais, resultando em um nível elevado de contas a receber.

        Políticas financeiras restritivas de curto prazo incluem:

        • manutenção de saldos reduzidos de caixa e nenhum investimento em títulos negociáveis;
        • pequenos investimentos em estoques; e
        • a não realização de vendas a prazo, ou seja, nenhum investimento em contas a receber.

        Empréstimos:

        • Empréstimos de capital de giro com garantia de recebíveis: recebíveis são títulos de crédito emitidos pelo vendedor (como duplicatas e letras de câmbio) ou emitidos por adquirentes de bens e serviços em favor do vendedor (como cheques e notas promissórias);
        • Empréstimos de capital de giro sem garantia de recebíveis: as empresas precisam de capital de giro para atender suas necessidades antes mesmo de serem realizadas vendas. Se não houver vendas, não haverá recebíveis de vendas. Nesse sentido, os bancos oferecem empréstimos de curto e curtíssimo prazo não vinculados a vendas. Dessa forma, garantias reais são exigidas como hipoteca e penhor, ou pessoais, como aval e fiança.

        Custos das políticas financeiras a curto prazo:

        • Custo de carregamento: são os custos que crescem com o nível de investimento em ativos circulantes;
        • Custo de falta: custos que são reduzidos com acréscimos do nível de investimentos em ativo circulante, tais como:
          • custos de negociação ou pedido, que são os custos de obtenção de mais caixa ou estoque;
          • custos relacionados a reservas de segurança, os quais são relacionados às vendas perdidas, insatisfação de clientes e interrupção da produção.

        Ciclo de conversão de caixa

        Esse ciclo demarca a gestão dos ativos e passivos circulantes. As principais preocupações nas finanças empresariais de curto prazo são as atividades operacionais e financeiras.

        • Ciclo operacional: o ciclo operacional de uma empresa é o prazo do início do processo de produção até o recebimento de caixa resultante da venda do produto acabado. Esse ciclo envolve duas categorias básicas de ativos de curto prazo: estoques e contas a receber.

        Ciclo operacional = Prazo médio de estocagem + Prazo médio de recebimento

        • Ciclo financeiro: o Ciclo Financeiro (CF) de uma empresa é o número de dias decorridos até o recebimento do dinheiro pela venda, medido desde o momento em que se pagou pelos estoques. Ele inicia-se com o pagamento da matéria-prima aos fornecedores e termina com o recebimento das vendas pelos clientes.

        Ciclo Financeiro = Ciclo operacional - Prazo médio de pagamento

        Gestão do crédito e do caixa

        O objetivo da administração de contas a receber consiste em dispor de contas com a maior rapidez possível.

        • Seleção e padrões de crédito: a seleção de crédito envolve a aplicação de técnicas para determinar os clientes que merecem receber crédito.
        • Score de crédito: a atribuição de scores de crédito é um método de seleção utilizado quando há muitos pedidos de crédito de pequeno volume. Os scores de crédito se baseiam em pesos, obtidos estatisticamente para características financeiras e creditícias importantes, visando a prever se o cliente pagará o crédito solicitado em dia.
        • Monitoramento de crédito: trata-se da revisão contínua das contas a receber para verificar se os clientes estão pagando de acordo com os prazos de créditos estabelecidos.
        • Prazo médio de recebimento: o prazo médio de recebimento é o número médio de dias pelos quais as vendas a prazo permanecem a receber pela empresa.
        • Float: refere-se aos fundos enviados pelo pagante, mas ainda não disponíveis para quem recebe o pagamento:
          • Float de correspondência ou prazo de envio: é o tempo que transcorre entre o momento no qual o pagamento é colocado no correio e o momento em que é recebido.
          • Float de processamento ou prazo de processamento: é o tempo entre o recebimento do pagamento e seu depósito na conta da empresa;
          • Float de compensação ou prazo de disponibilidade: é o tempo entre o depósito do pagamento e a disponibilidade de fundos à empresa.
        • Custo do floato custo básico do float de uma empresa é o custo de oportunidade de não conseguir usar o caixa.

        Motivos para manter saldo em caixa

        De acordo com o economista John Maynard Keynes, há três motivos para manter liquidez na forma de caixa:

        • Motivo especulação: necessidade de se manter saldo em caixa para aproveitar possíveis oportunidades, como compras com desconto, taxas de juros atraentes, flutuações do câmbio;
        • Motivo precaução: necessidade de se manter saldo em caixa como reserva financeira, para segurança; e
        • Motivo transação: necessidade de se manter saldo em caixa para honrar os compromissos, pagar as contas etc.

        Nota: A empresa possui um custo de oportunidade ao deixar caixa além do mínimo necessário.

        É importante considerar que:

        • O caixa ocioso pode ser aplicado a títulos negociáveis, que rendem juros, e podem ser facilmente realizados;
        • A concentração de caixa é o processo usado pela empresa para reunir o sistema de caixas postais e outros depósitos em um único banco, geralmente chamado de banco de concentração.
        • O prazo médio de recebimento é o número médio de dias pelos quais as vendas a prazo permanecem a receber pela empresa. O principal fator determinante do prazo de recebimento é a política de crédito.

        Análise da política de crédito:

        • Efeitos sobre a receita: se a empresa conceder crédito:
          • os fluxos de caixa da receita sofrerão um adiamento, pois alguns clientes aproveitam e pagam mais tarde; ou
          • talvez a empresa possa cobrar um preço mais alto e ainda aumentar a quantidade vendida, de modo que a receita total aumenta.
        • Efeitos do custo: se a empresa conceder crédito, os fluxos de caixa de suas receitas poderão apresentar uma certa demora, mas os seus custos com vendas não terão seus prazos alterados.
        • Custo dos empréstimos: se a empresa conceder crédito, ela precisa ter recursos para financiar as contas a receber. Dessa forma, o custo dos empréstimos de curto prazo para a empresa deve ser um fator a ser considerado.
        • Probabilidade de não pagamento: se a empresa conceder crédito, há a possibilidade de que uma porcentagem dos compradores a prazo não o pague. Caso a empresa venda somente à vista, isso não ocorre.
        • Desconto financeiro: ao oferecer um desconto, alguns clientes escolhem antecipar o pagamento e usufruir do desconto, o que reduz a receita de vendas parcialmente.

        Tomando emprestado no curto prazo

        Basicamente, as empresas obtêm empréstimos de curto prazo e sem garantias por meio de duas fontes: bancos e emissão de notas promissórias comerciais. Ao contrário das fontes espontâneas de financiamento não garantidas de curto prazo, os empréstimos bancários e as notas promissórias comerciais são fontes negociadas e resultam de iniciativas do administrador financeiro. Além disso, os empréstimos bancários são mais comuns, pois estão disponíveis para empresas de todos os tamanhos. Já as notas promissórias comerciais costumam estar disponíveis para as grandes empresas.

        Cobertura de Juros

        O índice de cobertura de juros indica a capacidade de pagamento de juros por parte de uma companhia. O cálculo deste índice se dá da seguinte forma:

         

         

        6 Estrutura de Capital e Política de Dividendos

        Lucro por Ação (LPA)

        Representa o lucro obtido por ação ordinária no período, isto é, quanto cada ação rendeu de lucro a seu detentor. Sua fórmula é a seguinte:

        Sobre dividendos

        • Os dividendos são a parcela do lucro da empresa que serão distribuídos aos acionistas no exercício social após o anúncio do balanço. Sua frequência de distribuição é variada, podendo ser mensal, ou trimestral, ou semestral, ou, às vezes, anual. O importante é que conste no estatuto da empresa as datas exatas em que serão realizados os pagamentos.
        • valor do dividendo a ser distribuído tem que ser dividido pelo número de ações emitidas pela empresa na bolsa, assim, ficará garantida a proporcionalidade na distribuição. Até o momento, a recepção de dividendos não é tributada na fonte.
        • dividendo em caixa é o tipo mais comum de dividendos que é feito pelo pagamento em dinheiro aos acionistas. O dividendo pago em ações é chamado de bonificações:
          • a bonificação aumenta o número de ações existente, reduzindo, assim, o valor de cada ação;
          • é expressa em porcentagem: por exemplo, em uma bonificação de 1%, um acionista recebe uma nova ação para cada 100 ações que ele possua atualmente;
          • as bonificações geram uma incorporação de reserva aos seus acionistas e geralmente são realizadas pelas empresas quando há necessidade de distribuição de resultados da empresa aos seus acionistas.

        Estrutura de capital e política de dividendos

        • Proposição I de Modigliani e Miller: o valor da empresa alavancada é igual ao da empresa não alavancada.
          • Para Modigliani e Miller (1963), no teorema da irrelevância, a política de dividendos é irrelevante quando são satisfeitas certas condições. Entretanto, alguns grupos podem preferir mais ou menos dividendos de acordo com a faixa de imposto que encontram.
          • A alteração na política de dividendos não afeta o valor de uma ação, desde que todo fluxo de caixa passível de distribuição seja distribuído.
        • Proposição II de Modigliani e Miller: o retorno esperado para os investidores ou acionistas está positivamente relacionado ao grau de endividamento.
          • O risco cresce com o endividamento, ou seja, o custo do capital próprio é uma função linear do nível de endividamento da empresa.
        • Teoria da sinalização: a empresa envia sinais positivos para o mercado quando aumenta a distribuição de dividendos, proporcionando uma expectativa de crescimento nos fluxos de caixa, o que causa uma valorização no preço da ação e reduz o custo de capital.
          • Mas pode ocorrer o contrário quando a empresa sinaliza que o aumento de distribuição está relacionado a poucas oportunidades de investimentos rentáveis.
        • Teoria residual dos dividendos: a decisão de pagamento ou não de dividendos depende da relação entre as necessidades de capital próprio para financiar o crescimento da empresa e os lucros retidos.
          • Os dividendos são vistos como resíduo, e a política de dividendos como residual em relação às decisões sobre investimentos. Devem ser distribuídos apenas os lucros que excedam o montante necessário para financiar as oportunidades de investimento aceitáveis.

        Custo de falência

        Se a dificuldade para efetuar o pagamento for extrema, a empresa correrá o risco de falência, em que a propriedade dos ativos da empresa é transferida dos acionistas para os credores. Os custos de falência (ou os custos de dificuldades financeiras, nome mais amplo) tendem a anular as vantagens da dívida. Esses custos são os seguintes:

        • Custos legais/administrativos: custos com advogados, custos contábeis, administrativos e peritos (em caso de ação judicial);
        • Custos indiretos: capacidade reduzida (a recuperação judicial dificulta negócios com clientes e fornecedores);
        • Custo de agência: conflitos entre acionistas e credores podem existir, principalmente quando uma empresa possui dívida, de forma que eles geram custos de agência à empresa.

        Tópicos importantes

        • Os juros sobre o capital próprio consideram as reservas de lucros, isto é, os resultados de exercícios anteriores que foram seguros na empresa e, portanto, não usam como base os resultados do período. Ademais:
          • o pagamento dos juros sobre o capital próprio representa algumas vantagens para as empresas, pois esse valor é descontado sob a forma de despesa financeira;
          • sobre os juros sobre o capital próprio incide uma tributação de 15%, que é inferior ao que seria cobrado caso o montante tivesse caído na conta lucro e fosse tributado via imposto de renda.
        • desdobramento, em contraparte, é a simples divisão de uma ação em outras menores, cuja soma resulta no mesmo valor. Quando uma ação tem um valor muito alto, a sua negociação no mercado se torna mais complicada, de forma que o desdobramento é realizado.
        • subscrição representa um aumento de capital da empresa que é realizado via lançamento, emissão e venda de novas ações. Considere alguns fatos sobre a subscrição:
          • a subscrição é um direito, não uma obrigação;
          • os acionistas atuais recebem, de forma proporcional, uma quantidade de direitos de subscrições proporcionais à quantidade possuída por cada um;
          • no caso em que todos os acionistas exercem o direito de subscrição, as proporções societárias mantêm-se inalteradas;
          • contudo, caso o acionista não deseje aportar mais recursos na empresa (o que significa que provocará uma redução de sua participação no capital social desta), após o processo, ele terá uma fatia menor da empresa.
        • desdobramento (ou split) é um método pelo qual a empresa aumenta a quantidade de ações em circulação, sempre de forma proporcional, não alterando o seu capital social. É importante considerar que:
          • a intenção do split é provocar uma maior liquidez dos papéis, então seu objetivo é aumentar a quantidade de ações em circulação, o que leva a uma redução no preço das ações no mercado;
          • quando uma empresa anuncia um desdobramento (split), ela aumenta o número de ações existentes, e o preço da ação deve cair na mesma proporção;
          • por exemplo, se uma ação vale $ 180, porém teve um desdobramento de 3 por 1, o preço da ação deve cair para $ 60. Por conseguinte, a quantidade de ações em posse do acionista aumenta de uma para três.
        • grupamento (ou inplit) é o inverso da situação anterior, pois, através desse mecanismo, a empresa reduz a quantidade de ações em circulação. O objetivo é ajustar o valor das ações que podem estar em patamar muito baixo. Nesse contexto, o inplit pode ser realizado pelo agrupamento de lotes de 1.000 ações, ou outra quantidade qualquer, em uma única ação.
        • Recompra dirigida: quando a recompra de ações é dirigida a um acionista ou grupo de acionistas específicos.
        • Recompra como investimento: nesse caso, as empresas recompram suas ações no mercado quando acreditam que o seu preço está muito baixo.

        Prós e contras do pagamento de dividendos

        Prós:

        • dividendos em dinheiro podem sublinhar bons resultados e reforçar o preço da ação;
        • dividendos podem atrair investidores institucionais que prefiram receber algum rendimento;
        • o preço da ação geralmente aumenta com o anúncio de um dividendo inicial ou maior; e
        • dividendos absorvem fluxo de caixa excedente e podem reduzir custos de agência resultantes de conflitos entre administradores e acionistas.

        Contras:

        • dividendos são tributados como rendimento ordinário;
        • dividendos podem reduzir a capacidade de financiamento interno; e
        • uma vez iniciados os dividendos, é difícil reduzi-los sem afetar desfavoravelmente o preço da ação da empresa.

         

        7 Fusões e Aquisições

        Formas básicas de aquisição

        Há formas básicas de aquisições:

        • Incorporação: é a absorção de uma empresa por outra. A empresa que procede a absorção preserva seu nome e identidade; adquire, além disso, os ativos e passivos da empresa absorvida.
        • Fusão: é similar a uma incorporação, exceto pelo fato de que cria uma empresa totalmente nova.
        • Aquisição de ações: outra forma de adquirir uma empresa ocorre através da compra de suas ações com direito a voto, com pagamento em dinheiro, ações ou títulos. Isso pode ser feito por uma oferta geral de compra, que é uma oferta pública de compra de ações. Nesse contexto, a aquisição pode ser feita em sua totalidade ou parcialmente.
        • Aquisição de ativos: uma empresa pode adquirir outra através da compra de todos os seus ativos. Exige-se, nesse caso, a aprovação formal dos acionistas da empresa vendedora. Com esse método, evita-se o problema associado a acionistas resistentes, comum no método de aquisição de ações.

        Estratégias para o comprador

        As estratégias de compra são divididas em estratégia agressiva ou negociada e estratégia condicional ou incondicional.

        • Timing: em fusões e aquisições, existe uma variável muito importante no desempenho da transação e no valor acordado. Trata-se do momento em que esse acordo é fechado, uma vez que o preço pago pode afetar diretamente o retorno futuro do acionista da empresa adquirente. Esse fator é denominado timing.
        • Comitê de investimentos: tem por objetivo assessorar, em caráter consultivo, a Diretoria Executiva nas decisões relacionadas à gestão dos ativos do plano administrado pela entidade, observadas a segurança, rentabilidade, solvência e liquidez dos investimentos a serem realizados, de acordo com a legislação vigente e a Política de Investimentos da entidade.

        Estratégias defensivas

        • Proativas: conhecidas também como preventivas ou pré-proposta, são utilizadas antes de uma proposta ser recebida pela empresa-alvo;
        • Reativas: conhecidas também como ativas ou pós-proposta, são utilizadas pela empresa-alvo após a recepção de uma oferta não solicitada ou quando se prevê que seja alvo de uma proposta de takeover.

        Estratégias proativas

        • Estatuto (shark repellents): no estatuto são estabelecidas normas referentes à constituição e gestão da empresa. Também estipula as condições de um takeover. Dessa forma, é possível inserir emendas para dificultar aquisições, como, por exemplo, a necessidade de aprovação de 3/4 dos acionistas para uma fusão (geralmente são necessários 2/3).
        • Defesa Blowfish: o objetivo dessa estratégia defensiva é não incentivar a aquisição da empresa-alvo por parte da empresa adquirente, intimidando-a com recursos limitados a apresentar uma proposta. Por sua vez, a empresa-alvo adquire novos ativos com o propósito de forçar a empresa a crescer, aumentando, assim, o seu valor enquanto os ativos líquidos diminuem.
        • Pílula envenenada: envolve fazer com que as ações da companhia sejam desinteressantes para outros investidores. Geralmente essa estratégia permite a criação de títulos de direitos especiais, que permite que o detentor desses direitos possa comprar ações a um preço baixo, aguardando uma proposta takeover.

        Estratégias reativas

        • Acordos de recompra e limitação: outra forma de tentar retardar ou eliminar um takeover é direcionar uma recompra de ações de um comprador em potencial com um prêmio elevado. Os administradores também podem negociar acordos de limitações, que são contratos que condicionam o comprador a limitar sua participação acionária em outra organização.
        • Auto-ofertas de compra excludentes: é o oposto da recompra direcionada. Nesse caso, é realizada uma oferta pública de certa quantidade de ações, excluindo os acionistas visados. Frequentemente, a oferta é oferecida com um preço bem acima do valor de mercado, de forma que é transferida a riqueza dos acionistas visados aos demais acionistas.
        • Fechamento de capital e Leveraged Buyouts (LBOs): fechamento de capital é quando um grupo de investidores adquirem ações públicas de uma companhia com ações negociadas na bolsa de valores. Um mecanismo que pode ser utilizado para adquirir essas ações é o Leveraged Buyouts (LBO). LBO é quando o preço da oferta em dinheiro é financiado com grande volume de capital de terceiros.
        • Joias da coroa ou terra arrasada: nesse caso, as empresas geralmente vendem ativos importantes quando ameaçadas de takeover.

        Formas de aquisição

        Sinergia

        É chamado de sinergia produzida pela aquisição o valor final de mercado de uma combinação (VAB) subtraído pela soma do valor de uma empresa VA ao valor da empresa VB. É representado como:

        Formas de sinergia:

        • Aumento das receitas: o aumento da receita pode ocorrer através de ganhos de marketing, benefícios estratégicos ou poder de mercado;
        • Redução de custos: é possível ganhar maior eficiência operacional com uma aquisição ou fusão, que pode ser economia de escala, economias de integração vertical, recursos complementares e eliminação de administração ineficiente;
        • Ganhos fiscais: com possibilidade de uso de prejuízos operacionais líquidos para fins fiscais, uso de capacidade ociosa de endividamento e de fundos excedentes;
        • Custo de capital: o custo de capital pode ser frequentemente reduzido, pois os custos de emissão de títulos estão sujeitos à economia de escala; e
        • Diversificação: eliminação do risco não sistemático.

        Formas de aquisição

        Takeover é um termo que se refere à transferência de controle de uma empresa de um grupo de acionistas a outra. Os takeovers podem acontecer por meio de aquisições, disputas por procurações e operações de fechamento de capital. Já as tomadas de controle podem ocorrer por aquisições, disputas por procurações e fechamento de capital. Portanto, as tomadas de controle abrangem um conjunto mais amplo de atividades que as aquisições.

        • Aquisição autorizada: as fusões são geralmente iniciadas pela empresa adquirente, e não pela adquirida. Desse modo, a adquirente precisa decidir sobre questões que envolvem comprar outra empresa, selecionar as táticas para efetuar a aquisição, determinar o preço mais alto que está disposta a pagar, definir um preço inicial de lance e fazer contato com a empresa-alvo. É vista como uma aquisição amigável.
        • Creeping takeover: nem todas as aquisições são amigáveis. Nesse contexto, a administração da empresa-alvo pode resistir à fusão, caso em que a adquirente precisa decidir se deverá buscar a fusão e, em caso afirmativo, quais táticas serão utilizadas.
        • Eliminando direitos minoritários: uma empresa de capital aberto fecha o capital quando um grupo privado compra as ações da empresa que estão em circulação no mercado. Como consequência, as ações dessa empresa saem do mercado, de forma que não são mais negociadas. Desse modo, em transações de fechamento de capital, os acionistas de empresas com capital aberto são forçados a aceitar dinheiro por suas ações.

        No Brasil, no caso de certos tipos de aquisição, o proponente deve fazer uma Oferta Pública de Aquisição (OPA), em que manifesta o seu compromisso de adquirir uma quantidade específica de ações a um preço e prazo determinados, respeitando algumas condições. As transações de fechamento de capital são frequentemente aquisições alavancadas (Leveraged Buyout, ou LBOs, na sigla em inglês).

        Tanto as OPAs obrigatórias quanto as voluntárias devem observar as normas estabelecidas na Instrução CVM nº 361/02. Essa Instrução distingue as seguintes modalidades de ofertas públicas de aquisição no Brasil:

        1. OPA para cancelamento de registro: é a OPA obrigatória, realizada como condição do cancelamento do registro para negociação de ações nos mercados regulamentados de valores mobiliários;
        2. OPA por aumento de participação: é a OPA obrigatória, realizada em consequência do aumento da participação do acionista controlador no capital social de companhia aberta;
        3. OPA por alienação de controle: é a OPA obrigatória, realizada como condição de eficácia de negócio jurídico de alienação de controle de companhia aberta;
        4. OPA voluntária: é a OPA que visa à aquisição de ações de emissão de companhia aberta que não se deva realizar segundo os procedimentos específicos estabelecidos para qualquer OPA obrigatória;
        5. OPA para aquisição de controle de companhia aberta: é a OPA voluntária de que trata o art. 257 da Lei nº 6.404/76; e
        6. OPA concorrente: é a OPA formulada por um terceiro, que não o ofertante ou pessoa a ele vinculada, a qual tenha por objeto ações abrangidas por OPA já apresentada para registro perante a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ou por OPA não sujeita a registro cujo edital já tenha sido publicado (CVM, 2002).

        Figura - Variedades de tomadas de controle.

        Fonte: Retirada de Ross et al., 2015, p. 1064.

         

        8 Finanças Corporativas Internacionais

        Avaliação de projetos estrangeiros

        Considere uma empresa brasileira que é proprietária da empresa A, que tem sede nos Estados Unidos. Essa empresa A pode realizar seus investimentos pela subsidiária no exterior. As exportações de brocas da empresa A aumentaram de tal modo que a controladora brasileira está pensando em construir um centro de distribuição na França. Esse projeto custará cerca de € 2 milhões, e os fluxos de caixa devem ser de € 0,9 milhão por ano para os próximos três anos.

        A taxa de câmbio à vista atual para o euro é de € 0,5 (euros por dólar), de forma que um euro vale US$ 1/0,5 = US$ 2. A taxa sem risco nos EUA é de 5%, e a taxa sem risco na zona do euro é de 7%. Essas são as taxas de juros observadas nos mercados financeiros. Além disso, o retorno exigido (CMPC) pela empresa A é de 10% sobre esse investimento. A empresa A deve realizar esse investimento? Para responder a essa pergunta, devemos calcular o Valor Presente Líquido (VPL). Esse cálculo pode ser feito de duas formas:

         

        Método 1 - Abordagem da moeda doméstica do país da investidora

        Basta converter todos os fluxos de caixa em euros para dólares e depois descontar 10% para encontrar o VPL em dólares. No caso dessa abordagem é importante sugerir taxas de câmbio futuras para converter para dólares os fluxos de caixa projetados em euro. É preciso levar em consideração primeiramente a relação da Paridade de Juros Descoberta (PJD) e encontrar a taxa de câmbio esperada no momento t. Desse modo, teremos a seguinte fórmula:

        Em que:

        • E(St) representa a taxa nominal sem risco na zona do euro;
        • =7%;
        • Rus=5%; e
        • S0 é a taxa de câmbio atual, que é igual a € 0,5.

        Assim:

         

        As taxas de câmbio projetadas para o projeto do centro de distribuição de brocas são:

        Tabela - Taxas de câmbio.

        Fonte: Elaborada pelo autor.

        E assim sucessivamente. Utilizando essas taxas de câmbio em conjunto com a taxa de câmbio atual é possível converter para dólares todos os fluxos de caixa em euro:

        Tabela - Conversão para dólares.

        Fonte: Elaborada pelo autor.

        Por fim, basta calcularmos o VPL:

         

        O projeto parece ser bastante lucrativo.

        Método 2 - Abordagem da moeda estrangeira do país onde será realizado o investimento

        O primeiro passo é determinar o retorno exigido sobre o investimento em euros e, em seguida, descontar os fluxos de caixa em euros, encontrando, assim, o VPL em euros. Após isso, deve-se converter esse VPL em euros para o VPL em dólares. É preciso que se converta de alguma forma o retorno de 10% exigido em dólares no retorno equivalente a ser exigido em euros.

        A taxa de retorno nominal exigida é igual a 10% sobre o fluxo de capitais em dólares. Dessa forma, é importante que se converta esse fluxo em uma taxa adequada aos fluxos expressos em euros. Considerando o efeito Fisher internacional, sabemos que a diferença nas taxas nominais para o caso é igual à taxa de juros da zona do euro menos a taxa de juros dos EUA (7%-5%=2%). Dessa forma, a taxa apropriada de desconto é o composto dos 10% e dos 2% extras para compensar a taxa de inflação maior do euro (1+10%)*(1+2%) - 1 = 12,2%. O cálculo do VPL será:

         

        Assim, o VPL do projeto em euros é igual a 0,15 milhão, convertendo a taxa de câmbio de 0,5, temos que o VPL em dólares será igual a 0,3 milhões (o mesmo valor do método 1). Na verdade, os dois VPLs sempre serão iguais, porém, no método 2, estamos calculando implicitamente a taxa de câmbio futura.

        Orçamento de capital internacional para a empresa multinacional

        Análise de risco político

        O risco político se refere às variações no valor que surgem como consequência de ações políticas, não se restringindo apenas a empresas com atuação internacional. Consideram-se leis, regulamentos fiscais, benefícios temporários que beneficiem determinadas empresas, políticas de governo etc. Desse modo, alguns países possuem risco maior do que outros. Algumas medidas podem mitigar o risco político, como:

        • diversificação;
        • análise e monitoramento; e
        • estratégias de entrada e de saída.

        Gestão de risco do capital estrangeiro

        A gestão de risco do capital estrangeiro deve considerar especialmente o risco do tipo sistemático, visto que as variáveis macroeconômicas do país em questão são fundamentais para a tomada de decisões. É importante que se estruture uma operação de gestão que traga envolvimento significativo da empresa controladora para o seu funcionamento, minimizando os eventuais impactos dos possíveis riscos políticos.

        Project Finance e gestão de ativos

        Project Finance é uma forma de estruturação financeira em que o fluxo de caixa futuro do projeto será a fonte de recursos majoritária (ou mesmo exclusiva) para o pagamento do financiamento.

        • Títulos com garantia real: são aqueles garantidos por bens móveis, ou imóveis, ou direitos sobre frutos e rendimentos de bens imóveis.
        • Leasingtambém conhecido como arrendamento mercantil, trata-se de uma operação na qual o cliente pode fazer o uso de um bem sem necessariamente tê-lo comprado. No final do contrato, é possível que o cliente possa adquirir definitivamente o bem arrendado mediante o pagamento de um valor residual definido no contrato.
        • Avaliação do projeto: a análise de um projeto se inicia a partir da avaliação dos fluxos de caixa e das estimativas do Valor Presente Líquido (VPL), a qual pode ser enganosa (risco de previsão). Também é importante considerar a análise de possíveis cenários e de sensibilidade, que é uma ferramenta útil para identificar quais variáveis são cruciais para o sucesso de um projeto e em quais pontos os problemas de previsão podem causar os maiores danos.

         

        9 Demonstrações Contábeis (Financial Statements)

        Demonstrações contábeis

        As demonstrações contábeis são uma representação estruturada da posição patrimonial, seja da posição financeira da situação do saldo financeiro, seja do desempenho da entidade em determinada data.

        O objetivo das demonstrações contábeis é apresentar resultados dos deveres e responsabilidades da entidade e gerar informação a respeito da posição patrimonial e financeira, do desempenho e dos fluxos de caixa da entidade de forma útil para os usuários na tomada de decisões econômicas.

        O conjunto completo de demonstrações contábeis inclui demonstrações:

        • do resultado do exercício, do resultado abrangente do exercício, das mutações do patrimônio líquido do período;
        • do valor adicionado do período e dos fluxos de caixa do período;
        • inclui, além disso, o balanço patrimonial do início e do final do período, notas explicativas e informações comparativas com o período anterior.

        Algumas informações devem ser divulgadas de forma destacada/repetida sempre que necessário para a devida compreensão das informações:

        • o nome da entidade e/ou possíveis alterações na nomenclatura;
        • se pertence a um grupo ou entidade individual;
        • a moeda de apresentação;
        • o nível de arredondamento usado nas demonstrações e data de encerramento do período coberto, ou de reporte, ou notas explicativas.

        A demonstração do resultado e demonstração do resultado abrangente devem apresentar:

        • total do resultado (do exercício);
        • total de outros resultados abrangentes;
        • resultado abrangente do período, sendo o total do resultado e de outros resultados abrangentes.

        9.2 Balanço patrimonial

        Destina-se a evidenciar a posição patrimonial e financeira da empresa. Essa demonstração classifica os dados entre ativos (direitos) e passivos (obrigações), além de apresentar o patrimônio líquido. A ordenação dos dados segue uma regra de liquidez.

        Tabela - Ativos e passivos.

        ATIVO (bens e direitos)

        PASSIVO (obrigações)

        Ativo circulante: bens e direitos que podem ser convertidos em dinheiro no curto prazo (12 meses).

        Passivo circulante: obrigações que devem ser pagas no curto prazo (até 12 meses).

        Ativo não circulante: bens e direitos que só podem ser convertidos em dinheiro no longo prazo (acima de 12 meses).

        Passivo não circulante: obrigações que podem ser pagas no longo prazo (mais de 12 meses).

        PATRIMÔNIO LÍQUIDO: valor que os sócios ou acionistas têm na empresa.

        Fonte: Elaborada pelo autor.

        A estrutura típica de um BP é a seguinte:

        Tabela - Balanço Patrimonial (BP).

        Balanço Patrimonial

        Nome da Empresa

        Para período iniciando em XX/XX/XXX até yy/yy/yyyy

        ATIVOS

        PASSIVOS

        Dinheiro

        Notas promissórias

        Recebíveis contábeis líquidos

        Débitos contábeis

        Inventário

        Despesas acumuladas

        Total de ativos correntes

        Dívidas de curto prazo

        Imobilizado bruto

        Total de passivo circulante

        Menos depreciação acumulada

        Dívidas de longo prazo

        Imobilizado líquido

        Total de passivos

        Total de ativos

        Ações preferencias

        Â

        Ações ordinárias

        Â

        Lucros acumulados

        Â

        Total de passivos e patrimônio líquido

        Fonte: Elaborada pelo autor.

        Em que:

        Ativos = Passivo + Patrimônio Líquido

        Demonstração do Resultado do Exercício (DRE)

        A demonstração do resultado do exercício (período) deve, no mínimo, incluir as seguintes rubricas, obedecidas também as determinações legais:

        • Lucro bruto e receitas: ganhos e perdas decorrentes de baixa de ativos financeiros mensurados pelo custo amortizado;
        • Custos de financiamento e dos produtos, das mercadorias e dos serviços vendidos;
        • Despesas com vendas, gerais, administrativas e outras despesas e receitas operacionais;
        • Parcela dos resultados de empresas investidas reconhecida por meio do método da equivalência patrimonial;
        • Resultado líquido de operações descontinuadas, líquido do período, resultado antes das receitas e despesas financeiras e resultado antes dos tributos sobre o lucro;
        • Tributos sobre o lucro;
        • Resultado líquido do período.

        A entidade deve apresentar todos os itens de receita e despesa reconhecidos no período em uma das seguintes formas:

        • Demonstração do resultado abrangente; ou
        • Em duas demonstrações: uma demonstração do resultado e outra começando pelo lucro ou prejuízo seguido dos componentes do resultado abrangente.

        É importante mencionar que:

        • A demonstração do resultado abrangente única inclui:
          • resultados de receitas;
          • de despesas;
          • resultado do período;
          • itens de outros resultados abrangentes e resultado abrangente total.
        • Quando há duas demonstrações, temos a demonstração do resultado, que inclui receita, despesas, resultado do período, e a demonstração do resultado abrangente, que inclui o resultado do período, itens de outros resultados abrangentes e o resultado abrangente total.

        Apresentação de despesas

        A apresentação das despesas de uma firma pode ser feita de duas formas distintas:

        • com base no método da natureza das despesas; e
        • com base no método da função das despesas.

        O método da natureza das despesas consiste em agregar as despesas na demonstração do resultado de acordo com a sua natureza, tais como despesas com transporte, consumo de matérias-primas e materiais, resultados antes dos tributos, receitas, despesas com benefícios a empregados, total de despesas.

        O método da função das despesas consiste em classificar as despesas de acordo com a sua função, como, por exemplo, parte do custo dos produtos ou serviços vendidos, despesas de distribuição ou das atividades administrativas, lucro bruto, custos de produtos e serviços vendidos.

        Demonstração de resultados - formato de apresentação típica

        Em uma demonstração de resultados, tipicamente há os seguintes lançamentos:

        • (+) Faturamento da empresa.
        • Receita bruta, que inclui: (-) devoluções; (-) descontos concedidos; (-) impostos incidentes sobre a mercadoria (ISS, ICMS, PIS/COFINS).
        • Receita líquida, que abrange: (-) custo dos bens e/ou serviços vendidos (inclui frete e seguros sobre compras de insumos).
        • Lucro bruto, que trata das: (-) despesas com vendas; (-) despesas gerais administrativa; (-) pesquisa e desenvolvimento; (-) outras despesas operacionais; e (+) outras receitas operacionais.
        • Lucro operacional, que inclui: (-) resultado de equivalência patrimonial; (-) resultado não operacional.
        • Lucro Antes dos Juros e dos Impostos (EBIT ou LAJIR), que abrange: (-) despesas financeiras; e (+) receitas financeiras.
        • Lucro Antes dos Impostos sobre o Lucro (LAIR), que trata de (-) impostos.
        • E, por fim, o resultado do lucro líquido.

        Acompanhe a definição de alguns conceitos supracitados na demonstração de resultado:

        • Lucro bruto: é a receita líquida deduzida dos custos de produção. O conceito objetiva mostrar a lucratividade das operações da empresa, sem considerar ainda as despesas administrativas, comerciais e operacionais.
        • Lucro operacional: objetiva mostrar a capacidade de gerar riqueza em decorrência de suas características operacionais, independentemente de suas fontes de financiamento. Ressalta-se que o lucro operacional é um tipo de "Lucro antes de Impostos" e pode ser apresentado como LAIR, LAJIR e NOPLAT, como veremos adiante.
        • Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (LAJIDA ou EBITDA): o Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (LAJIDA) representa a geração operacional de caixa da companhia. Trata-se da receita menos os custos e as despesas, sem levar em consideração ainda a depreciação ou a amortização, o que o torna fortemente correlacionado com o fluxo de caixa livre da empresa.
        • Lucro Antes de Juros e Impostos (LAJIR ou EBIT): trata-se do lucro LAJIDA menos a depreciação e a amortização. É um tipo de "Lucro antes de Impostos", porém, não considera os juros pagos a terceiros (despesas e receitas financeiras).
        • Lucro Antes de Impostos (LAIR): é o lucro antes de Imposto de Renda e Contribuição Social.
        • Lucro líquido: trata-se do lucro operacional mais as receitas financeiras, menos:
          • despesas financeiras (saldo das receitas financeiras menos as despesas financeiras);
          • despesas não operacionais (que ocorrem raramente e não participam das atividades operacionais da empresa);
          • imposto de renda; e
          • contribuição social.

        9.3 Demonstração do Resultado Abrangente (DRA)

        Evidencia as receitas, despesas e outras mutações que afetam o patrimônio líquido e que, entretanto, não foram reconhecidas na Demonstração de Resultado do Exercício, de acordo com o CPC 26. Assim, a DRA se trata do resultado apresentado na DRE, mais as receitas e despesas que vão diretamente para o Patrimônio Líquido sem serem discriminadas na DRE, chamadas de outros resultados abrangentes.

        As demonstrações do resultado e de outros resultados abrangentes (demonstração do resultado abrangente) devem apresentar:

        • total do resultado (do exercício);
        • total de outros resultados abrangentes; e
        • resultado abrangente do período, que consiste no total do resultado e de outros resultados abrangentes.

        Os componentes dos outros resultados abrangentes podem ser apresentados:

        • líquidos dos seus respectivos efeitos tributários (já deduzidos os tributos); ou
        • antes dos seus respectivos efeitos tributários (antes de deduzir os tributos), de modo que o efeito tributário total relativo a esses componentes é apresentado em montante único.

        Tabela - Demonstração do resultado.

         

        Fonte: Elaborada pelo autor

         

        9.4 Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL)

        A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) é uma demonstração mais completa e abrangente, já que evidencia a movimentação de todas as contas do patrimônio líquido durante o exercício social, inclusive a formação e utilização das reservas não derivadas do lucro. A Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) pode ser incluída na DMPL.

        Alterações que afetam o total do patrimônio:

        • As contas que formam o Patrimônio Líquido (PL) podem sofrer variações por inúmeros motivos, tais como:
          • acréscimo pelo lucro ou redução pelo prejuízo líquido do exercício;
          • redução por dividendos;
          • acréscimo ou redução por ajuste de exercícios anteriores;
          • acréscimo pelo valor da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; e
          • redução por ações próprias adquiridas ou acréscimo por sua venda.
        • Para além, o patrimônio total pode ser alterado em casos de acréscimo por: reavaliação de ativos (quando o resultado for credor); por doações e subvenções para investimentos recebidos; por subscrição e integralização de capital; pelo recebimento de valor que exceda o valor nominal das ações integralizadas ou o preço de emissão das ações sem valor nominal; por prêmio recebido na emissão de debêntures.

        Variações que não afetam o total do patrimônio:

        • Dentre as variações que não afetam o total do patrimônio estão: apropriações do lucro líquido do exercício reduzindo a conta Lucros Acumulados para formação de reservas, como reserva legal, reserva de lucros a realizar, reservas para contingências e outras.
        • Outras variações que mantêm o capital inalterado são: aumento de capital com utilização de lucros e reservas, reversões de reservas patrimoniais para a conta de Lucros ou Prejuízos acumulados e compensação de Prejuízos com Reservas.
        • Lei nº 6.404/76 das Sociedades por Ações não define a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) como uma demonstração contábil obrigatória.

        Notas explicativas

        As notas explicativas têm por finalidade apresentar informações sobre os fundamentos da preparação das Demonstrações Financeiras (DF) e políticas contábeis específicas. As notas divulgam informações adicionais que não constam em qualquer outra peça das DF, mas que sejam relevantes à compreensão dessas demonstrações. Elas deverão:

        • Apresentar informações sobre a base de preparação das demonstrações financeiras e das práticas contábeis específicas, as quais são selecionadas e aplicadas para negócios e eventos significativos;
        • Divulgar as informações exigidas pelas práticas contábeis adotadas no Brasil que não estejam apresentadas em nenhuma outra parte das demonstrações financeiras;
        • Fornecer informações adicionais não indicadas nas próprias demonstrações financeiras e consideradas necessárias para uma apresentação adequada; e
        • Indicar os principais critérios de avaliação, os investimentos em outras sociedades, o aumento de valor de elementos do ativo, os ônus reais, a taxa de juros, as datas de vencimento e as garantias das obrigações a longo prazo, o número, espécies e classes das ações do capital social, as opções de compra de ações, os ajustes de exercícios anteriores e os eventos subsequentes à data de encerramento do exercício que tenham (ou possam vir a ter) efeito relevante sobre a situação financeira e os resultados futuros da companhia.

        O Pronunciamento Técnico CPC 26 dispõe que as notas explicativas devem:

        • apresentar informação acerca da base para a elaboração das demonstrações contábeis e das políticas contábeis específicas utilizadas;
        • divulgar a informação requerida pelos Pronunciamentos Técnicos, Orientações e Interpretações que não tenha sido apresentada nas demonstrações contábeis; e
        • prover informação adicional que não tenha sido apresentada nas demonstrações contábeis, mas que seja relevante para sua compreensão.

         

        9.5 Demonstração do Valor Adicionado

        Informe contábil que mostra os valores correspondentes à formação da riqueza gerada pela empresa em determinado exercício. Essa riqueza é calculada a partir da diferença entre o valor de sua produção e o dos bens e serviços produzidos por terceiros que foram utilizados no processo de produção da empresa.

        A utilização da demonstração do valor adicionado pode ser resumida a seguir:

        • Como índice de avaliação do desempenho na geração de riqueza, ao medir a eficiência da empresa na utilização dos fatores de produção, comparando o valor das saídas com o valor das entradas; e
        • Como índice de avaliação do desempenho social à medida que demonstra, na distribuição da riqueza gerada, a participação dos empregados, do governo, dos agentes financiadores ou dos acionistas.

        A DVA é obrigatória para empresas de capital aberto desde 2008. Sua estrutura típica é a seguinte:

        Tabela - DVA.

        (+) Receitas

        Receita de vendas (faturamento bruto)

        Provisão para crédito de liquidação duvidosa

        (-) Insumos adquiridos de terceiros

        Matéria-prima

        Materiais secundários

        (=) Valor Adicionado Bruto

        (-) Retenções

        Custo de depreciação

        Despesa de depreciação

        (=) Valor adicionado líquido produzido pela entidade

        (+) Valor adicionado recebido em transferência

        Resultado de equivalência patrimonial

        Receita financeira de juros

        (=) Valor adicionado total a distribuir

        (+) Receitas

        Receita de vendas (faturamento bruto)

        Provisão para crédito de liquidação duvidosa

        (-) Insumos adquiridos de terceiros

        Matéria-prima

        Materiais secundários

        (=) Valor adicionado bruto

        (-) Retenções

        Custo de depreciação

        Despesa de depreciação

        (=) Valor adicionado líquido produzido pela entidade

        (+) Valor adicionado recebido em transferência

        Resultado de equivalência patrimonial

        Receita financeira de juros

        (=) Valor adicionado total a distribuir

        Fonte: Elaborada pelo autor.

        Outras demonstrações

        • Demonstração de Origens e Aplicações de Recursos (DOAR): busca evidenciar as origens de recursos que ampliam a folga financeira de curto prazo (ou seja, o capital circulante líquido) e as aplicações de recursos que consomem essa folga. Não é obrigatória.
        • Demonstração dos Fluxo de Caixa (DFC): busca analisar as movimentações de disponibilidades em determinado período. É obrigatória e divide os fluxos de entrada e saída de caixa em grupos:
          • derivados das atividades operacionais;
          • derivados das atividades de investimento; e
          • derivados das atividades de financiamento.
        • Demonstrações comparativas: a análise de uma empresa é feita com vistas no futuro; é necessário, sendo assim, averiguar a evolução passada, e não apenas a situação em determinado momento. No caso de reclassificação de itens nas demonstrações contábeis, devem ser apresentados, no mínimo, três balanços patrimoniais relativos:
          • ao término do período corrente;
          • ao término do período anterior; e
          • ao início do mais antigo período comparativo apresentado, se afetado.
        • Demonstrações contábeis separadas: trata-se de um conjunto especial de demonstrações quando há investimentos em controladas. Não são obrigatórias.

         

        10 Elaboração de Relatórios (Financial Reporting Issues)

        10.1 Internacional Financial Reporting Standards (IFRS)

        A sigla inglesa IFRS significa Normas Internacionais de Informação Financeira. International Financial Reporting Standards (IFRS) são um conjunto de normas internacionais de contabilidade, emitidas e revisadas pelo International Accounting Standards Board (IASB) ou, em português, Conselho de Normas Internacionais de Contabilidade.

        As normas da IFRS objetivam uniformizar os procedimentos contábeis e as políticas existentes entre os países, melhorando a estrutura conceitual e proporcionando a mesma interpretação das demonstrações financeiras.

        Para que a análise dos relatórios financeiros sustente interpretações uniformes de seus usuários (os gestores, os investidores, os analistas e as instituições) é preciso que as características qualitativas (clareza, confiabilidade, relevância e equilíbrio entre custo e benefício na preparação das demonstrações financeiras) tenham os mesmos critérios.

        10.2 Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC)

        O Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) foi criado através da Resolução CFC nº 1.055/05 com o objetivo de emitir Pronunciamentos Técnicos visando à convergência da contabilidade brasileira aos padrões internacionais.

        CPC 15 - Combinação de Negócios

        A norma visa aprimorar a qualidade das informações financeiras em uma combinação de negócios, focando em como a adquirente deve reconhecer e mensurar:

        • Ativos adquiridos;
        • Passivos assumidos;
        • Participações de não controladores;
        • Ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill), ou ganho por compra vantajosa.

         O que é Combinação de Negócios?

        Uma combinação de negócios ocorre quando uma entidade obtém o controle de um conjunto de atividades e ativos que podem gerar retorno. Isso pode incluir aquisições de empresas ou fusões, por exemplo. A norma também define o conceito de controle, que significa a capacidade de influenciar os retornos de uma empresa adquirida.

        Método de Aquisição

        • A norma estabelece que todas as combinações de negócios devem ser contabilizadas pelo método de aquisição. Isso envolve:
        • Identificação da entidade adquirente (quem está comprando);
        • Determinação da data de aquisição (quando o controle é obtido);
        • Reconhecimento e mensuração dos ativos e passivos da adquirida, e do goodwill ou ganho por compra vantajosa.

        Goodwill e Ganho por Compra Vantajosa

        • Goodwill: Quando a adquirente paga mais pelo negócio do que o valor justo dos ativos líquidos adquiridos, gerando uma expectativa de rentabilidade futura.
        • Ganho por compra vantajosa: Ocorre quando a adquirente paga menos que o valor justo dos ativos líquidos, resultando em um "desconto" na compra.

        CPC 18 - Investimento em Coligada e Controlada

        O objetivo é estabelecer a contabilização de investimentos em coligadas e controladas, além de definir os requisitos para a aplicação do método da equivalência patrimonial no momento da contabilização de investimentos em coligadas, em controladas e em empreendimentos controlados em conjunto (joint ventures).

        Método de Equivalência Patrimonial (MEP):

        Esse é o método principal de contabilização no CPC 18 para investimentos em coligadas e controladas (para demonstrações individuais da controladora). O investimento é registrado inicialmente pelo seu custo de aquisição. A partir daí, o valor do investimento é ajustado com base na participação do investidor nos lucros ou prejuízos da investida.

        Etapas do MEP:

        1. Reconhecimento Inicial: O investimento é contabilizado pelo custo (o valor pago pelo investimento).
        2. Ajuste Contábil: O valor do investimento é ajustado conforme a participação do investidor no patrimônio da investida. Se a investida tem lucro, o valor do investimento aumenta; se há prejuízo, diminui.
        3. Distribuição de Dividendos: Dividendos pagos pela investida não afetam o resultado da investidora, mas reduzem o valor do investimento.

        Exemplos de aplicação:

        • Influência significativa: Se a investidora tem 25% das ações com direito a voto, ela pode nomear membros do conselho, participar das decisões estratégicas e influenciar a distribuição de dividendos. Isso caracteriza coligação.
        • Controle total: Se a investidora possui mais de 50% das ações com direito a voto, ela pode tomar decisões unilaterais sobre a gestão da controlada, caracterizando controle.

        CPC 22 - Informações por Segmento

        Esse Pronunciamento tem por objetivo estabelecer diretrizes para a elaboração e divulgação de informações separadas por segmentos.

        • Segmento operacional: é um componente de entidade:
          • que desenvolve atividades de negócio das quais pode obter receitas e incorrer em despesas (incluindo receitas e despesas relacionadas a transações com outros componentes da mesma entidade);
          • cujos resultados operacionais são regularmente revistos pelo principal gestor das operações da entidade para a tomada de decisões sobre recursos a serem alocados ao segmento e para a avaliação do seu desempenho; e
          • para o qual haja informação financeira individualizada disponível.

        As informações devem ser divulgadas conforme os diferentes segmentos operacionais que a empresa possa ter, para que o usuário das demonstrações possa saber a qual operação um determinado resultado ou acontecimento apresentado pode ser atribuído.

        • Informações geográficas: a entidade precisa evidenciar as informações geográficas, salvo se as informações necessárias não se encontrarem disponíveis e o custo da sua elaboração for excessivo.
        • Informações sobre os principais clientes: a entidade precisa fornecer informações sobre seu grau de dependência em relação a seus principais clientes. Se as receitas advindas das transações com um único cliente externo representarem 10% ou mais das receitas totais da entidade, esta deve divulgar tal fato, bem como o montante total das receitas provenientes de cada um desses clientes e a identidade do segmento ou dos segmentos em que as receitas são divulgadas.

        CPC 25 - Provisões, Passivos e Ativos Contingentes

        O CPC 25 tem por objetivo estabelecer critérios para o reconhecimento e divulgação de provisões, passivos e ativos contingentes.

        • Provisão: provisão passiva de ter seu valor estimado com confiabilidade e com chance maior que 50% de ocorrer e gerar saída de recursos (saída provável). Provisões são reconhecidas e contabilizadas.
        • Passivo contingente: tem existência condicionada a eventos futuros incertos e não controlados pela empresa (e/ou quando não existe confiabilidade na estimativa de valor). A saída de recursos não é provável, mas possível. Não são contabilizados, apenas divulgados em notas explicativas.
        • Ativo contingente: ativo que traz uma possibilidade de entrada futura de recursos, a depender da ocorrência ou não de eventos futuros que fogem ao controle da empresa. Não são contabilizados.

        Tratamento contábil:

        • Valor estimável e acontecimento provável - provisão - reconhecido e contabilizado;
        • Valor não estimável e acontecimento provável - contingência - nota explicativa;
        • Acontecimento possível - contingência - nota explicativa;
        • Acontecimento remoto - contingência - nada.

        CPC 26 - Apresentação das Demonstrações Contábeis (IAS 1)

        Apresenta regras para a divulgação de demonstrações para fins gerais, com o objetivo de garantir a comparabilidade entre diferentes entidades e diferentes períodos de uma mesma entidade. Entre essas regras, incluem-se as seguintes orientações:

        • As demonstrações contábeis devem ser identificadas claramente e distinguidas de outras informações e demonstrações divulgadas no mesmo documento;
        • As demonstrações contábeis devem ser apresentadas pelo menos anualmente e devem apresentar apropriadamente a posição patrimonial e financeira, o desempenho financeiro e os fluxos de caixa da entidade;
        • Um conjunto completo de demonstrações contábeis inclui:
          • patrimonial;
          • demonstração do resultado;
          • demonstração do resultado abrangente;
          • demonstração das mutações do patrimônio líquido;
          • demonstração dos fluxos de caixa;
          • demonstração do valor adicionado quando exigida legalmente; e
          • notas explicativas, compreendendo um resumo das políticas contábeis significativas e outras informações explanatórias.

        Será necessário que apareçam nas demonstrações, no mínimo, as seguintes informações:

        • ativos;
        • passivos;
        • patrimônio líquido;
        • receitas e despesas, incluindo ganhos e perdas;
        • contribuições dos sócios e distribuições a estes, na sua condição como tais;
        • fluxos de caixa; e
        • outras informações contidas nas notas explicativas.

        CPC 27 - Ativo Imobilizado

        Objetiva estabelecer o tratamento contábil para ativos imobilizados, de modo que os usuários das demonstrações contábeis possam discernir a informação sobre o investimento da entidade em seus ativos imobilizados, bem como suas mutações.

        O ativo imobilizado é reconhecido por seu custo. O custo de um item de ativo imobilizado deve ser reconhecido como ativo se, e apenas se:

        • for provável que futuros benefícios econômicos associados ao item fluirão para a entidade; e
        • o custo do item puder ser mensurado confiavelmente.

        Não são reconhecidos custos de manutenção como parte do ativo imobilizado, apenas como parte do resultado quando ocorrem. Peças e itens de substituição que atendam aos critérios citados devem ser reconhecidos como ativos imobilizados.

        A depreciação se refere ao reconhecimento do consumo de benefícios econômicos do ativo, devendo ser reconhecida como despesa no resultado. As diferentes formas de reconhecer a depreciação são:

        • Método linear: consiste na aplicação de taxas constantes durante o tempo de vida útil estimado para o ativo. É o método mais comum. Também denominado de método das quotas constantes.
        • Método da soma dos algarismos dos anos: consiste em estipular taxas variáveis crescentes ou decrescentes durante o tempo de vida útil do ativo. Para tanto, utiliza-se o seguinte critério: somam-se os algarismos dos anos que formam o tempo de vida útil do ativo, obtendo-se, assim, o denominador da fração, que determinará a taxa de depreciação de cada ano.
        • Método das unidades produzidas: o uso desse método resulta em despesa baseada no uso ou produção esperados. Consiste em estipular a taxa de depreciação tomando-se como base o número de unidades produzidas em cada período. Para tanto, utiliza-se o seguinte critério: estima-se a quantidade de unidades que o ativo produzirá durante o seu tempo de vida útil. A taxa de depreciação do período será calculada proporcionalmente à quantidade de unidades produzidas nesse respectivo período.
        • Método das horas de trabalho: consiste em estipular a taxa de depreciação tomando-se como base o número de horas trabalhadas em cada período. Para tanto, utiliza-se o seguinte critério: estima-se em horas o tempo de vida útil do ativo. A taxa de depreciação do período será calculada proporcionalmente ao número de horas trabalhadas nesse respectivo período.

        Definições e conceitos

        • Valor recuperável de um ativo ou de uma unidade geradora de caixa é o maior valor entre o valor líquido de venda de um ativo e seu valor em uso.
        • Valor em uso é o valor presente de fluxos de caixa futuros estimados, que devem resultar do uso de um ativo ou de uma unidade geradora de caixa.
        • Valor líquido de venda é o valor a ser obtido pela venda de um ativo ou de uma unidade geradora de caixa em transações em bases comutativas, entre partes conhecedoras e interessadas, menos as despesas estimadas de venda.
        • Despesas de venda ou de baixa são despesas incrementais diretamente atribuíveis à venda ou à baixa de um ativo ou de uma unidade geradora de caixa, excluindo as despesas financeiras e de impostos sobre o resultado gerado.
        • Perda por desvalorização é o valor pelo qual o valor contábil de um ativo ou de uma unidade geradora de caixa excede seu valor recuperável.
        • Valor contábil é o valor pelo qual um ativo está reconhecido no balanço depois da dedução de toda respectiva depreciação, amortização ou exaustão acumulada e provisão para perdas.
        • Depreciação, amortização e exaustão é a alocação sistemática do valor depreciável, amortizável e exaurível de ativos durante sua vida útil.
        • Valor depreciável, amortizável e exaurível é o custo de um ativo, ou outra base que substitua o custo nas demonstrações contábeis, menos seu valor residual.
        • Valor residual é o valor estimado que uma entidade obteria pela venda do ativo, após deduzir as despesas estimadas de venda, caso o ativo já tivesse a idade e a condição esperadas para o fim de sua vida útil.
        • Vida útil é o período no qual a entidade espera usar um ativo ou o número de unidades de produção ou de unidades semelhantes que a entidade espera obter do ativo.
        • Unidade geradora de caixa é o menor grupo identificável de ativos que gera as entradas de caixa, que são em grande parte independentes das entradas de caixa de outros ativos ou de grupos de ativos.
        • Ativos corporativos são ativos, exceto ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill), que contribuem, mesmo que indiretamente, para os fluxos de caixa futuros, tanto da unidade geradora de caixa sob revisão quanto de outras unidades geradoras de caixa.
        • Mercado ativo é um mercado em que todas as seguintes condições existem:
          • os itens transacionados no mercado são homogêneos;
          • vendedores e compradores com disposição para negociar são encontrados a qualquer momento para efetuar a transação; e
          • os preços estão disponíveis para o público.
        • Combinação de negócios: é quando o adquirente (comprador) obtém o controle de um negócio;
        • Controle: um investidor controla a investida quando está exposto a (ou tem direitos sobre) retornos variáveis decorrentes de seu envolvimento com a investida, de modo que possui a capacidade de afetar esses retornos por meio de seu poder sobre esta;
        • Negócio: é o conjunto integrado de atividades e ativos capaz de ser conduzido e gerenciado para gerar retorno (na forma de dividendos, redução de custos ou outros benefícios econômicos) diretamente para seus investidores.
        • Coligada é a entidade sobre a qual o investidor tem influência significativa.
        • Demonstrações consolidadas são as demonstrações contábeis de um grupo econômico em que ativos, passivos, patrimônio líquido, receitas, despesas e fluxos de caixa da controladora e de suas controladas são apresentados como se fossem uma única entidade econômica.
        • Método de equivalência patrimonial é o método de contabilização por meio do qual o investimento é inicialmente reconhecido pelo custo e, a partir daí, é ajustado para refletir a alteração pós-aquisição na participação do investidor sobre os ativos líquidos da investida. As receitas ou as despesas do investidor incluem sua participação nos lucros ou prejuízos da investida, e os outros resultados abrangentes do investidor incluem a sua participação em outros resultados abrangentes da investida.
        • Negócio em conjunto é um negócio do qual duas ou mais partes têm controle conjunto.
        • Controle conjunto é o compartilhamento, contratualmente convencionado, do controle de negócio, que existe somente quando decisões sobre as atividades relevantes exigem o consentimento unânime das partes que compartilham o controle.
        • Empreendimento controlado em conjunto (joint venture) é um acordo conjunto por meio do qual as partes, que detêm o controle em conjunto do acordo contratual, têm direitos sobre os ativos líquidos desse acordo.
        • Investidor conjunto (joint venturer) é uma parte de um empreendimento controlado em conjunto (joint venture) que tem o controle conjunto desse empreendimento.
        • Influência significativa é o poder de participar das decisões sobre políticas financeiras e operacionais de uma investida, mas sem que haja o controle individual ou conjunto dessas políticas.

         

        11 Estrutura Conceitual Básica

        Conceitos relevantes

        • Administração do capital de giro ou do capital circulante: preocupa-se com a forma com que é executada a gestão dos recebimentos e pagamentos da empresa no que tange ao curto prazo.
        • Estrutura de capital (ou estrutura financeira): trata da combinação das fontes de recursos - seja de capital próprio, seja de terceiros - utilizadas pela empresa para financiar suas operações.
        • Orçamento de capital: voltado para o planejamento e a gestão dos investimentos da empresa, considerando o longo prazo. Buscam-se oportunidades de investimentos que oferecem bom custo-benefício na decisão de longo prazo.
        • Firma individual: é uma empresa com um único dono, ou seja, não há sócios. Apesar de esta se apresentar como uma das formas menos burocráticas de se abrir uma empresa, caso haja dívidas em aberto, os credores poderão recorrer aos bens do proprietário a fim de receber o montante que lhes é devido.
        • Sociedade por cotas: possui mais de um proprietário; os lucros e os prejuízos, além disso, são divididos entre eles, de acordo com a participação de cada um na sociedade. Nesse contexto, podem existir sócios gerais e sócios com responsabilidade limitada.
        • Sociedade por ações ou Sociedade Anônima (S.A.): possui personalidade jurídica, permitindo à empresa contrair dívidas, firmar contratos, possuir ações de outras S.A. ou adquirir bens. Uma S.A. deve possuir um estatuto social que regulamente sua existência. Ademais, os gestores que administram a empresa são escolhidos através de um conselho administrativo.
        • Análise, planejamento e controle financeiro: coordenam, monitoram e avaliam todas as atividades da empresa por meio de relatórios financeiros.
        • Decisões de investimentos: consideram a adequação de risco e retorno ao destinar os recursos financeiros para aplicação na empresa.
        • Decisões de financiamentos: consideram a adequação dos financiamentos a curto e longo prazos para captar recursos financeiros que financiarão os ativos adquiridos pela empresa.

        Estrutura conceitual básica

        Estrutura conceitual é um conjunto de teorias que um órgão regulador, uma lei ou quem tem poder para emitir normas escolhe, entre as teorias e/ou suas vertentes à disposição, com o objetivo de ter uma base para emitir as normas contábeis. O objetivo principal da estrutura conceitual escolhida é auxiliar o normatizador a seguir determinada linha na emissão de suas normas, assim como ajudar os contadores a entender e interpretar essas normas que serão aplicadas, auxiliando a interpretação dos usuários das demonstrações contábeis.

        A finalidade da estrutura conceitual pode ser subdividida em:

        • Dar suporte ao desenvolvimento de novos pronunciamentos técnicos, permitindo interpretações, orientações e revisão dos pronunciamentos técnicos já existentes;
        • Promoção da harmonia entre regulações, normas contábeis e procedimentos relacionados às demonstrações contábeis, de modo que haja redução do número de tratamentos contábeis alternativos que são permitidos;
        • Dar suporte aos órgãos reguladores nacionais;
        • Auxiliar os responsáveis pela elaboração das demonstrações contábeis na aplicação dos pronunciamentos técnicos, interpretações e orientações e no tratamento de assuntos que ainda não tenham sido objeto desses documentos;
        • Auxiliar os auditores independentes a formar sua opinião sobre a conformidade das demonstrações contábeis com os pronunciamentos técnicos, interpretações e orientações;
        • Auxiliar os usuários das demonstrações contábeis na interpretação de informações nelas contidas, elaboradas em conformidade com pronunciamentos técnicos, interpretações e orientações;
        • Proporcionar aos interessados informações sobre o enfoque adotado na formulação dos pronunciamentos técnicos, interpretações e orientações.

        Princípios contábeis

        • Princípio da entidade: evidencia o patrimônio como instrumento da contabilidade e confirma a sua soberania. O patrimônio da empresa não se mistura com o patrimônio dos sócios ou investidores, ou seja, a entidade contém o patrimônio, mas a recíproca não é real.
        • Princípio da continuidade: esse princípio supõe que a entidade perseverará no futuro à medida que o patrimônio se fragmenta. Nesse princípio, as demonstrações geralmente são organizadas segundo a hipótese de que a entidade permanecerá em conta em um futuro próximo e que não possui o plano nem tem o dever de entrar em liquidação.
        • Princípio da oportunidade: o princípio trata do processo de medir e demonstrar os fragmentos do patrimônio para gerar dados íntegros. A falta de integridade na geração de dados contábeis pode gerar perda de sua importância.
        • Princípio do registro pelo valor original: esse princípio dispõe dos fragmentos do patrimônio que inicialmente são registrados por valores de origem das transações, os quais são explícitos em moeda nacional.
        • Relevância: dados e informações de qualidade técnica e real devem ser relevantes na tomada de decisões, colaborando na avaliação de ocorrências passadas, presentes e até futuras, com vistas às correções de processos.
        • Compreensibilidade: as informações devem ser compreensíveis àqueles que as analisarão e devem estar à disposição de forma razoável ao entendimento, não suprimindo a relevância ou omissão de dados.
        • Verificabilidade: a verificabilidade ajuda a assegurar aos usuários que a informação represente fidedignamente o fenômeno econômico que se propõe a representar, o que permite que diferentes observadores independentes possam verificar as informações e chegar, eventualmente, a um consenso.
        • Confiabilidade ou representação fidedigna: para ser útil, a informação contábil-financeira deve ser relevante e representar com fidedignidade o fenômeno em questão. Para isso, a informação deve deter três atributos: completa, neutra e livre de erros.
        • Comparabilidade: os usuários devem ter condições de diferenciar as demonstrações e realizar comparativos do desempenho da empresa em um determinado período, a fim de apontar direções em sua estrutura de patrimônio e em sua performance.
        • Tempestividade: os tomadores de decisão devem ter a informação disponível a tempo de poder influenciá-los em suas decisões. Ainda que, em geral, informações antigas tenham menos utilidade, é possível que algumas detenham tempestividade prolongada, sendo útil para que o usuário identifique tendências.

        Demonstrações contábeis suplementares e notas explicativas

        As notas explicativas e demonstrações suplementares são quadros suplementares e outras informações. Elas podem, por exemplo, conter informações adicionais e relevantes às necessidades dos usuários sobre itens do balanço patrimonial e da demonstração do resultado, assim como divulgações sobre os riscos e incertezas que afetam a entidade e quaisquer recursos e/ou obrigações para os quais não exista obrigatoriedade de reconhecimento no balanço patrimonial (tais como reservas minerais). Além disso, informações sobre segmentos industriais ou geográficos e sobre o efeito de mudanças de preços também podem ser apresentadas sob a forma de informações suplementares.

        Limitações na relevância e na confiabilidade das informações

        • Tempestividade: é preciso buscar o equilíbrio entre a relevância e a confiabilidade da informação. É desejoso que a informação seja confiável, mas ela precisa também ser publicada em tempo oportuno. A demora na divulgação de uma informação pode torná-la mais confiável, mas, ao mesmo tempo, menos útil para a tomada de decisão.
        • Custos e benefícios: a criação e publicação de relatórios gera custos para a empresa. A utilidade dos relatórios publicados precisa superar o custo de produzi-los.

        Mensuração dos elementos das demonstrações contábeis

        • Custo histórico (ativos): são os valores originais das transações, por exemplo, se um carro foi adquirido por R$ 35.000,00, esse valor será o custo histórico desse ativo. Sendo assim, os ativos são registrados por qualquer um desses valores: pagos, valores a serem pagos em caixa, equivalentes de caixa ou pelo valor dos recursos que são entregues para adquirir esses ativos na data da aquisição.
        • Custo histórico (passivos): os passivos são registrados pelos valores dos recursos que foram recebidos em troca da obrigação e pelos valores em caixa ou equivalentes de caixa que serão necessários para liquidar o passivo no curso normal das operações (e.g., imposto de renda).
        • Custo corrente: é o valor na data das demonstrações contábeis, isto é, os ativos são reconhecidos pelos valores em caixa ou equivalentes de caixa que teriam de ser pagos se esses ativos ou ativos equivalentes fossem adquiridos na data do balanço (por exemplo, avaliação do estoque pelo valor de reposição se este for menor do que o custo de aquisição).
        • Valor realizável: é o valor praticado efetivamente pela empresa caso ela deseje realizar uma transação no momento. Os ativos são mantidos pelos valores em caixa ou equivalentes de caixa que poderiam ser obtidos pela venda em uma forma ordenada. Os passivos são mantidos pelos seus valores de liquidação, isto é, pelos valores em caixa e equivalentes de caixa não descontados.
        • Valor presente: os ativos são mantidos pelo valor presente descontado do fluxo futuro de entrada líquida de caixa que se espera que seja gerado pelo item no curso normal das operações da entidade. Os passivos são mantidos pelo valor presente descontado do fluxo futuro de saída líquida de caixa que se espera que seja necessário para liquidar o passivo no curso normal das operações da entidade.

        Usuários das informações contábeis

        Usuários externos: não estão ligados à gestão da empresa nem trabalham nela, mas possuem interesses por terem suas atividades de alguma forma ligadas à empresa.

        • Bancos: bancos e outros credores utilizam a informação contábil para avaliar a capacidade de pagamento da empresa, auxiliando a aprovação ou não de crédito, a determinação de taxas de juros, de prazos de pagamento etc.
        • Governo: são de interesse do governo as informações a respeito de custos e lucros das empresas, para fins tributários e de levantamentos estatísticos a respeito da economia do país. Essas informações podem ser utilizadas, por exemplo, para a tomada de decisão ligada a políticas econômicas e ao desenvolvimento de determinadas regiões ou setores da economia.
        • Sindicatos: é de interesse dos sindicatos conhecer a situação das empresas de um determinado setor para a negociação, por exemplo, de reajustes salariais.
        • Fornecedores: utilizam as informações para identificar possíveis clientes ou potencial ampliação das vendas. Além disso, utilizam-nas para identificar possíveis riscos e determinar prazos de pagamento.

        Usuários internos: estão diretamente ligados à empresa, incluindo seus setores e empregados.

        • Funcionários: possuem interesse nas informações contábeis porque a empresa é a sua fonte de renda.
        • Administradores, gestores, sócios e investidores: necessitam das informações para o planejamento e a tomada de decisão.

         

        12 Demonstração dos Fluxos de Caixa

        12.1 CPC 03

        O objetivo do CPC 03 é fornecer informações sobre as movimentações de caixa de uma empresa em um determinado período. Isso ajuda os usuários a entenderem como a empresa gera e usa seus recursos financeiros. Essas informações são essenciais para avaliar a capacidade de uma entidade em gerar caixa, e sua necessidade de recursos financeiros para continuar suas operações.

        A norma exige que todas as entidades elaborem uma demonstração dos fluxos de caixa, que classifica os fluxos em três categorias principais:

        • Atividades operacionais
        • Atividades de investimento
        • Atividades de financiamento

        Atividades Operacionais

        Essas atividades representam as operações do dia a dia da empresa, como a venda de produtos e o pagamento de despesas. A demonstração dos fluxos de caixa operacionais mostra a capacidade da entidade de gerar recursos internamente para pagar dívidas, distribuir dividendos e financiar novos investimentos.

        A norma permite duas formas de apresentação:

        • Método Direto: Mostra detalhadamente os recebimentos e pagamentos de caixa.
        • Método Indireto: Parte do lucro líquido e faz ajustes para incluir efeitos de itens que não envolvem caixa, como depreciação, e mudanças no capital de giro.

        Atividades de Investimento

        Refere-se a investimentos em ativos de longo prazo, como compra e venda de imóveis, equipamentos ou participações em outras empresas. Os fluxos de caixa de investimento mostram o quanto a empresa está investindo para gerar receitas futuras.

        Atividades de Financiamento

        São as atividades relacionadas à captação e pagamento de recursos, como empréstimos, emissões de ações ou distribuição de dividendos. Essas informações são importantes para entender como a empresa financia suas operações e como ela lida com seus investidores e credores.

        Outros Aspectos Relevantes:

        • Fluxos de Caixa em Moeda Estrangeira: Devem ser convertidos para a moeda funcional da empresa na taxa de câmbio vigente na data de cada transação.
        • Juros e Dividendos: A norma recomenda classificar os juros e dividendos pagos e recebidos de acordo com a natureza da atividade, mas permite flexibilidade, desde que a classificação seja consistente ao longo do tempo e devidamente explicada.
        • Impostos sobre o Lucro: Esses valores, normalmente, aparecem nas atividades operacionais, a menos que sejam relacionados diretamente a atividades de investimento ou financiamento.
        • Transações que Não Envolvem Caixa: Transações como permutas de ativos, que não geram movimentação de caixa, devem ser divulgadas em notas explicativas, mas não na demonstração dos fluxos de caixa.
        • Caixa e Equivalentes de Caixa: A empresa deve especificar o que considera como caixa e equivalentes de caixa (por exemplo, depósitos bancários de curto prazo) e reconciliá-los com os valores do balanço patrimonial.
        • Os fluxos de caixa referentes a juros e dividendos ou juros sobre o capital próprio recebidos e pagos devem ser apresentados separadamente. Cada um deles deve ser classificado de uma maneira uniforme, de período a período, como decorrentes de atividades operacionais, de investimento ou de financiamento.

        Classificação de juros, dividendos e juros sobre o capital próprio segundo o CPC 03

        Dividendos e juros sobre o capital próprio:

        • Pagos: fluxo de caixa das atividades operacionais ou de financiamento.
          • Recomendação do CPC 03: classificá-los como atividades de financiamento.
        • Recebidos: fluxo de caixa das atividades operacionais ou de investimento.
          • Recomendação do CPC 03: classificá-los como atividades operacionais.

        Juros:

        • Pagos: fluxo de caixa das atividades operacionais ou de financiamento;
        • Recebidos: fluxo de caixa das atividades operacionais ou de investimento;
        • Recomendação do CPC 03: classificar os juros pagos ou recebidos como atividades operacionais.

        Caso a empresa opte por registrar de maneira diferente da recomendação, deve evidenciar a escolha em nota.

        12.2 Fluxo de caixa e Demonstrativo de Fluxo de Caixa (DFC)

        Os fluxos de caixa nada mais são que as entradas e saídas de uma empresa em determinado período. O objetivo da análise de fluxo é visualizar a capacidade de pagamento das dívidas da empresa, remunerar sócios e credores, responder a imprevistos, dentre outros fatores. Sendo assim, a análise do fluxo de caixa permite perceber quais empresas são mais rentáveis ou improdutivas, o que pode ser utilizado como critério de investimento.

        demonstrativo de fluxo de caixa é o transporte das receitas e despesas da empresa para sua posição correta no tempo. Sendo assim, o fluxo de caixa é composto pelos seguintes itens:

        • Receitas de vendas: trata-se do valor recebido de clientes reconhecido no período em que efetivamente entrou na conta da empresa;
        • Custos e despesas: trata-se dos valores pagos a fornecedores, empregados, reconhecidos no período em que efetivamente saíram da conta da empresa;
        • Investimentos: trata-se dos valores de aquisição de equipamentos ou investimentos em projetos, também reconhecidos quando saíram da conta da empresa;
        • Financiamentos: trata-se do ingresso e saída de recursos oriundos de bancos; e
        • Dividendos: trata-se do retorno do capital ao investidor.

        Ciclos

        • No processo de análise do balanço de pagamento há a necessidade de avaliar o capital circulante líquido, que se trata da diferença entre os ativos e passivos circulantes de uma empresa.
        • Ciclo Operacional (CO) corresponde ao tempo entre o recebimento da matéria-prima e o momento do recebimento pela venda, ou seja, é o tempo médio que a empresa necessita para realizar a sua atividade.
        • No Ciclo Operacional (CO) estão incluídos o Prazo Médio de Estoque (PME) e o Prazo Médio de Recebimento (PMR). Logo, a soma desses dois períodos, PME e PMR, formam o ciclo operacional da empresa.
        • Ciclo de Caixa (CC) representa o tempo entre o pagamento dos fornecedores e o recebimento pelas vendas, isto é, o período em que os recursos da empresa ficam comprometidos.
        • Ciclo de Caixa (CC) é calculado subtraindo do ciclo operacional o Prazo Médio de Pagamento ou Prazo Médio de Fornecedores (PMP ou PMF).
        • O processo de análise do capital circulante líquido exige o gerenciamento das contas correntes, como dinheiro em caixa, recebíveis e estoques.

        Tipos de fluxo

        Dentre os diversos tipos de fluxo de caixa estão:

        • Fluxo de caixa incremental: é entendido como o fluxo de caixa adicional ao fluxo de caixa inicial;
        • Fluxo de caixa livre: representa a quantidade de dinheiro que entrou e saiu de uma empresa em um determinado período. Os Fluxos de Caixa Livre (FCL) podem ser divididos em fluxos de caixa operacional, gastos líquidos de capital e variações do capital de giro líquido.
        • Fluxo de caixa operacional: trata-se dos fluxos obtidos pela rotina de entrada e saída de recursos da empresa em resultado de operações corriqueiras. A forma de análise de fluxo de caixa operacional mais comum é o Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization (EBITDA).

        EBITDA é o lucro operacional mais a depreciação e, entre outras funções, serve para a comparação entre empresas independentemente das regras de depreciação e de imposto de renda dos países. Logo, considere: EBITDA = LUCRO OPERACIONAL ((+) Receita Líquida, (-) Custo dos Produtos Vendidos, (-) Despesas da Atividade) + DEPRECIAÇÃO E AMORTIZAÇÃO (valor correspondente ao período sob análise)

        Capital de giro

        • Administração do capital de giro (capital circulante): trata-se da análise da gestão dos recebimentos e pagamentos da empresa em uma perspectiva de curto prazo. São as ações diárias que garantem à empresa os recursos suficientes para a manutenção de suas operações e prevenção de interrupções a custos elevados.
        • Ressalta-se que o capital de giro está ligado às entradas e saídas de dinheiro no caixa da empresa e seu conceito está relacionado ao Ativo Circulante (AC), que é composto por caixa, contas bancárias, valores a receber dos clientes e estoques.
        • As variações do capital de giro líquido são obtidas pelo Capital de Giro Líquido (CGL), que se trata do resultado da divergência entre os ativos e os passivos circulantes. Logo, considere a seguinte equação: Variações no capital de giro líquido = CGL final - CGL inicial.

         

        13 Ativos, Exigíveis e Patrimônio Líquido

        CPC 25 - Provisões, passivos contingentes e ativos contingentes

        CPC 25 tem o objetivo de estabelecer que sejam aplicados critérios de reconhecimento e bases de mensuração apropriados a provisões e a passivos e ativos contingentes e que seja divulgada informação suficiente nas notas explicativas para permitir que os usuários entendam a sua natureza, oportunidade e valor.

        O CPC 25 estabelece critérios para:

        • Reconhecer provisões (passivos de valor ou prazo incerto);
        • Definir quando divulgar passivos e ativos contingentes;
        • Ajudar a entender a natureza e valor dessas contingências.

        Provisões

        Uma provisão é reconhecida quando:

        • Há uma obrigação presente derivada de um evento passado;
        • É provável a saída de recursos econômicos (mais de 50% de chance);
        • Pode-se estimar o valor de maneira confiável.

        Provisões são contabilizadas porque envolvem uma obrigação certa, embora o valor ou o prazo sejam incertos.

        Passivo Contingente

        Um passivo contingente é uma obrigação possível que depende de eventos futuros. Ele não é contabilizado porque a sua existência é incerta ou porque a saída de recursos não é provável. A saída de recursos é "possível" e, por isso, os passivos contingentes são apenas divulgados em notas explicativas.

        Ativo Contingente

        Um ativo contingente é um ativo possível, cuja entrada de benefícios econômicos depende de eventos futuros. Assim como o passivo contingente, ele não é reconhecido nas demonstrações contábeis. Apenas será contabilizado quando o ganho for praticamente certo.

        CPC 27 - Ativo imobilizado

        CPC 27 tem o objetivo de estabelecer o tratamento contábil para ativos imobilizados, de modo que os usuários das demonstrações contábeis possam discernir a informação sobre o investimento da entidade em seus ativos imobilizados, bem como suas mutações. Os principais pontos a serem considerados na contabilização do ativo imobilizado são o reconhecimento dos ativos, a determinação dos seus valores contábeis e os valores de depreciação e perdas por desvalorização a serem reconhecidas em relação a eles.

        O CPC 27 apresenta as seguintes definições:

        • Valor contábil é o valor pelo qual um ativo é reconhecido após a dedução da depreciação e da perda por redução ao valor recuperável acumuladas;
        • Custo é o montante de caixa ou equivalente de caixa pago ou o valor justo de qualquer outro recurso dado para adquirir um ativo na data da sua aquisição ou construção, ou ainda, se for o caso, o valor atribuído ao ativo quando inicialmente reconhecido de acordo com as disposições específicas de outros Pronunciamentos, como, por exemplo, o Pronunciamento Técnico CPC 10 - "Pagamento Baseado em Ações".
        • Valor depreciável é o custo de um ativo ou outro valor que substitua o custo, menos o seu valor residual;
        • Depreciação é a alocação sistemática do valor depreciável de um ativo ao longo da sua vida útil;
        • Valor específico para a entidade (valor em uso) é o valor presente dos fluxos de caixa que a entidade espera:
          • obter com o uso contínuo de um ativo e com a alienação ao final da sua vida útil; ou
          • incorrer para a liquidação de um passivo.
        • Valor justo é o preço que seria recebido pela venda de um ativo ou que seria pago pela transferência de um passivo em uma transação não forçada entre participantes do mercado na data de mensuração.
        • Valor recuperável é o maior valor entre o valor justo menos os custos de venda e o valor em uso do ativo.
        • Ativo imobilizado é o item tangível que:
          • é mantido para uso na produção ou fornecimento de mercadorias ou serviços, para aluguel a outros, ou para fins administrativos; e
          • se espera utilizar por mais de um período (CPC, 2009).

        CPC 04 - Ativos intangíveis

        CPC 04 tem o objetivo de definir o tratamento contábil dos ativos intangíveis que não são abrangidos especificamente em outro pronunciamento. Ele estabelece que uma entidade deve reconhecer um ativo intangível apenas se determinados critérios especificados no próprio Pronunciamento forem atendidos. O Pronunciamento CPC 04 também especifica como mensurar o valor contábil dos ativos intangíveis, exigindo divulgações específicas sobre esses ativos.

        • Amortização é a alocação sistemática do valor amortizável de ativo intangível ao longo da sua vida útil.
        • Ativo é um recurso:
          • controlado pela entidade como resultado de eventos passados; e
          • do qual se espera que resultem benefícios econômicos futuros para a entidade.
        • Valor contábil é o valor pelo qual um ativo é reconhecido no balanço patrimonial após a dedução da amortização acumulada e da perda por desvalorização.
        • Custo é o montante de caixa ou equivalente de caixa pago ou o valor justo de qualquer outra contraprestação dada para adquirir um ativo na data da sua aquisição
        • Valor amortizável é o custo de um ativo ou outro valor que substitua o custo, menos o seu valor residual.
        • Desenvolvimento é a aplicação dos resultados da pesquisa ou de outros conhecimentos em um plano ou projeto visando à produção de materiais, dispositivos, produtos, processos, sistemas ou serviços novos ou substancialmente aprimorados, antes do início da sua produção comercial ou do seu uso.
        • Valor específico para a entidade é o valor presente dos fluxos de caixa que uma entidade espera (i) obter com o uso contínuo de um ativo e com a alienação ao final da sua vida útil ou (ii) incorrer para a liquidação de um passivo.
        • Valor justo é o preço que seria recebido pela venda de um ativo ou que seria pago pela transferência de um passivo em uma transação não forçada entre participantes do mercado na data de mensuração (ver CPC 46 - "Mensuração do Valor Justo").
        • Perda por desvalorização é o valor pelo qual o valor contábil de um ativo ou de uma unidade geradora de caixa excede seu valor recuperável (Pronunciamento Técnico CPC 01).
        • Ativo intangível é um ativo não monetário identificável sem substância física.
        • Ativo monetário é aquele representado por dinheiro ou por direitos a serem recebidos em uma quantia fixa ou determinável de dinheiro.
        • Pesquisa é a investigação original e planejada realizada com a expectativa de adquirir novo conhecimento e entendimento científico ou técnico.
        • Valor residual de um ativo intangível é o valor estimado que uma entidade obteria com a venda do ativo, após deduzir as despesas estimadas de venda, caso o ativo já tivesse a idade e a condição esperadas para o fim de sua vida útil.
        •  
        • Vida útil é:
          • o período no qual a entidade espera utilizar um ativo; ou
          • o número de unidades de produção ou de unidades semelhantes que a entidade espera obter pela utilização do ativo.

        CPC 16 - Estoques

        CPC 16 tem o objetivo de "determinar a forma de avaliação dos estoques adquiridos para revenda, dos mantidos para consumo ou utilização industrial ou na prestação de serviços, dos em processamento e dos produtos acabados prontos para a venda" (CPC, 2009).

        Estoques são ativos:

        • mantidos para venda no curso normal dos negócios;
        • em processo de produção para venda; ou
        • na forma de materiais ou suprimentos a serem consumidos ou transformados no processo de produção ou na prestação de serviços.

        O CPC 16 traz as seguintes definições:

        • Item 6:
          • "Valor realizável líquido é o preço de venda estimado no curso normal dos negócios deduzido dos custos estimados para sua conclusão e dos gastos estimados necessários para se concretizar a venda";
          • "Valor justo é o preço que seria recebido pela venda de um ativo ou que seria pago pela transferência de um passivo em uma transação não forçada entre participantes do mercado na data de mensuração" (CPC, 2009).

        O item 7 do CPC 16 afirma que

        valor realizável líquido refere-se à quantia líquida que a entidade espera realizar com a venda do estoque no curso normal dos negócios. O valor justo reflete o preço pelo qual uma transação ordenada para a venda do mesmo estoque no mercado principal (ou mais vantajoso) para esse estoque ocorreria entre participantes do mercado na data de mensuração. O primeiro é um valor específico para a entidade, ao passo que o segundo já não é. Por isso, o valor realizável líquido dos estoques pode não ser equivalente ao valor justo deduzido dos gastos necessários para a respectiva venda (CPC, 2009).

        • Item 8: "Os estoques compreendem bens adquiridos e destinados à venda, incluindo, por exemplo, mercadorias compradas por varejista para revenda ou terrenos e outros imóveis para revenda. Os estoques também compreendem produtos acabados e produtos em processo de produção pela entidade e incluem matérias-primas e materiais, aguardando utilização no processo de produção, tais como: componentes, embalagens e material de consumo" (CPC, 2009).

        CPC 28 - Propriedade para investimento

        CPC 28 tem o objetivo de prescrever o tratamento contábil de propriedades para investimento e respectivos requisitos de divulgação.

        Conforme o item 2 do Sumário do Pronunciamento Técnico CPC 28: "Propriedade para investimento é o imóvel (terreno ou edifício - ou parte de um edifício - ou ambos) mantido pelo proprietário (ou arrendatário) para obter rendas ou para valorização do capital ou para ambas, e não para uso na produção ou fornecimento de bens ou serviços, para finalidades administrativas ou para venda no curso ordinário do negócio. A propriedade para investimento é classificada no Ativo Não Circulante, subgrupo Investimentos" (CPC, 2009, grifo nosso).

        CPC 18 e 19 - Investimento em coligada, em controlada e em empreendimento controlado em conjunto

        De acordo com o item 1 do Sumário do Pronunciamento Técnico CPC 18, CPC 18 tem o objetivo de "especificar como devem ser contabilizados os investimentos em coligadas nas demonstrações contábeis individuais e consolidadas do investidor e em controladas e em empreendimentos controlados em conjunto (joint ventures) nas demonstrações contábeis da controladora" (CPC, 2012, grifo nosso).

        O CPC 18 traz as seguintes definições:

        • Item 2:
          • "Coligada é a entidade sobre a qual a investidora mantém influência significativa. Influência significativa significa existência do poder de participar nas decisões financeiras e operacionais da investida.

        É presumido que exista influência significativa quando a entidade possui 20%, ou mais, das ações ou das quotas com direito a voto da investida. A entidade perde a influência significativa sobre a investida quando ela perde o poder de participar nas decisões sobre as políticas financeiras e operacionais daquela investida" (CPC, 2012, grifo nosso).

        • Item 3:
          • "Controlada é a entidade na qual a controladora, diretamente ou por meio de outra controlada, tem poder para assegurar, de forma permanente, preponderância em suas deliberações sociais e de eleger a maioria de seus administradores" (CPC, 2012, grifo nosso).
        • Item 4:
          • "Empreendimento controlado em conjunto (joint venture) é um acordo conjunto por meio do qual as partes, que detêm o controle em conjunto do acordo contratual, têm direitos sobre os ativos líquidos desse acordo" (CPC, 2012, grifo nosso).

        O item 1 do resumo do CPC 19 afirma que o Pronunciamento tem o objetivo de "estabelecer princípios para o reporte financeiro por entidades que tenham interesses em negócios controlados em conjunto (negócios em conjunto). O Pronunciamento define controle conjunto e exige que a entidade que seja parte integrante de negócio em conjunto determine o tipo de negócio em conjunto com o qual está envolvida por meio da avaliação de seus direitos e obrigações e contabilize esses direitos e obrigações conforme esse tipo de negócio em conjunto" (CPC, 2012, grifo nosso).

        Conforme o item 3 do sumário do CPC 19: "Negócio em conjunto é um negócio do qual duas ou mais partes têm o controle conjunto e nas quais as partes integrantes estão vinculadas por acordo contratual que dá a duas ou mais dessas partes integrantes o controle conjunto do negócio. Pode ser tanto uma operação em conjunto (joint operation) quanto um empreendimento controlado em conjunto (joint venture)" (CPC, 2012, grifo nosso).

        O item 4 determina que: "Controle conjunto é o compartilhamento, contratualmente convencionado, do controle de negócio, que existe somente quando decisões sobre as atividades relevantes exigem o consentimento unânime das partes que compartilham o controle" (CPC, 2012, grifo nosso).

        CPC 39, 40 e 48 - Instrumentos financeiros

        CPC 39 tem o objetivo de estabelecer princípios para a apresentação de instrumentos financeiros como passivo ou patrimônio líquido e para compensação de ativos financeiros e passivos financeiros (CPC, 2009).

        O item 1 afirma que CPC 40 tem o objetivo de "exigir que a entidade divulgue nas suas demonstrações contábeis aquilo que permita que os usuários avaliem: (a) significância do instrumento financeiro para a posição patrimonial e financeira e para o desempenho da entidade; e (b) a natureza e a extensão dos riscos resultantes de instrumentos financeiros a que a entidade está exposta durante o período e ao fim do período contábil, e como a entidade administra esses riscos" (CPC, 2012, grifo nosso).

        CPC 48 tem o objetivo de estabelecer princípios para os relatórios financeiros de ativos e passivos financeiros que devem apresentar informações pertinentes e úteis aos usuários de demonstrações contábeis para a sua avaliação dos valores, época e incerteza dos fluxos de caixa futuros da entidade.

        CPC 01 - Redução do valor recuperável de ativos

        CPC 01 tem o objetivo de estabelecer procedimentos que a entidade deve aplicar para assegurar que seus ativos estejam registrados contabilmente por valor que não exceda seus valores de recuperação. Caso existam evidências claras de que ativos estão avaliados por valor não recuperável no futuro, a entidade deverá imediatamente reconhecer a desvalorização por meio da constituição de provisão para perdas (CPC, 2010).

        Valor recuperável é definido como o maior valor entre o valor líquido de venda de um ativo ou de unidade geradora de caixa e o seu valor em uso:

        • A melhor evidência de um valor líquido de venda é um preço de um contrato de venda firme em uma transação em bases comutativas, entre partes conhecedoras e interessadas, ajustado por despesas adicionais que seriam diretamente atribuíveis à venda do ativo.
        • A estimativa do valor em uso de um ativo envolve os seguintes passos:
          • estimar futuras entradas e saídas de caixa decorrentes de uso contínuo do ativo e de sua baixa final; e
          • aplicar taxa de desconto adequada a esses fluxos de caixa futuros.
        • A taxa (ou as taxas) de desconto deve(m) ser a taxa (ou as taxas) antes dos impostos, que reflita(m) as avaliações atuais de mercado:
          • do valor da moeda no tempo; e
          • dos riscos específicos do ativo para os quais as futuras estimativas de fluxos de caixa não foram ajustadas (CPC, 2010).

        CPC 06 - Arrendamentos

        CPC 06 tem o objetivo de estabelecer os princípios para o reconhecimento, a mensuração, apresentação e divulgação de arrendamentos. A sua finalidade é garantir que arrendatários e arrendadores forneçam informações relevantes, de modo que representem fielmente essas transações. Essas informações fornecem a base para que usuários de demonstrações contábeis avaliem o efeito que os arrendamentos têm sobre a posição financeira, o desempenho financeiro e os fluxos de caixa da entidade (CPC, 2017).

        • Arrendador é a entidade que fornece o direito de usar o ativo subjacente por determinado período em troca de contraprestação.
        • Arrendamento é o contrato, ou parte do contrato, que transfere o direito de usar um ativo (ativo subjacente) por um período em troca de contraprestação.
        • Arrendamento de curto prazo é o arrendamento que, na data de início, possui o prazo de arrendamento de 12 meses ou menos. O arrendamento que contém opção de compra não é arrendamento de curto prazo.
        • Arrendamento financeiro é o arrendamento que transfere substancialmente todos os riscos e benefícios inerentes à propriedade do ativo subjacente.
        • Arrendamento operacional é o arrendamento que não transfere substancialmente todos os riscos e benefícios inerentes à propriedade do ativo subjacente.
        • Arrendatário é a entidade que obtém o direito de usar o ativo subjacente por determinado período em troca de contraprestação.
        • Ativo de direito de uso é o ativo que representa o direito do arrendatário de usar o ativo subjacente durante o prazo do arrendamento.
        • Ativo subjacente é o ativo que é o objeto de arrendamento, para o qual o direito de usar esse ativo foi fornecido pelo arrendador ao arrendatário.
        • Custo direto inicial é o custo incremental de obtenção do arrendamento que não teria sido incorrido se o arrendamento não tivesse sido obtido, exceto para os custos incorridos por arrendador fabricante ou revendedor associados ao arrendamento financeiro.

        CPC 08 - Custos de transação e prêmios na emissão de títulos e valores mobiliários

        CPC 08 tem o objetivo de estabelecer o tratamento contábil aplicável ao reconhecimento, mensuração e divulgação dos custos de transação incorridos e dos prêmios recebidos no processo de captação de recursos por intermédio da emissão de títulos patrimoniais e/ou de dívida (CPC, 2010).

        • Custos de transação são somente aqueles incorridos e diretamente atribuíveis às atividades necessárias. São, por natureza, gastos incrementais, já que não existiriam ou teriam sido evitados se essas transações não ocorressem. Exemplos de custos de transação são:
          • gastos com elaboração de prospectos e relatórios;
          • remuneração de serviços profissionais de terceiros (advogados, contadores, auditores, consultores, profissionais de bancos de investimento, corretores etc.);
          • gastos com publicidade (inclusive os incorridos nos processos de road-shows);
          • taxas e comissões;
          • custos de transferência;
          • custos de registro etc.
        • Custos de transação não incluem ágios ou deságios na emissão dos títulos e valores mobiliários, despesas financeiras, custos internos administrativos ou custos de carregamento.
        • Despesas financeiras são os custos ou as despesas que representam o ônus pago ou a pagar como remuneração direta do recurso tomado emprestado do financiador derivado dos fatores tempo, risco, inflação, câmbio, índice específico de variação de preços e assemelhados; incluem, portanto, os juros, a atualização monetária, a variação cambial etc., mas não incluem taxas, descontos, prêmios, despesas administrativas, honorários etc.
        • Encargos financeiros são a soma das despesas financeiras, dos custos de transação, prêmios, descontos, ágios, deságios e assemelhados, a qual representa a diferença entre os valores recebidos e os valores pagos (ou a pagar) a terceiros.
        • Prêmio na emissão de debêntures ou de outros títulos e valores mobiliários é o valor recebido que supera o de resgate desses títulos na data do próprio recebimento ou o valor formalmente atribuído aos valores mobiliários.
        • Taxa Interna de Retorno (TIR) é a taxa efetiva de juros que iguala o valor presente dos fluxos de entrada de recursos ao valor presente dos fluxos de saída. Em outros termos, é a taxa efetiva de juros que faz com que, por exemplo, o valor presente líquido dos fluxos de caixa de determinado título de dívida ou empréstimo seja igual a zero, considerando-se, necessariamente, a captação inicial líquida dos custos de transação (CPC, 2010).

        CPC 29 - Ativo biológico e produto agrícola

        CPC 29 tem o objetivo de estabelecer o tratamento contábil e as respectivas divulgações, pertinentes à avaliação dos estoques dos ativos biológicos e dos produtos agrícolas, como parte do registro das atividades agrícolas.

        Definições Importantes

        • Produto Agrícola: É o resultado colhido ou obtido a partir de um ativo biológico.
        • Ativo Biológico: São animais ou plantas vivos que produzem produtos agrícolas.
        • Transformação Biológica: Refere-se ao processo de crescimento, degeneração, produção e procriação que muda o ativo biológico em termos qualitativos e quantitativos.
        • Valor Justo: É o valor pelo qual um ativo pode ser negociado entre partes interessadas que conhecem o negócio e estão dispostas a negociar, sem pressões para a liquidação. O valor justo é normalmente associado ao valor de mercado.
        • Ativos Biológicos Consumíveis: São aqueles que podem ser colhidos como produto agrícola ou vendidos como ativos biológicos.
        • Ativos Biológicos para Produção: São aqueles mantidos para produzir outros produtos.
        • Ativos Biológicos Maduros e Imaturos.

        Reconhecimento e Mensuração

        Para reconhecer e mensurar um ativo biológico ou produto agrícola, a entidade deve cumprir três critérios:

        • Controle: A entidade deve controlar o ativo como resultado de eventos passados.
        • Probabilidade de Benefícios Econômicos: É provável que benefícios econômicos futuros relacionados ao ativo fluam para a entidade.
        • Mensuração Confiável: O valor justo ou custo do ativo deve ser mensurado de forma confiável.

        Avaliação do Ativo Biológico

        • Durante o Crescimento: O ativo biológico deve ser avaliado ao valor justo menos as despesas de venda desde o reconhecimento inicial. As variações no valor justo devem ser registradas como receitas ou despesas na demonstração do resultado.

        Avaliação do Produto Agrícola

        • Após a Colheita: Produtos agrícolas são avaliados ao valor justo menos despesas de venda. Essa avaliação deve ser feita imediatamente após a colheita ou obtenção do produto.
        • Gastos Relacionados: Todos os gastos relacionados à obtenção do produto agrícola são considerados despesas do período em que são incorridos.

        Divulgação

        A entidade deve divulgar:

        • Ganho ou Perda: O ganho ou perda do período corrente em relação ao valor inicial do ativo biológico e do produto agrícola, e as mudanças no valor justo menos despesas de venda.
        • Descrição dos Ativos: A descrição de cada grupo de ativos biológicos, distinguindo entre consumíveis e de produção, e entre maduros e imaturos.
        • Informações Adicionais:
          • A existência e total de ativos biológicos com titularidade legal restrita.
          • Montante de compromissos relacionados ao desenvolvimento ou aquisição de ativos biológicos.
          • Estratégias de administração de riscos financeiros relacionadas à atividade agrícola.
        • Conciliação: Apresentar a conciliação das mudanças no valor contábil dos ativos biológicos, incluindo ganhos ou perdas, aumentos devido a compras, e outras variações.

        CPC 32 - Tributos sobre o lucro

        CPC 32 tem o objetivo de "estabelecer o tratamento contábil para os tributos sobre o lucro. A questão principal na contabilização dos tributos sobre o lucro é como contabilizar os efeitos fiscais atuais e futuros de: (a) futura recuperação (liquidação) do valor contábil dos ativos (passivos) que são reconhecidos no balanço patrimonial da entidade; e (b) operações e outros eventos do período atual que são reconhecidos nas demonstrações contábeis da entidade" (CPC, 2009).

        Definições Básicas

        • Tributo sobre o Lucro: Inclui todos os impostos e contribuições sobre lucros tributáveis, como impostos de renda e contribuições similares. Inclui também impostos retidos na fonte de controladas, coligadas e joint ventures.
        • Lucro Tributável: É o lucro determinado segundo as regras fiscais sobre o qual os tributos são devidos.
        • Despesa Tributária: O valor total relacionado ao tributo sobre o lucro para o período, incluindo tanto tributos correntes quanto diferidos.
        • Tributo Corrente: O valor do tributo devido ou recuperável sobre o lucro tributável do período.
        • Passivo Fiscal Diferido: Tributo a ser pago no futuro relacionado a diferenças temporárias tributáveis.
        • Ativo Fiscal Diferido: Tributo a ser recuperado no futuro relacionado a diferenças temporárias dedutíveis, prejuízos fiscais não utilizados ou créditos fiscais não utilizados.
        • Diferença Temporária: É a diferença entre o valor contábil de um ativo ou passivo e sua base fiscal.

        Reconhecimento e Mensuração

        Tributos Correntes:

          • São reconhecidos como passivos se não estiverem pagos.
          • Se já pagos em excesso, são reconhecidos como ativos.
          • Benefícios de prejuízos fiscais podem ser reconhecidos como ativos se compensarem tributos de períodos anteriores.

        Passivos Fiscais Diferidos:

        São reconhecidos para todas as diferenças temporárias tributáveis, exceto em alguns casos específicos como:

        • Reconhecimento inicial de goodwill (ágio).
        • Transações que não afetam nem o lucro contábil nem o lucro tributável no momento da transação.

        Ativos Fiscais Diferidos:

        • São reconhecidos para todas as diferenças temporárias dedutíveis, se houver expectativa de lucro tributável futuro.
        • Também se aplicam a investimentos em subsidiárias, filiais e associadas, se for provável que serão revertidos.

        Mensuração:

        • Ativos e passivos fiscais diferidos são mensurados pelas alíquotas que se esperam aplicar no período de realização ou liquidação, com base nas alíquotas fiscais aprovadas ou substancialmente aprovadas no final do período.

        Reconhecimento de Despesa ou Receita Tributária

        Os tributos correntes e diferidos devem ser reconhecidos no resultado do período, exceto quando:

        • Se referem a itens reconhecidos fora do resultado, como em outros lucros abrangentes ou diretamente no patrimônio líquido.

        Consequências Tributárias dos Dividendos

        • Em algumas jurisdições, o tributo sobre lucros pode variar se o lucro for distribuído como dividendos. Pode haver taxas mais altas ou restituição dependendo da jurisdição.

        Evidenciação

        As entidades devem divulgar:

        • Despesa (receita) tributária corrente e diferida, com detalhes sobre ajustes, benefícios, e mudanças nas alíquotas de tributos.
        • A conciliação das mudanças no valor contábil dos ativos e passivos fiscais diferidos.
        • Informações sobre ativos e passivos fiscais relacionados a diferenças temporárias, prejuízos fiscais e créditos fiscais.

        Esse pronunciamento visa assegurar que os efeitos fiscais sejam contabilizados e divulgados de forma adequada, refletindo a verdadeira situação tributária da entidade.

         

        14 Conversão das Demonstrações Contábeis em Moeda Estrangeira

        Definições

        • Taxa de fechamento é a taxa de câmbio à vista vigente ao término do período de reporte.
        • Variação cambial é a diferença resultante da conversão de um número específico de unidades em uma moeda para outra moeda, a diferentes taxas cambiais.
        • Taxa de câmbio é a relação de troca entre duas moedas.
        • Valor justo é o preço que seria recebido pela venda de um ativo ou que seria pago pela transferência de um passivo em uma transação não forçada entre participantes do mercado na data de mensuração.
        • Moeda estrangeira é qualquer moeda diferente da moeda funcional da entidade.
        • Entidade no exterior é uma entidade que pode ser controlada, coligada, empreendimento controlado em conjunto ou filial, sucursal ou agência de uma entidade que reporta informação, por meio da qual são desenvolvidas atividades que estão baseadas ou são conduzidas em um país ou em moeda diferente daquelas da entidade que reporta a informação.
        • Moeda funcional é a moeda do ambiente econômico principal no qual a entidade opera.
        • Grupo econômico é uma entidade controladora e todas as suas controladas.
        • Itens monetários são unidades de moeda mantidas em caixa e ativos e passivos a serem recebidos ou pagos em um número fixo ou determinado de unidades de moeda.
        • Investimento líquido em entidade no exterior é o montante que representa o interesse (participação na maior parte das vezes) da entidade que reporta a informação nos ativos líquidos dessa entidade.
        • Moeda de apresentação é a moeda na qual as demonstrações contábeis são apresentadas.
        • Taxa de câmbio à vista é a taxa de câmbio normalmente utilizada para liquidação imediata das operações de câmbio.

        Taxa de conversão

        • Histórica: utilizada no momento da ocorrência. A compra de um equipamento seria contabilizada pela taxa do dólar no momento da transação.
        • Corrente: utilizada quando uma operação está sendo realizada. Todas as operações de pagamentos e recebimentos são convertidas pela taxa corrente.
        • Fechamento: taxa vigente na data de encerramento das demonstrações contábeis. O caixa no encerramento do balanço será convertido pela taxa de câmbio na data de fechamento.
        • Média: média das taxas vigentes em determinado período. Normalmente utilizada para a conversão de itens de demonstração do resultado (vendas, custos etc.).
        • Projetada: utilizada em economias com hiperinflação. Converte itens de vencimento futuro.

        Conforme o CPC 02, há três métodos de conversão de demonstrações contábeis:

        • Taxa de câmbio de corrente: neste método, todos os itens são convertidos pela taxa de câmbio vigente na data de encerramento das demonstrações contábeis, isto é, pela taxa corrente. Normalmente o câmbio de fechamento é utilizado onde a economia é estável e com baixa taxa de inflação.
        • Monetário e não monetário: neste caso, os itens das demonstrações contábeis são classificados em:
          • Monetários: disponibilidades ou obrigações que serão realizadas ou exigidas em dinheiro (caixa, duplicatas, PDD etc.) - itens convertidos pela taxa corrente (veja mais adiante definição acerca de taxas de conversão); e
          • Não monetários: são os direitos e obrigações que serão exigidos em bens ou serviços (estoques, adiantamentos a fornecedores, investimentos permanentes, PL etc.) - itens convertidos pela taxa histórica.
        • Temporal: os itens patrimoniais são classificados de acordo com a base de valor adotada para avaliação, que pode ser: a valor passado, valor presente ou valor futuro. Os itens patrimoniais são classificados em:
          • Itens monetários prefixados: convertidos pela taxa já conhecida na conversão (duplicatas etc.);
          • Itens monetários pós-fixados: convertidos por uma taxa que ainda será conhecida (contas a receber e a pagar, aplicações financeiras indexadas etc.);
          • Itens não monetários realizáveis: taxas históricas (estoques, avaliados ao custo histórico etc.); e
          • Itens não monetários permanentes e Patrimônio Líquido (PL): taxas históricas.

        Moedas

        • Moeda local: é a moeda do país onde a empresa se localiza; em nosso caso, é o Real.
        • Moeda funcional: é a moeda do principal sistema econômico em que o conglomerado opera, que pode ser o dólar ou outra moeda estrangeira. Ressalta-se que não se recomenda utilizar como moeda funcional moeda de economias que tenham alta inflação.
        • Moeda do relatório: é a moeda para a qual serão convertidos os demonstrativos contábeis (dólar, por exemplo). O procedimento para a conversão das demonstrações contábeis é o seguinte: converte-se o relatório de moeda local para funcional e, em seguida, converte-se o relatório em moeda funcional para moeda do relatório. Se a moeda do relatório e a funcional forem as mesmas, nada se faz.

        Conforme o CPC 02, uma transação em moeda estrangeira é a transação que é fixada ou requer sua liquidação em moeda estrangeira, incluindo transações que são originadas quando a entidade compra ou vende bens ou serviços, obtém ou concede empréstimos, adquire ou desfaz-se de ativos fixados em moeda estrangeira (CPC, 2010).

        CPC 02

        O objetivo do CPC 02 é estabelecer como "registrar transações em moeda estrangeira e operações no exterior nas demonstrações contábeis de uma entidade no Brasil, registrar as variações cambiais dos ativos e passivos em moeda estrangeira e como converter as demonstrações contábeis de uma entidade de uma moeda para outra" (CPC, 2010).

        • O ambiente econômico principal no qual a entidade opera é normalmente aquele em que principalmente ela gera e despende caixa. A entidade deve considerar os seguintes fatores na determinação de sua moeda funcional:
          • A moeda:
            • que mais influencia os preços de venda de bens e serviços (geralmente é a moeda na qual os preços de venda para seus bens e serviços estão expressos e são liquidados); e
            • do país cujas forças competitivas e regulações mais influenciam na determinação dos preços de venda para seus bens e serviços.
          • A moeda que mais influência fatores como mão de obra, matéria-prima e outros custos para o fornecimento de bens ou serviços (geralmente é a moeda na qual tais custos estão expressos e são liquidados).
        • Os seguintes fatores também podem servir como evidências para determinar a moeda funcional da entidade:
          • a moeda por meio da qual são originados recursos das atividades de financiamento (por exemplo, emissão de títulos de dívida ou ações);
          • a moeda por meio da qual os recursos gerados pelas atividades operacionais são usualmente acumulados (CPC, 2010).

         

        15 Relatórios Contábeis e Análise das Demonstrações Contábeis

        15.1 Relatórios contábeis e análise das demonstrações contábeis

        • Indicador de Preço/Lucro (P/L): é uma relação entre o preço do título e o lucro total da empresa dividido por ação. Conforme esse indicador, quanto menor for a relação, melhor, pois indica que o título está com cotação baixa em relação à lucratividade da companhia.
        • Relação Cash/Yield (C/Y): análogo ao indicador P/L, é a correlação entre o preço do título e os dividendos distribuídos por ação. Quanto maior for a quantidade de dividendos por ação, mais o investidor ganhará.
        • Relação cotação/valor patrimonial: é a proporção do preço da ação em relação ao valor do patrimônio líquido total da empresa por ação. Quanto menor o índice, melhor, pois indica a distorção da cotação em relação ao real valor da empresa: se a cotação estiver muito maior que o valor patrimonial, espera-se que ela abaixe; já se estiver muito abaixo do valor patrimonial, espera-se que aumente.
        • Indicador de margem líquida: é a divisão do lucro líquido pelo faturamento líquido. Reflete a importância dada pela empresa à distribuição do lucro para os acionistas: quanto maior, melhor será o investimento de longo prazo nessa empresa, pois é esperado que se distribua mais resultados no futuro.
        • Indicador de liquidez corrente: é a proporção entre o ativo e o passivo circulante. Essa relação demonstra a capacidade da empresa de honrar os pagamentos no curto prazo.
        • Indicador de rentabilidade do patrimônio: mede o pagamento de lucro líquido em relação ao patrimônio líquido. Representa o retorno das aplicações dos acionistas e o tempo necessário para o retorno do capital.
        • Indicador de endividamento: semelhante ao indicador de liquidez corrente, demonstra a relação entre o passivo circulante e o exigível de longo prazo. Essa relação permite ao investidor a mensuração da necessidade de capital de terceiros para o financiamento dos pagamentos.

        Considere a seguinte equação para o índice de cobertura de juros:

        Assuma a seguinte equação para a margem bruta:

         

        Observe a seguinte equação da margem operacional:

         

        Considere a seguinte fórmula para o Retorno do Patrimônio Líquido (RPL):

        15.2 Políticas contábeis, estimativas contábeis e erros

        O objetivo do CPC 23 é "definir critérios para a seleção e a mudança de políticas contábeis, juntamente com o tratamento contábil e divulgação de mudança nas políticas contábeis, a mudança nas estimativas contábeis e a retificação de erro" (CPC, 2009, grifo nosso).

        • Políticas contábeis: são os princípios, as bases, as convenções, as regras e as práticas específicas aplicados pela entidade na elaboração e na apresentação de demonstrações contábeis.
        • Mudança na estimativa contábil: é um ajuste nos saldos contábeis de ativo ou de passivo, ou nos montantes relativos ao consumo periódico de ativo, que decorre da avaliação da situação atual e das obrigações e dos benefícios futuros esperados associados aos ativos e passivos. As alterações nas estimativas contábeis decorrem de nova informação ou inovações e, portanto, não são retificações de erros.
        • Omissão/incorreção material: é a omissão ou a informação incorreta que pode (individual ou coletivamente) influenciar as decisões econômicas que os usuários das demonstrações contábeis tomam.
        • Erros de períodos anteriores são omissões e incorreções nas demonstrações contábeis da entidade de um ou mais períodos anteriores decorrentes da falta de uso, ou uso incorreto, de informação confiável que:
          • estava disponível no momento da autorização para divulgação das demonstrações contábeis desses períodos;
          • pudesse ter sido razoavelmente obtida e levada em consideração na elaboração e na apresentação dessas demonstrações contábeis. Tais erros incluem os efeitos de erros matemáticos, erros na aplicação de políticas contábeis, descuidos ou interpretações incorretas de fatos e fraudes.
        • Aplicação retrospectiva: é a aplicação de nova política contábil a transações, a outros eventos e a condições, como se essa política tivesse sido sempre aplicada.
        • Reapresentação retrospectiva: é a correção do reconhecimento, da mensuração e da divulgação de valores de elementos das demonstrações contábeis, como se um erro de períodos anteriores nunca houvesse ocorrido.
        • Aplicação impraticável de requisito ocorre quando a entidade não pode aplicá-lo após ter feito todos os esforços razoáveis nesse sentido.
        • Conforme o item 5 do CPC 23: "Aplicação prospectiva de mudança em política contábil e de reconhecimento do efeito de mudança em estimativa contábil representa: (a) a aplicação da nova política contábil a transações, a outros eventos e a condições que ocorram após a data em que a política é alterada; e (b) o reconhecimento do efeito da mudança na estimativa contábil nos períodos corrente e futuro afetados pela mudança" (CPC, 2009, grifo nosso).

        15.3 Lucro vs. fluxo de caixa

        Existe uma grande diferença entre a proposta do "lucro" e o saldo final do fluxo de caixa. O lucro apurado na demonstração de resultados é auferido subtraindo as receitas e despesas de um determinado período. Já o saldo final do fluxo de caixa contemplará apenas as disponibilidades (caixa, bancos e aplicações).

        O uso de fluxos de caixa como instrumento de predição de dividendos permite evitar as distorções do lucro líquido publicado (exceto à medida que a distribuição de certos recebimentos e pagamentos no tempo possa ser alterada pela administração da empresa).

        15.4 Resultado por ação

        • O uso de estimativas é parte essencial da preparação de demonstrações contábeis, não fazendo diminuir a sua confiabilidade.
        • Antidiluição: é o aumento no lucro por ação ou a redução no prejuízo por ação, em decorrência de:
          • conversão de instrumentos conversíveis;
          • exercício de opções ou os bônus de subscrição; emissão de ações.
        • Diluição: é a redução no lucro por ação ou o aumento no prejuízo por ação resultante de:
          • conversão de instrumentos conversíveis;
          • exercício de opções ou os bônus de subscrição;
          • emissão de ações.
        • Contrato de emissão contingente de ações (ou acordo de ações contingente): é um acordo para emitir ações que depende da satisfação de determinadas condições especificadas.
        • Ações emissíveis sob condição (ou ações de emissão contingente): são ações ordinárias emissíveis por pouco ou nenhum dinheiro (ou qualquer outra contrapartida) após a satisfação das condições especificadas em contrato de emissão contingente de ações.
        • Opção, bônus de subscrição e seus equivalentes: são instrumentos financeiros que concedem ao titular o direito de adquirir ações.
        • Ação ordinária potencial: é o instrumento financeiro ou outro contrato que dá ao seu titular o direito a ações ordinárias.
        • Opções put sobre ações ordinárias: são contratos que dão ao seu titular o direito de vender ações ordinárias a um preço especificado durante determinado período.

        Conforme o item 1 do Pronunciamento, o objetivo do CPC 41 é "estabelecer princípios para a determinação e a apresentação do resultado por ação, a fim de melhorar as comparações de desempenho entre diferentes companhias (sociedades por ações) no mesmo período, bem como para a mesma companhia em períodos diferentes" (CPC, 2010, grifo nosso).

         

        16 Instrumentos Analíticos para Estimar Retornos e Riscos

        Risco do negócio e risco financeiro

        Risco do negócio ou econômico: definido como grau de incerteza dos retornos futuros sobre ativos (RSA), ele depende de uma série de fatores, como: variabilidade da demanda, do preço de venda, dos preços dos insumos, do montante dos custos fixos (alavancagem operacional). Além do mais, o conceito está associado à projeção de retornos futuros dos ativos.

        Alguns exemplos de risco do negócio/econômico são retração da demanda do produto (por exemplo, produtos de moda), escassez de matéria-prima (quebra de safra, por exemplo), concorrência de produtos importados, obsolescência tecnológica, impactos das ondas de fusões e aquisições.

        Risco financeiro: reflete o risco associado às decisões de financiamentos ou à capacidade da empresa de liquidar os compromissos financeiros assumidos. Logo, é afetado diretamente pela estrutura de capital da empresa e caracterizado pela variação da taxa de juros.

        Tipos de retornos

        Estão expostos a seguir os tipos de retornos:

        Retorno esperado: trata-se da remuneração solicitada para que as aplicações sejam mantidas;

        Retorno exigido: trata-se do retorno esperado só no caso de um mercado eficiente; e

        Retorno real: trata-se do retorno efetivo obtido com o investimento.

        Figura - Comportamento dos investidores em relação ao risco.

        Fonte: Elaborada pelo autor.

        Conservadores: são investidores que desejam manter o seu patrimônio. Eles buscam realizar investimentos de curto prazo que não sejam arriscados.

        Moderados: são os investidores que estão dispostos a correr risco, desde que este não seja muito elevado. Eles possuem como objetivo auferir um retorno mais elevado no médio prazo, que lhes permita aumentar o seu patrimônio e realizar investimentos que considerem um período um pouco mais longo durante o processo de maturação.

        Arrojados: esses clientes possuem um perfil mais agressivo. Eles desejam obter retornos mais elevados e estão dispostos a adquirir ativos que apresentam grandes oscilações em seus retornos e que podem resultar em perdas consideráveis no curto prazo. Além disso, possuem um horizonte de planejamento de longo prazo.

        Os riscos podem ser sistemáticos ou não sistemáticos. O risco sistemático afeta muitos investimentos e, por esse motivo, também é chamado de risco de mercado. Como exemplo, podemos citar as incertezas econômicas gerais que afetam a economia como um todo.

        risco não sistemático afeta um único investimento, ou um número pequeno de investimentos, e é conhecido também como risco específico. Por exemplo, se uma empresa descobrir um novo poço de petróleo, serão afetados a firma, os clientes e fornecedores próximos. Já se o preço do petróleo sofrer aumentos, todos os envolvidos serão afetados.

        Para relacionar o risco ao retorno de todos os ativos, uma teoria básica utilizada é o modelo de formação de preço de ativos, conhecido como modelo CAPM, sigla do inglês Capital Asset Pricing Model. O CAPM relaciona o risco diversificável ao retorno de qualquer ativo.

        Risco político: em geral, ocorre devido a questões legais que podem ser premeditadamente restritivas, com o intuito de proteger a economia local, ou não premeditadas, decorrentes de entraves devido a uma legislação ultrapassada ou malformada.

        Risco extraordinário: é aquele de maior dificuldade de previsão, o qual está, geralmente, ligado a eventos naturais, tais como terremotos, excesso de chuvas, vulcões, furacões, epidemias, tsunamis, entre outros. Esse risco também está ligado a acidentes de grandes proporções, como vazamentos de usinas termonucleares, rompimento de uma barragem, entre outros.

        Risco comercial: refere-se ao risco de perdas geradas por escolhas comerciais erradas, decorrentes da falta de conhecimento, e pode ser resultado do fracasso da empresa, resultante de estratégias mal formuladas e processos mal desenvolvidos ou falha moral.

        Risco econômico e financeiro: refere-se à possibilidade de que fatores de mercado impactem os investimentos realizados. Também conhecido como risco mercadológico, envolve agregados macroeconômicos, como a taxa de câmbio, taxas de juros do mercado, balança comercial etc.

        Risco-país: é a junção de todos os riscos que envolvem um país em específico. Logo, como o risco-país envolve uma série de riscos e especificidades próprias, sua mensuração é difícil. Envolve o mercado como um todo e, portanto, são riscos sistêmicos.

        Risco de variação das taxas de juros: o comportamento da taxa de juros influencia o valor dos ativos em renda fixa. Quando a taxa de juros se eleva, a instituição observa prejuízo se possuir um ativo e ganho se ela possuir um passivo.

        Os instrumentos utilizados para fazer a gestão do risco de taxa de juros são derivativos: contratos futuros, swaps, opções.

        Risco de crédito: esse risco é observado quando a instituição financeira não recebe os pagamentos prometidos por suas aplicações.

        Risco de mercado: esse risco decorre da variação observada no preço dos ativos e pode ser formalmente definido como a probabilidade de uma instituição financeira observar prejuízo em determinada transação, provocado por comportamento inesperado da bolsa de valores, preço de commodities, inflação etc.

        Risco operacional: esse risco mostra a probabilidade de a instituição financeira registrar perdas oriundas de erros humanos, falhas em sistemas de informação, computadores, eventos externos, fraudes etc. Ele decorre de uma gestão inadequada dos riscos.

        Risco de variação cambial: encontra-se presente principalmente em países que possuem moeda mais volátil, esse risco ocorre quando uma instituição financeira realiza transações no exterior, converte os seus recursos para outra moeda, mas ocorrem variações cambiais adversas que reduzem os ganhos obtidos ou que lhe causam prejuízos.

        Risco soberano: esse risco também é observado quando as instituições financeiras trabalham com ativos internacionais, que envolvem a transação com diferentes moedas. Os países estrangeiros podem limitar (ou até dar o calote) o fluxo de pagamentos externos, fazendo com que a instituição não consiga trazer o dinheiro de volta.

        Risco de liquidez: esse risco evidencia a disponibilidade imediata de caixa das entidades financeiras. Quando um banco mantém uma quantidade limitada de recursos em caixa, existe o risco de muitos investidores realizarem saques ao mesmo tempo, fazendo com que esses recursos não consigam cobrir todos os saques.

        Risco legal: esse risco é observado quando a legislação vigente não regulamenta as transações financeiras de modo eficiente. Ele também é observado na presença de desconhecimento sobre todos os aspectos e dispositivos jurídicos que envolvem a transação.

        Risco de complianceo risco de compliance representa as sanções legais ou regulatórias que podem ser aplicadas a uma instituição quando ela não segue as leis, regulamentos e códigos de conduta.

         

        17 Questões ASG na Análise Fundamentalista

        17.1 Questões ASG na Análise Fundamentalista

        As questões ambientais, sociais e de governança (ASG) corporativa no desempenho financeiro das empresas e a consequente valorização dos ativos englobam diversos debates no campo acadêmico e corporativo.

        Os riscos e oportunidades que permeiam as questões ASG no contexto de negócios das empresas precisam de uma análise que considere a geração de valor, inclusive para o acionista.

        Pontos exigidos pela Resolução nº 4.327/2014 do Banco Central para a instituições autorizadas a operar pelo Banco Central:

        • Política de Responsabilidade Socioambiental (PRSA);
        • Governança; e
        • Gestão do risco socioambiental.

        Tabela - Estratégias de investimento responsável definidas pelo European Sustainable Investment Forum (Eurosif).

        Estratégia

        Definição

        Exclusões (filtros positivos e negativos)

        Consiste na remoção (filtro negativo), ou inclusão (filtro positivo) de setores ou empresas do universo de investimento de portfólios, com base em critérios ASG.

        Fundos Temáticos

        Compreendem os investimentos em questões ASG específicas por meio de fundos temáticos.

        Best-in-Class

        A escolha dos melhores de cada setor no que tange à integração das questões ASG à estratégia e gestão corporativa.

        Integração

        Inclusão explícita de riscos e oportunidades derivados das questões ASG na análise financeira tradicional e no processo de tomada de decisão de investimentos.

        Engajamento

        O ativismo acionário é o fundamento da estratégia de engajamento, que usa o poder de voz e o poder de voto do investidor para induzir a adoção de melhores práticas ASG na estratégia e gestão das empresas investidas.

        Screening baseado
        em normas

        Avaliação das questões ASG de companhias investidas com base em critérios ou princípios específicos.

        Investimento de
        Impacto

        Visa à canalização de recursos para o financiamento de organizações ou empreendimentos sociais que buscam atacar desafios sociais específicos a partir de mecanismos de mercado.

         

        Green Bonds: títulos cujos recursos são destinados a financiar projetos associados ao desenvolvimento sustentável.

         

        17.2 Identificação das questões ASG mais relevantes

        Ambiental: a perda da biodiversidade, emissões de gases de efeito estufa, mudanças climáticas, energias renováveis, eficiência energética, escassez ou poluição da água/ar e outros recursos.

        Social: direitos humanos, direitos trabalhistas; trabalho infantil, relacionadas a saúde e segurança no trabalho, liberdade de expressão, gestão do capital humano, diversidade e relacionamento com comunidades locais.

        Governança: estrutura, tamanho, diversidade, competências e independência do Conselho de Administração, a remuneração de executivos, os direitos e interações dos acionistas, disclosure de informações ao mercado, ética nos negócios (suborno e corrupção), o controle interno e gestão de riscos, o relacionamento entre Conselho, executivos, acionistas e stakeholders.

        Impacto do ASG sobre as demonstrações financeiras: crescimento dos lucros, eficiência operacional, ativos intangíveis e fluxos de caixa subjacentes.

        Com base nos impactos levantados, com a devida mensuração e realização de projeções sobre as principais variáveis das demonstrações financeiras, é possível realizar ajustes nos modelos de fluxo de caixa descontado que contemplem os riscos e oportunidades de negócio derivados das questões ASG.

        Impactar premissas relativas ao custo de capital, prêmio de risco, ajuste da perpetuidade.

        A integração de questões ASG à análise de investimentos visa:

        Renda fixa: reduzir riscos; e

        Renda variável: riscos e identificar oportunidades de investimentos.

        Greenwashing: a disseminação de informações equivocadas, dotadas de inverdades, omissões ou exageros sobre o perfil ASG do gestor, de um fundo, ou de um ativo, mesmo que realizada de forma involuntária.

        17.3 Relatórios e Ferramentas Específicas de Relato de Informações

        Para avaliar as práticas ASG das empresas, a melhor forma de compreender e mensurar os impactos destas práticas sobre as operações, resultados financeiros e estratégia da empresa é através de levantamento de indicadores específicos das questões ASG.

        Princípios para o Investimento Responsável (Principles for Responsible Investment - PRI): conjunto de princípios voluntários que visam à integração não apenas em produtos de nicho, mas de forma transversal a todas as classes de ativos e recursos geridos por proprietários ou gestores de ativos.

        Princípio 1: Incorporar as questões ASG na análise e processo de tomada de decisão de investimento.

        Princípio 2: Fazer com que os proprietários ativos e incorporarem as questões ASG nas políticas e práticas como acionistas.

        Princípio 3: Buscar disclosure adequado das questões ASG entre as organizações em que investem.

        Princípio 4: Promover a aceitação e implementação dos Princípios na indústria de investimentos.

        Princípio 5: Trabalhar em conjunto para aumentar a eficiência na implementação dos Princípios.

        Princípio 6: Reportar individualmente as atividades e progresso na implementação dos Princípios.

        Instrução CVM nº 552/2014: requisitos do Formulário de Referência, de modo a avaliar as práticas da empresa em questões socioambientais.

        Item 4.1: Fatores de risco em relação aos públicos de interesse e a questões socioambientais;

        Item 7.5: Existência de uma política ambiental, custos incorridos para cumprimento da legislação ambiental e adesão a padrões internacionais de proteção ambiental;

        Item 7.8: Reporte de informações socioambientais, metodologia para elaboração destas informações e se estas são auditadas ou revisadas por terceira parte independente;

        Item 10.5: Estimativas contábeis para cálculo, entre outros fatores, de custos de recuperação ambiental.

        Exemplos de relatórios ou ferramentas específicas de relato de informações ASG:

        Global Reporting Initiative - GRI: I padrão mais conhecido internacionalmente. Com um conjunto de indicadores econômicos, ambientais, sociais e de governança corporativa.

        European Federation of Financial Analysts Societies - EFFAS: guia de indicadores chave de desempenho ASG para mais de 60 setores.

        Sustainable Accounting Standarts Board - SASB: visa influenciar políticas públicas. Os indicadores abrangem diversas dimensões, com a abordagem de capitais e o posicionamento da companhia em relação a eles.

        Carbon Disclosure Project - CDP: mais focado no disclosure relativo à exposição das empresas aos riscos climáticos.

        Internacional Integrated Reporting Council - IIRC: o Relato Integrado tem como base uma abordagem de capitais (financeiro, manufatureiro, intelectual, humano, social e natural), com foco no posicionamento da empresa em relação a utilização, preservação e destruição desses capitais ao longo do tempo.

         

        Apostila CNPI - Conteúdo Técnico


        1 Fundamentos da Análise Técnica

        1.1 FUNDAMENTOS DA ANÁLISE TÉCNICA.

        A análise técnica é um conjunto de métodos de avaliação de investimentos que se baseia na análise das séries de preços passadas para projetar o comportamento futuro desses preços. Ela objetiva identificar tendências e antecipar o comportamento do mercado, assim, orientando decisões de compra, venda ou, até mesmo, permanência neutra.

        Atenção para os conceitos de definição:

        • É o estudo da ação do mercado, por meio de uso de gráfico, com objetivo de prever as tendências futuras de preços.
        • Interpretação da ação do mercado para antecipar os movimentos futuros dos preços.

        1.1 PRINCIPAIS PREMISSAS

        Para que as oscilações de preços passadas possam orientar decisões futuras, é necessário seguir três premissas básicas:

        1 - O Preço desconta tudo:

        O motivo pelo qual o preço se movimenta podem ser os mais diversos e na maioria das vezes difícil de descobrir. Por esse motivo, entende-se que toda informação já está embutida no preço. Essa informação pode ser macroeconômica, fatos relevantes, conjuntura setorial e até mesmo balanços de empresas e fatores políticos. Na análise técnica, o importante é como os preços se movem, pois o principal estudo é saber quando comprar ou vender, sem precisar entender o motivo do movimento.

        Atenção: A análise técnica vai contra o conceito de mercado eficiente. A característica de mercado eficiente é que os preços sempre refletem todas as informações existentes. Nesse caso, não existem ações caras ou baratas, pois o mercado eficiente já precifica no valor justo. Seguindo essa hipótese, não seria possível atingir retornos acima da média no longo prazo, nem com análise técnica, tampouco com a análise fundamentalista.

        2 - O preço se move em tendência:

        O comportamento da massa dos investidores gera tendência, ou seja, o mercado não é aleatório e mostra situações de previsibilidade. O preço tende a refletir o pessimismo ou otimismo dos investidores. O objetivo de representar o movimento dos preços no gráfico é conseguir identificar tendências futuras em estágios iniciais e tirar proveito desse movimento para obtenção de lucro. Desta maneira, uma tendência ativa tem maior probabilidade de continuar do que de reverter.

        3 - A história se repete:

        Preços apresentam padrões que se repetem. O mercado se movimenta por percepção de uma massa de pessoas. O comportamento das pessoas também segue a lógica emocional e refletem variáveis psicológicas como medo e ganância. Por meio do comportamento é possível identificar padrões que se repetem ao longo do tempo. A repetição desses padrões identificadas no gráfico, aumentam a previsibilidade do mercado.

        1.2 DIFERENÇAS ENTRE A ANÁLISE TÉCNICA E A ANÁLISE FUNDAMENTALISTA

        A forma e o momento em que se utiliza uma técnica de investimentos define o sucesso do investidor. Portanto, o analista deve saber as vantagens e desvantagens de cada técnica, assim como o uso mais apropriado de cada uma delas. Principalmente, é preciso destacar que há duas escolas principais de análise de investimentos:

        Análise fundamentalista

        Análise que utiliza modelos matemáticos que usam uma variedade de fatores como taxa de juros, projeções micro e macroeconômicas e balanços contábeis para projetar um preço justo para a ação.

        É indicada para investimentos em ações com horizontes de longo prazo. A escola fundamentalista observa a estrutura da empresa (fundamentos) e é mais adotada por bancos (credores de longo prazo), fundos de pensão e demais interessados no desempenho da empresa em períodos abrangentes: desempenho nos próximos semestres ou anos.

        Os analistas fundamentalistas se preocupam com o "porquê" do investimento no ativo, uma vez que avalia a qualidade do investimento realizado, como: capacidade de uma empresa honrar pagamentos, necessidade de caixa, capacidade de gerar lucro, entre outros fatores. Para isso, são observados e comparados os demonstrativos financeiros da empresa com os das demais empresas no mercado, os indicadores macroeconômicos e as expectativas de crescimento, aumentando assim a confiabilidade do investimento realizado. Observe que ela não garante o investimento, mas reduz a insegurança ao buscar identificar o "real valor de uma empresa", chamado de valor intrínseco. A análise fundamentalista pressupõe que o valor de mercado da empresa (valor da empresa em ações) se projeta ao valor encontrado pela análise, mesmo que demore anos para isso.

        Desvantagem:

        • Não levam em conta outros traders como uma variável, sendo que a expectativa das pessoas para o futuro é que fazem os preços subirem e não as notícias.
        • Cria espaços vazios de realidade entre "o que deveria estar" e "o que está". A análise pode estar correta, porém o movimento dos preços pode ser tão volátil que se torna difícil se manter na operação para realização do objetivo.

        Análise técnica

        A análise técnica observa o histórico de preços. Portanto, não é necessariamente adotada apenas para ações (como é o caso da fundamentalista). Assim, essa técnica pode ser aplicada aos demais ativos. Todavia, aplica-se a horizontes de curto prazo: dias e semanas.

        Esse tipo de análise não se preocupa com a qualidade do investimento realizado, mas sim com o momento do investimento. Portanto, ela ignora todos os demonstrativos financeiros e se preocupa com a identificação da melhor oportunidade para a venda ou compra.

        Desvantagens:

        • Matérias bastante subjetivas, padrões gráficos não são claros a ponto que vários investidores concordem ao mesmo tempo com sua interpretação.
        • Se baseia somente em preços passados. Ainda que seja interessante saber o histórico dos preços, somente este não nos diz o que vai acontecer. Destaca-se que não há garantia de que as figuras gráficas ou outros indicadores irão funcionar o tempo todo e repetir sempre. Há exceções e comportamentos anormais que poderão frustrar os grafistas.

        É possível perceber que as duas escolas não se opõem; ao invés, elas se complementam. Por exemplo, o investidor que busca longo prazo pode utilizar a análise fundamentalista para selecionar o ativo e a análise técnica para determinar o momento da compra. Ambas as abordagens têm o mesmo objetivo: maximizar os ganhos nos investimentos no mercado de capitais e minimizar as perdas.

        No entanto, essa análise em conjunto nem sempre é necessária, isso dependerá de:

        • Horizonte de tempo: operações de compra e venda em períodos curtos (dias, semanas ou minutos) não necessitam de uma análise fundamentalista apurada;
        • Ativo: a análise fundamentalista não pode ser aplicada a determinados ativos, como os derivativos de commodities agrícolas, ao contrário da análise técnica. E mesmo que seja uma ação, uma empresa em situação financeira ruim ainda pode oferecer ganhos em relação a oscilação de preços.
        • Informações disponíveis: as informações utilizadas pela análise fundamentalista são disponibilizadas em intervalos longos de tempo (como demonstrações trimestrais); já os preços das ações e volumes são disponibilizados automaticamente.

        Tabela - Análise técnica vs. análise fundamentalista.

        Fonte: Elaborada pelo autor.

         

        1.3 TIPOS DE GRÁFICOS

        Gráficos nada mais são do que a expressão visual e valores numéricos de forma com que facilite a compreensão dos dados, tornando-se possível compreender as variações ocorridas nos preços. Há basicamente quatro formas de representar um gráfico de preço: Linhas, barras, Candlestick e Ponto e Figura.

        Gráfico de Linha:

        É a forma mais simples de apresentar um gráfico de preços. A linha representa o preço do fechamento do ativo. É um gráfico simples e de fácil visualização. Contém informações suficientes para identificação de alguns padrões.

        Figura - Gráfico de Linha.

        Fonte: br.tradingview.com.

        Gráfico de Barras:

        Existem outros preços importantes além do valor de fechamento. No gráfico de barras, podemos identificar valores de abertura, fechamento, máxima e mínima do período. Os valores são representados ao longo de uma barra, sendo que abertura é indicada por um traço horizontal à esquerda, e o fechamento, um traço à direita.

         

        O gráfico de linha nos dá a informação sobre o fechamento do mercado e não a informação de movimentação do preço. Com mais informações disponíveis, como nos gráficos de barras, permitem análises mais sofisticadas sobre o comportamento de mercado.

        Figura - Gráfico de Barras.

         

        Fonte: br.tradingview.com.

        Gráfico de Candlestick:

        O mais utilizados por analistas técnicos. O candle é formado por um corpo e por sombras superiores e inferiores. Conseguimos identificar as mesmas informações que o gráfico de barras, porém com uma melhor visualização. No gráfico de Candlestick a cor do corpo do candle nos permite identificar rapidamente a tendência altista ou baixista.

        As cores mais usadas são o branco (vazado) ou verde para representar alta e preto (preenchido) ou vermelho para representar baixa. Um diferencial dos Candles é que possibilitam identificar uma série de padrões e formações que não encontramos no gráfico de barras.

         

         

        O espaço entre a abertura e o fechamento é chamado de corpo. Os traços superior e inferior são usualmente chamados de sombra ou pavio. A figura completa é chamada de candlestick.

         

        Figura - Gráfico de Candlestick.

        Fonte: br.tradingview.com.

        Ponto e Figura:

        Esse tipo de gráfico era usado pelos investidores americanos no século XIX. O objetivo era capturar e registrar o movimento intradiário no mercado de ações.

        A principal característica é que são registradas apenas as mudanças de preços. Sendo assim, é considerado um gráfico atemporal, pois não faz referência cronológica.

        O Ponto-Figura é pouquíssimo utilizado, porém alguns alistas ainda consideram sua utilização eficiente para movimentos de longo prazo. A vantagem é que a forma de construção inibe a representação de pequenas oscilações de curto prazo, conhecidas como "ruídos" de mercado.

        O gráfico é representado pelo "X", que configura alta dos preços, e "O", que representa as baixas. É marcado com um X quando o preço sobe mais do que o intervalo configurado. O intervalo configurado refere-se à altura do box (quadrado).

        Em caso de queda, marca-se um novo "O" quando o preço recuar mais do que o intervalo correspondente. Para ocorrer mudança de coluna, ou reversão, os preços devem obedecer a regras, como exemplo romper o intervalo de preços correspondente a três "boxes".

        Note que em uma coluna com "X" não existe "O" e vice-versa, havendo sempre alternância entre elas.

         

        Figura - Gráfico de Ponto e Figura.

        Fonte: br.tradingview.com.

        1.4 ESCALAS ARITMÉTICA E LOGARÍTMICA

        A escolha da escala define as proporções dos gráficos e alteram a forma como os movimentos do mercado são demonstrados. Há basicamente dois tipos de escalas para analisar o preço no gráfico: a aritmética e a logarítmica.

         

        Figura - Escala Aritmética.

        Fonte: Elaborada pelo autor.

        Nesse gráfico, as distâncias entre as unidades são idênticas, são semelhantes a uma régua, pois os intervalos entre as medidas são iguais à unidade utilizada. Ou seja, a distância entre 2,00 e 4,00 é a mesma que entre 28,00 e 30,00. Essa escala nem sempre é útil, pois os ganhos auferidos com os investimentos se dão em percentual. Por exemplo, uma ação que valorizou de 2,00 para 4,00 teve ganho maior em porcentagem do que uma que valorizou de 28,00 para 30,00. Pois de 2,00 para 4,00 houve um ganho de 100%; e de 28,00 para 30,00 houve um ganho de 7,14%.

        Uma alternativa para essa problemática é a escala logarítmica:

         

        Figura - Escala Logarítmica.

        Fonte: Elaborada pelo autor.

        A distância entre os pontos nessa escala se dá em percentual. Ou seja, a distância de 2 a 4 (100%) será a mesma que a distância entre 8 e 16 (100%), e assim por diante. Portanto, essa escala permite a comparação entre rentabilidades ou perdas. Observe, por exemplo, dois gráficos distintos para o mesmo ativo e para o mesmo período:

        Figura - Gráficos em diferentes escalas para um mesmo ativo.

        Fonte: Elaborados pelo autor.

         

        Os gráficos são, respectivamente, logarítmico e aritmético. É perceptível que o gráfico aritmético superestima os ganhos realizados. Além disso, à medida que são acrescentados valores no eixo vertical, a perspectiva de análise do gráfico muda.

        O analista técnico deve atentar às variações ocorridas nos ativos. Caso elas sejam exponenciais, é recomendável utilizar a escala logarítmica, que realça esses comportamentos. Além disso, é importante ressaltar que essa escala tende a dar menos ênfase aos eventos atípicos e realça mais as tendências de longo prazo.

        1.5 PERÍODOS GRÁFICOS

        Os gráficos que utilizam o tempo como um dos eixos podem utilizar diferentes períodos. O mais comum é o gráfico diário, onde cada candle ou barra representa os preços do dia.

        Uma barra ou um Candle pode representar preços em qualquer intervalo de tempo, como exemplo um dia, uma semana ou também períodos intradiários como 10 minutos.

        As tendências observadas variam conforme as escalas de tempo utilizadas e os objetivos do investimento.

        Utilizando o gráfico de candlestick como exemplo, em um gráfico semanal, cada candlestick refere-se a uma semana e, portanto, corresponderá ao preço de abertura da segunda, ao fechamento na sexta, à máxima e à mínima da semana. Já o gráfico diário terá cada candle referente a cada pregão.

        Figura - Exemplo de gráfico Ibovespa - Diário X Semanal.

        Fonte: https://www.tradingview.com/.

        Figura - Exemplo de gráfico Ibovespa - Mensal X Semanal.

        Fonte: https://www.tradingview.com/.

        A medida que o intervalo de tempo aumenta, o gráfico anterior é incorporado como parte do gráfico posterior.

        Figura - Gráfico Ibovespa Intradiário 5 minutos.

        Fonte: https://www.tradingview.com/.

        Quanto maior a propensão a especular do investidor, menores serão os períodos utilizados nos gráficos. Isto é, as decisões grafistas necessitam de grandes amostras, mas como é adotado um prazo curto, é preciso utilizar períodos menores para identificar as oportunidades em prazos muito curtos.

        Operações de médio e longo prazo: Mensal, semanal e diário;

        Swing trade: diário e intraday (60’);

        Daytrade: intraday (15’-60’);

        calping: intraday (1’-5’).

        1.6 INDEXAÇÃO

        A indexação consiste em referenciar os valores de um gráfico em relação a outro gráfico. Esse gráfico é chamado de gráfico indexado ou gráfico dividido por um indexador. Ou seja, são observadas as proporções entre os diferentes ativos, e assim comparada a rentabilidade dos ativos analisados.

        É uma prática comum a análise da indexação. Como exemplo podemos dividir o Índice Bovespa pelo Dólar Comercial. O resultado desta divisão gera um gráfico do Ibovespa dolarizado e permite, assim, a análise do Ibovespa na perspectiva de um investidor estrangeiro que tem o Dólar como moeda local.

        Outro caso muito utilizado de indexador é o ativo de renda fixa ou a própria inflação. Nesse último caso, é chamado de correção ou indexação dos preços, pois mostra o preço do ativo corrigido. Desse modo, esse gráfico permite verificar se os retornos dos ativos analisados compensam mais que o indexador

        Já quando se trata de uma ação, por exemplo, pode ser utilizada outra ação ou um índice, a fim de avaliar o comportamento da ação em relação ao setor ou o próprio mercado como um todo.

        Figura - Índice Ibovespa Indexado ao Dólar Comercial.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Há valorização em gráfico indexado quando:

        o ativo analisado subir e o indexador cair;

        o ativo valorizar mais que a valorização do indexado; ou

        o indexador desvalorizar mais que a desvalorização do ativo.

        Há desvalorização em gráfico indexado quando:

        o indexador subir e o ativo analisado cair;

        o indexador valorizar mais que a valorização do ativo; ou

        o ativo desvalorizar mais que o indexador dele.

        Considere como ativo a ação VALE3 e como indexador a ação PETR4. O gráfico indexado deve ser analisado da seguinte forma:

        Se a análise do gráfico indica compra, deve-se comprar VALE3 e vender PETR4. Justificativa: o desempenho da VALE3 é maior que o da PETR4.

        Se a análise do gráfico indica venda, deve-se vender VALE3 e comprar PETR4. Justificativa: o desempenho da PETR4 é maior que o da VALE3.

        1.7 GRÁFICOS PERPÉTUOS OU CONTÍNUOS

        O mercado futuro tem uma particularidade que é a data de vencimento dos contratos. Ou seja, eles têm data exata para acabar. Como exemplo, existe o contrato de dólar que acaba todo primeiro dia útil de cada mês, sendo que cada mês é identificado com uma letra no seu código de negociação.

        Observe o contrato de Mini Dólar a seguir:

        Figura - Gráfico não contínuo (Mini Dólar Junho 2021)

        Fonte: https://www.tradingview.com/.

        Figura - Gráfico Perpétuo (Mini Dólar )

        Fonte: https://www.tradingview.com/.

        Para que esse processo seja corretamente realizado, é preciso respeitar alguns critérios, como:

        A liquidez do contrato não pode estar muito baixa. Portanto, o dia de vencimento não pode ser utilizado para interconectar as séries;

        Para interconectar as séries, é realizada a divisão da série antecessora à próxima por um fator.

        Esse trâmite aumenta as séries e torna-as perpétuas, possibilitando que o analista técnico utilize uma variedade maior de ferramentas e possa trabalhar com séries contínuas.

        ASSAF NETO, Alexandre. Mercado financeiro 8. ed. São Paulo: Atlas, 2008.

        KRUGMAN, P.; OBSTFELD, M. Economia internacional: Teoria e prática. 6 a edição. 2005.

        SECURATO, J.R. & SECURATO J.C. Mercado financeiro - Conceitos, cálculo e análise de investimento, 4ª reimpressão. Saint Paul, 2009.

        2 Teoria De Dow

        2.1 IDEIAS BÁSICAS

        teoria de Dow é um dos principais alicerces da análise gráfica e está baseada nas variações de preços por meio da utilização de gráficos do mercado norte-americano. Charles Dow encontrou uma forma eficiente para seguir as oscilações de preços e interpretar os movimentos do mercado.

        A teoria é baseada em princípios, são eles:

        O mercado tem três tendências;

        O volume deve acompanhar a tendência;

        Tendência primária de alta tem três fases;

        Tendência primária de baixa tem três fases;

        Os índices descontam tudo;

        As duas medias devem se confirmar;

        Mercado pode se desenvolver em linha;

        As médias devem ser calculadas com preço de fechamento;

        A tendência é válida até que haja sinais de reversão.

        Figura - Teoria de Dow.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        É importante ter em mente que a teoria de Dow (e a análise técnica como um todo) se baseia inteiramente no princípio básico de tendência. É através da tendência que é possível definir a direção dos movimentos no mercado, as mudanças de percurso e se haverá reversões. A tendência apresenta força e direção.

        Figura - Tipos de tendência.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Figura - Tendência varia conforme o tempo.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        2.2 TENDÊNCIA PRIMÁRIA, SECUNDÁRIA E TERCIÁRIA

        No entanto, há três tendências distintas, são elas: primária, secundária e terciária.

        A primeira delas é considerada a principal por ser de longo prazo. Ela representa um longo movimento de alta ou baixa de ativos. Não há uma definição clara do tempo de duração de uma tendência primária, porém, ela tende a durar mais de um ano. Observe um exemplo:

        Figura - Exemplo de tendência primária.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

         

        É importante destacar que a tendência primária não se realiza em forma de "linha reta". O movimento do mercado "caminha", entretanto, em uma direção específica. Veja:

        Figura - Direções Tendência de Alta e de baixa.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Cada um desses impulsos isolados vem a ser a tendência secundária (médio prazo), que interrompem momentaneamente a primária, mas não a altera em modo algum. A tendência secundária pode durar entre três semanas a três meses aproximadamente; e tende a corrigir entre 1/3 e 2/3 do movimento de preços da tendência primária, da qual faz parte:

        Figura - Exemplo de tendência secundária.

        Fonte: Elaborado pelo autor

        Por sua vez, tendência terciária (curto prazo) faz parte da tendência secundária assim como a secundária faz parte da primária. Elas tendem a ser movimentos de até 3 semanas. Esta tendência é composta por pequenas oscilações, de curta duração (menor a três semanas), e é a única que pode ser influenciada pelos big players.

        Cada uma das tendências apresentadas acima é mais adequada para operações específicas.

        2.3 REGRA DA CONFIRMAÇÃO

        O volume está intimamente ligado à confirmação da tendência observada, pois:

        Em uma tendência de alta é esperado que o volume aumente com a valorização dos ativos (manutenção da pressão de compra) e diminua com a desvalorização do ativo (diminuição da pressão de compra).

        Em uma tendência de baixa o volume aumenta na medida em que há uma desvalorização (manutenção da pressão de venda) e diminui na medida em que há um aumento (diminuição da pressão de venda).

        O volume deve confirmar a tendência, pois, caso contrário, é um indício de perda de força da tendência observada.

        Como o volume é uma terceira dimensão da análise, após o preço e o tempo, ele deve ser bem entendido para que não haja equívocos. Como é sabido, o volume é o total de ativos negociado em um determinado período. Ele é geralmente apresentado conjuntamente com o preço, logo abaixo dele.

        O volume pode confirmar, enfraquecer ou sugerir uma inversão/quebra. Assim, ele é importantíssimo para o analista gráfico. No gráfico a seguir é demonstrado um movimento de alta:

        Figura - Exemplo alta de volume.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        O volume é demonstrado logo abaixo do preço por meio de colunas verdes, para períodos em que o valor do fechamento for maior que valor do fechamento anterior, e por meio de colunas vermelhas para os momentos em que o valor de fechamento for menor que o período anterior.

        O gráfico ilustra a teoria descrita anteriormente. Os movimentos de alta em momentos de tendência de alta apresentam maiores volumes do que os movimentos de baixa em tendência de alta. Ou seja, as colunas de volume para os dias de alta indicados no gráfico são maiores que as colunas para os momentos de baixa. Reforçando a tendência de alta indicada.

        O contrário é verdadeiro, na tendência de baixa os volumes de dias de queda são maiores que os dos dias de baixa.

        2.4 IMPORTÂNCIA DO VOLUME

        O volume é importante visto que reflete o grau de comprometimento financeiro/emocional dos investidores com o ativo em questão. Por exemplo, uma queda brusca com volume baixo não reflete a percepção total do mercado sobre o ativo, mas uma queda brusca com volume alto indica a percepção de maior parte dos investidores.

        O volume pode ser classificado de duas formas principais:

        Volume Financeiro: O volume financeiro é calculado pela multiplicação do número de ativos negociados pelo valor dos ativos. Geralmente é apresentado um número mais extenso, em função do tamanho do mercado.

        Volume Quantidade: É o número de ativos negociados. Bastante usado no day-trade por ser um número com menos dígitos que o volume financeiro.

        O tipo de volume escolhido não é o principal fator da análise baseada no volume, mas sim a relação entre o volume observado e os demais volumes históricos para o ativo. Isto é, só é possível afirmar se o volume está alto ou baixo através da comparação com o histórico do ativo.

        A importância do volume como indicador de rompimento e de reversão de tendência ficará mais clara no tópico 3.5, no qual o uso do volume será mais detalhado.

        3 Conceito de Tendência

        3.1 DEFINIÇÃO, DIREÇÃO E FORÇA

        Os movimentos do mercado são compostos de 3 momentos, que são:

        Alta

        O movimento de alta corresponde à tendência altista e está ligado a fatores psicológicos ligados ao otimismo. Movimento caracterizado por fundos ascendentes.

        Os fundos são considerados pontos de suporte, pois é o momento em que força dos compradores supera a força dos vendedores.

        Figura - Movimento de alta.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Baixa

        Movimento de baixa é caracterizado por topos descendentes.

        Topos são considerados pontos de resistência, pois nesse momento a força vendedora supera a compradora.

        Figura - Movimento de baixa.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Lateral

        Tendência Indefinida, caracteriza se por topos e fundos em nível horizontal. Representa o equilíbrio entre compradores e vendedores em uma faixa de preço. A oscilação da faixa de preço também denominada com consolidação.

        Figura - Movimento lateral.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Figura - Tipos de tendência.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Figura - Tendência varia conforme o tempo.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Figura - Direções Tendência de Alta e de baixa.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        3.2 SUPORTE E RESISTÊNCIA

        O suporte é um nível delimitado no gráfico no qual a pressão compradora supera a pressão vendedora. Essa é uma região do gráfico na qual a queda dos preços se interrompe e os preços tendem a subir.

        Já a resistência indica o contrário. Essa é uma região do gráfico na qual o preço do ativo negociado encontra uma resistência para subir, ou seja, é uma área na qual a pressão vendedora supera a pressão compradora.

        Para que seja possível identificar o suporte ou resistência, é necessário identificar os fundos ou topos do gráfico. Os topos são as "cristas" ou "picos" do gráfico e constituem o máximo de figuras semelhantes a montanhas:

        Figura - Topo, "crista" ou "pico" do gráfico.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Já os fundos se assemelham ao decaimento máximo de "vales".

        Figura - Fundo ou "vale" do gráfico.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Em uma tendência de alta, a resistência é apresentada como pausas para as altas, porém podem ser superadas por movimentos bruscos de alta em momentos posteriores. Analogamente, o suporte "segura" os movimentos de queda e são capazes de interrompê-los por um período de tempo. Observe um exemplo de resistência (em azul):

        Figura - Exemplo de resistência.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Para que a tendência de alta representada seja mantida, é preciso que o fundo sucedido esteja em um patamar mais elevado que o fundo anterior. Observe os fundos demarcados em vermelho para o mesmo ativo apresentado anteriormente:

        Figura - Exemplo de fundos.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        3.3 LINHAS DE TENDÊNCIA E CANAIS

        As linhas de tendência são linhas traçadas de modo que os fundos de uma tendência de alta sejam ligados aos topos de uma tendência de baixa. Ela permite identificar onde se encontram os fundos/topos do ativo e, assim, apontar o melhor momento para entrar ou sair do mercado.

        Para se criar uma linha de tendência, é preciso primeiramente constatar a existência da tendência em si. Para tanto:

        Tendência de alta: identificar pelo menos dois topos (com o segundo maior que o primeiro) com dois fundos (sendo o segundo fundo mais alto que o primeiro). Observe que a tendência é apresentada por uma linha azul, que conecta fundos ascendentes.

        Figura - Tendência de alta.

        Fonte: Elaborada pelo autor .

        De forma análoga, para traçar uma linha de tendência de queda é preciso identificar com clareza a sequência em que há dois fundos seguidos, de modo que o segundo fundo seja mais baixo que o primeiro e haja dois topos seguidos, sendo o segundo topo mais baixo que o primeiro.

        Já os canais são as linhas traçadas paralelamente às linhas de tendência. Por exemplo, no caso da tendência de alta, será a linha que liga os topos da tendência. Essa linha pode ser observada no ponto A da figura apresentada anteriormente.

        Para traçar uma linha de canal para uma alta é preciso, primeiramente, traçar a linha de tendência e, após isso, ligar os topos dessa tendência com uma linha que se inicie no primeiro topo. Esse canal é confirmado se, no próximo topo, os preços "esbarrarem" na linha e se retraírem.

        Figura - Canal de alta.

        Fonte: Elaborada pelo autor.

        Analogamente, para uma tendência de baixa, o canal ligará os fundos e formará uma linha paralela à da tendência. A principal utilidade do canal é identificar o momento de entrada e saída do papel. Em uma tendência de alta, por exemplo, o investidor deverá comprar o ativo quando o preço estiver próximo da linha de tendência e vendê-lo quando estiver próximo da linha do canal.

        O mais comum é que o mercado apresente tendências claras e, todavia, canais menos claros.

        3.4 CONSOLIDAÇÃO E CORREÇÃO

        É comum que a linha de tendência seja brevemente quebrada por oscilações durante o dia. No entanto, nem sempre essa quebra representa uma mudança na tendência. Desse modo, utiliza-se o preço de encerramento do dia como critério de identificação de uma quebra na tendência.

        Outro aspecto importante é a adequação da linha de tendência, visto que nem sempre a linha traçada será mantida ao longo do tempo. Em uma tendência de alta, por exemplo, é possível que haja topos que mudem o grau de inclinação da reta. Nesse caso, a linha anterior é abandonada e adota-se uma nova linha com um afastamento maior que a anterior, de modo haja um acompanhamento melhor dos fundos e topos. Isso ocorre devido ao fato de os preços não apresentarem um comportamento em linha reta, mas sim oscilatório.

        3.4 ROMPIMENTO

        Um dos princípios da teoria de Dow é que uma tendência continua até surgir um sinal claro e definitivo de reversão. Sendo assim consideramos verdadeiro que o mercado não cairá somente por ter valorizado demais e não subirá somente porque caiu demais. O analista deverá identificar com o maior nível de clareza o possível movimento analisado.

        Ao observar um ativo em específico é preciso ter em mente que quanto maior é a amplitude da área de resistência/suporte mais forte ela é e, portanto, mais claro é o rompimento identificado. Nesse caso, o impulso gerado é tão forte que não se volta a tendência em seguida, portanto, gera movimentos prolongados que "quebram" a tendência.

        Figura - Rompimento com confirmação de volume

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        4 Figuras Gráficas

        A análise gráfica busca identificar padrões no comportamento dos preços e assim obter lucro ao antever movimentos no mercado. Esses padrões sinalizam determinados movimentos no preço em períodos seguintes e direcionam a estratégia do investidor. Esses padrões podem se apresentar na forma de figuras geométricas que ocorrem com certa frequência e são classificados em duas categorias:

        Figuras de continuidade; e

        Figuras de reversão.

        4.1 PADRÕES DE REVERSÃO E CONTINUIDADE

        As figuras de continuidade são aquelas que representam pausas na tendência apresentada, podendo representar um momento de consolidação de um preço ou de congestão. Após a identificação desses momentos há uma maior probabilidade de continuação da tendência anterior ao padrão utilizado. Observe o exemplo da figura abaixo em que uma tendência de alta é seguida por um padrão de congestão e logo em seguida retorna ao momento de alta:

        Figura - Continuidade de alta.

        Fonte: Elaborada pelo autor.

        Do mesmo modo, caso seja um movimento de baixa, o mesmo padrão indicará um prosseguimento da baixa. A figura posterior detalhará melhor como esse padrão se forma:

        Figura - Continuidade de baixa.

        Fonte: Elaborada pelo autor.

        Observe que após o padrão indicado em vermelho ser quebrado há continuidade da tendência anterior, no caso da figura acima, o prosseguimento da queda. É possível destacar alguns dos principais padrões de continuidade que podem ser sinalizados:

        Figura - Principais padrões de continuidade.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

         

        Além de indicar continuidade, os padrões também podem indicar uma reversão da tendência anterior. Entre os principais padrões de reversão é possível destacar:

        Figura - Principais padrões de reversão.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

         

        4.2 PADRÕES E VOLUME

        O volume é um fator de confirmação para a tendencia, da mesma forma é considerado imprescindível para confirmação dos movimentos das figuras gráficas. Figuras apresentam níveis de resistências e suportes que devem apresentar volume mais elevado para indicar o possível rompimento.

        Os preços podem trabalhar em conjunto com o volume para indicar os padrões de movimento do mercado.

        Figura - Rounding top.

        Fonte: Elaborada pelo autor

        No topo arredondado (rounding top), o preço tem comportamento inverso do volume. Nesse caso, o preço sofre uma dissipação no volume na medida em que cresce. O preço então perde força e cai incentivando um "rally" (investidores "correndo" na mesma direção) dos investidores. O inverso ocorre em um fundo arredondado:

        Figura - Rounding bottom.

         

        Fonte: Elaborada pelo autor.

        No fundo arredondado (rounding bottom) o preço cai mas perde força em termos de volume até que volte a crescer com o apoio do volume. A recuperação do preço é respaldada pela quantidade de investidores e um "rally" pela valorização é iniciado. Veja um exemplo real:

        Figura - Exemplo de rounding bottom.

        Fonte: Elaborada pelo autor a partir de TradingView (2019).

        4.3 PADRÕES E OBJETIVOS DE PREÇO

        Figuras gráficas são padrões formados por linhas de tendências, suportes e resistências. Baseando se no comportamento do passado é possível estabelecer continuação ou reversão de tendência. Pode se também projetar alvos de objetivo de preço. A projeção dos alvos de nível do preço auxilia o analista a encontrar pontos de saída da operação. Com a projeção dos alvos (pontos de saída ou realização parcial) o analista consegue delimitar o gerenciamento de risco retorno de cada operação.

        Assim, a melhor maneira para que o investidor se atende a estratégia é através da ordem de stop, que deve ser programada logo ao se posicionar no mercado. Lembre-se: a ordem de stop é uma ordem programada conforme o preço atinge um determinado patamar previsto pela estratégia.

        Todavia, as ordens de stop devem ser sempre atualizadas conforme o comportamento do ativo permitir. Ou seja, um aumento constante do preço do ativo flexibiliza a elevação da ordem de stop. Porém, a mudança do stop não deverá ser realizada para baixo.

        4.4 OMBRO-CABEÇA-OMBRO

        A formação ombro-cabeça-ombro (head and shoulders) é uma das formações de reversão mais conhecidas na literatura de análise técnica. Portanto, caso a tendência inicial seja de alta a formação indicará uma reversão para uma tendência de baixa.

        Figura - Head and shoulders (Ombro-cabeça-ombro)

        Fonte: Elaborada pelo autor.

        Caso a tendência inicial seja de alta, os ombros e a cabeça serão topos que correspondem a máximas da cotação do título (topos). Já caso a tendência inicial seja de baixa, os ombros e a cabeça serão mínimos (fundos). Observe um caso prático:

        Figura - Exemplo de head and shoulders.

        Fonte: Elaborada pelo autor.

         

        4.5 TOPOS E FUNDOS DUPLOS

        Os topos duplos (double top) e fundos duplos (double bottom) são outras formas de reversão. No fundo duplo há dois mínimos intercalados por um máximo e que são seguidos de um rompimento de uma linha de resistência. Esse padrão marca a saída de uma tendência de queda para uma tendência de alta. Veja o exemplo:

        Figura - Exemplo de fundos duplos (double bottom).

        Fonte: Elaborada pelo autor.

         

        O fundo duplo, composto pelos dois mínimos e um máximo ocorre após a tendência de queda demonstrada. O primeiro mínimo é a cotação mais baixa da tendência de baixa e precede um movimento de alta representado pelo máximo. No entanto, a alta não é mantida e ocorre um novo mínimo acompanhado com cotação semelhante à do primeiro. Os investidores sentem que há oportunidade de auferir os ganhos do máximo anterior e a pressão compradora volta ainda mais forte e quebra a resistência anterior. Isso gera uma nova tendência. Observe um exemplo:

        Figura - Exemplo de fundos duplos (double bottom).

        Fonte: Elaborada pelo autor.

        Essa formação é mais evidente quanto maior é a diferença entre os mínimos e máximos no gráfico, ou seja, quanto maior é o percentual entre os preços do mínimo e do máximo maior é a pressão compradora que romperá a resistência. É importante destacar que os mínimos devem estar claramente separados para que a formação deles não seja apenas um suporte.

        Contrariamente, há o padrão inverso em que há dois máximos intercalados por um mínimo. Quando esse padrão culmina em um rompimento do suporte, há o chamado "topo duplo". Esse padrão marca a transição de uma tendência de alta para uma tendência de baixa. Exemplo:

        Figura - Exemplo de topo duplos (double top).

        Fonte: Elaborada pelo autor.

        O gráfico de topo duplo é composto por um primeiro máximo que é a cotação mais alta do período de tendência de alta. Após isso há uma queda, que serve como referência para traçar a linha de suporte. Ela é acompanhada de uma alta, devido à memória do mercado. Essa alta apresenta outro máximo semelhante ao primeiro (não precisa ser idêntico, mas a diferença deve ser mínima). Após a última alta, há uma nova queda acompanhada pelo aumento do volume. Ultrapassada a linha de suporte, ela se torna a nova linha de resistência a ser utilizada.

        Assim como no fundo duplo, quanto mais perceptível for a dos máximos e mínimos, mais forte é a tendência observada. É importante destacar que em ambas as formações o volume é essencial para confirmar o rompimento da linha de suporte/resistência, caso contrário, poderá haver uma nova recuperação sem que a reversão de tendência se confirme.

        4.6 TOPOS E FUNDOS TRIPLOS

        Os topos triplos (triple top) e fundos triplos (triple bottom) são padrões gráficos de reversão não encontrados com muita frequência.

        No fundo triplo há três mínimos que precedem um rompimento de resistência nesse padrão, há uma tendência inicial de baixa que culmina na forma que antecede uma tendência de alta. Essa formação é composta por três mínimos que são aproximadamente iguais e que são acompanhados de pequenos aumentos no volume negociado.

        Figura - Exemplo de fundos triplos (triple bottom).

        Fonte: Elaborada pelo autor.

        Após o terceiro mínimo há uma quebra de resistência que é acompanhada de aumentos no volume negociado. O aumento do volume deve existir para que seja uma mudança de tendência confiável.

        Nessa formação há uma linha de resistência que deve ser rompida após o terceiro mínimo. Essa resistência passa a ser então uma linha de suporte. Quanto mais clara é a formação, maior é a tendência de alta que precederá a formação.

        Figura - Exemplo de linha de resistência de fundos triplos (triple bottom).

        Fonte: Elaborada pelo autor.

        Já o topo triplo segue a lógica inversa do fundo triplo. Ele é composto por uma primeira linha de tendência de alta que forma uma três máximos seguidos em preços semelhantes. Após isso, há um rompimento do suporte criado e então há uma reversão de tendência para uma baixa. Exemplo:

        Figura - Exemplo de topos triplos (triple top).

        Fonte: Elaborada pelo autor.

        Nessa formação gráfica de topo triplo há três máximos que devem ser semelhantes em nível de preço. Essa formação cria uma linha de suporte aos três pontos. Pequenas diferenças de preço são aceitáveis, porém, para que não haja dúvida, deve-se consultar o volume transacionado para confirmar se a tendência tende a um rompimento. Analogamente ao fundo triplo, a linha de suporte se torna a linha de resistência após o rompimento.

        4.7 TRIÂNGULOS

        Os triângulos ascendentes (ascending triangle) são formações que reforçam a tendência de alta. Nesse padrão há pontos de máximos na mesma linha de resistência horizontal. Esses pontos têm cotação aproximada e são separados por pequenas distâncias. Em contrapartida, as linhas de mínimo seguem uma tendência de alta evidente.

        Figura - Triângulos ascendentes (ascending triangle).

        Fonte: Elaborada pelo autor.

        Essa formação pode ser utilizada para avaliar formações em poucas semanas a até meses e, geralmente, é confirmada pelo volume. Nessa formação o volume tende a diminuir junto com a formação do triângulo até que ele rompa a resistência. Nesse ponto, o volume aumenta drasticamente, confirmando a continuidade da tendência. Ou seja, essa não é uma figura de reversão. Observe um exemplo real:

        Figura - Exemplo de triângulos ascendentes (ascending triangle).

        Fonte: Elaborada pelo autor.

        Já a formação de triângulo descendente (descending triangle) se forma em momentos de tendência de baixa. Essa formação pode durar semanas ou até meses. Nela a linha inferior é um suporte de pelo menos dois pontos de mínimos unidos por uma linha horizontal. Esses pontos apresentam cotação aproximada. Além disso, há uma linha de tendência de baixa (descida) ligando pelo menos dois pontos de máximos que são seguidos e sucessivamente inferiores um ao outro.

        Figura - Triângulos descendentes (descending triangle).

        Fonte: Elaborada pelo autor.

        Essa é uma formação que depende do volume para confirmação. Caso ele aumente, é um grande indício de rompimento do suporte. Geralmente se usa como cotação alvo a diferença entre a cotação máxima do triângulo e a linha de suporte, ou seja, após o rompimento se fixa um valor abaixo do rompimento cuja diferença seja igual à do suporte até o máximo do triângulo.

        Por fim, há o triângulo simétrico (symmetric triangle), que não apresenta uma tendência definida após sua formação. Ele é formado por uma linha de resistência e uma linha de suporte, cada uma delas formada por no mínimo dois pontos (dois máximos e dois mínimos). A linha de suporte é formada por mínimos consecutivos, que aumenta de altitude ao longo da linha. Já a linha de resistência é formada por máximos consecutivos que diminuem de altitude ao longo da linha. Exemplo:

        Figura - Triângulos simétrico (symmetric triangle).

        Fonte: Elaborada pelo autor.

        4.8 BANDEIRAS, FLÂMULAS E CUNHAS

        As bandeiras (flag) e flâmulas (pennant) são padrões de continuação e possuem alguns pontos em comum que podem ser caracterizados como etapas dessas formações. São elas:

        Figura - Pontos comuns entre bandeiras (flag) e flâmulas (pennant).

        Fonte: Elaborada pelo autor.

        Ambas as formações ocorrem em períodos curtos que corriqueiramente vão de 1 a 3 semanas em períodos de quedas ou altas bruscas, porém, também podem ser observados em até 8 semanas. Nessas formações o volume tende a diminuir até o momento de quebra do padrão, onde ele aumenta.

        A diferença crucial entre os dois padrões é o formato da segunda etapa das formações (correção do movimento). Observe a figura que representa a bandeira:

        Figura - Bandeira (flag).

        Fonte: Elaborada pelo autor.

        Na bandeira há pelo menos dois mínimos e dois máximos que se formam na horizontal em preços semelhantes. Observe que a tendência inicial é mantida após a formação. É importante destacar que ela pode se conformar com mais topos e fundos.

        A seguir são apresentados exemplos de bandeira baixista (bearish flag) e bandeira altista (bullish flag).

        Figura - Bandeira baixista (bearish flag).

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Figura - Bandeira altista (bullish flag).

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Já na flâmula a linha de resistência se forma em diagonal, como pode ser observado na figura a seguir:

        Figura - Flâmula (pennant).

        Fonte: Elaborada pelo autor.

        Geralmente, é definido o preço alvo (momento de sair do ativo) conforme a distância entre os pontos mais distantes da formação (tanto para a bandeira quanto para a flâmula). Nesse caso, após o rompimento é estabelecido o preço de venda (no caso de uma tendência de alta) conforme o preço do rompimento mais a distância citada anteriormente.

        Assim como as duas formações citadas anteriormente, a cunha (wedge) também indica continuação de tendência. Essas formações se assemelham ao triângulo simétrico pois nelas há duas linhas (suporte e resistência) que convergem para o mesmo ponto.

        Em tendência de alta uma cunha irá se posicionar "afunilando" as oscilações para baixo. Ou seja, nessa formação os preços se comportam contrariamente à tendência inicial até que há o rompimento da formação e volte à tendência inicialmente indicada. Exemplo de cunha de alta:

        Figura - Cunha (wedge) de alta.

        Fonte: Elaborada pelo autor.

        Lembre-se que quando a tendência é de alta a cunha é descendente e quando a tendência é de baixa a cunha é ascendente. A dinâmica do volume e do preço alvo segue o padrão da flâmula e da bandeira.

        4.9 RETÂNGULOS

        As formações de retângulos são padrões claros e fáceis de identificar nos gráficos de cotações, pois são limitadas por duas linhas horizontais paralelas bem definidas. Essas linhas unem os topos (linha de resistência) e os fundos (linha de suporte). Essa formação é conhecida por ser uma área de consolidação das cotações.

        Os retângulos não se formam apenas na alta ou apenas na baixa. Essa é uma figura de consolidação que pode se formar em qualquer uma das duas tendências. Para que o retângulo seja útil é necessário ter um padrão claro antes de sua formação para, assim, o retângulo poder indicar sua continuação em um determinado momento.

        Figura - Retângulo.

        Fonte: Elaborada pelo autor.

        No exemplo apresentado acima há uma continuidade de uma tendência de baixa, porém, o mesmo padrão pode se aplicar a uma tendência de alta. Essa formação se assemelha ao triângulo simétrico no sentido poder ser aplicada a qualquer uma das tendências e indicar consolidação delas.

        É importante destacar que essa figura é formada por no mínimo 4 pontos de contato, sendo no mínimo dois topos e dois fundos. Os fundos devem ter valores aproximados entre si, da mesma forma os topos devem ter valores semelhantes entre si.

        Figura - Exemplo de retângulo.

        Fonte: Elaborada pelo autor.

        O volume não se comporta de forma padrão, o que dificulta identificar o momento certo da reversão. Contudo, é esperado que quanto maior for o volume, mais forte é a direção do movimento dos preços. Assim como o triângulo simétrico, esse padrão pode durar de semanas a meses.

        A direção do rompimento dependerá da trajetória anterior à formação, porém, é importante se atentar ao momento do rompimento para a identificação da tendência a ser prosseguida. Geralmente, é utilizado como definição de rompimento da formação uma oscilação de até 3% abaixo ou acima da linha de resistência/suporte. Esse padrão ilustra o conflito entre a pressão compradora e vendedora no mercado, pois demonstra a oscilação entre as forças de compra e venda.

        As formações de retângulos são padrões claros e fáceis de identificar nos gráficos de cotações, pois são limitadas por duas linhas horizontais paralelas bem definidas. Essas linhas unem os topos (linha de resistência) e os fundos (linha de suporte). Essa formação é conhecida por ser uma área de consolidação das cotações.

        Os retângulos não se formam apenas na alta ou apenas na baixa. Essa é uma figura de consolidação que pode se formar em qualquer uma das duas tendências. Para que o retângulo seja útil é necessário ter um padrão claro antes de sua formação para, assim, o retângulo poder indicar sua continuação em um determinado momento.

        Figura - Retângulo.

        Fonte: Elaborada pelo autor.

        No exemplo apresentado acima há uma continuidade de uma tendência de baixa, porém, o mesmo padrão pode se aplicar a uma tendência de alta. Essa formação se assemelha ao triângulo simétrico no sentido poder ser aplicada a qualquer uma das tendências e indicar consolidação delas.

        É importante destacar que essa figura é formada por no mínimo 4 pontos de contato, sendo no mínimo dois topos e dois fundos. Os fundos devem ter valores aproximados entre si, da mesma forma os topos devem ter valores semelhantes entre si.

        Figura - Exemplo de retângulo.

        Fonte: Elaborada pelo autor.

        O volume não se comporta de forma padrão, o que dificulta identificar o momento certo da reversão. Contudo, é esperado que quanto maior for o volume, mais forte é a direção do movimento dos preços. Assim como o triângulo simétrico, esse padrão pode durar de semanas a meses.

        A direção do rompimento dependerá da trajetória anterior à formação, porém, é importante se atentar ao momento do rompimento para a identificação da tendência a ser prosseguida. Geralmente, é utilizado como definição de rompimento da formação uma oscilação de até 3% abaixo ou acima da linha de resistência/suporte. Esse padrão ilustra o conflito entre a pressão compradora e vendedora no mercado, pois demonstra a oscilação entre as forças de compra e venda.

        4.10 GAPS, ILHA DE REVERSÃO

        Os gaps (que significam "intervalos"), também conhecidos como price gaps (que significa "intervalos de preços") são áreas do gráfico em que não há negociação. Por exemplo, quando há uma tendência de alta, os preços tendem a se elevar de um pregão para o outro, no entanto, há diferenças entre o preço de encerramento de um pregão e a cotação de abertura do pregão posterior, essa diferença é um exemplo de gap. Da mesma forma, os gaps podem existir em tendências de baixa, analogamente, nesse caso há um gap quando o pregão inicia o dia com um preço muito abaixo do encerramento do dia anterior. Exemplo:

         

        Figura - Gaps.

        Fonte: Elaborada pelo autor.

        Geralmente os gaps são "fechados", ou seja, há movimentos de preços que recuperam o salto dos preços anteriores. Isso ocorre porque geralmente os gaps são resultados de euforia em relação a notícias ocorridas fora do horário de pregão (como de noite) e são superestimadas pelo mercado (euforia). Nesse caso, os investidores se recuperam da euforia e revertem o comportamento abrupto dos preços.

        Figura - Exemplo de fechamento de um gap.

        Fonte: Elaborada pelo autor.

        Porém, a ocorrência de um gap nem sempre é revertida e é comum em diversos momentos. Devido a isso, é possível identificar quatro formações mais recorrentes de gaps, são elas:

        Gap comum (commom gap): ocorre geralmente quando o mercado tem baixa liquidez (pouco volume transacionado) ou em momentos de consolidação. Nesses casos, o gap significa a falta de interesse do lado vendedor ou do lado comprador no mercado. Geralmente, esses gaps são fechados (movimentos contrários que retornam o preço) em pouco tempo e têm pouca influência sobre o comportamento como um todo do ativo analisado.

        Figura - Exemplo de gap comum (commom gap).

        Fonte: Elaborada pelo autor.

        Gap de rompimento (Breakaway Gap): esse gap ocorre em momentos de rompimento de uma figura gráfica ou quando há violação de um suporte ou resistência amparados pelo aumento do volume do gráfico. É importante destacar que:

        O gap é considerado "gap de rompimento de baixa" quando inicia uma trajetória de queda.

        O gap é considerado "gap de rompimento de alta" quando inicia uma trajetória de alta.

        Esses gaps são raramente revertidos em períodos posteriores e caso o sejam indicam um falso rompimento anterior ou uma reversão de tendência. Exemplo de gap de rompimento:

        Figura - Exemplo de gap de rompimento (breakaway gap).

        Fonte: Elaborada pelo autor.

        Gap de continuação (Midway Gap): também conhecido como gap de fuga (runaway gap), ele ocorre quando há movimentos no meio de uma tendência sem que haja rompimento dela. Esses movimentos geralmente são consecutivos e demonstram a força da tendência observada. Esses gaps são geralmente acompanhados de alto volume e apresentam preço de fechamento próximos do máximo do dia (para uma tendência de alta) ou apresentam preços de fechamento próximos da mínima (para uma tendência de baixa). Esses gaps não são fechados em períodos posteriores.

        Figura - Exemplo de gap de continuação (midway gap).

        Fonte: Elaborada pelo autor.

        Gap de exaustão (Exhaustion gap): esse gap ocorre ao final de uma tendência, logo após um rápido declínio ou alta dos preços. Ele representa uma forte alta (no caso de uma tendência de alta) ao final da tendência e é prontamente fechada pelo rompimento da tendência. Já em uma tendência de baixa, ele representa uma forte baixa que é prontamente fechada pelo rompimento da tendência. Ele é facilmente confundido com o Midway Gap, pois se apresenta após um rápido avanço dos preços.

        Figura - Exemplo de gap de exaustão (exhaustion gap).

        Fonte: Elaborada pelo autor.

        Ilha de reversão (island reversal): Esse é um gap raro que delimita "ilhas" de preços. Essas ilhas de preços antecedem descontinuidade das tendências observadas antes dessas ilhas. O formato pode durar muito ou pouco, ou seja, pode se conformar com candles isolados (curto prazo) ou se assemelhar aos fundos ou topos arredondados, porém, com gaps nas laterais (longo prazo). É importante destacar que:

        Figura - Destaque sobre Ilha de reversão (island reversal)

        Fonte: Elaborada pelo autor.

        Figura - Exemplo de Ilha de reversão (island reversal).

        Fonte: Elaborada pelo autor.

        5 Teoria das Ondas de Elliott

        5.1 PRINCÍPIOS DE CONTAGEM DAS ONDAS

        Entre as décadas de 30 e 40 um contador americano chamado de Ralph Nelson Elliott demonstrou que é possível identificar graficamente os movimentos cíclicos dos preços decorrentes dos fatores emocionais do mercado financeiro.

        Dessa forma, os movimentos identificáveis nada mais são do que a precificação das emoções das massas que seguem padrões psicológicos possíveis de serem identificados nos gráficos. Assim, parte dos movimentos no mercado decorre de o comportamento em manada devido aos investidores tomarem decisões baseadas na observação dos demais investidores ao invés da sua própria análise independente dos fatos. Ou seja, as decisões realizadas pelos participantes do mercado não são completamente independentes e, por serem correlacionadas, podem gerar efeitos em cascata. No entanto, não são todos os investidores suscetíveis a tomar decisões não racionais. Dessa forma, é possível dividir os participantes do mercado em dois grandes grupos:

        Participantes informados: se pressupõe que sejam os profissionais como administradores de fundos, arbitradores e etc.

        Participantes desinformados: investidores que não utilizam técnicas para tomar decisões ou que são demasiadamente emotivos.

        Nessa teoria os participantes informados interpretam as notícias e tomam decisões automaticamente e racionalmente. Assim, são eles que definem o preço de equilíbrio dos ativos. Já os participantes desinformados agem conforme as emoções e geram aumentos de volatilidade para os ativos negociados.

        Diante disso, Elliott desenvolveu uma teoria para o comportamento em ciclos das séries históricas de preços de ativos cotados em bolsas (ações, commodities, índices, Exchange Traded Funds - ETF`s, etc.). Essa teoria pode ser comparada com a teoria de DOW em alguns quesitos, são eles:

        Quadro - Comparação entre a Teoria de Dow e a Teoria das Ondas de Elliott.

        Quesitos

        Teoria de DOW

        Teoria das Ondas de Elliott

        Tendência

        Há três tendências: primária, secundária e terciária

        Também há as diferentes tendências

        Causa das oscilações nos preços

        Fundamentos e Emoção

        Fundamentos e Emoção

        Padrões e Ferramentas

        Topos e fundos, Tendências, Resistências, entre outros

        Fibonacci, ciclo 12345 abc

        Limite da tendência

        Não há foco no limite da tendência

        Se busca identificar limites para as tendências apresentadas

        Prazo

        Foca-se no longo prazo (gráficos que cobrem meses).

        Não há foco em prazos definidos, pois há ferramentas para se prevenir de oscilações bruscas.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

         

        As decisões tomadas por analista que se utiliza da teoria de Elliott geralmente são:

        Figura - Decisões a partir da Teoria das Ondas de Elliott.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Segundo Elliott os padrões gráficos se repetem em diferentes escalas e com proporções semelhantes (intervalos de minutos, intervalos de horas, intervalos de dias, etc.). Nesse sentido, o mercado financeiro é composto por fractais que são suas imagens e semelhanças em diferentes escalas. Um exemplo de fractal é os brócolis, cada ramo dele se assemelha aos brócolis como um todo, e se "quebrar" um ramo e dividir em pequenos ramos menores é possível observar semelhança entre o formato do ramo e do vegetal como um todo.

        A repetição de padrões nos preços adotada pela teoria é conhecida como o padrão 12345abc da teoria das ondas de Elliott e se repete em diferentes tamanhos e escalas no gráfico.

        Figura - Exemplo de padrão 12345abc da teoria das ondas de Elliott.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

         

        No entanto, é importante destacar que esse padrão é irregular e apresenta imperfeições. Ou seja, ele não segue exatamente o aspecto destacado na figura anterior. Além disso, pode ser apresentado de forma inversa, veja:

        Figura - Exemplo de padrão imperfeito 12345abc da teoria das ondas de Elliott.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        A forma de tendência de alta é chamada de pivô de alta, enquanto a forma que representa uma tendência de baixa é chamada de pivô de baixa. Segundo essa teoria, todo momento do mercado está em uma das ondas apresentadas. Portanto, são 8 ondas definidas como:

        Onda 1

        Onda 2

        Onda 3

        Onda 4

        Onda 5

        Onda A

        Onda B

        Onda C

        São no total cinco ondas consideradas da fase de impulso (na direção da tendência da formação) e 3 ondas da fase de correção. Resta ao analista identificar em qual onda o mercado está e se posicionar corretamente conforme a próxima onda que se segue.

        5.2 ONDAS IMPULSIVAS/CORRETIVAS

        O ciclo completo (pivô de alta ou pivô de baixa) possui ciclos dentro de si mesmo e é parte de um ciclo ainda maior. Isso pode ser observado a seguir:

        Figura - Ciclo completo de padrão 12345abc da teoria das ondas de Elliot.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Como pode ser observado, uma onda maior é composta por ondas menores e elas por ondas ainda menores, assim em diante. Essa é a ideia de fractais apresentada anteriormente. Cada uma das áreas circuladas são ondas distintas, compostas pelos pontos 12345abc e formam o mesmo padrão em escala maior, observe:

        Figura - Fractais dentro do ciclo completo de padrão 12345abc da teoria das ondas de Elliot.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Através da identificação da onda em que os preços estão é possível prever a próxima onda e assim tomar decisões de compra ou venda do ativo. As primeiras 5 ondas são chamadas de ondas impulsivas ou impulsoras, pois elas compõem a direção do pivô (alta ou baixa). As últimas 3 ondas são da fase de correção, portanto, são corretivas.

        Figura - As fases em um pivô de alta.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Assim os pontos 12345 do gráfico pertencem ao momento de impulso e os pontos ABC ao momento de correção. Se o pivô for de alta, ABC será para baixo. Se o pivô for de baixa, o ABC será para cima.

        Figura - As fases em um pivô de baixa.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        FASE IMPULSIVA: ONDAS IMPULSIVAS

        Primeira Onda: Essa é a onda na qual os investidores bem informados agem conforme as informações que eles detêm. Ela culmina em um topo bem definido. Quanto maior é essa onda, maior serão as demais.

        Segunda Onda: nessa onda há correção do movimento anterior. A correção pode chegar a 61,8% da primeira onda. Importante: observe que a onda está na fase impulsiva, mas ela corrige a onda anterior. É importante diferenciar o comportamento de correção da definição de onda corretiva, que são as ondas da segunda fase do pivô.

        Terceira Onda: é a onda na qual a confirmação do pivô (seja de alta, seja de baixa) gera uma euforia de compra. Nela há um forte impulso, que pode gerar a maior das ondas da formação. Dica: Ela nunca é menor das 5 ondas da fase impulsiva, se for, ela não é a terceira onda.

        Quarta Onda: nessa onda há uma correção de cerca de 38,2% da terceira onda, porém, o otimismo ainda é grande e, portanto, ela não cai abaixo da terceira onda.

        Quinta Onda: é formado mais um impulso que é marcado por um baixo volume. O otimismo diminui e pode surgir figuras como cunhas ou flâmulas. É possível que o mercado esteja muito "desanimado" com o ativo e o topo seja a preços semelhantes aos do topo da terceira onda. Nesse caso, é possível observar figuras como topos duplos. Caso isso ocorra, é esperada uma forte reversão de tendência nas próximas ondas.

        FASE CORRETIVA

        Onda A: é marcada por um período de forte baixa (no pivô de alta) ou um período de forte alta (no pivô de baixa). Essa onda marca a mudança de fase do pivô. Alguns investidores no mercado acreditam que é uma correção da onda 5, porém, se trata de um impulso contrário. Importante: Essa é uma onda classificada como corretiva, contudo, ela gera um impulso que reverte toda a onda anterior, caso ela gerasse apenas uma correção, o fundo dela estaria significativamente acima do topo da onda 4.

        Onda B: Alguns investidores ainda acreditam que o ativo não reverteu a tendência da primeira fase e entram comprado no ativo. Há um pequeno período de alta, mas com volume fraco. Essa alta apresenta um topo inferior ao patamar da quinta onda. Fica claro para os investidores que a tendência mudou e que a Onda B não se trata de um impulso, mas de uma correção da Onda A.

        Onda C: Período intenso no qual há forte queda (no pivô de alta) ou forte alta (no pivô de baixa). Nesse momento o mercado percebe que o movimento de baixa é sólido e não é apenas uma correção da onda B. Ou seja, consolida a direção da segunda fase.

        5.3 NÚMEROS DE FIBONACCI: RAZÕES E CORREÇÕES

        Os pivôs são observáveis ao final de tendências de alta ou de baixa. Por exemplo, ao final de uma tendência de baixa o pivô de alta apresenta um fundo mais alto que o anterior. É possível destacar três pontos que permitem a identificação de um pivô de alta:

        Ponto 0: Fundo

        Ponto 1: Topo

        Ponto 2: Fundo mais alto que o anterior

         

        É quando ela alcança o fundo mais alto que é possível identificar claramente a formação do pivô. Esses três pontos são os seguintes:

        Figura - Três pontos que permitem a identificação de um pivô de alta.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Sabendo da existência do pivô no ponto 2 é recomendável aguardar até alcançar o ponto 3 para confirmar a formação. Entrando, no ativo é possível desfrutar dos possíveis ganhos posteriores devido a fase de impulso do pivô. O mesmo pode ser observado em um pivô de baixa:

        Ponto 0: Topo

        Ponto 1: Topo

        Ponto 2: Fundo mais alto que o anterior

         

        Figura - Três pontos que permitem a identificação de um pivô de baixa.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Porém, para projetar os preços pode ser utilizado Fibonacci. Nesse caso são utilizadas as variações dos preços como referência para a tomada de decisão. Anteriormente, foi dito que a variação das ondas equivale a 38,2% e a 61,8%. Esses valores se baseiam nas medidas encontradas por esse método (Fibonacci). Para isso, o cálculo é simples, observe para a primeira onda:

        38,2% equivale a: (Ponto 1 - Ponto 0) * 1,382

        61,8% equivale a: (Ponto 1 - Ponto 0) * 1,618

        100% equivale a: (Ponto 1 - Ponto 0) * 2,00.

        Os valores de 38,2% e 61,8% é resultante da série de Fibonacci (matemático italiano do século XII) que é formada por números que são o resultado da soma dos dois últimos anteriores.

        Observe:

        0 + 1 = 1

        1 + 1 = 2

        1 + 2 = 3

        2 + 3 = 5

        3 + 5 = 8

        5 + 8 = 13

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Essa série cresce indefinitivamente, porém, apresenta uma característica peculiar. A razão entre dois números consecutivos tende a se estabilizar em 0,618. Observe:

        1/2 = 0,5

        2/3 = 0,66

        3/5 = 0,60

        5/8 = 0,625

        8/13 = 0,615

        13/21 = 0,619

        21/34 = 0,618

        34/55 = 0,618

        Fonte: Elaborado pelo autor

        Dessa forma, as ondas obedecem às relações básicas da série de Fibonacci, que são: 0,618 (61,8%) e 0,382 (38,2% = 100% - 61,8%). Outros percentuais fornecidos pela série também são utilizados, como 50% e 23,6%/78,6%, porém, o usual é utilizar 38,2%/61,8%.

        Figura - Ondas e relações básicas de Fibonacci.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Os movimentos de queda e de alta apresentam percentual de variação. Sabemos que que a série de Fibonacci nos dá padrões, como 50%/50% ou 38,2%/61,8%.

        Nota: A proporção 0,618 é o arredondamento de 1,61803398875, e recebe diversos nomes, entre eles: proporção áurea, número de ouro, proporção de ouro, divina proporção, entre outros nomes. Ela é uma constante real algébrica irracional atrelada à letra grega Φ (Phi).

         

        6 Padrões Candlestick

        6.1 NOMENCLATURA E FIGURAS BÁSICAS

        Os candlestick são representações gráficas que apresentam diversas informações sobre o ativo. Devido ao seu formato peculiar há padrões que podem ser identificados exclusivamente com o seu uso. Por representar o máximo, mínimo, fechamento e abertura do mercado é possível observar a direção da força do mercado apenas em um candle. Diante disso, o analista que busca observar padrões especificamente nos gráficos de candlestick devem observar:

        Tamanho das velas

        Tamanho da sombra;

        Posição do preço no fechamento da vela.

        A observação desses três fatores indicará se houve força de algum grupo de participantes do mercado (compradores/vendedores), fraqueza de um deles (compradores/vendedores) ou equilíbrio entre eles.

        A seguir será representada cada uma dessas características considerando cada candle um pregão (candle diário). Caso haja força dos compradores, haverá assim um candle de alta. Nesse caso, o fechamento do pregão será próximo da máxima do dia, além disso, o corpo do candle será grande em relação à sombra. Observe:

        Figura - Candle de alta.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Já caso o candle represente a força dos vendedores o corpo também será grande em relação à sombra, porém, o fechamento será próximo da mínima. Observe:

         

        Figura - Candle de baixa.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        No entanto, os candles podem indicar fraqueza de um dos grupos de negociadores. Caso a fraqueza seja do grupo de compradores, o candle será curto com uma grande sombra superior e com fechamento próximo da mínima do dia. Observe o exemplo:

        Figura - Corpo pequeno candle de baixa.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        A fraqueza também pode advir dos vendedores. Nesse caso, o candle apresenta um corpo pequeno, sombra inferior alongada e fechamento próximo da alta. Veja:

        Figura - Corpo pequeno candle de alta.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        6.2 PADRÕES DE REVERSÃO ALTISTAS

        Os padrões de reversão são figuras compostas por dois ou mais candles que indicam a mudança da tendência dos preços. Os padrões de reversão de alta são aqueles que sinalizam o encerramento de um período de baixa e a reversão para um de alta. Já os padrões de reversão de baixa sinalizam o encerramento de um período de alta e a reversão para um de baixa.

        Para ilustrar esses métodos, segue uma demonstração. Nela os candles vermelhos representam baixa, os candles azuis representam alta e os candles verdes significam que pode ser um candle de baixa ou de alta. Além disso, os riscos retos indicam que pode ser qualquer candle que se posicione na forma apresentada.

        DICA PARA OS PADRÕES DE ALTA: os ditos de continuação indicam a continuação de uma tendência de alta e os padrões de alta ditos de reversão indicam o fim de uma tendência de baixa e o início de uma tendência de alta. Se tiver dúvidas sobre como diferenciar os dois, observe que os padrões de reversão de alta geralmente se iniciam para baixo enquanto os padrões de continuação de alta geralmente se iniciam para o alto.

        Figura - Bebê abandonado de alta (Abandoned baby).

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Características:

        Confiabilidade: alta

        Padrão: reversão

        Figura - Bebê engolido de alta (Concealing Baby Swallow).

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Características:

        Confiabilidade: alta (de rara observação)

        Padrão: reversão

        Figura - Estrela da manhã (Morning Star).

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Características:

        Confiabilidade: alta

        Padrão: reversão

        Figura - Três por dentro de Alta (Three Inside Up).

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Características:

        Confiabilidade: alta

        Padrão: reversão

        Figura - Três por fora de alta (Three Outside Up).

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Características:

        Confiabilidade: alta

        Padrão: reversão

        Figura - Chute de Alta (Bullish Kicking).

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Características:

        Confiabilidade: alta (raro de se observar)

        Padrão: reversão

        Figura - Doji estrela da manhã (Morning Doji Star).

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Características:

        Confiabilidade: alta

        Padrão: reversão

        Figura - Três Soldados Brancos (Three White Soldiers) - (confiabilidade alta).

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Características:

        Confiabilidade: alta

        Padrão: continuação

        6.3 PADRÕES DE REVERSÃO BAIXISTAS

        Assim como os padrões de alta anteriores, os padrões de baixa de continuação indicam a continuação de uma tendência de baixa e os padrões de baixa ditos de reversão indicam o fim de uma tendência de alta e o início de uma tendência de alta. Caso tenha dúvidas sobre como diferenciar os dois, observe que os padrões de reversão geralmente se iniciam para o alto enquanto os padrões de continuação geralmente se iniciam para baixo. Observe os padrões de reversão de baixa:

        Figura - Bebê abandonado de baixa (Abandoned Baby Bearish).

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Características:

        Confiabilidade: alta

        Padrão: reversão

        Figura - Nuvem negra (Dark Cloud Cover Bearish).

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Características:

        Confiabilidade: alta

        Padrão: reversão

        Figura - Três Corvos Idênticos (Identical three crows bearish).

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Características:

        Confiabilidade: alta

        Padrão: reversão

        Figura - Salto para baixo (Kicking Bearish).

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Características:

        Confiabilidade: alta

        Padrão: reversão

        Figura - Engolfo de baixa (Engulfing Bearish).

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Características:

        Confiabilidade: alta

        Padrão: reversão

        Figura - Doji Estrela da Manhã de Baixa (Morning star doji bearish).

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Características:

        Confiabilidade: alta

        Padrão: reversão

        Figura - Estrela da noite de baixa (Evening star bearish).

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Características:

        Confiabilidade: alta

        Padrão: reversão

        Figura - Three outside down bearish.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Características:

        Confiabilidade: alta

        Padrão: reversão

        6.4 PADRÕES DE CONTINUIDADE

        Como dito anteriormente, os padrões de continuação de alta geralmente se iniciam para baixo. Observe os padrões de continuação de alta (observação: neles também há indicação do grau de confiabilidade):

        Figura - Aperto do Mat (Mat Hold).

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Características:

        Confiabilidade: alta

        Padrão: continuação

        Figura - Três Métodos de Alta (Rising Three Methods).

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Características:

        Confiabilidade: alta

        Padrão: continuação

        Figura - Linhas Brancas Lado-a-lado na Alta (Side By Side White Lines) - (confiabilidade alta).

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Características:

        Confiabilidade: alta

        Padrão: continuação

        Figura - Gap de Alta de Três Métodos (Upisde Gap Three Methods).

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Características:

        Confiabilidade: moderada

        Padrão: continuação

        Figura - Gap de Alta de Tasuki (Upside Tasuki Gap).

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Características:

        Confiabilidade: moderada

        Padrão: continuação

        Figura - Três linhas de alta (Three Line Strike).

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Características:

        Confiabilidade: baixa

        Padrão: continuação

        Figura - Linha de Separação de Alta (Bullish Separating Line).

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Características:

        Confiabilidade: baixa

        Padrão: continuação

         

        Há ainda padrões de continuidade BAIXISTA, observe-os:

         

        Figura - Três Métodos de Baixa (Falling three methods bearish).

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Características:

        Confiabilidade: alta

        Padrão: continuação

        Figura - In Neck Bearish.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Características:

        Confiabilidade: moderada

        Padrão: continuação

        Figura - Três Métodos de Queda (Downside Three Methods).

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Características:

        Confiabilidade: moderada

        Padrão: continuação

        Figura - Gap de Baixa de Tasuki (Downside Tasuki Method Bearish ou Downside Tasuki Gap).

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Características:

        Confiabilidade: moderada

        Padrão: continuação

        Figura - On Neck Bearish

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Características:

        Confiabilidade: moderada

        Padrão: continuação

        Figura - Linhas Brancas Lado-a-lado na Baixa (Side By Side White Lines Bearish).

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Características:

        Confiabilidade: moderada

        Padrão: continuação

        Figura - Linha de Separação de Baixa (Separatin Lines Bearish).

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Características:

        Confiabilidade: baixa

        Padrão: continuação

         

         

        7 Indicadores

        7.1 MÉDIAS MÓVEIS, CRUZAMENTO, BANDAS DE BOLLINGER.

        Uma das formas de captar essas características dá-se através de indicadores, que fazem parte da análise computadorizada, e que também são aproveitados pelos analistas gráficos para estabelecer padrões de compra e venda. Esses indicadores são calculados conforme o movimento dos preços, e cabe ao analista avaliar qual será o possível movimento dos preços com base nos padrões anteriores.

        Esses indicadores são chamados de indicadores técnicos. São obtidos através das propriedades matemáticas das séries de preços dos ativos. As principais informações utilizadas para a elaboração dos indicadores técnicos são:

        Média;

        Desvio Padrão;

        Máximos; e

        Mínimos.

        Através dos indicadores, torna-se possível determinar uma estratégia para os preços de compra e venda dos ativos. Entre os indicadores mais utilizados, é possível listar:

        Média móvel;

        Média móvel exponencial;

        Índice de força relativa;

        Momento;

        Moving Average Convergence/Divergence (MACD);

        On Balance Volume (OBV);

        Entre outros.

        Média Móvel Simples

        média móvel é a média de um período anterior ao observado, cujo período tende a variar ao longo do tempo conforme o ponto do tempo observado. A representação matemática da média móvel (ou média móvel simples) é:

        Em que:

        M é a média móvel;

        x é a série temporal (ativo observado);

         é o período utilizado para o cálculo da média móvel;

        é o instante observado; e

         é o somatório (de soma).

        A média móvel é basicamente uma fila de médias em que os preços mais recentes substituem os mais antigos. Quando uma média móvel cresce, significa que o último preço a ser incorporado à média é maior que o mais antigo.

        Quanto maior o Ï„, mais a média móvel será defasada em relação ao instante observado. No entanto, essa defasagem permite que seja observado se existe uma tendência, pois quanto maior é o prazo da média móvel, maior é a o prazo da tendência observada. Para ilustrar, usaremos a PETR4 para todos os exemplos posteriores de média móvel. Observe a diferença entre uma linha desenhada para a média móvel para 5 dias (verde) e para 20 dias (amarelo):

        Figura - Média móvel para 5 e 20 dias.

         

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Usá-la permite que a análise de preços dê menos peso às oscilações momentâneas e mais peso ao comportamento da série como um todo. Quanto maior o período analisado, menos peso as oscilações momentâneas possuem. Veja de modo destacado:

        Figura - Oscilações momentâneas.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        É comum a utilização de duas médias móveis para a análise: uma de período curto e outra de período longo. A média móvel de período curto (MC) indica o consenso do mercado no curto prazo (5 dias, por exemplo), e a média móvel de período longo (ML) indica o consenso de longo prazo (20 dias, por exemplo).

        As análises estratégicas baseadas nas médias móveis observam geralmente o cruzamento (também chamado de crossover) entre essas duas linhas (que, neste caso, seria um double crossover e, caso estivessem sendo usadas três medias móveis, triple crossover). Basicamente:

        Quando uma Mcruza a ML de baixo para cima, um ponto de compra é indicado. Observe um ponto de compra:

        Figura - Exemplo de ponto de compra.

        Fonte: Elaborada pelo autor.

        Já para a venda, a média móvel de curto prazo cruza de cima para baixo a de longo prazo:

        Figura - Exemplo de ponto de venda.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Média Móvel Exponencial

        média móvel exponencial se diferencia da média móvel simples (ou aritmética) apenas no cálculo da média. Ela existe para diminuir a quantidade de cruzamentos e deixar mais claro os momentos de compra e venda. Basicamente é uma média ponderada dos instantes passados. Ela pode ser representada por:

        Nessa formulação,  é um peso atribuído aos instantes no tempo. Conforme o   (uma constante), pode ser dado um peso maior ou menor aos preços mais recentes, o que torna essa média muito mais flexível para se adaptar às necessidades de análise. Geralmente   assume o valor 2/(n+1).

        O   assume valores entre 0 e 1. Quanto mais próximo de 1, maior é o peso dado às informações recentes; já quanto mais próximo de 0, menor é o peso dado às informações recentes e maior é o peso dado às informações passadas. Geralmente, é utilizada uma média móvel exponencial com maior peso para as informações recentes.

        Da mesma forma que a média móvel simples, a média móvel exponencial emite sinais de compra ou venda conforme a dinâmica apresentada para o cruzamento entre a linha de curto prazo e de longo prazo.

        Bandas de Bollinger

        Anteriormente, foram apresentados indicadores que utilizam a média como principal informação. Porém, o analista também pode utilizar a volatilidade (variações nos preços do ativo) como fundamento informacional. Na prática, se um título varia significativamente de preço em um período curto de tempo, ele pode ser considerado volátil.

        Um dos principais indicadores que permite a análise de volatilidade são as Bandas de Bollinger. Trata-se de linhas que envolvem as variações dos ativos. A análise de Bandas de Bollinger utiliza duas linhas: uma superior e uma inferior. Essas linhas envolvem as variações do ativo conforme o desvio padrão em relação à média móvel utilizada como referência. Essa média móvel pode estar ou não visível no gráfico. Observe um exemplo de Bandas de Bollinger (linhas em roxo ):

        Figura - Exemplo de Bandas de Bollinger.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Como é possível observar, as Bandas envolvem as variações dos ativos. Em determinados momentos, elas se estendem caso o preço do dia se comporte de forma muito discrepante em relação aos dos dias anteriores (a média móvel). Observe as Bandas em relação à média móvel para 5 dias:

        Figura - Bandas de Bollinger em relação à média móvel.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Para o cálculo das Bandas de Bollinger, geralmente são utilizadas as médias móveis simples de até 20 dias. Para o cálculo das Bandas de Bollinger, pode ser utilizada a seguinte nomenclatura:

        Linha central L(geralmente M, que é a média móvel);

        Bs: banda superior;

        Bi: banda inferior;

        : período utilizado para o cálculo da média móvel;

        t: instante observado;

         é o somatório; e

        n: quantidade de desvios padrões utilizados.

        Assim, a fórmula para a banda superior é:

        Já a fórmula para a banda inferior é:

        7.2 CONCEITO DE MOMENTUM, SOBRECOMPRA, SOBREVENDA E DIVERGÊNCIA.

        Anteriormente foram apresentados indicadores que se utilizam das médias e do desvio padrão para a tomada de decisão. Entretanto, há análises baseadas na capacidade de aceleração do preço ou volume da série financeira, ou seja, é um índice de mudança dos preços. Os indicadores baseados nessas informações são chamados de indicadores de momentum.

        Entre os indicadores que utilizam essas informações, podem ser destacados os seguidores de tendência e os osciladores. Alguns dos principais exemplos são:

        Figura - Principais exemplos de indicadores de momentum.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        momentum é, simultaneamente, um oscilador e um seguidor de tendência e pode ser representado pela seguinte expressão:

        Isto é, o momentum é a diferença entre o preço de fechamento no instante atual em relação aos preços de fechamentos dos períodos anteriores. Geralmente é adotado 5 ou 10 períodos anteriores.

        Para que o momentum seja utilizado corretamente é preciso comparar o valor atual com o seu histórico. Para isso, é preciso saber que:

        Se o ativo apresentou um período de intensa valorização e de forma prolongada, diz-se que está sobrecomprado;

        Se o ativo apresentou um período de intensa desvalorização e de forma prolongada, diz-se que está sobrevendido.

        Quando o momentum está no fundo e começa a subir, indica compra; já quando está no topo e começa a cair, o momentum indica venda. Para se ter clareza de como identificar esses momentos, no gráfico é apresentada uma linha superior e inferior à linha de momentum. Se o momento cruza a linha superior (que representa a zona de sobrecompra), é o momento de venda; caso ele cruze a linha inferior (que representa a zona de sobrevenda), trata-se do momento de compra. Observe:

        Figura - Linha de momentum e momento de compra e de venda.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        É possível, assim, traçar linhas de tendência para o próprio indicador de momentum e antecipar movimentos de preços:

        Figura - Linhas de tendência para o indicador de momentum.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Desse modo, é possível traçar linhas de tendência para o próprio indicador de momentum e antecipar movimentos de preços. A tendência é observada quando o indicador acompanha o próprio preço.

        No entanto, é possível que o indicador não acompanhe o preço. Nesse caso, há divergência. As divergências, nesse contexto, são as diferenças entre os preços e os indicadores. Elas sinalizam a reversão de tendência nos preços e possibilitam consolidar os momentos de encerramento das operações. As divergências podem ser altistas ou baixistas e são classificadas conforme o nível de força (confiabilidade):

        Divergência Altista

        De maior força (tipo A): quando os preços fazem um fundo ainda mais baixo que o anterior (tendência de baixa), enquanto o indicador faz um fundo mais alto que o antecedente. Portanto, indica uma possível alta em momentos posteriores (reversão de tendência). Obs.: Maior confiabilidade.

        De maior força (tipo B): quando os preços fazem um fundo duplo enquanto o indicador não faz um fundo mais baixo que o anterior. Assim, indica uma possível alta em momentos posteriores (reversão de tendência). Obs.: Média confiabilidade.

        De maior força (tipo C): quando os preços fazem um fundo ainda mais baixo que o anterior (tendência de baixa), enquanto o indicador faz um fundo duplo. Esse indicador indica mais uma estagnação do que uma reversão. Obs.: Baixa confiabilidade para reversão.

        Divergência Baixista

        De maior força (tipo A): quando os preços fazem um topo ainda mais alto que o anterior (tendência de alta), enquanto o indicador faz um topo mais baixo que o anterior. Portanto, indica uma possível baixa em momentos posteriores (reversão de tendência). Obs.: Maior confiabilidade.

        De maior força (tipo B): quando os preços fazem um topo duplo, enquanto o indicador não faz um topo mais alto que o anterior. Desse modo, indica uma possível baixa em momentos posteriores (reversão de tendência). Obs.: Média confiabilidade.

        De maior força (tipo C): quando os preços fazem um topo ainda mais alto que o anterior (tendência de alta), enquanto o indicador faz um topo duplo. Isso indica mais uma estagnação do que uma reversão. Obs.: Baixa confiabilidade para reversão.

        7.3 OSCILADORES: MOMENTO (ROC), ESTOCÁSTICO, IFR E MACD.

        Rate of Change

        Rate of Change (ROC) ou Taxa de Variação é um dos principais indicadores de oscilação, que mede a proporção de variação do preço do ativo. O ROC pode ser observado adiante:

        Assim, ROC é a razão entre o preço de fechamento no instante atual em relação aos preços de fechamentos dos períodos anteriores. Para analisar esse indicador, geralmente são utilizadas três linhas de referência:

        Linha Central (0% de variação);

        Linha de Superior (100% de variação); e

        Obs.: não é um máximo intransponível.

        Linha de Mínimo (-100% de variação).

        Obs.: é um mínimo intransponível.

        Se o ROC apresenta crescimento, indica a manutenção de uma tendência de alta ou a diminuição da força de uma tendência de baixa. Já se o ROC apresenta decaimento, indica a manutenção de uma tendência de baixa ou a diminuição da força de uma tendência de alta. Resumidamente:

         

        ROC > 0: há uma tendência de alta ou perda de força de uma tendência de baixa.

         

        ROC < 0: há uma tendência de baixa ou perda de força de uma tendência de alta.

         

        Assim, é sinalizada a oportunidade de compra quando o ROC cruza a linha 0 de baixo para cima. Já quando o ROC cruza a linha 0 de cima para baixo, indica oportunidade de venda.

        Figura - ROC e oportunidade de compra e venda.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Estocástico

        O estocástico é um oscilador que capta a capacidade de as forças de compra/venda encerrarem o período gráfico próximo do máximo ou do mínimo. Por exemplo, capta a capacidade da pressão compradora de encerrar um pregão próximo da máxima observada em um período de tempo anterior.

        A fim de se obter o estocástico, é necessário construir duas linhas. A primeira delas é chamada de linha rápida, a qual é representada da seguinte forma:

        Nessa fórmula, xt representa o preço de fechamento de um pregão, enquanto  equivale à mínima de um período T anterior a ele, e   representa a máxima de um período T anterior.

        Já a linha lenta (ou suave) é uma média móvel da linha rápida. Ela pode ser escrita da seguinte forma:

        Ou:

        Diferentes períodos podem ser adotados para a soma representada pela linha lenta, mas geralmente são realizadas as somas de 3 dias (n=3) da %K. Ou seja, são somados 3 dias da %K, que são divididos por 3. Dessa forma, a linha suave desconsidera mais as oscilações de curto prazo e representa melhor a tendência de longo prazo; enquanto a linha rápida representa melhor as oscilações de curto prazo, visto que concede maior atenção aos últimos acontecimentos.

        Essa análise usualmente é aplicada em períodos curtos de tempo, de 5 dias para a linha %K e 3 dias para a linha %D, indo geralmente até no máximo 10 dias observados.

        Há duas formas comuns de utilizar o estocástico na prática: o estocástico rápido e o estocástico lento.

        Estocástico rápido: é construído com base em duas linhas, %K e a %D, traçadas (mais sujeita às oscilações).

         

        Estocástico lento: é construído com base na linha %D traçada e em sua média móvel, que chamaremos de %M (a qual também pode ser de 3 dias).

         

        A fim de analisar o estocástico, são utilizadas linhas para determinar as sobrecompras e sobrevendas. Como o estocástico oscila entre 0 e 100%, é comum a utilização de zonas próximas desses limites, como 10/90, 15/85, 20/80, 30/70, entre outras.

        Caso o estocástico caia abaixo da linha de sobrevenda, é estabelecido o momento de compra. Caso ele suba acima da linha de sobrecompra, define-se o momento de venda.

        Índice de Força Relativa (IFR)

        Índice de Força Relativa (IFR) é um dos indicadores mais utilizados. Esse indicador mede a "força do ativo", ou seja, é utilizado para encontrar o ponto de exaustão do preço de um ativo. É calculado conforme a seguinte expressão:

        Nessa representação, o termo   representa a média dos dias de encerramento na máxima, e o termo   representa a média dos dias de encerramento na mínima. Ambos em relação ao período Ï„ observado. Quanto menor é esse período, maior é a volatilidade do indicador (maior a oscilação do IFR). Esse indicador varia entre 0 e 100.

        Geralmente são adotados períodos de 9, 14 e 25 dias, mas esse critério é subjetivo e, assim como os demais indicadores citados, deve ser testado para diferentes períodos a fim de avaliar qual é mais adequado para o ativo analisado. Geralmente, o IFR é utilizado em conjunto com outras formas de análise.

        Para estabelecer o nível de compra ou venda, são utilizados os conceitos de sobrecompra e de sobrevenda. As proporções utilizadas para determinar essas linhas são subjetivas e também podem variar entre 10/90, 15/85, 20/80, 30/70, entre outras. Caso esteja acima da linha de sobrecompra, define-se o momento de venda; caso esteja abaixo da linha de sobrevenda, configura o momento de compra. Observe:

        Figura - Sobrecompra e sobrevenda.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Nele as divergências também estão presentes e constituem importantes indicadores de tendências. Assim como nos casos anteriores, a diferença entre o sentido do IFR e dos preços pode indicar reversão para a compra (caso os preços indiquem baixa e o IFR alta - para a divergência A) ou reversão para venda (caso os preços indiquem alta e o IFR baixa - para a divergência A):

        Figura - Reversão para a compra e venda.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Moving Average Convergence Divergence (MACD)

        Moving Average Convergence Divergence (MACD) é um indicador que observa o comportamento entre duas médias móveis. Pode ser traduzido como "Convergência e Divergência de Médias Móveis". Assim, esse é o indicador que utiliza, no mínimo, duas médias móveis para indicar momentos de compra ou venda. Sua formulação pode ser observada abaixo:

        Isto é, a linha do MACD é composta pela diferença entre uma média móvel de curto prazo e uma média móvel de longo prazo. Geralmente, a média móvel utilizada é exponencial, sendo a MME de 12 dias utilizada para o curto prazo e a MME de 26 dias utilizada para o longo prazo.

        Além disso, há um outro elemento: uma linha de sinalização (Ms) que é composta por uma média móvel exponencial de prazo ainda mais curto (geralmente 9 dias). Essa linha pode apresentar pontos com três valores distintos:

        Caso MACD > 0: A M> ML A, logo o mercado está otimista sobre os movimentos seguintes nos preços.

        Caso MACD < 0: A M< ML A, logo o mercado está pessimista sobre os movimentos seguintes nos preços.

        Caso MACD = 0: A M= ML A, equilíbrio. Não há definição para o humor do mercado.

         

        Figura - Moving Average Convergence Divergence (MACD).

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        A fim de estabelecer momentos para a compra ou venda, é necessário observar a linha de sinalização, pois esse indicador não é particularmente útil para identificar compra ou vendas baseadas nas áreas de sobrecompra ou sobrevenda. Ainda assim, caso o MACD esteja muito alto, significa que a pressão compradora está muito acima do histórico, o que indica uma possível sobrecompra; assim como se o o MACD estiver muito baixo, indica uma possível sobrevenda.

        Caso o MACD cruze de baixo para cima a linha de sinalização, é apontado um momento para a compra; já quando o MACD cruza a linha de sinalização de cima para baixo, um momento para a venda é indicado. Uma das formas de compará-las é através do histograma:

        O histograma é positivo quando a linha MACD está acima de sua linha de sinalização e é negativo quando a linha MACD está abaixo desta linha.

        7.4 OBV (ON BALANCE VOLUME).

        On Balance Volume (OBV) é um indicador de momentum que se utiliza das variações do volume para identificar se ele está entrando ou saindo em momentos de pico ou declínio do volume. Esse indicador é representado pela seguinte fórmula:

        xt indica o preço de fechamento no instante atual, e xt-1 no instante anterior. Por exemplo: x= preço de fechamento hoje, e xt-1= preço de fechamento ontem. Dessa forma, o OBV dependerá do fechamento do instante analisado. Caso ele seja positivo, então o OBV do instante anterior é somado ao volume do instante analisado; caso negativo, o volume do instante é subtraído do OBV do instante anterior. Observe um exemplo:

        Figura - On Balance Volume (OBV).

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        A ideia de divergência também é aplicada a ele. Caso o preço apresente topos mais altos que os anteriores e o OBV não o acompanhe, é indicada uma possível reversão para uma baixa. Além disso, caso o preço apresente um fundo mais abaixo que o anterior, mas o OBV não o acompanhe, é indicada uma possível reversão para uma alta.

        8 Gerenciamento de Risco

        8.1 FUNDAMENTOS DE RETORNO X RISCO

        Em finanças é sabido que quanto maior é o retorno de um investimento maior é o risco associado a ele. Essa associação, que apresenta ressalvas, também se aplicada à análise técnica. Por exemplo, quanto maior é a volatilidade tolerada pelo analista para atingir o preço estabelecido como meta (preço alvo) maior é a possibilidade de alcançá-lo em determinado momento. Caso o analista não aceite determinada volatilidade, é capaz de ele sair do ativo antes de atingir o preço alvo. Veja o exemplo a seguir:

        Figura - Exemplo de volatilidade.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Observe que o analista determinou um preço mínimo a ser tolerado. Caso o ativo caia até determinado nível, ele vende o ativo e assim diminui o risco de maiores perdas. Todavia, caso ele tivesse uma tolerância maior, ele poderia ter alcançado o preço alvo maior e assim ter tido o ganho almejado. Veja o exemplo:

        Figura - Tolerância maior de volatilidade.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Assim, fica claro que o aumento do risco tolerado pelo analista aumenta consequentemente as chances de maiores retornos do investimento. Porém, essa estratégia poderia não ser bem-sucedida, ou seja, os sinais do ativo poderiam ser falsos e em seguida ter uma reversão para baixa.

        Sempre deve ter um limite para as perdas toleradas pelo analista. Ou seja, toda estratégia de investimento deve considerar o limite para as perdas dela. Como no caso do investimento em períodos curtos de tempo o investidor tem pouco tempo para constantemente acompanhar o ativo, é aconselhável determinar limites automáticos para as perdas. Esses são os chamados stops (paradas). Os Stops são as ordens utilizadas para limitar as perdas ou garantir os lucros das operações realizadas. Há diversas ordens programáveis pelo investidor no home-broker, entre elas:

        Start

        As ordens de Start são aquelas que indicam um momento de compra quando houver reversão de tendência em um ativo. Nela é definido uma diferença de preço que efetuará o disparado da ordem (irá iniciar a ordem programada). Por exemplo, um ativo estava em queda e o analista identifica uma possibilidade de reversão, portanto, ele orienta os investidores que programem uma ordem de compra para quando o ativo subir de R$17,00 para R$ 17,60. Essa ordem será então a ordem de Start. Assim, o Start sinaliza uma entrada em um determinado momento. Dessa forma há dois preços:

        Preço de disparo: preço em que o Start será ativado;

        Preço limite (ou preço de compra): o valor em que será realizada a compra.

        Stop Loss

        Os stop’s são, portanto, formas de limitar perdas em uma única operação. Perdas essas que poderiam ser transformadas em um investimento em outro ativo que possa dar retorno. Ou seja, quanto mais tempo se "gasta" esperando o ativo se recuperar de uma perda, mais oportunidades são perdidas. Portanto, há um custo de oportunidade em "afundar" junto com um ativo. O principal deles é o Stop Loss, em que também há dois preços a serem definidos:

        Preço de disparo: preço em que o Loss será ativado;

        Preço limite (ou preço de venda): o valor da venda mínimo a ser realizado.

        Stop Loss é uma ordem para vender uma ação caso ela atinja determinado preço, com o objetivo de limitar as perdas incorridas. Por exemplo, imagine que você comprou uma ação quando ela estava cotada em R$ 20,00, você pode colocar uma ordem stop loss para que ela seja vendida caso o seu preço se reduza para R$ 15,00, limitando as suas perdas em 25%. Similar ao stop loss, também é possível estabelecer uma ordem que define o montante de valorização de uma ação. Por exemplo, se você comprar uma ação a R$ 20,00, é possível emitir uma ordem para que ela seja vendida caso o seu valor supere os R$ 25,00.

        Stop Gain

        Já o Stop Gain objetiva assegurar um lucro definido pelo analista. Nela também é definido um preço limite inferior ao disparo, contudo, o objetivo nesse caso é limitar a queda na lucratividade, portanto, esses preços estão acima do preço no instante em que a ordem é colocada (diferente do Stop Loss, em que os preços limite/disparo estão abaixo do preço no instante em que são colocados). Por exemplo, o investidor comprou uma ação por R$ 15,00 e há uma previsão de chegue até no máximo R$ 18,00, portanto, ele define um Stop Gain com disparo em R$ 18,00 e uma venda em R$ 17,80.

        Stop Simultâneo

        Por fim, há o Stop Simultâneo que consiste em colocar tanto uma ordem de Stop Gain quanto uma ordem de Stop Loss, assim, definindo uma faixa para a variação do ativo conforme uma estratégia definida. Observe que todas as ordens citadas anteriormente não são colocadas por acaso. Todas elas dependem de uma estratégia definida para as operações.

         

        8.2 DEFINIÇÃO DE OBJETIVO E STOP.

        Para se definir o Stop, é preciso estabelecer qual é o preço que sinaliza que a operação fracassou. Esse preço pode ser definido de diversas formas. Entre elas:

        Stop Rígido

        Stop rígido pode ser definido como a determinação de um valor fixo abaixo da cotação no instante da compra do ativo. Esse valor é uma diferença de preço fixo abaixo da cotação do ativo. Por exemplo, o analista pode determinar que o Stop Loss estará sempre R$ 2,00 abaixo do preço de entrada em um ativo específico. Essa é a forma mais simples de determinar o Stop, mas uma das menos eficientes, posto que nem sempre um valor fixo adequa-se à volatilidade do ativo e a seu nível de preço.

        Average True Range (ATR)

        Já o Alcance Médio Verdadeiro Average True Range (ATR) - é a definição do Stop segundo um percentual de variação. Ele utiliza a medida de volatilidade de um período como forma de estabelecer o limite do Stop. Nele usa-se geralmente a diferença absoluta correspondente ao maior número entre as três medidas citadas adiante:

        Diferença entre o máximo e mínimo atual;

        Diferença entre o máximo atual e o fechamento anterior;

        Diferença entre o mínimo atual e o fechamento anterior.

        Essa diferença é calculada para um período, normalmente 20 instantes do tempo. Após isso, é feita uma média. O percentual desta é utilizado em relação ao preço atual para se estabelecer o Stop a ser utilizado.

        Múltipla Máxima/Mínima do Período

        Na múltipla máxima/mínima do período, usa-se simplesmente a máxima ou a mínima de um número de períodos determinado, por exemplo, a mínima de 2 períodos anteriores.

        Fechamentos Abaixo/Acima de Níveis de Preço

        Nos fechamentos abaixo/acima de níveis de preço, simplesmente utiliza-se o preço de rompimento de um suporte/resistência. No caso do Stop Loss para uma compra, utilizar-se-á o preço do rompimento da última resistência. Outra estratégia, nesse sentido, é estabelecer o Stop conforme as ondas captadas por Fibonacci. Caso seja possível identificá-las, basta colocar o Stop conforme o encerramento das ondas da tendência de alta (onda 12345 para a compra) antes que se reverta para as ondas ABC.

        Stop com Saída Confirmada por um Indicador

        Por fim, no caso do Stop com saída confirmada por um indicador, define-se o Stop conforme um indicador de força ou fraqueza do mercado, como um indicador de momentum (IFR, por exemplo).

        8.3 STOP MÓVEL

        Stop Móvel é uma alternativa de stop para os analistas que desejam definir uma regra para que o stop loss se movimente conforme mudanças nos preços do ativo. Por exemplo, suponha um ativo que se valorize constantemente durante vários dias, é interessante então ajustar a ordem de stop conforme prossegue a tendência de alta. Nesse caso, stop móvel ajusta automaticamente o stop conforme essa tendência ocorra. É importante destacar que esse ajuste só ocorre para cima quando se opera comprado em um ativo. Assim, no stop móvel você precisa definir 4 fatores:

        Figura - 4 fatores do Stop móvel.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        Para ilustrar isso, suponha um ativo cujo preço de compra é de R$ 10,00 e se valorize para R$ 12,00. Ao chegar nesse patamar de preço ao invés de vender é decidido atribuir um stop móvel, ou seja, é esperado que o ativo se valorize ainda mais. Através dessa ação é garantida parte da lucratividade adquirida e, além disso, é aproveitada a oportunidade de maior valorização.

        Suponha que no caso anterior o analista utilize um preço de disparo de R$ 11,50 e um preço de venda de R$ 11,30. Esses dois preços definidos inicialmente nunca mudam, e são fixos. Ou seja, não variam conforme o stop móvel se movimenta. O stop só se moverá a partir do início do stop móvel. Assim, o analista decide que o preço de início da função móvel é R$ 12,50 e o ajuste de preço do stop, que pode ser de R$ 0,10. Então, R$ 12,50 é o preço de início do Stop Móvel, e depois desse preço começa o ajuste de preço do stop e conforme o disparo, que passa a ser acrescido de R$ 0,10. Portanto, ao preço de R$ 12,50 o disparo (Não o inicial) passa ser R$ 11,60 e o preço de venda (Não o inicial) passa a ser R$ 11,40, depois disso, aumentos de R$ 0,01 no preço são acompanhados de aumentos de R$ 0,11 no disparo e no preço de venda. Lembre-se: o stop móvel só ajusta para cima nesse caso.

        9 Estratégias Operacionais

        9.1 SEGUIDOR DE TENDÊNCIA E CONTRA TENDÊNCIA

        Quando o mercado está em uma tendência clara (diagonal positiva ou negativa), geralmente, usa-se algum seguidor de tendência. Os seguidores de tendência são ferramentas que facilitam a visualização da direção do mercado, como as médias móveis. Já quando o mercado está andando horizontalmente é mais indicado utilizar um oscilador, como o MACD. No entanto, para que a operação não seja contaminada por falsas interpretações sobre a tendência analisada, foram desenvolvidos indicadores que demonstram a força da tendência. Para isso, é necessário ter em mente alguns conceitos ainda não apresentados. Há dois indicadores amplamente reconhecidos que auxiliam na determinação da tendência. São eles:

        Direcional Positivo (DI+) ou Plus Directional Indicator (+DI)

         

        Direcional Negativo (DI-) ou Minus Directional Indicator (-DI)

         

        Ambos os indicadores são osciladores que variam entre 0 e 100 e são calculados para períodos de, em média, 14 dias. Se a diferença entre o DI- e o D+ for pequena (cerca de 20 pontos ou menos) o mercado está na "horizontal", ou seja, não há uma tendência bem definida. Caso haja diferenças significativas (cerca de 40 pontos ou mais) entre eles, é indicado uma tendência. É importante destacar que esse oscilador não é indicado para a definição de pontos de compra, mas sim, para a definição da direção do mercado. Contudo, alguns analistas utilizam o cruzamento entre o DI+ e o DI- para indicar momentos de compra ou venda. Nesse caso, se o D+ cruzar o DI- de baixo para cima é indicado compra. Já caso o D- cruzar o D+ de baixo para cima é indicada venda. Mas como é encontrado o DI- e o D+? Para responder, primeiro é preciso saber se movimento é direcional para cima ou para baixo. Para isso, basta comparar a diferença entre dois máximos consecutivos e a diferença entre os dois mínimos consecutivos. Quando:

        a diferença entre os máximos for maior que a diferença entre os mínimos é dito que o movimento é direcional positivo

        a diferença entre os mínimos for maior que a diferença entre os máximos é dito que o movimento é direcional negativo.

        Considerando o segundo dia como D2 e o primeiro dia como D1, observe:

        Se [máx (D2) - máx (D1)] > [min (D2) - min (D1)]: O Movimento é considerado "Movimento Direcional Positivo - MDP" e é considerado [máx (D2) - máx (D1)] e descartado o [min (D2) - min (D1)].

         

        Se [máx (D2) - máx (D1)] < [min (D2) - min 9D1)]: O Movimento é considerado "Movimento Direcional Negativo - MDN" e é considerado [min (D2) - min (D1)]. e descartado o [máx (D2) - máx (D1)].

         

        Contudo, isso só vale se pelo menos um dos valores não é negativo. Caso (máxD2 - máxD1) ou (minD2 - minD1) dê um valor negativo, o valor negativo é desconsiderado. Caso ambos deem negativo, o movimento não é considerado direcional. Veja os candles a seguir:

        Figura - Candles.

        Fonte: Elaborado pelo autor.

        No primeiro candle (D1) temos:

        No segundo candle (D2) temos:

        Então o cálculo será:

        [máx (D2) – máx (D1)] = (20,04 – 20,95) = -0,91

         [min (D2) – min (D1)] = (19,08 – 20,36) = -1,28


        Nesse exemplo demonstrado não é considerado um movimento direcional pois ambos os valores são negativos. Para encontrar a linha DI+, o movimento direcional positivo é então realizado para cerca de 14 dias e é dividido pelo True Range (TR) demonstrado no capítulo 8 e depois multiplicado por 100 para encontrar o valor percentual correspondente a linha (que como dito anteriormente, vai de 0 a 100). Já para encontrar a linha DI-, o movimento direcional negativo é também realizado para cerca de 14 dias e é dividido pelo TR e depois multiplicado por 100 para encontrar o valor percentual correspondente à linha.

        Agora que se sabe se há uma tendência ou se o mercado está andando na horizontal, é preciso saber a força dessa tendência conforme o direcionamento dela. Para isso, é utilizado o Indicador Direcional Médio ou Average Directional Index (ADX). O ADX depende do índice de movimento direcional (DX) que corresponde a:

        O ADX é basicamente a média do DX para os últimos 14 dias observados e também varia entre 0 e 100. Geralmente, se considera que a tendência é fraca quando o ADX apresenta valores inferiores a 25 ou se o ADX está acima das linhas DI+ e DI- simultaneamente. Caso isso ocorra, o analista pode suspeitar da real existência de uma tendência. Caso contrário, com ADX apresentando valores superiores a 40, é indicada a existência de uma tendência.

        A identificação da tendência influencia diretamente na estratégia utilizada, porém, essa estratégia também depende do prazo da operação.

         

        9.2 ESTRATÉGIAS DE LONGO, MÉDIO, CURTO E CURTÍSSIMO PRAZO.

        Período

        Rentabilidade

        Curtíssimo Prazo ( Scalper )

        Minutos, horas

        Centavos de Ações

        Curto Prazo ( Daytrade )

        Menos de dois dias

        05% a 3%

        Médio Prazo ( Swingtrade )

        Poucos dias

        5% a 8%

        Longo Prazo ( Position )

        Várias semanas ou vários meses

        10% a 20%


        Em caso de existência de uma tendência identificada é preciso se posicionar no mercado. Contudo, esse posicionamento e a própria análise dependerá do prazo da operação. Em trades mais longos é observado que o investidor:

        se posiciona conforme a tendência e é administrada a posição conforme a evolução dela através de stops, aumentos de posição, retirada de parte do investimento, etc.

        se usa ferramentas de avaliação de tendência como média móveis simples e ponderadas.

        identifica claramente a perda de força da tendência através de sinais como formações de candles específicas de reversão.

        Já em trades mais curtos é o investidor observa que:

        há claras existências de suportes e resistências.

        é mais comum o uso de osciladores para momentos sem clara identificação da tendência. São utilizadas bandas de Bollinger mais curtas.

        a reversão de tendência ocorre de forma mais brusca, como gaps.

        Diante do exposto anteriormente, fica claro que saber o prazo das operações realizadas é fundamental para a estratégia a ser definida. Assim, há conceitos comumente aplicados para diferenciar as operações conforme os prazos delas. Entre os termos utilizados é comum observar:

        Position;

        As operações classificadas como position são aquelas em que o investidor se mantém na posição por várias semanas ou até vários meses. Nessas operações, consideradas de longo prazo, o investidor não necessita ficar constantemente acompanhando o ativo e são utilizados gráficos com períodos diários, semanais ou até mensais. É importante destacar que essa position se difere do simples Buy and Hold (comprar e segurar). Ao realizar uma operação position é observado o momento de entrar e sair do ativo, portanto, não é apenas comprar e esquecer do ativo na carteira. Nas operações de position são buscados ganhos maiores que nas demais operações (de 10% até 20%) e não é necessário um alto volume para sair dos ativos (liquidez), observado que o investidor tem mais flexibilidade para definir o momento de saída dele.

        Swingtrade;

        Já no swing trade são utilizados prazos menores que o position (poucos dias) e é considerada de médio prazo. Nessas operações são buscados ganhos inferiores ao position, porém, ainda maiores que nas demais modalidades: entre 5% a 8% de retorno. Nessas operações são utilizados gráficos diários. swing trade é considerado uma operação de médio prazo e se foca em observar momentos de reversão. A liquidez se torna mais importante nessas operações. Nessa operação há uma maior necessidade de observação do mercado do que no position, pois apesar de não precisar se "focar" exclusivamente no ativo adquirido, há uma necessidade maior de observação do mercado para encontrar oportunidades.

        Daytrade;

        No day trade as operações ocorrem ao longo do próprio dia, ou seja, são abertas e encerradas no mesmo dia. Assim, não há day trade que comece em um determinado pregão e encerra no pregão do dia seguinte. Para as operações desse gênero são utilizados períodos gráficos de até 60 minutos e se foca em ativos com maior liquidez pois a diferença de minutos em um ativo pode significar a perda da lucratividade na operação. Devido a isso, é considerada de curto prazo. Os ganhos das operações de day trade são menores, entre 0,5% e 3% em um único dia e exige dedicação quase que exclusiva para o acompanhamento do mercado. O day trade oferece maior risco do que as operações anteriormente citadas, pois depende mais da liquidez e é passível de tributação e corretagem que podem inviabilizar os ganhos. Contudo, o ganho acumulado ao longo de diversos dias de operação tende a ser bom.

        Scalper.

        Por fim, o scalping é uma operação mais ativa que o day trade. Portanto, o scalper é considerado um investidor ainda mais agressivo que os demais. O scalper tende a fazer cerca de 15 vezes mais operações que um day trader comum (investidor que faz day trade). O maior foco dos scalpers está na redução considerável da exposição às perdas. Para realizar operação desse gênero o investidor deve ter dedicação exclusiva às operações realizadas. No scalping o foco está em variações mínimas, como centavos em ações. Dessa forma, observam prazos curtíssimos e se utilizam de gráficos de poucos minutos e são altamente dependentes do volume negociado.

        9.3 COMBINAÇÃO DE DIVERSAS TÉCNICAS.

        Ao realizar um investimento é preciso estabelecer os limites de ganhos e perdas. Há duas formas para se definir isso:

        O método clássico: estabelecer uma ordem de venda para se proteger de perdas ou garantir ganhos conforme o conhecimento sobre a direção do mercado (identificadas com uma técnica) e as pretensões do investimento.

        Combinação de métodos: utilizar um mix de técnicas para definir um intervalo de preços de assim estabelecer os limites das operações realizadas.

        Por exemplo, um investidor busca fazer um position. Nesse caso é possível definir um objetivo de ganho conforme uma ferramenta como o Fibonacci, que demonstrará a posição do ativo no auge da estratégia e pode utilizar as médias móveis para observar a direção da tendência. Além disso, pode-se observar a movimentação dos preços através dos padrões candlestick. Ou seja, um método é utilizado para definir a meta e outro método é utilizado para acompanhar a evolução do ativo.

        Depois disso, esse mesmo investidor decide fazer outra operação, porém, um day trade. Segundo o tópico anterior, ele pode substituir os padrões candlestick por osciladores e assim identificar o momento mais adequado para desfazer a posição através deles. Além disso, ele pode observar a evolução do ativo através de simples suportes e resistência.

        Observe que a combinação de ferramentas depende do ativo, da janela de tempo observada e da tendência observada. Caso, por exemplo, o ativo comece a andar de "lado", sem uma tendência clara captada pelo ADX é recomendado que o investidor dê preferência por osciladores e busque por formações como Bandeiras. Essas formações são mais recorrentes em momentos de indecisão do mercado no curto prazo, assim, é importante observar se há gaps acompanhados pelos osciladores e volume, assim, indicando a direção do movimento.

        10 Trading Systems

        10.1 FUNDAMENTOS DOS SISTEMAS MECÂNICOS (ROBÔS)

        As operações recomendadas por analistas técnicos tendem a ter períodos de tempo mais curtos que as operações recomendadas por analistas fundamentalistas. Muitas vezes, essas operações apresentam prazos médios, curtos ou curtíssimos. Devido a essas características, é exigido um tempo considerável para acompanhar as operações e, além disso, o investidor está suscetível aos erros de decisão diante das oscilações. Uma solução para esse problema é a adoção de "robôs" programados conforme as estratégias definidas pelo analista. Dessa forma, o negociador pode se ocupar apenas em escolher as melhores estratégias e stops e deixar o acompanhamento com o robô programado.

        Porém, para que essa técnica dê certo é preciso que o robô seja corretamente orientado. Ou seja, eles dependem da capacidade crítica do analista. Assim sendo, esses robôs observam os níveis de preços do mercado e através deles identificam as características das séries e os padrões gráficos decorrentes delas. Esses robôs são chamamos tecnicamente de Trading Systems (TS). Os TS, como o próprio nome diz, são ferramentas de operação sistema no mercado financeiro e economizam tempo (observação e realização de ordens) e dinheiro (prejuízos decorrentes de fatores emocionais). Para que o TS funcione, são definidos parâmetros para os indicadores mais utilizados na análise técnica, como:

        • Média Móvel;
        • Média Móvel Exponencial;
        • Bandas de Bollinger;
        • Índice de Força Relativa;
        • MACD;
        • On Balance Volume

        Uma programação simples de TS é estabelecer que será executada uma compra quando as médias móveis de diferentes períodos cruzarem (preços iguais) e estabelecida a ordem de venda quando descruzarem. Identificar o indicador que será usado no TS é uma etapa crucial do TS. Para isso, é preciso estudar com afinco as características do ativo e as características do indicador utilizado. Devido à facilidade, os mais utilizados são as médias móveis. Isso realça o papel do analista na definição dos parâmetros utilizados. Mas essa é apenas uma das diversas etapas da construção do TS. Entre as etapas é possível listar:

        Definição do período gráfico (60 minutos, dia, mês, etc.);

        Escolha de quais indicadores técnicos serão utilizados (Média móvel, IFR, etc.);

        Definição dos parâmetros dos indicadores (Período observado pela média móvel, etc.);

        Definição das regras para entrada no ativo (Em que momento é realizada a posição comprada ou vendida);

        Definição das regras de saída do ativo (Tipo de stop, preço de disparo, preço alvo, reversão da posição, etc.);

        Realização do backtest; e

        Análise dos resultados do backtest.

        Observe que ao utilizar um TS é preciso definir uma série de regras que são parâmetros básicos das operações e estão vinculadas à estratégia. Por exemplo, o tempo dos gráficos maiores cobrem períodos de tempo maiores e, por englobarem oscilações maiores, são menos suscetíveis a ordens de compra ou venda (são realizadas menos operações). Isso está intimamente vinculado ao quanto se gastará com a execução das ordens de compra ou venda. Os TS são divididos em dois tipos:

        Trading System de Tendência: fundamentado em indicador de tendência (mais adequado para momentos de tendência - por utilizar indicadores como a média móvel)

        Trading System de Oscilação: fundamentado em indicador de oscilação (mais adequado para momentos de congestão do mercado - por utilizar osciladores como o IFR)

        10.2 CONCEITO DE OTIMIZAÇÃO E BACKTESTING DE INDICADORES TÉCNICOS

        Antes colocar em prática um TS, há a necessidade de realizar testes sem colocar capital em risco, para avaliar a estratégia elaborada e realizar as adaptações necessárias. Uma das formas de realizar esses testes é avaliar o desempenho que a estratégia teria no comportamento passado dos preços do ativo a ser operado, através de um método chamado de Back Testing.

        Back Testing consiste em testar o comportamento de uma estratégia de comercialização de ações através da simulação com dados histórico. Em outras palavras, verifica-se o comportamento que a estratégia teria caso ela tivesse sido elaborada em um período passado e mantida por determinado intervalo de tempo. A grande vantagem do Back Testing é que ele revela em que situação a estratégia adotada é vencedora.

        backtest é mais confiável quando mais dados são inseridos nele. Ou seja, estratégias baseadas em históricos maiores têm maiores chances de serem eficientes do que aquelas baseadas em históricos menores. Assim, TS testados em períodos longos do passado de um ativo têm maior confiabilidade de funcionarem no futuro.

        Através do backtest são testados os parâmetros e caso eles não se adequem corretamente ao histórico é possível alterar o TS sem que haja prejuízo com operações erroneamente executadas pelo TS.

        Mas como é a estrutura do TS na prática? Essa estrutura é composta de 4 Elementos:

        Editor: recurso através do qual é elaborado o código do TS.

        Compilador: transforma o código em programa executável.

        Otimizador: trata o código para que ele seja o mais eficiente possível.

        Run-time: programa que executará as estratégias do TS.

        Dessa forma, após o backtest é realizada a avaliação do resultado e são melhorados os parâmetros (otimização) para que o TS funciona conforme os dados da amostra da série de dados.